Ascoli Piceno: vinho e gastronomia entre o mar e as colinas

A Itália, alterna com a França, ano sim ano não praticamente, o título de maior produtor mundial de vinho. Seria difícil obter um título desse, produzindo o néctar dos deuses só em poucas regiões: a Itália produz vinho de Norte a Sul.

Os mais conhecidos são sempre os grandes tintos toscanos e piemonteses, mas outras regiões menos conhecidas dos brasileiros também são grandes produtoras de vinhos produzidos a partir de vinhas autóctones (vinhas originárias do território, não transplantadas).

As vinhas com a cidade de Offida ao fundo. Foto: Agnes27 Wikicommons

As vinhas com a cidade de Offida ao fundo. Foto: Agnes27 Wikicommons

É o caso dos vinhos Offida Passerina e Offida Pecorino , da província de Ascoli Piceno na Região Marche, que tive o prazer de conhecer durante o evento de show cooking com degustação, organizado pelo Consorzio Vini Piceni na Expo2015.

A Região Marche (lê-se marque) fica no centro da Itália e é emoldurada pelo Mar Adriático e pelas suas colinas e montes. Ascoli Piceno é a província mais ao sul da região e é a área de produção dos vinhos D.O.C.G. (Denominação de Origem Controlada e Garantida):

Offida Passerina

Vinho branco, obtido da uva passerina, apresenta uma tonalidade cristalina e sabor delicado, leve. É produzido também na versão espumante Brut com método Charmat (fermentação em autoclaves).

Offida Pecorino

Também branco, é obtido da uva pecorino e apresenta uma tonalidade amarela mais escura. É um vinho mais intenso e estruturado em relação ao Passerina.

A mesma zona produz também o tinto D.O.C.G Offida Rosso.

Os brancos de Offida foram os escolhidos para acompanhar os pratos preparados pelos chefes Sabrina Tuzi da Degusteria del Gigante e Vittorio Cameli, do Bistrot Kursaal.

Para não fugir da grande especialidade italiana que soma a simplicidade dos pratos com o máximo de sabor e tradição, Sabrina propôs: maccheroncini di Campofione (uma massa fresca longa ao ovo, típica da região) com verduras selvagens (colhidas nos campos), queijo stracchino (um queijo mole) e guanciale (carne da bochecha do porco).

A chef Sabrina Tuzi

O frescor da massa caseira, o sabor das verduras e da carne se misturavam perfeitamente sem que uma se sobrepusesse a outra. O vinho escolhido para acompanhar foi o Offida Pecorino.

Na segunda degustação o chef Vittorio Cameli, nos deliciou com uma parmegiana de anchovas.

Camadas de berinjela frita e anchovas (frescas) de sabor suave, me surpreenderam, porque confesso que não sou fã de nehuma das duas. Mas aqui estamos falando de cozinha de alto nível. Uma delícia acompanhada por uma taça de Offida Passerina.

O chef Vittorio Cameli e sua parmegiana de anchovas

O chef Vittorio Cameli e sua parmegiana de anchovas

E mesmo quando a proposta se moderniza e coloca os pés no street food, não se perde a qualidade e originalidade.

Na terciara e última degustação, para acompanhar uma outra taça de Offida Passerina, Sabrina Tuzi surpreende todos co um sanduíche de copa de peixe azul (que são os peixes como sardinha, anchovas, alice, peixe espada, atum) presente e pescados nas costas marchigianas, maionese de soja e verduras em conservas. O que dizer¿ Se todo o street food fosse assim, seria um prazer comer todos os dias na rua.

O street food da chef Sabrina Tuzi

Região de belezas paisagísticas, burgos encantadores e terra de grandes nomes das artes, como o pintor Raffaello, o arquiteto e pintor Bramante (arquiteto da Basílica de São Pedro), o compositor Rossini e a educadora Maria Montessori, não deixa nada a dever as suas vizinhas Toscana e Emilia Romagna.

