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Em qualquer cidade do mundo, existem sempre curiosidades, que muitas vezes passam despercebidas por turistas e até locais. O significado de um monumento, de uma estátua, de um desenho em um muro e por aí vai.

Por aqui não é diferente e resolvi selecionar só 5 curiosidades sobre Milão (as que geralmente eu mostro durante os passeios culturais) para tornar seu passeio quase uma experiência investigativa. Três deles ficam concentrados na Praça Duomo e você só não vai procurar na sua próxima passagem por Milão, se não ler esse port.

1. A porta “bombardeada” do Duomo

Para quem não sabe, Milão foi intensamente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e os bombardeiros de agosto de 1943 foram os mais intensos. A nossa catedral não foi diretamente bombardeada e diz a lenda que foi por causa de um acordo verbal feito entre o cardeal de Milão, Idelfonso Schuster com os ingleses.

curiosidades de Milão

Mas os arredores do Duomo foram destruídos e o Palazzo Reale, Galleria, Scala e até a loja La Rinascente, saltaram pelos ares. Com isso, parte da catedral foi danificada com os estilhaços dos pesados bombardeios, que lançaram toneladas e toneladas de bombas na cidade.

Na porta central do Duomo é possível ver as marcas nas cenas que contam a história da vida da Virgem Maria.

2. O calendário solar do Duomo

Mais uma entre as várias curiosidades da catedral que muita gente nem percebe, já que entra olhando para cima, impressionados com a sua grandiosidade.

Mas mesmo quem olha o lindo pavimento original do século 16, às vezes não entende o que fazem ali, em uma igreja, os desenhos dos signos do zodíaco.

O calendário do Duomo fica perto das portas frontais e é uma linha de bronze que corta de norte a sul o chão e ainda sobe por três metros pela parede (norte – nave da esquerda), onde termina com a imagem do signo de Capricórnio.

Ele foi colocado em 1776 durante o domínio austríaco e é de clara influência iluminista. Ele foi realizado por dois astrônomos de Brera e foi pensando para mensurar com precisão o meio dia e para determinar a data (móvel) de Páscoa.

Como funciona? Entrando na catedral, vá até o lado direito e olhe para o teto. A 24 metros de altura você vai ver um pequeno furo. É ali que ao meio dia (solar) entra a luz do sol e marca na meridiana a hora e o período do ano.

Esse ano, durante um passeio cultural, entrei na catedral as 13h11 (horário de verão) do dia 21 de junho, dia do solstício de verão. Nem tinha me ligado na data e quando fui mostrar a meridiana, um pequeno grupo de milaneses estava em volta do desenho do signo de Câncer.

milão curiosidades

Ficamos parados esperando que a faixa de luz solar se aproximasse do desenho. As 13h17 a luz iluminava do desenho marcando o dia 21 de junho. Impressionante.

Quando o calendário/relógio foi realizado, um funcionário ficava controlando a luz e quando a luz marcava meio dia, ele saía no adro da igreja e agitava uma bandeira branca. Um colega, que ficava na torre do Palácio do Giureconsulti (do outro lado da praça) o via e também agitava uma bandeira branca em direção ao Castelo Sforzesco, onde finalmente um soldado dava o sinal e disparavam um tiro de canhão para marcar o meio-dia.

A próxima vez que você entrar no Duomo, não perca. Todo mundo se diverte tentando achar o próprio signo.

3. As setas da Praça Duomo

A praça monumental milanesa tem várias atrações turísticas: o Duomo, a Galeria, o Museu 900, o Palácio Real, a enorme estátua de Vittorio Emanuele no meio. Com tantas “distrações”, ninguém repara nas duas setas meio apagadas que ficam em duas colunas dos pórticos ao lado norte da praça, em frente a uma das entradas do metrô.

Milão dicas guia de Milão

Elas sinalizavam os abrigos subterrâneos pela cidade durante a Segunda Guerra Mundial.  Várias delas estão espalhadas por outras partes da cidade.

