agenda_brasil

Já faz 3 anos que o Brasil faz parte do calendário da programação cultural outonal milanesa, com o Agenda Brasil, evento que durante 1 semana traz um pouco de cinema, música, fotografia, literatura e artes plásticas do nosso país para a vida dos milaneses.

A programação desse ano, que vai de 7 a 14 de novembro e é realizada pela Associação Vagaluna, homenageia o cantor Chico Buarque com um show tributo da cantora Ana Flora e a cidade do Rio de Janeiro, com a mostra fotográfica @Rio365, documentário fotográfico realizado por moradores e turistas na cidade maravilhosa, registrados através do Instagram durante 1 ano.

Rio365

Mas já que os filmes brasileiros não aterrissam nas salas italianas, são os 10 títulos exibidos esse ano a grande atração dessa semana. E qual não foi a minha surpresa, lendo a lista dos selecionados ao encontrar um nome conhecido: o do diretor pernambucano Camilo Cavalcante, com quem nos remotos anos 90 fiz um workshop na Escola de Cinema de Cuba e dei boas risadas.

Camilo, que estará presente em Milão, vai apresentar o seu mais novo trabalho, A história da eternidade, filme que conta 3 histórias de amor em um minúsculo vilarejo no Sertão e que levou 5 prêmios no Festival de Paulínia (SP) esse ano.

Fazem parte da programação ainda:

  • A coleção invisível (Bernard Attal) – estará presente o diretor
  • Estômago (Marcos Jorge)
  • Faroeste caboclo (René Sampaio)
  • O homem do futuro (Claudio Torres)
  • Hoje (Tata Amaral)
  • Orfeu Negro (Marcel Camus)
  • Rio 2096 (Luiz Bolognesi)
  • Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro)
  • La sottile linea brasiliana (Marilia Cioni)

Todos os filmes serão exibidos no Museu Interativo do Cinema (MIC), que eu finalmente vou ter a oportunidade de conhecer, em versão original e legendados em italiano.

Para horários e toda a programação, consulte o site da Associação Vagaluna

Milão nas mãos é parceiro na divulgação desse evento. Esse post não é um publieditorial.

Milão: 48 horas com menos de 48 euros

É possível passar 2 dias em Milão gastando pouco e conhecendo alguns pontos importantes da cidade, misturando arte e mundanidade?

Sim, é possível. Tirando a hospedagem, é claro, a cidade oferece uma série de opções baratas ou grátis, como já contei nesse post. Aqui, eu pensei em deixar algumas dicas do que fazer em Milão em 2 dias gastando até 48 euros.

Dia 1

10h  7 €
Onde: Telhados do Duomo

O Duomo de Milão é a primeira parada de qualquer turista. Impressionante por fora, onde mostra o melhor do seu majestoso mármore, é nos telhados que confirma a fama da sua beleza gótica medieval.

Enfrente sem temer as centenas de degraus. Você não vai se arrepender quando estiver lá em cima, tête-à-tête com as 135 estátuas que decoram os pináculos.

13h – 2,50 €
Onde: Luini

Ao lado do Duomo, é o panzerotto mais famoso da cidade. A fila é uma mistura de locais e turistas bem informados que vão atrás do salgado de origem pugliese, recheado de mozzarela de búfala e tomate.

Como contei nesse post, a melhor coisa é saborea-lo na Praça San Fedele ou na Praça Scala.

14h – 0 €
Onde: Gallerie d’Italia

Situada na Praça Scala, uma visita a Gallerie d’Italia  valeria a pena nem que fosse para conhecer os dois palácios que hospedam a coleção privada do banco Intesa Sa Paolo.

Dividida entre a arte moderna do século 19 e a contemporânea do século 20, expõe obras de Antonio Canova, Umberto Boccioni, Piero Manzoni, Michelangelo Pistoletto e Lucio Fontana.

o que fazer 2 dias em Milao

16h – 0€
Onde: Passeio pelo Quadrilátero da Moda

Deixando a Gallerie d’Italia, Via Manzoni é uma das ruas que fecha um dos lados do quadrado que dá nome as 4 ruas mais famosas do mundo da moda.

