O design e Milão

Milão conquistou nas últimas décadas a fama de capital da moda e do design. Apesar da publicidade nas mídias, o conceito de design italiano permanece muitas vezes abstrato: se sabe que existe, mas não se sabe bem o que é. Na verdade, os nossos designers levaram para o mundo, inovações que entraram na vida cotidiana, muitas vezes melhorando-a.

luminaria arco

Aqui alguns exemplos, na verdade os meus preferidos, de inovações criadas por designer milaneses, sejam de nascimento ou por escolha.

A cadeira em policarbonato Kartell

Difícil de usar na moldagem, até os anos 90 o policarbonato não era utilizado no mundo dos móveis. Depois de anos de pesquisa a empresa milanesa Kartell consegue dar vida a um produto de design industrial: La Marie, a primeira cadeira no mundo realizada em policarbonato toma forma em 1999 com desenho de Phillipe Starck. Não precisa nem dizer que outros produtos de sucesso em policarbonato foram produzidos pela Kartell e outras empresas com sucesso nesses últimos 15 anos.

cadeira Kartell

Para quem quiser conferir esse ícone, é só dar uma passadinha na nova Eataly Milão para o almoço ou aperitivo para se sentar em uma cadeira Kartell.

O blazer desestruturado de Giorgio Armani

A produção de Armani abrange vários tipo e modelos de roupas, mas é com o blazer que o estilista revoluciona nos anos 80 o design: os suportes internos são removidos, os botões são mudados de lugar e as proporções tradicionais são modificadas. Nasce assim o blazer desestruturado, símbolo absoluto do seu estilo.

blazer Armani

O blazer vira protagonista do tailleur de corte masculino que Giorgio Armani desenha para as mulheres. Com tonalidades de cinza misturado com bege, sem cores fortes ou estampas floreais, o estilo Armani significa para milhares de mulheres uma elegância descontraída e finalmente autônoma.

Hoje esse estilo é a normalidade, mas antes de Armani não era.

A luminária Arco de Floss

Os irmãos Castiglioni, dupla de arquitetos milaneses, criaram para a Floss em 1962 essa luminária que até hoje é vendida da sua versão original e está entre umas das mais copiadas.

Ainda semana passada, em um passeio pelos subsolos da La Rinascente que hospeda o Desig Market, eu suspirava em frente de uma enquanto segurava a etiqueta com o preço. Confesso que acho ela linda, porque gosto daquele design datado mas que mais de 50 anos depois, ainda é atual.

luminaria floss

O conceito principal do Arco é a sua versatilidade e praticidade, que nasce da ideia de ter um ponto de luz efetivamente suspenso em cima do lugar desejado, que pode ser uma mesa, escrivaninha ou um livro, sem ter que estar vinculado a um sistema a suspensão com um ponto fixo.

Arco ainda hoje é o protótipo de inúmeras luminárias produzidas por outras marcas e baseadas no mesmo conceito.

Concluo esse brevíssimo percurso no design milanês com um nome que nos deixou recentemente e falando de design de interiores.

Design de interiores: Musée d’Orsay

Na ocasião da transformação de velha estação ferrovíaria em museu, é Gae Aulenti que projeta os espaços internos do percurso expositivo do Musée d’Orsay.

É ela que opta pela pedra calcarea clara, que dá luminosidade as salas, aproveitando ao máximo a luz que entre pela abóboda em vidro e ferro e que ao mesmo tempo rende o espaço um lindo conjunto.

design interiores Milão

Podemos dizer que quando admiramos os impressionistas em Paris, atrás de Cezanne e Renoir existe literalmente a milanesíssima Gae Aulenti.

Fotos: wikicommons e internet

A minha Milão

Sábado foi aniversário de uma amiga e eu na floricultura esperando a minha vez de ser atendida. Folheio uma revista que vem dentro do jornal Corriere della Sera e vou parar em uma série de entrevistas com personagens  italianos (e não) que respondem a algumas perguntas e traçam uma city map pessoal de Milão.

Começo imaginar quais seriam as minhas resposta às mesma perguntas e faço uma entrevista comigo mesma. Aqui o resultado da minha Milão pessoal, de moradora, com lugares e coisas que normalmente os turistas não conhecem.