4. O interfone orelha

Poucos turistas se aventuram pelos arredores de Corso Venezia. Uma pena, já que a zona é uma das mais elegantes de Milão (a minha preferida) com seus palácios do século 18 (ao longo do Corso) e suas ruas tranquilas que formam o Quadrilátero do Silêncio emoldurado pela bela arquitetura Liberty do início do século 20.

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Em um desses palácios, em Via Serbelloni 10, no Palácio Sola Busca, fica uma originalíssima orelha esculpida em mármore pelo escultor milanês Adolfo Wildt nos anos 30 e que por alguns anos serviu de interfone. Hoje não funciona mais, mas não tem quem passe e não tire uma foto.

4. O ‘contorno’ da Coluna Infame

A história é milanesíssima e mesmo assim muitos locais não a conhecem. Tudo começa no século 17, durante a pior peste que se abateu sob cidade: a grande peste de 1630, onde 1/3 da população morreu.

O medo e o fanatismo permeavam a ‘lenda’ de que a peste era transmitida por improváveis “untores” , nome que em do verbo untar, lambuzar, que apoiados a muros e portas transmitiam através de um unguento, a fatídica doença.

Até que um dia, um pobre do agente de saúde foi acusado por duas mulheres de ter sido visto passando a mão em uma porta. Capturado e torturado, confessou e indicou um cumplice, o barbeiro Gian Giacomo Mora.

Na barbearia do coitado, em Corso di Porta Ticenese, foram encontrados pastas, pomadas e unguentos (temos que lembrar que esses profissionais também eram médicos, na época) que foram confundidos com a substância pestífera.

Gian Giacomo também foi capturado, torturado de forma bárbara e achando que poderia livrar a pele, mentiu, confessando tudo.

Os dois foram levados para Piazza Vetra (atrás da Basílica de San Lorenzo) e foram colocados em uma roda, tiveram todos os ossos quebrados, ficaram expostos por 6 horas antes de serem queimados vivos.

A barbearia foi demolida e no lugar foi colocada uma coluna de granito e uma lápide, que lembrava a barbaridade cometida. Em 1803 a coluna foi destruída e a lápide hoje fica no pórtico do Elefante no Castelo Sforzesco.

Quem desce hoje o Corso de Porta Ticinese quase nem repara na obra na esquina da Rua Gian Giacomo Mora e se repara, não entende a escultura côncava que fica na esquina.

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Ela está ali, como o ‘contorno’ da Coluna Infame destruída, lembrando uma história que está longe, mas que foi um dos episódios negros da cidade. Uma outra lápide colocada em frente explica a história.

Para cada uma dessas curiosidades, Milão tem muitas outras, bem interessantes, mas quem sabe ficam para um outro post.

Existem várias maneiras de conhecer uma cidade: tem quem se aventure pelas ruas com um guia nas mãos, tem quem circule confortavelmente sentado em ônibus de 2 andares e cada um sabe o que é melhor para a própria viagem, mas conhecer uma cidade com um tour ou passeio guiado em português, de forma personalizada pode realmente enriquecer a sua experiência e cada vez mais tem quem opte por conhecer os segredos da história, lendas e costumes de uma cidade ao lado de quem vive no lugar e que sabe interpretar as expectativas do turista brasileiro pelo mundo afora.

Passeios culturais a pé ou em bicicleta, tours em museus ou com degustações, eles são pensados para atender pequenos grupos, com necessidades e interesses específicos, de forma personalizada, já que o esquema 30 pessoas atrás de um guia com guarda-chuva levantado não faz parte do repertório.

tour em milão em portugues

Passeio cultural no Castelo Sforzesco em Milão

A vantagem de conhecer uma cidade com quem conhece a cidade, é se embrenhar por ruelas que sozinho você não ousaria, é saber porque naquele monumento ou palácio tem aquela pintura ou afresco, onde é o melhor lugar para comer a especialidade da cidade e como não cair em frias.

