As igrejas de Milão e seus ‘tesouros’

Segundo o historiador de arte italiano Phillipe D’Averio, Milão só perde para Roma em número de igrejas. Infelizmente, elas não são os principais pontos turisticos de interesse dos milhares de visitantes que chegam a Milão todos os anos.

Uma pena, já que conhecer igrejas, principalmente em um país como a Itália, é entender e contextualizar cada período e a sua história, jáque por séculos a vida religiosa e civil da cidade eram em simbiose permanente.

A importância das igrejas milanesas, vai além do seu famoso (e maravilhoso) Duomo, já que foi aqui, em 313 d.C que o imperador Constantino assinou o Edito de Milão, que legalizou o cristianismo.

De origens paleocristãs, medievais, renascentistas e barrocas, as igrejas de Milão muitas vezes escondem “tesouros” que podem passar despercebidos aos turistas menos atentos.

Aqui uma listas bem pessoal dos mais importantes, alguns bem centrais e com visita gratuíta.

Santa Maria della Passione

A segunda maior igreja depois do Duomo tem seus encantos, como as capelas (escuras) decoradas com quadros de grandes pintores lombardos e o órgão imponente com as portas pintadas pelo pintor Daniele Crespi.

Mas a minha menina dos olhos alí é a belissíma Sala Capitolare, local onde os monjes e padres se reuniam para partecipar de várias assembléias. Colocada na parte de trás da igreja, em um dos lados do claustro, quem não tem um guia (Touring em italiano) nem sabe da sua existência.

igrejas Milão

De forma retangular, é decorada com quadros e afrescos do grande artista renascentista Bergognone que representam Jesus e os apóstolos e santos e doutores da igreja. Um céu azul e estrelado completa o cenário, na abóboda da sala. Linda!

San Bernardino alle Ossa

A pequena igreja localizada atrás do Duomo de Milão, é de origem medieval mas foi reconstruída em tempos sucessivos. A grande atração fica por conta da capela ossário, exemplo barroco da arte de decoração com ossos.

Milão igrejas

As quatros paredes do pequeno ambiente são tapeçadas de ossos provenientes de antigos cemitérios da área que formam a decoração com cruzes e lacinhos e podem impressionar os mais sensíveis. Conta a história que Don João V ficou fascinado com o lugar, quando passou por Milão no século 18.

Vale realmente a visita, porque não é toda a cidade que tem uma igreja do gênero.

Duomo

Todo mundo entra, dá a volta admirando as milhares de estátuas externas, sobe até aos telhados, mas poucos descem abaixo da catedral para conhecer a áera arqueológica que abriga os restos da basílica precedente (Santa Tecla – sec. 4) e do batistério de San Giovanni, também do século 4 e onde Santo Ambrosio batizou Santo Agostinho.

Duomo Milão subterraneos

Um pedaço da Milão Romana embaixo dos pés dos desavisados turistas que invadem a catedral.

Santa Maria em San Satiro

Mais um dos nossos tesouros escondidos, dessa vez quase que literalmente, já que quem passa apressado descendo Via Torino, não nota do lado esquerdo uma pequena igreja, de fachada anônima, atrás de um portão colocado em um nicho da calçada.

Entre para conhecer uma das obras primas da arquitetura do Renascimento milanês que guarda um “segredo”, desvendado só para quem se aproxima lentamente da abside.

Milão igrejas

O grande arquiteto Bramante, contemporâneo de Da Vinci, é o autor da ilusão ótica que permitiu criar uma abside falsa em um espaço de menos de 1 metro. O restante da igreja também vale cada minuto passado dentro dela.

Com certeza, uma das mais belas de Milão.

San Maurizio

Chamada a Capela Sistina de Milão, já valeria a visita só por esse título.

A belissíma igreja, completamente afrescada, em grande parte pelo pintor lombardo Bernardino Luini, fazia parte de um complexo muito mais vasto, que abrigada um monastério feminino de freiras beneditinas de clausura que recebiam as filhas das famílias abastadas de Milão a partir da metade do século 16.