Por uma de suas cidades, Macerata, eu passei há mais de 10 anos atrás, mas depois de conhecer as especialidades enogastronômicas já avisei aqui em casa: temos que ir “alle Marche”!

* A minha partecipação no evento de show cooking com degustação dos vinhos da zona de Ascoli Piceno foi um convite do Consorzio Vini Piceni, mas as opiniões relatadas aqui são pessoais.

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5 dicas de onde comer sanduíches em Milão

Quem está fazendo turismo em Milão, usando a maior parte do tempo para conhecer seus monumentos, muitas vezes prefere parar na hora do almoço só para um lanche rápido. Confesso que eu mesmo uso essa fórmula com meus clientes durante meus tours mais longos para perder menos tempo.

Mas comer um sanduíche aqui na Itália não é sinônimo de fast food. Nem pense em uma coisa dessas. Milano é a capital oficial italiana do panino e você pode se deliciar com sanduíches feitos com o melhor dos produtos italianos preparados com inúmeros tipos de frios, queijos e molhos, muitas vezes em combinações muito originais. É o que se chama de panino gourmet. Os preços variam de 5 a 14 euros, mas se você não “abusar” nas bebidas (bebendo água, por exemplo) pode ser também uma opção de refeição barata em Milão, gastando até 10 euros.

Aqui uma pequena lista dos melhores lugares onde comer um sanduíche em Milão no centro ou nas imediações.

DE SANTIS

Começo com o lugar mais famoso de Milão, já que tem quem diga que foram eles inventaram o panino gourmet por aqui.

200 tipos de sanduíches preparados com frios, queijos, patès, funghi, verduras de ótima qualidade e pão crocante com preços que vão dos 5 aos 14 euros (com lagosta).

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O estabelecimento histórico é o do Corso Magenta, 9 (o que eu frequento), minúsculo, com poucos lugares e decoração de madeira. Eles tem também uma filial no 7° andar da La Rinascente, com menos opções de sabores e sem a atmosfera De Santis Magenta. Leia o post que escrevi anos trás sobre o lugar.

PANINO GIUSTO

Quem é de São Paulo talvez lembre da nossa filial na Rua Augusta, lá embaixo, sentido Jardins. Aqui é um dos precursores com a primeira loja aberta em 1979 em Corso Garibaldi.

Por aqui, virou rede e nos últimos anos o número de lojas se multiplicaram por Milão. Presunto de Praga, tartufo, queijos, frios, salmão defumado, receitas vegetarianas, receitas elaboradas por chefs estrelados e a idéia de servirem também hamburgers e pratos rápidos fazem a diferença por aqui.

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São várias unidades pela cidade. Quem está no centro tem a opção de San Babila e Via Turati, mas você pode encontrar também um Panino Giusto em Via Torino, Navigli, Porta Venezia, Corso Garibaldi. Clique no site deles para ver todos os endereços e bom apetite.

PANINI DURINI

Tudo começou com um cubícolo em Via Durini (daí o nome do lugar), mas nos últimos meses eles se alargaram e conquistaram a cidade.

Com um ótimo custo benefício, no momento é o meu preferido (por causa do pão). Os sanduíches custam de 5 a 10 euros e você pode escolher entre atum, presunto cozido e crú, bresaola, mortadela, culatello, salame, speck, coppa, peito de perú, salmão norueguês, roast beef em várias combinações com ingredientes de qualidade. Para quem quer fugir do sanduíche, eles também servem saladas.

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Eles também servem café da manhã, com uma grande variedade de briochès doces (croissant), muffins, sucos e vitaminas de frutas.

A unidade de Corso Magenta é meu refugio quando eu chego cedo em dias de visitas a Santa Ceia, mas eles tem vários endereços, clique no site para conhecer todas as lojas.

CROCETTA

Outro panino nascido nos anos 80, em plena onda do movimento Paninaro em Milão. A primeira unidade era a de Corso de Porta Romana, estação Crocetta do metrô. Mas a família se alargou e hoje eles contam com mais 3 unidades em Milão, a última aberta recentemente às portas de Brera e onde comi um panino Cosacco dias atrás: bresaola, queijo caprino, limão e gotas de vodka.