Eu costumo dizer, que faço passeios com intermediação cultural, já que é inevitável durante o tempo junto, que surjam perguntas sobre as diferenças entre o Brasil e a cidade que você está visitando. Coisas que só um guia-acompanhante brasileiro pode te contar, já que conhece os dois lados.

Tour e passeios em com guias e acompanhantes brasileiras em Milão, Florença, Barcelona, Porto, Paris, Londres, Berlim, o time de brazucas que mostram o melhor das suas cidades os brasileiros é grande e inclui vários tipos de passeios.

Além dos nossos passeios culturais a pé por Milão e os acompanhamentos aos arredores como Como, Verona e Veneza, quem viaja para outras cidades europeias pode contar com a companhia e conhecimento de várias profissionais (clique nos links dos blogs para saber mais sobre os serviços oferecidos).

A historiadora Cristina Rosa, do blog Sol de Barcelona, faz tours a pé ou de bicicleta pela capital da Catalunha, mas tem também um tour pelo famoso Bairro Gótico e um que percorre as obras do arquiteto Antonio Gaudí. Pura beleza!

tour em Barcelona

Cristina durante tour em Barcelona

Quem visita a Cidade Luz, pode contar com a ajuda da brasileira Laura Prospero, que escreve o blog Laura em Paris, mora lá desde 1992 e oferece passeios a pé para conhecer cada cantinho da cidade mais visitada da Europa.

No Porto, a paulista Rita Branco, que conhece cada cantinho da cidade e comanda o blog O Porto Encanta, dá assistência a brasileiros que querem conhecer melhor a segunda maior cidade de Portugal, tudo com muita descontração.

Rita (à direita) mostrando o Porto com descontração

Rita (à direita) mostrando o Porto com descontração

Que vai a Berlim pode contar com a ajuda do casal Nicole e Pacelli, que estão por lá há 5 anos e oferecem vários tipos de passeios pela capital e comandam o blog Agenda Berlim.

Em Londres, Vivi Monteiro do blog Vivi em UK faz os tours clássicos pela capital, mas oferece também tours para os adolescentes loucos pelo mago mais famoso da literatura, Harry Potter e acompanhamentos a arredores com Oxford e Stonehenge e até com o chá das 17h.

tour portugues em Londres

Vivi (à direita) durante tour em Stonehenge

Em Florença a carioca Cristiane Oliveira do site Guia de Florença é habilitada oficialmente para mostrar o melhor da cidade do Renascimento, incluindo os museus, como a famosa Galleria degli Uffizi.

Da próxima vez que você vier para a Europa, considere a possibilidade de conhecer a cidade de maneira diferente a aprofundada. E quem conhecer guias brasileiros em cidades europeias não citadas aqui, pode deixar as dicas nos comentários.

Boa viagem e bom tour!

O design e Milão

Milão conquistou nas últimas décadas a fama de capital da moda e do design. Apesar da publicidade nas mídias, o conceito de design italiano permanece muitas vezes abstrato: se sabe que existe, mas não se sabe bem o que é. Na verdade, os nossos designers levaram para o mundo, inovações que entraram na vida cotidiana, muitas vezes melhorando-a.

luminaria arco

Aqui alguns exemplos, na verdade os meus preferidos, de inovações criadas por designer milaneses, sejam de nascimento ou por escolha.

A cadeira em policarbonato Kartell

Difícil de usar na moldagem, até os anos 90 o policarbonato não era utilizado no mundo dos móveis. Depois de anos de pesquisa a empresa milanesa Kartell consegue dar vida a um produto de design industrial: La Marie, a primeira cadeira no mundo realizada em policarbonato toma forma em 1999 com desenho de Phillipe Starck. Não precisa nem dizer que outros produtos de sucesso em policarbonato foram produzidos pela Kartell e outras empresas com sucesso nesses últimos 15 anos.

cadeira Kartell

Para quem quiser conferir esse ícone, é só dar uma passadinha na nova Eataly Milão para o almoço ou aperitivo para se sentar em uma cadeira Kartell.