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dicas guia de Milão igrejas

Não tenha pressa e aprecie cada centímetro das duas partes da igreja: a dedicada as freiras de clausura na parte de trás (repare no grande órgão) e a parte da frente, dedicada aos fiéis com a contro fachada pintada pelo professor de Caravaggio, o grande e quase desconhecido Simone Peterzano.

San Maurizio fica em uma área arqueológica importantíssima da cidade, no eixo do antigo Decumano Romano e o seu interior pode ser considerado um museu da arte pictórica lombarda do século 16.

Basilica San Lorenzo

A basílica de origem milenar, já que sua origem é de época romana, conserva na Capela de Santo Aquilino, construída come mausoléu imperial,  mosaicos e decorações paleocristãs belíssimas do século 6, que representam Cristo entre os apóstolos.

sanlorenzo

Reformada durante os séculos, é possível reconhecer parte dos muros perimetrais originais e descendo atrás do altar da capela, se tem acesso a um pequeno subterrâneo com as fundações romanas.

Basilica di Sant’ Ambrogio

Uma das quatro basílicas construídas pelo primeiro arcebispo milanês, Ambrósio, tem suas origens no século 4 d.C e é um dos símbolos do cristianismona cidade.

Seu interior é rico de surpresas, como o sárcofago de Stilicone, afrescos e pinturas nas capelas e a parte do altar, que abriga talvez a maior obra de ate da basílica: uma grande urna de ouro, de idade carolíngia (sec. 9) e uma das maiores expressões da arte ourivesaria lombarda.

ambrogio

A abóboda da abide é decorada com um grande mosaico dourado com partes do século 5 e 8 e que representa o Redentor no trono.

Uma capela ao lado direito da basílica (visita a pagamento) abriga outro grande mosaico da cidade: San Vittore in Cielo d’Oro, colocado na parte da cúpola e rodeado de outros mosaicos que respresentam Santo Ambrosio, São Gervasio e São Protasio.

Basilica di Sant’Eustorgio

Outra grande obra do Renascimento em Milão fica no interior da antiga basílica, que hospeda a elegante Capela Portinari, construída pelo banqueiro dos Medici (Pigello Portinari) na cidade e afrescada pelo grande pintor Vicenzo Foppa em uma explosão de cores.

Guia de Milão igrejas

Inteiramente restaurada nos último anos, a capela também abriga o lindo sarcófago gótico, em mármore, com os restos de San Pietro Martire, esculpido por giovanni da Balduccio entre 1335-1339

A basílica abriga também uma arca onde diz a lenda que repousam alguns ossos dos Reis Magos e a cripta embaixo do altar mostra restos arqueológicos de uma necrópole paleocristã.

Fotos: Milão nas mãos, WikiCommons (Carlo dall’Orto)

Horários e informações:

Santa Maria della Passione
Via Conservatorio, 12
De seg a sab: das 8 às 12  e das 15.30 às 18
Dom: das 9.30 às 12 e das 15.30 às 18.30
Entrada gratuíta
 
San Bernardino alle Ossa
Piazza Santo Stefano
De seg a sex: das 7.30 às 12 e das 13.30 às 18
Sab: das 9.30 às 12.30
Dom: das 9.30 às 12.30 e das 16.30 às 19.30
Entrada gratuíta
 
Duomo
Piazza Duomo
Subterrâneos – de ter a dom: das 10 ás 18
Fechado: 1 janeiro – 1 maio – 15 agosto – 25 dezembro
Ingresso: 6 euros (o bilhete dá direito também ao Museu do Duomo)
 
Santa Maria em San Satiro
Via Torino, 17
De ter a sab: das 9.30 às 17.30
Dom e feriados: das 14 às 17.30
Entrada Gratuita
 
San Maurizio
Corso Magenta, 15
De ter a sab: das 9.30 às 17.30
Fechada: 24, 25,  26 e 31 dezembro – 6 janeiro – 1 maio
Entrada Gratuita
 