Se deleite com as vitrines das marcas mais famosas, mas não deixe de reparar também na arquitetura de alguns palácios e casas em Via Montenapoleone, Via Gesú, Via Borgospesso, Via Santo Spirito e Via della Spiga, a única fechada ao tráfego e, para mim, a mais bonita de todas.

18h30 – 10 €
Onde: Corsia del Giardino ou Ta’ Milano

Essa é a hora clássica do aperitivo milanês. Centenas de locais deixa seus escritórios para encontrar amigos ou concluir reuniões nos vários bares da cidade que oferecem buffet ou petiscos elaborados pelo preço fixo do drink que você escolher.

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Dia 2

10h – 1,50 €
Onde: Tram 1 – Praça Repubblica

O bondinho da linha 1 é um daqueles tradicionais dos anos 20/30, todo de madeira por dentro e que são um dos símbolos dessa cidade.

Na Praça repubblica, pegue-o em direção ao centro e vá apreciando o percurso, até descer nas imediações do Castelo Sforzesco.

11h00 – 0 €
Onde: Castelo Sforzesco e Parque Sempione

O castelo da cidade é de época Renascentista e foi uma das cortes mais refinadas durante o período na Europa, quando por alí trabalharam artista como Leonardo da Vinci e Bramante.

Entre pela praça das armas e repare nas ameias no alto, onde os soldados faziam a guarda e nas grandes torres laterais que na época serviam como prisões.

A parte de trás da construção é dedicada a Corte Ducal e era onde ficavam os apartamentos dos duques e as salas de audiências e a capela. São essas salas que hoje hospedam parte dos museus municipais da cidade, como o Museu de Arte Antiga, dos Instrumentos Musicais ou a Pinacoteca do Castelo.

Deixando o castelo pela parte de trás, vocé dá para o Parque Sempione, o maior parque público da cidade. Antes de continuar o passeio, sente-se embaixo de uma árvore ou em um banco e dedique-se a observar o vai e vem de turistas e locais.

13h  4 €
Onde: Bar Brera ou Jamaica

Antes de uma visita a pinacoteca da cidade pare para almoçar saboreando um autêntico panino, como chamamos aqui o sanduíche.

Pão crocante recheado do que você preferir: presunto cozido, crú, mozzarela, bresaola, tomates, verduras. As opções são infinitas e você ainda come em um dos bares tradicionais do bairro.

2 dias em Milao dicas do que fazer

14h – 9 €
Onde: Pinacoteca Brera

O antigo bairro dos bordéis milaneses hoje é um dos metros quadrados mais caros da cidade. Lojas de grife, galerias, antiquários e cafés dão o toque charmoso que encanta os turistas durante o dia e a noite.

Brera é também o bairro da grande Pinacoteca de Brera. Atravesse o imponente pátio, preenchido pela estátua de Napoleão nú que fica bem no meio e suba a escadaria até os grandes quadros de nomes como Tiziano, Mantegna, Caravaggio, Raffaello, Bellini, entre outros.

16h30 – 0 €
Onde: Corso Garibaldi – Corso Como

Depois de um banho de arte italiana, nada melhor que relaxar antes da parada para o jantar passeando por Corso Garibaldi e sua continuação, Corso Como.

Caminhe sem pressa admirando a arquitetura popular das casas de “ringhiera” (balaustras) que hoje escondem apartamentos modernos em outro metro quadrado caro na cidade.

Antes de Porta Garibaldi, repare na igreja dupla de Santa Maria Incoronata e dê uma entrada. São duas igrejas unidas em uma só.

Atravesse a porta para continuar por Corso Como. É naquele pedacinho de rua, que no número 10 fica a famosa concept store milanesa 10 Corso Como. Entre para conferir uma das lojas mais bonitas da cidade. Suba também para conhecer a livraria e dar uma espiada na mostra na Galleria Sozzani (sempre grátis).

Saindo dalí, continue seguindo a agulha do arranha-céu Pelli e suba até nova praça da cidade: Praça Gae Aulenti. Sente-se um pouco para ver os locais que trabalham por alí e que começam a voltar para a casa ou estão indo fazer um aperitivo.