O blazer desestruturado de Giorgio Armani

A produção de Armani abrange vários tipo e modelos de roupas, mas é com o blazer que o estilista revoluciona nos anos 80 o design: os suportes internos são removidos, os botões são mudados de lugar e as proporções tradicionais são modificadas. Nasce assim o blazer desestruturado, símbolo absoluto do seu estilo.

blazer Armani

O blazer vira protagonista do tailleur de corte masculino que Giorgio Armani desenha para as mulheres. Com tonalidades de cinza misturado com bege, sem cores fortes ou estampas floreais, o estilo Armani significa para milhares de mulheres uma elegância descontraída e finalmente autônoma.

Hoje esse estilo é a normalidade, mas antes de Armani não era.

A luminária Arco de Floss

Os irmãos Castiglioni, dupla de arquitetos milaneses, criaram para a Floss em 1962 essa luminária que até hoje é vendida da sua versão original e está entre umas das mais copiadas.

Ainda semana passada, em um passeio pelos subsolos da La Rinascente que hospeda o Desig Market, eu suspirava em frente de uma enquanto segurava a etiqueta com o preço. Confesso que acho ela linda, porque gosto daquele design datado mas que mais de 50 anos depois, ainda é atual.

luminaria floss

O conceito principal do Arco é a sua versatilidade e praticidade, que nasce da ideia de ter um ponto de luz efetivamente suspenso em cima do lugar desejado, que pode ser uma mesa, escrivaninha ou um livro, sem ter que estar vinculado a um sistema a suspensão com um ponto fixo.

Arco ainda hoje é o protótipo de inúmeras luminárias produzidas por outras marcas e baseadas no mesmo conceito.

Concluo esse brevíssimo percurso no design milanês com um nome que nos deixou recentemente e falando de design de interiores.

Design de interiores: Musée d’Orsay

Na ocasião da transformação de velha estação ferrovíaria em museu, é Gae Aulenti que projeta os espaços internos do percurso expositivo do Musée d’Orsay.

É ela que opta pela pedra calcarea clara, que dá luminosidade as salas, aproveitando ao máximo a luz que entre pela abóboda em vidro e ferro e que ao mesmo tempo rende o espaço um lindo conjunto.

design interiores Milão

Podemos dizer que quando admiramos os impressionistas em Paris, atrás de Cezanne e Renoir existe literalmente a milanesíssima Gae Aulenti.

Fotos: wikicommons e internet

Bellagio e Varenna: as pérolas do Lago de Como

Apareceu na novela, em alguma revista ou caderno de turismo? Porque os brasileiros, esse ano, parecem ter descoberto Bellagio, a linda cidadezinha que fica na ponta da privilegiada ponta da ramificação do lago de Como, que tem a forma de um Y de cabeça para baixo.

Esse mês de junho e julho foi um dos passeios aos arredores de Milão  mais procurados pelos clientes… e em setembro a procura continua.

Você pode incluí-las em um estadia mais longa em Como ou em um bate e volta ao lago a partir de Milão.

passeios lago como bellagio

Mas o lindo lago lombardo tem também uma outra pitoresca cidadezinha, na parte das margens de Lecco, que rivaliza com Bellagio o título de Pérola do Lago de Como: é Varenna.

As duas cidades, que ficam bem em frente uma da outra, são ligadas pelos barcos que fazem o transporte de passageiros no lago e se você tiver um dia livre pela frente, pode visitar as duas, já que se são vilarejos pequenos.

Bellagio

Uma das cidades mais famosas do Lago de Como, era um renomado local de férias, hoje conta com pouco mais de 3.000 habitantes e fica a 1 hora da cidade de Como com o barco rápido.

Ainda que conheça gente que tenha pernoitado na localidade, acho que ela vale mais para uma passada, um pouco mais demorada se incluir um almoço ou um café no final da tarde.