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As opções de ingredientes são as mesmas dos concorrentes e passam por vários tipos de frios, como o preseunto de javali, queijos e alguns tipos de peixe cmo atum, salmão e peixe espada. Servem também pratos frios preparados com verduras e frios e saladas. Clique aqui para conhecer todos os endereços.

FIASCHETTERIA COCOPAZZO

Sempre em Via Durini, no. 26,  ao lado do concorrente Panini Durini, um espaço minúsculo, cerca de 20 metros quadrados onde um atendente prepara, no momento, um sanduíche com pão crocante com os ingredienets que você escolher .

Nada de mesas nem cadeiras. No máximo, 2 banquinhos e um barril de vinho em pé onde apoiar copo e prato. Tudo na calçada.

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Para quem preferir, é possível tomar um taça de vinho (que para mim não combina com panino) e escoher uma tábua de queijos para petiscar. Atrás fica o restaurante toscano do mesmo nome, mas confesso que a provei anos atrás e me deixou indiferente. Nada demais.

Onde comer no centro de Milão

Escolher um restaurante no centro de Milão para quem está turistando pela cidade, pode não ser uma tarefa fácil. Não que as possibilidades não sejam variadas, até são, mas aí é que mora o problema.

Tem um pouco de tudo, em termos de preços e qualidades. A minha dica é sempre evitar os restaurantes do Corso Vittorio Emanuele (que fica atrás do Duomo) e de Via Dante (que leva ao castelo), aqueles que colocam as fotos od pratos para fora e mandam seus garçons buscar clientes na calçada. Eu os chamo de armadilha para turistas: comida congelada e preço nada camarada.

Esse não é o primeiro post que faço sobre o assunto, e você pode encontrar outras dicas no post Dicas de restaurantes no centro de Milão , mas resolvi acrescentar as novas descobertas e as novas aberturas de restaurantes que gravitam na área em torno da Praça Duomo.

Al Cantinone

Restaurante que fica atrás do Luini, que vende o famoso panzerotto em Milão e que também pode ser uma opção para o almoço, se você estiver procurando um lanche gostoso e barato.

Ambiente simples, de osteria e um vai e vem de milaneses que trabalham nos arredores. A organização pode parecer confusa para os turistas desavisados e que não falam ou entendem italiano.

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Todos os dias, o cardápio está pregado nas portas: mais de uma opção de primos e segundos, que você pode pedir separado ou escolher prato único, onde eles servem um poco do primeiro e segundo prato que você escolher.

Você entra, paga a opção que escolher e depois vai ao balcão, onde um funcionário faz teu prato. Só com o prato na mão, o proprietário do local te conduz a mesa. Bebendo água, é possível almoçar gastando entre 8 e 10 euros por pessoa.

Endereço: Via Agnello, 19

Tà Milano

Onde ficava o meu querido bar Victoria, hoje temos Tà Milano, com a decoração renovada mas com ar de Old Milano, em ferro escovado e assentos de veludo lavado. Eu gostei do estilo.

Depois de passar duas vezes para um café rápido no final de uma manhã (brioche maravilhosa) e uma vez para um lanchinho (um pequeno sanduiche e uma tortinha de chocolate Duomo), voltei dias atrás para conferir o almoço.

Estava bem cheio e só consegui almoçar porque estava sozinha e me colocaram em uma mesa pequena. O frio do dia me fez pedir uma gostosa sopa de grãos com uma porção de ricotta enriquecida com casca de laranja, água e café (17,50 euros).

dicas de onde comer em Milão

O atendimento é ótimo, simpático e gentil, coisa que em Milão é meio que raridade. No cardápio do almoço todos os dias eles propõe 3 ou 4 opções de primeiros e segundos pratos. Bem, os preços não são baratos, mas em linha com a proposta do lugar e o público de advogados e funcionários dos bancos que rodeiam o restaurante.

É uma opção também para um aperitivo no final do dia.