Basilica de San Lorenzo
Corso Porta Ticinese, 35
De seg a sab: das 730 às 18.30
Dom: das 9 às 19
Ingresso Capela Sant’Aquillino: 2 euros
 
Basilica Sant’Ambrogio
Piazza Sant’Ambrogio, 15
De seg a sab: das 10 às 12 e das 14.30 às 18
Dom: das 15 às 17
Ingresso tesouro: 3 euros
 
Basilica de Sant’Eustorgio
Piazza Sant’Eustorgio, 3
Basilica: todos os dias das 8 às 12 e das 15 ás 18.30
Capela Portinari: todos os dias das 10 às 18
Ingresso capela: 6 euros (inteiro) – 3 euros (reduzido) – 1 euro (até 14 anos)
 

Milão em 1 dia: dicas do que fazer

Turisticamente falando, acho que para conhecer a maioria das médias-grandes cidades do mundo serviria pelo menos 1 semana. As cidades com uma grande concentração de arte e cultura então, nem se falam.

Mas por vários motivos, essa não é a permanência dos turistas nas cidades e no caso de Milão, infelizmente esse número cai drasticamente e muitos deles passam só 1 dia inteiro por aqui.

Foi pensando nisso, que resolvi dar as minhas dicas do que fazer em Milão em 1 dia, pensando em um passeio turístico a pé pela cidade. Os horários são mera indicação e é claro que você pode levar mais ou menos tempo para fazer cada coisa.

O dia vai ser puxado e começa cedo, mas um bom par de sapatos confortáveis e disposição para descobrir a cidade são suficientes para aguentar a pegada. Bom passeio!

9h- Praça Duomo e a catedral: A beleza da cidade dá o melhor de si nas primeiras hora do dia, quando as lojas ainda estão fechadas e turistas e milaneses começam a se preparar para mais um dia. Chegar a Praça Duomo por volta das 9hs pode fazer a diferença (se puder antes, melhor), você não vai encontrá-la vazia, mas menos cheia.

Ninguém pode passar por Milão sem passar por alí. Contemple com calma o Duomo e suas agulhas de mármore, cenário de um mundo de cerca 2.700 estátuas na parte de fora. Admire telamões, santos e gárgulas, sem esquecer da mais importante senhora milanesa, a Madonnina, que domina a agulha maior, antes de entrar.

No seu interior, não deixe de notar uma Meridiana (no chão, perto das portas), os vitrais que contam a história de santos e o evangelho, a famosa estátua de São Bartolomeu dissecado no fundo da nave direita e a cripta de São Carlos embaixo do altar.

telhados duomo milao

Para dizer mesmo que conheceu o Duomo de Milão, se o tempo é bom, vale a pena subir aos telhados e ter uma vista da cidade.

A praça hospeda também outros palácios importantes que você vai ver, como o Palácio Real, dedicado aa grandes mostras temporárias da cidade e o Museu Novecentos, a coleção municipal de arte contemporânea.

11h- Galeria Vittorio Emanuele: depois de deixar a catedral, entre e atravesse devagar a Galeria Vittorio Emanuele ou como é chamada aqui: “Il salotto di Milano”, ou seja, a sala de estar dos milaneses, com seu ar chique e seus restaurantes hoje turísticos, mas que estão alí quase desde a abertura.

Um dos templos das compras de luxo da cidade, a Galeria foi construída no finald o século 19 como um corredor coberto que ligasse a Praça Duomo a Praça Scala. Repare no pavimento original e nos mosaicos abaixo da grande cúpola de vidro, que representam os quatro continentes.

Para quem quiser curtir um pouco a atmosfera, uma opção é sentar no café Gucci para um cafezinho de luxo.

11h30- Praça Scala: do outro lado da Galeria fica a outra praça famosa da cidade, que leva o nome do conceituado teatro de lírica, o Teatro alla Scala.

A fachada neoclássica não deixa ninguém de bocas abertas, porque todo o seu esplendor está no seu interior, com sua bela sala a forma de ferradura de cavalo que ainda hoje hospeda a temporada lírica, de ballet e da filarmonica da cidade.