Visitar Bellagio Lago Como

O barco que parte de Como atraca no ínicio da beira lago, que reune restaurantes e hotéis e que partir da primavera ficam lotados. É a beira d lago que ficam as duas renomadas vilas da cidade: Villa Serbelloni, que hoje é o único hotel 5 estrelas de Bellagio (o parque é visitável para grupos organizados e com reserva) e a Villa Melzi d’Eril, propriedade privada e ainda hoje, residência. O seu parque fica aberto a visitações do final de março até início de novembro.

Mas a verdadeira atração fica por contas das ruazinhas que levam a parte de cima do vilarejo, onde turistas entram e saem das pequenas lojas de souveniers e de boutiques.

Visita lago Como e Bellagio

Não resta que fazer a mesma coisa, talvez se dedicando a entrar rapidamente nas duas igrejas que ficam na colina: San Giorgio e a basílica de San Giacomo, um pouco escura mas bem bonitinha.

Para quem vai em um bate a volta a partir de Como, a visita dura entre 2 ou 3 horas, tempo suficiente para apreciar o dolce far niente regado pelo sol de primavera ou verão.

Quem prefere fazer as coisas com mais calma, pode escolher de pernoitar ao menos uma noite na cidade. Reserve seu hotel em Bellagio pelo Booking, clicando aqui.

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Varenna

Fica na frente de bellagio, mas na parte da ramificação do lago que pertence a Província de Lecco. Era um antigo vilarejo de pescadores e que hoje conta com menos de menos de 1.000 habitantes.

Vale para um bate e volta a partir de Como  e, por que não, combinada com uma passagem por Bellagio, a qual é ligada por uma breve distância de barco.

Varenna Visitar Lago de Como

É mais plana que a sua rival, tem uma beira lago menos poluída pelos pontos de barco e, quer saber? É a minha preferida entre as duas, até porque me parece menos turística.

Confesso que já faz alguns anos que não retorno (todos pedem Bellagio), mas me lembro de suas ruazinhas, de um sorvete maravilhoso que tomei (ok, aqui não é difícil) e das “prainhas” da cidade.

A maior atração da cidade é a linda Villa Monastero, que fica ao longo do lago, é propriedade da Provincia de Lecco e hospeda uma casa museu e um lindo jardim botânico.

passeios lago como varenna

Mais uma das belezas da Lombardia para você incluir no seu roteiro. Reserve seu hotel em Varenna com o Booking, clicando aqui.

A viagem entre Como e Bellagio dura 1 hora com barco rápido (14,90 por trajeto) e 1 hora e 50min com o barco lento (8,90 por trajeto). Clique no site da empresa de navegação para saber os horários, que mudam segundo a estação do ano.

Site empresa de navegação Lago de Como (em inglês)

Site Turismo Bellagio

Site Turismo Varenna

*Esse post contém link para afiliados (Booking). Para saber sobre nossa política de monetização, clique aqui.

Fotos: Milão nas mãos

Foto da vista de Varenna: Wikicommons – autor: Aconcagua

As igrejas de Milão e seus ‘tesouros’

Segundo o historiador de arte italiano Phillipe D’Averio, Milão só perde para Roma em número de igrejas. Infelizmente, elas não são os principais pontos turisticos de interesse dos milhares de visitantes que chegam a Milão todos os anos.

Uma pena, já que conhecer igrejas, principalmente em um país como a Itália, é entender e contextualizar cada período e a sua história, jáque por séculos a vida religiosa e civil da cidade eram em simbiose permanente.

A importância das igrejas milanesas, vai além do seu famoso (e maravilhoso) Duomo, já que foi aqui, em 313 d.C que o imperador Constantino assinou o Edito de Milão, que legalizou o cristianismo.

De origens paleocristãs, medievais, renascentistas e barrocas, as igrejas de Milão muitas vezes escondem “tesouros” que podem passar despercebidos aos turistas menos atentos.