Endereço: Via Clerici, 1

De canto

Dentro da linda Gallerie d’Italia, é o restaurante do museu.

Já passei para um café rápido com clientes, para um chá no final da tarde e para o almoço. Aqui também os preços são no padrão milanês, mas a comida é boa e o ambiente é tranquilo e bem bonito.

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Na última vez que estive por lá, não consegui terminar meu cous cous de verduras, que para mim era enorme.

Na centralíssima Praça Scala, é uma boa opção para quem não pode enfrentar os preços dos vizinhos Il Marchesino e Trussardi Café.

Endereço: Piazza Scala, 6

Sorbillo

Se você adora uma novidade, essa no momento é a mais nova abertura super falada da cidade. Inaugurado no início de outubro, é a filial de uma das pizzas napolitanas mais famosas.

Mas só vá se você não é daqueles brasileiros que acha que a melhor pizza se come no Brasil. Aqui não estamos nem falando da pizza que encontramos pela Itália, estamos falando de pizza napolitana.

E o que isso quer dizer: borda altíssima e a base um pouco mais úmida.

A pizzaria é já um fenômeno aqui, porque faz só 400 pizzas com fermento natural (lievito madre): 200 no almoço e 200 no jantar. Dito isso, vocês podem imaginar as filas do lado de fora, já que não é possível reservar.

Eu dei uma passada em um dia de semana, hora do almoço (sim, aqui comemos pizza no almoço). Fazia 15 minutos que estava aberto, eu estava sozinha e não foi um problema achar uma mesa. Meia hora depois, estava lotado e aí você percebe que a acústica do lugar não é o máximo.

O ambiente é completamente normal/anônimo. O cardápio fica na própria toalha americana e as opções de pizzas são 11. Os preços são de rede famosa, mas uma das justificativas é a qualidade da matéria prima. Eu pedi uma Filetto Fresco di Pomodoro com tomatinhos cortados bem fininhos e sem molho. O sabor dos tomates era verdadeiro…tomate que tinha gosto de tomate. Metade do preço da pizza da estava pago.

Outra coisa que tenho que dizer, era que a massa era bem leve e eu acabei conseguindo comer uma pizza inteira. Com isso, nada de lugar para a sobremesa (quase o preço da pizza).

Mesmo assim, por uma pizza, uma garrafa de água e o tal do coperto (mas não trouxeram pão), a conta foi de cerca 11 euros. Uma fortuna!!

A pizzaria estava lotada de milaneses e quatro japoneses, já atualizados sobre as novas aberturas da cidade (eles são fantásticos). Quando sai, as 13h30, a fila lá fora, no frio, era grande.

Endereço: Largo Corsia dei Servi, 11

Temakinho e Fruteiro: um pouco de Brasil em Milão

Milão tem uma comunidade de brasileiros bem grande. Como a segunda maior cidade do país e altamente industralizada, atrai muitas pessoas que vem trabalhar na cidade e arredores.

Com isso, nesses quase 13 anos que estou aqui, timidamente vi nascer alí ou aqui alguns empreendimentos com configuração e alma verde-amarela na cidade, que se juntaram a alguns restaurantes-churrascarias já presentes há algum tempo, como o Barbacoa, que eu confesso que não conheço.

Eu já me acostumei a não consumir muitos dos produtos e comidas brasileiras que no início eu sentia falta, coisas como: coxinha, sonho de valsa, paçoca, guaraná. Agora, me contento de come-los uma vez por ano, quando vou ao Brasil.

sucos brasil Milão

Mas quando chega o verão, passando pelos lados de Brera e as vezes até para enganar meu estômago antes do almoço, dou uma escapada na loja do Fruteiro do Brasil, loja de sucos e sorvetes, especializada em sabores com nossas frutas. Já que não tenho como comer goiaba, vou de suco (de polpa) de goiaba. Mes coisa com o maracujá.

Mascostes Milão nas mãos também adoram um sorvetinho de manga. Eles vendem também tijela de açaí e os sucos são feitos com água ou leite, tipo vitaminas, misturando mais de uma fruta.