Volte para trás, até a Porta Garibaldi… é hora de pensar no jantar.

19h00 – 10 €
Onde: Eataly

A versão milanesa do Eataly, o empório gastronômico mais famoso do mundo fica na antiga sede do Teatro Smeraldo. A noite tem sempre um pouco de música e o ambiente é bem agradável.

Com esse valor, você pode escolher uma pizza margherita ou um prato de massa simple e fechar seus dois dias em Milão, na melhor tradição italiana.

Reserve um tempinho antes ou depois do jantar, para conferir as prateleiras recheadas de produtos gastronômicos italianos.

Total 2 dias= 44 €

* Endereços e horários nos links

Nesse final de semana tive o prazer de participar do 1 Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros em Barcelona. A ideia começou a tomar forma em fevereiro desse ano, quando a blogueira Cristina Rosa do Sol de Barcelona, passou por Milão para me visitar e falamos do assunto.

Oito meses depois, vários blogueiros provenientes de várias cidades da Europa se encontraram para se conhecer, discutir temas de interesse comun e claro, conhecer a linda cidade de Barcelona.

O grande encontro do sábado dia 11 de outubro, aconteceu em um salão do Hostal Sant Christopher Barcelona, que gentilmente nos cedeu os espaços. Depois de abraços calorosos de muita gente que só se conhecia virtualmente, a manhã começou com a palestra da Carina do blog Viajoteca sobre a importância das relações entre blogueiros nas redes sociais e por que não, fora dela.

Foto: Pacelli Luckwu - Agenda Berlim

Foto: Pacelli Luckwu – Agenda Berlim

O segundo debate foi sobre os produtos nos blogs, como a venda de roteiros e tours turísticos, como fazemos eu, Cristina, Rita Branco do Porto Encanta e Nicole e Pacelli do Agenda Berlim como já contei nesse post. A calorosa palestra, ainda teve a partecipação via skipe do sempre solícito Daniel Ducs do blog Ducs Amsterdam.

Depois foi a vez da convidada especial Dri Setti, da Revista Viagem e Turismo e também blogueira, que nos falou sobre a criação de conteúdo.

Para finalizar, o casal Wagner Rodrigues e Juliana Bezerra falou sobre técnicas de SEO (ele) e o papel dos blogueiros que vivem na Europa como divulgadores de suas cidades (ela).

Nem preciso falar o quanto tudo foi proveitoso e prazeroso para todos e regado a muita risada, trocas de informações e docinhos trazidos por todos de várias partes da Europa. Para terminar, um amigo secreto entre os participantes, trocando souvenirs das cidades.

Mas a programação continuava com a parte de diversão e turismo. Sábado a noite foi a vez do jantar com as tapas preparadas pelo chef David Hernandez, marido da Cristina, no bar do Hotel Chic & Basic no bairro do Born. E as conversas e risadas continuaram abastecidas pelos melhores pratos da tradição espanhola. Deleite total.

Foto: Rita Branco - O Porto Encanta

Foto: Rita Branco – O Porto Encanta

Mas todo mundo foi embora relativamente cedo, porque o domingo de manhã era reservado para o tour turístico pelo famoso Bairro Gótico com a anfitriã da casa. Foi a vez de Cristina nos contar um pouco sobre a sua Barcelona e uma oportunidade para muito de nós estarmos juntos de novo, até na hora de comermos o conhecido churros com chocolate quente.

tour guiado barcelona milao em portugues

Almoço rápido em uma escadaria do bairro antes de continuar a explorar a cidade com o Press Card que nos foi oferecido pelo Barcelona Turisme e que nos deu a possibilidade de entrar grátis ou com desconto em muitas atrações da cidade, como no surpreendente Museu da Cidade de Barcelona, uma área arqueológoca riquíssima e enorme que encantou a adoradora de restos romanos subterrâneos que vos fala.

Outra preciosidade que visitei no domingo antes do tour, foi a genial e linda Casa Batllò, construída por Gaudì no início do século 20 e que encanta por suas formas arredondadas, mosaicos e o uso do ferro e da madeira.