Aqui uma listas bem pessoal dos mais importantes, alguns bem centrais e com visita gratuíta.

Santa Maria della Passione

A segunda maior igreja depois do Duomo tem seus encantos, como as capelas (escuras) decoradas com quadros de grandes pintores lombardos e o órgão imponente com as portas pintadas pelo pintor Daniele Crespi.

Mas a minha menina dos olhos alí é a belissíma Sala Capitolare, local onde os monjes e padres se reuniam para partecipar de várias assembléias. Colocada na parte de trás da igreja, em um dos lados do claustro, quem não tem um guia (Touring em italiano) nem sabe da sua existência.

igrejas Milão

De forma retangular, é decorada com quadros e afrescos do grande artista renascentista Bergognone que representam Jesus e os apóstolos e santos e doutores da igreja. Um céu azul e estrelado completa o cenário, na abóboda da sala. Linda!

San Bernardino alle Ossa

A pequena igreja localizada atrás do Duomo de Milão, é de origem medieval mas foi reconstruída em tempos sucessivos. A grande atração fica por conta da capela ossário, exemplo barroco da arte de decoração com ossos.

Milão igrejas

As quatros paredes do pequeno ambiente são tapeçadas de ossos provenientes de antigos cemitérios da área que formam a decoração com cruzes e lacinhos e podem impressionar os mais sensíveis. Conta a história que Don João V ficou fascinado com o lugar, quando passou por Milão no século 18.

Vale realmente a visita, porque não é toda a cidade que tem uma igreja do gênero.

Duomo

Todo mundo entra, dá a volta admirando as milhares de estátuas externas, sobe até aos telhados, mas poucos descem abaixo da catedral para conhecer a áera arqueológica que abriga os restos da basílica precedente (Santa Tecla – sec. 4) e do batistério de San Giovanni, também do século 4 e onde Santo Ambrosio batizou Santo Agostinho.

Duomo Milão subterraneos

Um pedaço da Milão Romana embaixo dos pés dos desavisados turistas que invadem a catedral.

Santa Maria em San Satiro

Mais um dos nossos tesouros escondidos, dessa vez quase que literalmente, já que quem passa apressado descendo Via Torino, não nota do lado esquerdo uma pequena igreja, de fachada anônima, atrás de um portão colocado em um nicho da calçada.

Entre para conhecer uma das obras primas da arquitetura do Renascimento milanês que guarda um “segredo”, desvendado só para quem se aproxima lentamente da abside.

Milão igrejas

O grande arquiteto Bramante, contemporâneo de Da Vinci, é o autor da ilusão ótica que permitiu criar uma abside falsa em um espaço de menos de 1 metro. O restante da igreja também vale cada minuto passado dentro dela.

Com certeza, uma das mais belas de Milão.

San Maurizio

Chamada a Capela Sistina de Milão, já valeria a visita só por esse título.

A belissíma igreja, completamente afrescada, em grande parte pelo pintor lombardo Bernardino Luini, fazia parte de um complexo muito mais vasto, que abrigada um monastério feminino de freiras beneditinas de clausura que recebiam as filhas das famílias abastadas de Milão a partir da metade do século 16.

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dicas guia de Milão igrejas

Não tenha pressa e aprecie cada centímetro das duas partes da igreja: a dedicada as freiras de clausura na parte de trás (repare no grande órgão) e a parte da frente, dedicada aos fiéis com a contro fachada pintada pelo professor de Caravaggio, o grande e quase desconhecido Simone Peterzano.

San Maurizio fica em uma área arqueológica importantíssima da cidade, no eixo do antigo Decumano Romano e o seu interior pode ser considerado um museu da arte pictórica lombarda do século 16.

Basilica San Lorenzo

A basílica de origem milenar, já que sua origem é de época romana, conserva na Capela de Santo Aquilino, construída come mausoléu imperial,  mosaicos e decorações paleocristãs belíssimas do século 6, que representam Cristo entre os apóstolos.

sanlorenzo

Reformada durante os séculos, é possível reconhecer parte dos muros perimetrais originais e descendo atrás do altar da capela, se tem acesso a um pequeno subterrâneo com as fundações romanas.