A loja é bem frequentada também pelos milaneses que adoram um sabor tropical (ou fruta exótica, como eles chamam aqui).

Outro lugar brasuca, agora já com 2 filiais, é o Temakinho. O primeiro restaurante, pequeninho, abriu no Navigli e ainda está lá. Há pouco mais de um ano, eles abriram um bem maior, com cadeiras na calçada no verão, no movimentado Corso Garibaldi, muito frequentado pelo locais.

Nascida no bairro japonês da Liberdade, admito que não gosto de comida japonesa, mas já tinha lido que o Temakinho servia a melhor (e talvez única autêntica) caipirinha. Essa sim eu aprecio.

restaurante japones milao

Já que o lugar é um restaurante e não faz só serviço de bar-aperitivo, demorei, mas em um sábado de sol de maio, depois de ter acabado um dos passeios culturais em Milão com um casal lá por aqueles lados, resolvi almoçar por lá.

As mesas na calçada estavam todas ocupadas e como eu estava sozinha, me colocaram no balcão, que fica em frente do time de brasucas que preparam os temakes.

Tudo muito cru para o meu gosto, acabdei optando por um roll com atum, robalo, manga e outras cositas mas, que era frito. Na minha cabeça, os ingredientes eram crus, mas imergidos em óleo fervendo…Tava valendo.

Pra mim, que caipirinha quer dizer de limão e cachaça, acabei me deparando com vários sabores e resolvi transgredir. Uhuuu!! Fui de caipirinha de goiaba, mas só depois eu vi que tinha uma de manga com pimenta rosa (mas também tem graviola, abacaxi, maracujá, açaí).  Vou ter que voltar.

Acho que o roll estava bom, não tenho como comparar com outras coisas que comi. Sem pensar muito, comi tudo. Mas a maravilha mesmo, naquele sábado de calor, era a caipirinha de goiaba.

milao restaurante japones

Eles também tem no cardápio cervejas brasileiras como: Brahma, Skol, Bohemia e Xingu e refrigerantes Guaraná e Fanta.

O ambiente é bem iluminado, colorido e os garçons e garçonetes, todos brasileiros, garantiram um atendimento gentil e educado. Os preços não são baratos, mas aqui é Milão, baby!! E com certeza a matéria-prima fresca deve influenciar muito no preço. Meu roll de atum e robalo, 9,50 euros, caipirinha 7,50.

Claro que se você passar por aqui por poucos dias, vale mais a pensa se jogar na comida italiana e nos vinhos, como o Francicorta ou os tintos da região. Mas se der vontade de tamaki e caipirinha, fica a dica.

Usando a desculpa que não estava com o marido e que ele tem que experimentar, já estou pensando em voltar para provar a caipirinha de manga. Sabores de casa.

Fruteiro do Brasil
Via Rivoli (Brera)
De segunda a sábado das 11 às 19h30
Fechado aos domingos
 
Temakinho (site)
Ripa de Porta Ticinese, 37
Aberto todos os dias das 12 às 15h e das 19 às 24h
Corso Garibaldi, 59
Aberto todos os dias das 12 às 15h e das 19 às 24h

Al Pont de Ferr: a osteria milanesa estrelada

Acho que já confessei que não me divirto em escrever sobre restaurantes e comida, senão eu teria um food blog, genero muito mais seguido (como os blogs de moda) do que os blogs de viagem.

Mas um país e uma cidade também querem dizer gastronomia e nisso, o país bota tem uma reputação de todo respeito. Então lá vou eu, pensando nos meus queridos leitores e nas dicas que valem realmente a pena em Milão.

Domingo era dia de comemoração de aniversário de casamento por aqui e talvez inspirada pelo recente post sobre os restaurantes estrelados Michelin em Milão e pela vontade de uma voltinha pelo bairro Navigli em um lindo dia de sol de primavera, de manhã resolvemos sair para um almoço comemorativo e acabamos escolhendo ir conhecer o restaurante Al Pont de Ferr, uma estrela conquistada em 2012 e que fica as beiras dos canais milaneses.