Uma curiosidade para os brasileiros, é saber que foi alí, em março de 1870 que o compositor Carlos Gomes estreou o ópera O Guarani.

12h- Castelo Sforzesco: deixando a Praça Scala volte em direção ao Duomo e siga na direção oposta até chegar ao Castelo Sforzesco.

Ampliado em época Renascentista como castelo defensivo, se transformou em residência ducal na metade do século 15 e viu seus anos de fama como uma das cortes mais refinadas do Renascimento durante o período que Leonardo da Vinci viveu e trabalhou por alí, afrescando uma das salas.

castelo milao

Hoje, o castelo abriga vários museus municipais de grande importância. Vale a pena entrar pelo menos no Museu de Arte Antiga e contemplar a sala afrescada por Leonardo e a Pietà Rondanini di Michelangelo, que fica no final do percurso.

Se optar por não visitar o museu, atravesse o castelo observando a sua estrutura, formada ainda de parte da fossa e das torres de guarda. Saindo pela parte de trás, se dá de cara com o maior parque da cidade, o Parque Sempione, antigo bosque de caça da família ducal nos tempos áureos do castelo.

A essa altura você já deve estar um pouco cansado. A opção é descansar embaixo de uma árvore no parque, se o clima permitir ou, dando as costas para o castelo, com o parque a frente, sair pelo portão da direita em direção ao bairro de Brera, para o almoço.

14h- Brera: o antigo bairro dos artistas e da casas de prostituição até os anos 50, hoje é um dos metros quadrados mais caros da cidade e meta de turistas e locais que aproveitam seus bares, restaurantes, lojas e galerias.

A moldura são os prédios lindinhos mas que conversam ainda a arquitetura popular das casas milaneses dos séculos passados. Em Via Fiori Chiari, você pode decidir parar para o almoço com um panino (sanduíche) ou uma salada no histórico Bar Brera ou nos restaurantes da rua, como o milanesíssimo Nabuco ou, um pouco mais para frente na rua, o mais moderno Fiori Chiari Plates. É sempre em Brera, que ficam também os já citados Ristorante Al Pozzo (bom e baratíssimo) e o modernoso Pisacco.

bairro brera milao

15h30- Pinacoteca de Brera: Nada melhor depois ao almoço e da descansada, que retornar a descoberta de Milão com obras de Caravaggio, Mantegna, Raffaello, Bellini, Hayez e outros grandes nomes, no maior museu da cidade. Realmente vale investir um pouco do seu dia para conhecer essa maravilha.

Visualize o mapa Praça Duomo-Brera  clicando aqui

17h- Corso Garibaldi – Cso. Como: Depois da visita, partindo da Pinacoteca de Brera siga até Corso Garibaldi e continue em frente caminhando e curtindo as lojinhas e lojonas, como a Eataly e 10 Corso Como que estão antes de você chegar na parte moderna da cidade.

17h30- Praça Gae Aulenti: é novíssima e seu arranha-céu principal, o Torre Pelli, já é um ponto de referência na cidade, com seu pináculo que remete aos seus similares na grande Duomo.

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Olhe um pouco as vitrines das lojas que dão para a praça ou simplesmente sente-se para olhar o vai e vém, antes de descer em um dos lados e pegar o metrô na Estação Garibaldi (linha verde) e ir até a Estação Porta Genova (linha verde). Saindo da estação, pegue Via Vigevano para terminar seu dia com um happy hour na sugestiva área dos canais de Milão.

Visualize o mapa Brera-Praça Gae Aulenti clicando aqui

18h30- Navigli: outro bairro popular da cidade, com suas casas de balaustras debruçadas em pátios internos e que hoje concentra inúmeros bares e restaurantes onde locais se refugiam depois do expediente para o famoso ritual do aperitivo.

navigli canais milao

Visualize o mapa Estação Porta Genova-Navigli clicando aqui

O dia foi longo e cansativo, mas antes de se despedir de Milão, escolha um dos bares e relaxe com um Spritz (um clássico milanês) ou qualquer outro drink antes de voltar para o hotel com a certeza de ter explorado ao máximo a cidade.