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A talvez você se esteja perguntando se teve a Sagrada Família. Sim, mas só por fora, por uma comida de bola minha no horário de abertura. Fiquei um tantinho chateada, coisa de dois minutos, até pensar: outra desculpa para voltar (entre outras tantas). Só espero que não leve outros 16 anos, já que última vez que passei pela cidade era 1998.

Segunda-feira vôo de volta. Deixava o sol de Barcelona para chegar em uma chuvosa Milão, que só não me incomodou mais  porque eu estava revigorada, baterias carregadas pela felicidade de encontrar e conhecer pessoas tão legais. Todo mundo na mesma sintonia e querendo as mesmas coisas para seus blogs tão competentes.

Um último agradecimento a Cristina, apaixonada organizadora de tudo, seu empenho se via em cada detalhe.

Ah, e esqueci de comentar lá em cima: debates encerrados no sábado, Rita Branco faz um brinde com um ótimo vinho do Porto Graham’s convidando todos ao 2º Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros. Quer coisa melhor?

Porto 2015, aí vamos nós. Amigos blogueiros, nos vemos lá!

Os blogs participantes do 1 EEBB foram:

Sol de Barcelona

Milão nas Mãos

Agenda Berlim

Viviem UK

Feriado Pessoal

O Porto Encanta

Viaje com Pedro

Viajoteca

Brasileiros mundo a fora

Um ano na Espanha

Rumo a Madrid

Londres com Crianças

Esto es Madrid

Ka entre nós

De café por Barcelona

Barcelona Emociona

5 regras de bom comportamento para sua estadia em Milão

O assunto pode parecer delicado, mas por menos tempo que você passe em um país ou uma cidade como turista, é indispensável absorver algumas regras comuns (de educação ou civis) para que tudo possa fluir da melhor maneira possível, porque é comum a gente ver turistas reclamando desse ou daquele povo (anfitrião), mas muitas vezes vejo atitudes da parte de turistas que é melhor nem comentar.

Nós brasileiros somos informais, mais relax em viver as coisas do dia a dia, mas muitos desses hábitos, comuns nas cidades brasileiras, aqui são considerados mal educados  e acabam muitas vezes criando situações desagradáveis e causando “puxões” de orelhas desnecessários.

Isso não quer dizer que os italianos sejam perfeitos e educadíssimos, mas vocês está na casa deles e cada casa tem suas regras.

Aqui fica a minha pequena contribuição de dicas de 5 regras de bom comportamento para a sua estadia em Milão (e pela Itália em geral).

1. Idioma

Escuto frequentemente dos meus clientes, que o italiano é difícil. Que quando falamos rápido, não dá para entender nada.

Então porque os turistas brasileiros acham que o contrário não é assim? Os italianos não entendem o português e você não pode falar com uma pessoa aqui, como se estivesse falando com alguém no Brasil.

Não, você também não é obrigado a falar o italiano, mas se tiver que falar português, fale devagar. Quem trabalha com turismo, está acostumado com estrangeiros e com tentativas de comunicação improvisadas. Então, se você fizer a sua parte, com certeza irão se entender, afinal são sempre línguas neo latinas.

Nada te impede também de aprender aquelas palavrinhas mágicas, que funcionam no mundo inteiro. Em italiano elas são: per favore e grazie. Só para começar.

2. Lojas/Compras

Nunca “se sirva” sozinho, atravessando a loja e indo pegar aquela blusa na prateleira como se fosse o seu armário.

Evite tocar nos produtos expostos, inclusive nas vitrines. Isso serve tanto para lojas de roupas e sapatos como também para lojas de frutas e verduras e até bancas em feiras.

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Sim, eu já vi brasileiros fazerem as duas coisas, sem esperar serem atendidos por vendedores que estavam ali para isso. Eu sempre sinto aquela vergonha alheia.

Tudo isso muda se você estiver em uma loja fast fashion como Zara, H&M e similares ou até em empórios como a Eataly, onde o esquema é mais o faça você mesmo.

3. Restaurantes

Quando entrar em um restaurante, espere ser recebido por alguém, diga o número de pessoas e conduzido até a mesa disponível.