Um símbolo

Os velhos bondinhos milaneses, com o interior original em madeira. Milão mudou muitas coisas ao longo dos anos, mas ainda bem que, pelo menos eles, resistem.

Um cantinho secreto

Milão é cheia de cantinhos secretos e quase escondidos que os milaneses esquecem que existem na correria do dia-a-dia. Meus preferidos são Villa Necchi Campiglio e o claustro da igreja de Santa Maria Delle Grazie, especialmente na primavera, quando as duas magnólias estão completamente floridas. Dois cantinhos bem perto do centro, mas quando você entra parece estar em um outra dimensão.

Uma obra-prima

Milão é cheia de obras primas que eu realmente não cansaria de ver um pouquinho todos os dias. A mais famosa da cidade e do mundo é a Santa Ceia, mas se tenho que escolher uma obra prima em Milão, seria a   Pietà Rondanini de Michelangelo, que fica  no museu do Castelo Sforzesco.

É uma obra de uma intensidade visceral para mim, onde a morte, a dor e o amor materno estão representados em dois corpos inacabados.

dicas de milao

Um lugar para o almoço

No centrão, Signorvino, o melhor custo benefício e ainda por cima com vista para o Duomo. Se estou para o lado de Brera, fico entre Fiorichiari Plates, Pisacco e por que não, o meu estimado restaurante mais barato da cidade, que se chama Al Pozzo, e serve primeiro prato, segundo com acompanhamento, água e café a 10 euros.

Um happy hour

Qualquer lugar que me sirva uma taça de espumante tá valendo. O importante é o ritual e a companhia. No centro gosto do Victoria e sua decoração anos 20 (fechado atualmente para reformas) ou nos terraços da La Rinascente. Em Via Manzoni uma boa pedida pode ser La Corsia del Giardini.

Na primavera e verão o bar Martini em Corso Venezia ou um dos roof bar da cidade, como o do Hotel Scala ou Ceserio 7.

A área do Navigli, sempre muito movimentada, tem todo tipo de happy hour e para todos os bolsos. Um deles, que foge do esquema buffet da cidade, é o ótimo Rebelot, um bistrot comandado por Maurício, um chef paulista.

Um parque

O meu preferido é  jardim posterior da Villa Reale, mas a entrada de adultos é permitida só de acompanhados por crianças. Quando estou sem as meninas, o meu preferido é o Parco delle Basiliche, atrás da Basilica de San Lorenzo.

Um meio de transporte

Caminhar é o melhor jeito de conhecer a cidade. Eu ando muito em Milão. Quando posso, dispenso o metrô e se o tempo é apertado e a estação do ano permite, vou de bicicleta

Uma vitrine

As vitrines das lojas alternativas e descoladas pra mim são sempre as melhores. Então, Wait and See e Cavalli e Nastri.

La Rinascente também tem vitrines maravilhosas dependendo da marca que expõe.

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Uma rua, um bairro, uma igreja, um museu

Via San Maurilio é com certeza, a minha preferida. Se eu pudesse escolher um bairro para viver, sem problemas de orçamento, escolheria o chamado Quadrilátero do Silêncio, em zona Porta Venezia.

Para mi, escolher uma igreja e um museu só é quase impossível. Vou extrapolar um pouco e escolher 3 igrejas: Santa Maria dele Grazie, Santa Maria em San Satiro e San Maurizio.

Quanto aos museus: fico com a Pinatoteca de Brera, a Pinacoteca Ambrosiana, as casas museus…mas só porque não posso continuar.

Food and Shop

Se estamos falando de concentrar tudo no mesmo lugar, nada melhor do que umas comprinhas na La Rinascente e depois beliscar ou comprar alguma coisa no 7 andar, onde fica o Food Market and Restaurants. A loja Excelsior no Corso Vittorio Emanuele também oferece compras e o supermercado Eats.

A concept store 10 Corso Como também é fantástica, nem que seja só para um passeio e ou só uma paradinha no restaurante no térreo.