Museus de Milão: novos horários e preços

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O mês de julho trouxe algumas mudanças para o mundo dos museus italianos (no que diz respeito aos museus estaduais) e milaneses (no que diz respeito aos museus municipais).

Só para entender melhor essa classificação de museus, as cidades italianas tem vários tipos: os estaduais (statali), os municipais (civici) e os privados (privati).

O atual ministro do turismo e bens culturais, anunciou algumas mudanças para os museus estaduais, como a abolição da gratuidade para maiores de 65 anos, a permanência da gratuidade para menores de 18 anos e a redução do custo do bilhete para pessoas entre 18 e 25 anos.

museus milao preços

A grande novidade é a entrada gratuíta no primeiro domingo de cada mês e a realização de duas noites no museu, onde a entrada será de apena 1 euro. A mudança também prevê que os museus fiquem abertos até as 22hs todas as sexta-feiras.

Em Milão, o único museu estadual é a Pinacoteca de Brera.

A grande parte da rede museal de Milão é formada por museus municipais e nessa última segunda-feira 14 de julho, a prefeitura introduziu as mudanças anunciadas há alguns meses:

* Tarifa única de 5 euros para todos os seus museus (eles tinham bilhetes de preços diferentes e até gratuidades). Atenção: no castelo, o bilhete de 5 euros dá direito a entrar em todos os museus que fazem parte dos museus do castelo (no mesmo dia)

* Bilhete turístico de 12 euros com validade de 3 dias a partir da data de emissão, que dá direito ao acesso a todos os museus

* Bilhete anual para residentes com a tarifa de 35 euros com acesso ilimitado e descontos em mostras especiais e nos bookshops

* O acesso continua gratuíto para menores de 18 anos e com ingresso ao custo de 3 euros para maiores de 65 anos

* Entrada gratuíta todos os dias 1 hora antes do fechamento dos museus e todas as terças a partir das 14 horas

museus milao

Entre os museus municipais milaneses, estão os belos museus do Castelo Sforzesco, como a Pinacoteca do Castelo, o Museu Egipcio, o Museu dos Instrumentos Musicais, e o incrível Museu de Arte Antiga, onde é possível admirar a Pietà Rondanini de Michelangelo, além do Museu Novecentos, Aquario, Galeria de Arte Moderna, Museu Arqueologico, Museu do Risorgimento, Museu do Palácio Morando, Museu de História Natural, Muba (museu da criança), PAC, Planetário, Estúdio Museu Francesco Messina.

O valor de 5 euros do bilhete não é válido para as mostras especiais no Plazzo Reale e Palazzo dela Ragione. O único museu municipal que continua gratuíto é a interessante casa museu Boschi di Stefano, que faz parte do circuito das casas museus milanesas (todas as outras são museus privados).

Os bilhetes turisticos e anuais podem ser comprados nas bilheterias de qualquer museu da rede, sem custo de pré-venda.

Escolha seu museu em Milão e boa visita.

Programação de Julho a Setembro 2014

O verão não é a estação cultural mais movimentada de Milão, a causa das férias dos locais, mas como cidade de arte, Milão não pode deixar na mãos seus turistas, italianos e estrangeiros e o que não falta são opções de mostras e festivais nos próximos meses para aproveitar o verão europeu por aqui.

Mostras e exposições

Para quem passa por aqui nas duas primeiras semanas de julho, ainda há tempo para aproveitar 3 mostras que estão chegando ao final nesse domingo.

Klimt – Origens de um mito – de 12 de março a 13 de julho 2014 – Palazzo Reale

Realizada em colaboração com o museu Belvedere de Viena, a mostras apresenta pela primeira vez em Milão algumas das obras primas mais conhecidas do pintor austríaco, provenientes de importantes museus, entre as quais “Adão e Eva”, “Judite II”, “Girassol”. O percurso expositivo se fecha com a reconstrução original do Friso de Beethoven, exposto desde 1902 no Palácio Secessão de Viena.