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Evite entrar, escolher uma mesa e sentar, por mais que a sala esteja vazia. No máximo será o garçom que vai te dizer de escolher a mesa que preferir.

4. Transporte

Para quem usar o metrô: antes de entrar no vagão, espere que as pessoas que estão dentro desçam, sem ficar na frente da porta. É muito mais fácil entrar em um vagão mais vazio, sem ter que dar barrigadas em ninguém.

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Para todos os transportes públicos: mantenha até o final da viagem o bilhete para eventuais controles. Valide sempre os bilhetes (também quando usar o mesmo para tipos de transporte diferentes), porque caso contrário, a multa é bem salgada.

5. Volume da voz

O italiano tem fama de falar alto, mas não é bem assim, pelo menos por aqui.

Controle o volume da sua conversa quando estiver em restaurantes, lojas e até nos trens para evitar olhares fulminantes de quem está ao seu lado.

Faça a sua parte e tudo vai correr bem!

Mântua e Sabbioneta: pérolas Unesco na Lombardia

Viver em um país com o patrimônio artístico e cultural como o da Itália, faz sim com que você esteja sempre a poucos quilômetros das belas cidades, mas elas são tantas para conhecer, que as vezes passa um bom tempo até que você repita uma.

Foi assim com Mântua, que conheci há quase 10 anos atrás, em um bate e volta em um ensolarado sábado de maio. Corria o ano de 2005, mas eu tinha boas lembranças do lugar.

Eis que, entre as satisfações da minha breve vida de blogueira, fui convidada pelo projeto Blogville, setor turismo da Região da Lombardia e setor turismo da Província de Mântua para uma viagem de 2 dias na cidade junto com outros 4 blogueiros no final de setembro.

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As atividades foram concentradas em Mântua e Sabbioneta, inseridas da lista dos Patrimônios Unesco (leia aqui o post sobre os patrimônios na Lombardia) em 2008 e infelizmente afetadas durante o terremoto de 2012 na região fronteiriça da Emilia Romanha.

Chegamos em Mântua de trem, partindo de Milão e depois do check-in no nosso hotel, fomos diretamente o agro turismo Corte Pagliare Verdieri onde nos esperava a simpática Mimma para a colheita da uva e a preparação do sugolo , uma espécie de pudim da região feito com o suco da uva e farinha. Depois de colher, espremer a fruta e preparar o doce, almoçamos e seguimos para Sabbioneta, onde nos esperava Manuela para um tour de 2 horas.

Sabbioneta

Fundada entre 1554-1556 por Vespasiano Gonzaga como cidade ideal, foi pensada sobretudo como uma fortaleza, completamente cercada pelas muralhas que até hoje se atravessam para entrar e que com certeza naquela época representavam um dos baluartes mais equipados da Lombardia de domínio espanhol.

Conhecer Mântua e Sabbioneta

Colocada entre os grandes estados regionais da época: Ducado de Milão, Ducado de Mântua e Ducado de Parma e Piacenza, o pequeno estado foi construído com base nos princípios humanísticos de cidade ideal.

Possível ainda ver entrando na cidade, o traçado ‘alla romana’ do Cardo e Decumano, que marcam as duas principais ruas da cidade. A visita começou pelo Palazzo Giardino, onde salas de tetos de madeira trabalhadas e folheadas a ouro e grandes galerias como o Corredor Grande eram destinados a recepção de convidados.

o quer fazer Mantua

Como não poderia deixar de ser, a graciosa cidade renascentista também tem seu Palazzo Ducale, suas igrejas importantes e até o primeiro teatro da era moderna, o Teatro Olímpico, construído em 1590 e ainda hoje operativo.

O tour terminou com a visita a Sinagoga, construída no século 19 em estilo neoclássico pela comunidade hebraica da cidade, que se dedicava a atividade de estampa. No andar superior é ainda possível visitar a sala de orações, decorada com alguns móveis da época.

Todos os quatro monumentos que visitamos fazem parte de um bilhete comum de 12 euros que pode ser comprado nos escritórios da IAT na Piazza delle Armi. É possível também visitar cada monumento separadamente ao custo de 5 euros cada.