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Um lugar para o doce

Se você entrar em qualquer boa confeitaria-café milanês como Cova ou Bastianello,  vai ter a garantia de um cafezinho ou chá com doces e pedaços de bolo maravilhosos. Eu adoro doces, mas na maioria das vezes, de passagem pelo bar Taveggia, onde servem minha marca de café preferida, me contento de um pedaço de casca de laranja cristalizada coberta de chocolate.

Mas para indicar um lugar menos central e frequentado por locais, fico com a atmosfera e os doces do Pavè.

Um palácio ou prédio

Gosto da arquitetura mais antiga de Milão e meu palácio preferido é a Casa degli Omenoni, na rua do mesmo nome, onde 8 telamões vigiam os seus passos. Quando posso, corto caminho só para passar na frente.

Mas confesso que como paulista, adoro a Milão moderna que vem crescendo verticalmente. Além do novo arranha-céu Pelli, que já virou ponto de referência na cidade, gosto muito dos novíssimos Bosques Verticais, prédios residenciais que vão acolher a Milão mais abastada.

Uma ‘utopia’ urbana

Ver os canais da cidade de volta. O projeto de reabertura existe e mas realmente acho que seria uma coisa muito difícil de acontecer. Com certeza, a Milão cheia de canais que existiu até os anos 30, era uma outra cidade.

Acrescentando mais uma, essa possível, uma campanha de conscientização para a diminuição das pichações nos muros da cidade. Milão tem palácios lindos completamente pichados por vândalos que vem até de outras cidades europeias.

Essas eram as perguntas da entrevista que eu li. Mas vocês leitores, podem deixar nos comentários as suas próprias perguntas sobre os aspectos da cidade e  quem sabe daqui  alguns meses eu não publico uma outra…

Milão, a moda e o design

Barcelona, Milão, Porto. O que essas cidades tem em comum?

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Barcelona- Milão-Porto, que todas as quinta de Abril vai mostrar um pouco das coisas em comum dessas 3 grandes cidades europeias, pontos de referências em seus países, com a participação de Cristina Rosa do blog  Sol de Barcelona e Rita Branco do blog O Porto Encanta.

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Séculos de história como capital do Império Romano, inúmeras igrejas de grande valor artístico e cultural, a Santa Ceia, os códigos de Leonardo Da Vinci….a lista é grande, mas quando alguém pensa em Milão, pensa na moda e no design.

Impossível negar a importância e a qualidade da criatividade milanesa nesses dois setores, importantes seja industrialmente, seja economicamente para a cidade.

A moda pret-a-porter italiana como a conhecemos hoje, começa a se desenvolver nos anos 80, quando o eixo de produção e desfiles passa de Florença a Milão. A transformação foi inevitável já que na grande década,  os yuppies e publicitários italianos estavam em Milão e em volta deles começaram a gravitar as mentes criativas da moda italiana e milanesa.

Richard Gere no filme Gigôlo Americano

Richard Gere no filme Gigôlo Americano

Armani, Versace, Krizia, Moschino, Prada (que é mais antiga), Dolce & Gabbana, só para citar as marcas mais conhecidas, abrem suas lojas e shows rooms na cidade, e a moda italiana ganha as páginas de revistas de moda americanas e até o cinema, com Giorgio Armani que veste um jovem Richard Gere em Gigôlo Americano.

Dos anos 80 para cá, o setor cresceu, se estabeleceu, todas essas marcas viraram pequenos impérios e referência no mundo, de qualidade e elegância.

A loja Armani no Quadrilátero da Moda

A loja Armani no Quadrilátero da Moda

Difícil desassociar a cidade da idéia de moda, ainda mais quando você dá uma voltinha nas quatro ruas mais famosas do mundo da moda, que formam o chamado Quadrilátero da Moda. Uma verdadeira concentração de marcas famosas, italianas e não, que são um deleite para os olhos e uma perdição para o orçamento.

Já o design milanês começa a sua sólida história no  início do século 20, quando os mais famosos arquitetos, formados no Politécnico de Milão, começam a trabalhar com design industrial para grandes fábricas de louças e móveis.  Giò Ponti, Gae Aulenti, Achille Castiglioni, Piero Fornasetti, sobre o qual contamos nesse post, desenham objetos de decoração que se tornarão ícones de modernidade e do Italian Style, como a famosa luminária  (que eu a-do-ro) Arco desenhada por Castiglioni nos anos 60.