Ajudaram na escolha, a procura de um lugar de qualidade sem preços proibitivos e cardápio inovativo mas sem aquelas combinações estranhas de ingredientes que estão na ordem do dia de muitos restaurantes por aqui. Ligamos pela manhã para reservar e lá fomos nós.

milão dicas  restaurante estrelado

Eu, sinceramente, não tinha visto fotos do restaurante antes e quando cheguei já gostei da despretensão: mesas de madeira, arrumadas com divertidos jogos americanos de papel com ilustrações feitas especialmente para o restaurante em um ambiente de muros de tijolinhos a vista. Uma velha osteria milanesa, como aquelas de antigamente.

Al Pont de Ferr não é um restaurante da moda, do momento. Ele já existe há 25 anos e há mais ou menos 5, com a chegada do jovem chef uruguaio Matias Perdomo*, começa a sua viagem até o reconhecimento Michelin**, através dos pratos inovativos.

Além das propostas alla cart, o restaurante propõe vários tipos de menù degustação: A tradição (que reúne alguns pratos que fizeram o nome da osteria – 60 euros), Água (a base de peixe – 70 euros), Terra (vegetariano – 70 euros), Fogo (a base de carnes – 70 euros) e por último A loucura está no ar (menù mais completo que reúne cerca de 20 pratos dos precedentes – 120 euros). Todos os menùs incluem também a sobremesa.

Ainda que quiséssemos provar um pouco de tudo, acabamos pedindo o mesmo menù, A Tradição. A diversão já começou em uma pequena entrada oferecida pela casa, onde uma salada com creme de iogurte vem acompanhada de um bom bom de Campari.

pratos

Para todo o resto, deixo as fotos falarem por mim, mesmo que elas não comuniquem a engenhosidade do primeiro prato, onde um creme de queijo de cabra vem servido dentro de uma “cebola” feita de calda de açucar queimado rosa; a maciez da carne de porco espanhola e o cheiro da fumaça de charuto Montecristo, servido com a sobremesa (um charuto de chocolate acompanhado de sorvete de rum) só para criar atmosfera.

restaurante estrela michelin milao

O ambiente descontraído e sem frescuras, se casa perfeitamente ao toque “divertido” dos pratos. Outro ponto a favor, são os garçons educados, jovens, bonitinhos e de cabelos impecáveis, mas que não são meros modelos (categoria muito presente nos restaurantes de Milão) e sabem realmente o que estão servindo e conhecem os vinhos que melhor combinam com o menù.

Vale a pena dizer, que em setembro do ano passado, tínhamos ido ao recém aberto Rebelot del Pont, bar bistot que fica ao lado e cria do Al Pont de Ferr, que propõe um aperitivo diferente em Milão, com vários tipos de tapas (sim, como as espanholas) preparadas pelo chef paulista Mauricio Zillo, discípulo de Matias, onde me deliciei com um ótimo gaspacho e um atum servido com creme de mandioca. Sabor de casa…

milao dicas bares

Para quem quer viver a experiência de uma ótima cozinha com preços honestos em um dos bairros mais característico de Milão.

 Al Pont de Ferr
Ripa di Porta Ticinese, 55
02 89406277
Aberto todos os dias almoço e jantar
 
Rebelot del Pont
Ripa di Porta Ticinese, 55
Aberto das 18 às 02hs
Domingo das 12 às 02hs
Fechado às terças
 
*Post editado maio 2015: Em abril de 2015, o chef do al Pont de Ferr mudou. Agora a cozinha do restaurante está sob o comando do chef Vittorio Fusari. Com isso, os pratos apresentados nesse post que faziam parte do menu que eu provei, não existem mais. Mesmo destino ao Rebelot del Pont, que passa a ser comandado pelo chef italiano Matteo Monti.
 
**Post editado dezembro 2015: com a mudança de chef, o restaurante al Pont de Ferr perde a estrela Michelin.