Visitar Sabbioneta é como voltar um pouco no tempo, já que a cidade representa um perfeito exemplo das teorias renascentistas da construção da cidade ideal. A cidade fica a cerca de 20km de Mântua e deve ser incluída no seu roteiro caso esteja passando por lá.

Mântua

A manhã do segundo dia era destinada ao tour guiado pela ótima Rosella pelas ruas de Mântua, cidade de arte lombarda e um dos grandes centros do Renascimento italiano nessa área.

Ainda que 10 anos tenham se passado, eu tinha nítidas lembranças da cidade, da sua Piazza delle Erbe com seu Palazzo Vecchio (em reformas depois do terremoto de 2012), Palazzo Nuovo, a Torre do Relógio e a Rotonda de San Lorenzo, igreja de arquitetura românica com planta central.

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Ali ao lado, a magnifica basílica renascentista de Sant’Andrea, maior igreja de Mântua, projetada pelo arquiteto Leon Battista Alberti, com seu interior a nave única completamente decorado e completado pela grande cúpula.

A história da construção basílica é ligada a relíquia de um vaso com o sangue de Jesus . Vários peregrinos viajavam a Mântua para venerar o objeto, ainda hoje guardado em uma cripta na igreja (não visitável).

Mas antes de visitarmos o famoso Palácio Ducal da cidade, onde eu esperava ansiosa pelo Quarto dos Noivos, a surpresa da visita para mim foi o lindíssimo Teatro Bibiena, pérola construída entre 1767-69 e no qual um ano depois da inauguração, um jovem Mozart (14 anos) tocou. Em uma carta para a esposa, Mozart pai escreve: hoje eu conheci o teatro mais lindo do mundo.

Teatro Mantua

Acho que ele tinha razão. O teatro é muito bem conservado e ainda hoje funciona para pequenos concertos e congressos. Se você estiver batendo pernas por Mântua, não deixe de dar um pulo. Vale muito a pena.

Mas quem vai a Mântua não pode pensar na cidade símbolo da família Gonzaga sem pensar em duas grandes construções: o Palazzo Ducale e o Palazzo Tè.

Palácio Ducal

Mais do que falar em palácio, podemos dizer que o complexo arquitetônico de Mântua é uma cidade palácio, já que o conjunto é enorme, composto de várias construções que foram anexadas.

A partir do século 14 foi a residência da família Bonacolsi e sucessivamente dos Gonzaga e ali moravam: o Gonzaga dominante na época, a esposa, o filho primogênito e os outros filhos legítimos até a maior idade e alguns convidados.

Corte Velha, Corte Nova, o Castelo de São Jorge são alguns dos edifícios que formam o imenso complexo. Ainda que suas salas hospedem afrescos, tapetes e decorações de grande valor, quem vai a Mântua e ao Palácio Ducal, vai para ver o famoso Quarto dos Noivos, sala afrescada por Andrea Mantegna e uma das grandes obras do Renascimento Italiano.

A entrada na sala é com hora marcada e a permanência é de 5 minutos. Depois do terremoto de 2012 que afetou as instalações do palácio, o quarto ficou fechado por 2 anos para restaurações e foi reaberto temporariamente para as visitas durante esse verão (até outubro 2014).

O que ver Mantua quarto dos noivos

A sala cúbica, usada muito provavelmente para audiências com o duque, foi pintada entre 1465-74 pelo então pintor de corte Mantegna. O tema geral é a celebração política-dinástica da inteira família Gonzaga com a ocasião da eleição de Francesco Gonzaga como cardeal.

Quatro paredes afrescadas e um teto com uma deliciosa decoração onde anjinhos debruçados olham para baixo, espiando o interior da sala.

Com só cinco minutos lá dentro, realizando um sonho de consumo artístico, não sabia se olhava ou fotografava. Mais olhei que fotografei e nem todas as fotos que mostro aqui, são minhas. Mas valeu a pena!

O passeio pelo palácio prossegue com a visita aos vários ambientes, que hospedam quadros, afrescos e uma linda coleção de tapetes produzidos na Bélgica a partir dos desenhos de Raffaello. Até eu que não sou de tapetes, fiquei encantada.