Bernardino Luini e seus filhos – de 10 de abril a 13 de julho – Palazzo Reale

O grande pintor lombardo, colocado no grupo dos pintores leonardescos (seguidores estilísticos de Leonardo da Vinci) é o autor de afrescos de grande importância na cidade, como a minha adorada igreja de San Maurizio e de quadros de sublime beleza.

Finalmente Milão dedica a ele (e seus filhos) uma mostra que reúne obras provenientes das coleções da cidade  e com empréstimos de coleções européias e americanas.

Cildo Meireles – de 23 de março a 13 de julho 2014  – HangarBicocca – Informações aqui

Installations, é a primeira mostra individual do famoso artistita plástico brasileiro na Itália e expõe 12 instalações, realizadas dos anos 70 a hoje, no enorme espaço do HangarBicocca. Eu conferi e adorei. Grátis

Genesis – de 26 de junho a 2 de novembro – Palazzo della Ragione

O último grande trabalho de Sebastião Salgado, a sua viagem fotográfica pelos cinco continentes por 8 anos para contar o nosso planeta, chega a Milão para uma mostra de centenas de fotografias em preto e branco de rara beleza.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Marc Chagall – de 17 de setembro a 18 de janeiro 2015 – Palazzo Reale

A maior retrospectiva dedicada ao pintos russo na Itália, traz mais de 200 obras, na maior parte, pinturas.

Segantini – de 18 de setembro a 18 de janeiro 2015 – Palazzo Reale

Música e Cinema

Estate Sforzesca – de 3 de julho a 4 de setembro

Esse ano volta a Milão o evento que traz ao Castelo Sforzesco concertos de música clássica, jazz, visitas guiadas ao castelo e projeções de filmes ao ar livre no Cortile della Rochetta.

Ritmo in città – até 23 de julho – Informações aqui  

Até 23 de julho, uma série de concertos de jazz na cidade, como o do grupo americano Take 6, em várias locações.

Mito Settembre Musica – 4 a 21 de setembro – vários lugares – Informações aqui

Volta a Milão o evento musical mais famoso da cidade, com concertos de todos os tipos, preços e para todas as idades.

musica milao

Pharrell Williams – 20 de setembro 2014 – Mediolamum Forum – Vendas ingressos aqui

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Como usar o metrô em Milão

A melhor maneira de conhecer Milão é, na minha opinião, a pé. Mas o turista que não se hospeda nas imediações do cento, vai ter que pegar o metrô em algum momento. Para as dimensões de Milão, a rede de metrô de Milão serve muito bem a cidade, chegando as principais áreas com suas quatro linhas e mais os meios de superfície, operados pela ATM (Azienda di Trasporte Milanese).

Ultimamente, alguns clientes me perguntaram como comprar os bilhetes nas máquinas self-service nas estações e como funciona a integração e as tarifas. Deixo aqui então algumas dicas de como usar o metro em Milão e não ter surpresas.

Linhas

São quatro (verde, vermelha, amarela, lilás), apesar de que você vai ver a linha MM5 (lilás), mas isso porque a linha 4 ainda não foi construída. A linha em azul no mapa é o passante, que é uma espécie de trem urbano.

rede metro Milao

Elas abrangem grande parte da área metropolitana e as linhas verde e vermelha saem da área urbana e chegam a outros municípios nos arredores da cidade, avançando em mais de 20km (linha verde).

O centro histórico é servido basicamente pelas linhas amarela e vermelha (estação Duomo) e zonas como Navigli e Brera ficam no eixo da linha verde.

Bilhetes e Tarifas

Os bilhetes de metrô tem tarifas diferentes, já que se paga pelo percurso percorrido, e assim os bilhetes dos percursos que saem da área urbana são mais caros.