Basilica di Sant’ Ambrogio

Uma das quatro basílicas construídas pelo primeiro arcebispo milanês, Ambrósio, tem suas origens no século 4 d.C e é um dos símbolos do cristianismona cidade.

Seu interior é rico de surpresas, como o sárcofago de Stilicone, afrescos e pinturas nas capelas e a parte do altar, que abriga talvez a maior obra de ate da basílica: uma grande urna de ouro, de idade carolíngia (sec. 9) e uma das maiores expressões da arte ourivesaria lombarda.

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A abóboda da abide é decorada com um grande mosaico dourado com partes do século 5 e 8 e que representa o Redentor no trono.

Uma capela ao lado direito da basílica (visita a pagamento) abriga outro grande mosaico da cidade: San Vittore in Cielo d’Oro, colocado na parte da cúpola e rodeado de outros mosaicos que respresentam Santo Ambrosio, São Gervasio e São Protasio.

Basilica di Sant’Eustorgio

Outra grande obra do Renascimento em Milão fica no interior da antiga basílica, que hospeda a elegante Capela Portinari, construída pelo banqueiro dos Medici (Pigello Portinari) na cidade e afrescada pelo grande pintor Vicenzo Foppa em uma explosão de cores.

Guia de Milão igrejas

Inteiramente restaurada nos último anos, a capela também abriga o lindo sarcófago gótico, em mármore, com os restos de San Pietro Martire, esculpido por giovanni da Balduccio entre 1335-1339

A basílica abriga também uma arca onde diz a lenda que repousam alguns ossos dos Reis Magos e a cripta embaixo do altar mostra restos arqueológicos de uma necrópole paleocristã.

Fotos: Milão nas mãos, WikiCommons (Carlo dall’Orto)

Horários e informações:

Santa Maria della Passione
Via Conservatorio, 12
De seg a sab: das 8 às 12  e das 15.30 às 18
Dom: das 9.30 às 12 e das 15.30 às 18.30
Entrada gratuíta
 
San Bernardino alle Ossa
Piazza Santo Stefano
De seg a sex: das 7.30 às 12 e das 13.30 às 18
Sab: das 9.30 às 12.30
Dom: das 9.30 às 12.30 e das 16.30 às 19.30
Entrada gratuíta
 
Duomo
Piazza Duomo
Subterrâneos – de ter a dom: das 10 ás 18
Fechado: 1 janeiro – 1 maio – 15 agosto – 25 dezembro
Ingresso: 6 euros (o bilhete dá direito também ao Museu do Duomo)
 
Santa Maria em San Satiro
Via Torino, 17
De ter a sab: das 9.30 às 17.30
Dom e feriados: das 14 às 17.30
Entrada Gratuita
 
San Maurizio
Corso Magenta, 15
De ter a sab: das 9.30 às 17.30
Fechada: 24, 25,  26 e 31 dezembro – 6 janeiro – 1 maio
Entrada Gratuita
 
Basilica de San Lorenzo
Corso Porta Ticinese, 35
De seg a sab: das 730 às 18.30
Dom: das 9 às 19
Ingresso Capela Sant’Aquillino: 2 euros
 
Basilica Sant’Ambrogio
Piazza Sant’Ambrogio, 15
De seg a sab: das 10 às 12 e das 14.30 às 18
Dom: das 15 às 17
Ingresso tesouro: 3 euros
 
Basilica de Sant’Eustorgio
Piazza Sant’Eustorgio, 3
Basilica: todos os dias das 8 às 12 e das 15 ás 18.30
Capela Portinari: todos os dias das 10 às 18
Ingresso capela: 6 euros (inteiro) – 3 euros (reduzido) – 1 euro (até 14 anos)
 
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