Palácio Tè

Outro grande edifício monumental da cidade, casa de relax de Federico II Gonzaga, que a usava para hospedar sua amante oficial e para suas festas refinadas.

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O grande edifício quadrado com um pátio no meio, é cheio de grandes salas afrescadas pelo seu também arquiteto, o grande Giulio Romano, que em apenas 10 anos terminou a construção. A sala do Gigante e de Amor e Psique valem a visita e completam um tour por essa pequena pérola que é a cidade de Mântua.

Confesso que Palácio Tè foi uma das minhas etapas na minha passagem por Mântua há dez anos atrás e dessa vez, com a tarde livrem preferi explorar a beira do lago que contorna a cidade.

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A caminhada foi até que longa, mas eu não tinha tempo para um passeio de barco pelas águas do Mincio, o rio das redondezas que formam os lagos em volta da cidade.

Fazer o que? Vou ter que voltar!

Gastronomia

Quem conhece a Itália sabe o quanto é variada a sua gastronomia. Viajamos pouco mais de 100 k de Milão a Mântua e os pratos típicos já mudam completamente.

Parte da nossa experiência também incluía o jantar da sexta e o almoço do sábado em restaurantes que serviam os pratos da região. O mais famoso deles é o tortellini de zucca (torteli de abóbora) quase sempre preparado na manteiga e salvia.

Uma das minhas lembranças de 10 anos atrás era o restaurante onde tínhamos almoçado, mas não me lembrava do endereço e nem do nome. Qual não foi a minha surpresa quando na sexta a noite, depois de caminhar um pouco pelas ruas da cidade que começava a encher, reconheci o L’ochina Bianca, o restaurante onde tinha estado anos atrás.

Não preciso dizer que o menú era bem variado e cada um escolheu um prato diferente: quem primeiro prato, quem segundo. Eu acabei optando por uma massa com ragú de carne de asno. Sim, eu sei, pode parecer estranho para quem não está acostumado, mas é uma daquelas coisas que você não encontra todas as semanas nos restaurantes.

onde comer Mantua restaurante

Eu sou meio chatinha para comer, apesar de ter melhorado muito nesses anos aqui, mas quis experimentar. A carne estava saborosíssima. Aprovado.

Para fechar, uma sobremesa com creme de zabaione (adoro) e o dia se concluía de maneira perfeita.

O almoço do sábado foi ao ar livre, no pátio do Giallo Zucca, onde tinham nos preparado um menú degustação com uma entrada de peixe com polenta, torteli de abóbora e risotto alla pilota, que não é um risoto como conhecemos, mas mais parecido com nosso arroz (sequinho) feito com linguiça.

restaurante Mantua onde comer

Tudo regado com um ótimo vinho branco.

Como vocês podem perceber, Mântua não decepciona na beleza e na gastronomia.

Onde ficar

Com certeza a oferta de hotéis de Mântua é bem diferenciada.

Nós fomos hóspedes do Residence In Centro que fica perto da estação de trem e em uma antiga construção eclesiástica oferece 34 apartamentos-quartos de diferentes dimensões.

O meu era bem grande, no térreo e além de 2 camas de solteiro, era equipado com cozinha, micro-ondas, mesa e cadeiras, geladeira e TV. O banheiro também tinha secador e o residence dispõe de wi-fi grátis e possibilidade de café da manhã por 6 euros (a nossa estava incluída) que inclui café, sucos, croissants, pães, geléias, iogurte, frios e bolos.

hospedagem Mantua hotel

Como chegar

Para quem está de carro, a solução de Milão é pegar a rodovia A4 em direção Veneza e depois desviar na A22 e sair em Mantona Nord.

De trem (como fizemos) a opção são os trens regionais da Trenitalia, que ligam Milão a Mântua em 2 horas. Sim, é o mesmo tempo chegar a Veneza, mas os trens regionais são mais lentos e param em todas as estações.

Mesmo assim, é uma viagem que vale muito a pena. Mais uma cidade lombarda que tem muito para te surpreender.

Fotos: Milão nas mãos – exceto vista de Sabbioneta e Palácio Té (Wikicommons)

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