Urbano (1,50 euros): dá direito a uma viagem de metrô ou ônibus ou bondinho, mais uma integração (dentro de 90 min) com um meio de transporte diferente. Exemplo: depois de sair do metrô pegar um ônibus ou pegar um bondinho e depois o metrô.

Giornaliero (4,50 euros): é o bilhete que vale 24 horas a partir do momento da primeira validação e serve para todos os meios de transporte urbanos da ATM como metrô, ônibus e bondinhos. Faça as suas contas: se você acha que vai fazer mais de 3 viagens em um dia, já vale a pena comprar o giornaliero.

Bigiornaliero (8,25 euros): dá os mesmos direitos do giornaliero, mas tem a validade de 48 horas a partir do momento da primeira validação.

Bilhetes extra-urbanos: têm tarifas diferentes segundo o percurso percorrido. Para quem vai a estação de Rho-Fiera para partecipar das feiras de Milão, como o salão do Móvel, por exemplo, paga 2,55 euros, já que Rho é um outro município. A mesma coisa para quem usa a linha verde em direção Cologno, Gessate ou Assago. Nesse caso, a tarifa muda segundo a estação de destino. Por exemplo, de Milão para Gessate o bilhete custa 3,05 euros.

Como comprar

Para quem não se preocupa em se aventurar no italiano, os bilhetes podem ser comprados nas bancas de jornais que ficam dentro das estações. Basta pedir: un urbano, due urbani, un giornaliero, etc ou dizer o nome da destinação, caso você tenha que sair fora da área urbana: un biglietto per Gessate.

Nos finais de semana ou a noite as bancas estão fechadas e a solução é recorrer as máquinas self-service, que são touch screen.

Toque para acionar a máquina e selecione “Lingua”. A melhor coisa é escolher o espanhol.

Bilhetes urbanos unitários:

Selecione Billete Normal Urbano 1,50 euro.

Para comprar mais bilhetes, aperte o sinal + até chegar a quantidade desejada.

Pague com dinheiro em notas ou moedas e espere a impressão dos bilhetes e o troco.

metro em Milao

Bilhetes para Feira de Milão:

Para comprar bilhete para a feira, selecione já na primeira tela a opção Billete Feira Rho ida 2,55 euro.

É possível também selecionar a opção ida e volta (lado esquerdo da tela).

Bilhetes urbanos diários de 1 ou 2 dias:

Selecione Urbanos na primeira tela.

Na segunda tela, selecione a opção Billete urbano 1 dia 4,50 euro ou Billete urbano 2 dias 8,25 euro.

Pague e espere a impressão dos bilhetes.

usar metro milao

Bilhetes fora da área urbana:

Na primeira tela, selecione Colectivos (a foto está em italiano: cumulativi)

Na segunda tela selecione o tipo de bilhete segundo a zona de destinação (estação de destino). Você pode se orientar com a tabela (ex: Biglieto Cumulativo U + 1 zona)

Pague e espere a impressão do bilhete e eventual troco.

milao metro bilhetes

ATENÇÃO:

* Não aceite ajuda para comprar seus bilhetes. Em muitas estações, ciganos ficam em volta das máquinas “ajudando” e esperando por dinheiro depois. Leia sobre segurança no metrô, nesse post.

* Os bilhetes devem ser colocados na catraca e retirados. No lado de trás, ele é carimbado com a data e a hora da validação. A partir desse momento você tem 90 minutos para usar a integração com outros meios de transportes ATM.

* Se você subir em outro meio de transporte como ônibus e bondinho, valide de novo seu bilhete nas máquininhas dentro dos meios.

* Conserve o bilhete para eventuais controles e para sair do metrô em algumas estações e em certos horários (colocando ele de novo na catraca).

* Não viaje nos meios de superfície, sem bilhetes. No caso de controle, quem é pego sem bilhete paga uma multa de cerca 35 euros, na hora, em dinheiro.

* Para quem vem morar em Milão para estudar na cidade, informe-se sobre os “abbonamenti” que podem ser mensais ou anuais.

Boa viagem!

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