Luminária Arco, de Achille Castiglioni

Luminária Arco, de Achille Castiglioni

Esses são os anos também de movimentos artísticos locais como o Futurismo e o movimento Novecento, os anos da arquitetura racionalista italiana, da fundação da revista Domus,  da construção do Palácio da Triennale, inaugurada em 1933 para ser a sede das Exposições Internacionais das Artes Decorativas e Industriais Modernas e da Arquitetura Moderna. Hoje, a Triennale é um museu de grande importância para o setor e para os amantes de design.

Com o boom da publicidade nos anos do pós guerra, o design gráfico invade as propagandas de grande marcas e lojas, como é o caso da Campari e da loja de departamentos La Rinascente.

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Celebração anual do design italiano, é o famoso Salão do Móvel de Milão, que acabou de acontecer e que todos os anos trás à cidade, cerca de 400 mil visitantes em busca de inspiração e negócios.

Mas o que faz a moda e o design milanês famosos no mundo e os torna ícones da cidade, não são só a qualidade e criatividade. Esses dois setores se consolidaram com um sistema  baseado em um equilíbrio produtivo entre business, cultura, profissionais, críticos, comunicadores, artesãos, empresários e, no caso do design, com centros de pesquisa como o Politecnico de Milão.

Para conhecer os ícones de Porto e Barcelona, clique nos links abaixo:

O Sol de Barcelona

O Porto Encanta 

Em Milão o futebol não é apenas futebol

Barcelona, Milão, Porto. O que essas cidades tem em comum?

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Barcelona- Milão-Porto, que todas as quinta de Abril vai mostrar um pouco das coisas em comum dessas 3 grandes cidades europeias, pontos de referências em seus países, com a participação de Cristina Rosa do blog  Sol de Barcelona e Rita Branco do blog O Porto Encanta.

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O futebol na Itália é uma religião assim como no Brasil. O país foi quatro vezes campeão do mundo e fica atrás só da nossa seleção.

Com isso, é normal que aqui muitas cidades e regiões tenham seus times mais famosos na primeira divisão. Milão não fica atrás nessa tradição e tem dois grandes times, conhecidíssimos dos brasileiros, por serem ainda hoje clubes que investem em muitos jogadores brasileiros: o Milan e o Internazionale di Milano, ou simplesmente Inter.

Os emblemas e as torcidas dos dois times milaneses

Os emblemas e as torcidas dos dois times milaneses

Por aqui,  milanês que se preze tem que torcer para um dos dois times. Juntos, eles dão a cidade de Milão o maior número de títulos na Champions League: 10. Mas a rivalidade é grande e histórica, já que desde o início existia também uma divisão de classes que caracterizava as torcidas dos dois times.

A partir dos anos 20, quando as primeiras torcidas começaram a se organizar, a Milão mais proletária era milanista, o que fazia que seus adversários interistas e burgueses, os chamassem de “caciavit”, que em dialeto quer dizer “chave de fenda”. Os interistas por sua vez, eram nominados pelos rivais “bauscia”, que sempre em dialeto tem uma conotação de burguês. Hoje a rivalidade no campo continua, mas os apelidos morreram.

Essa rivalidade talvez exista não só pelo fato que os dois times representarem a mesma cidade, mas pela própria história das suas fundações.

O Milan nasceu em 1899, fundado por um grupo de ingleses e italianos  como Milan Foot-Ball and Cricket Club, nome que permanaceu até 1919. Já em 1901 venceu seu primeiro campeonato italiano.

Desde o início os milanistas vestiram o uniforme com as cores vermelha e preta e por isso ainda hoje são chamados de rossoneri. O clube tem também a segunda maior torcida italiana (depois da Juve) e desde 2006 um simpático mascote: Milanello, um diabinho vestido com o uniforme do time.

Pelo Milan passaram jogadores brasileiros como Dida, Cafú, Ronaldinho Gaúcho, Leonardo (que foi também técnico), Robinho, Pato, Kaká, entre outros.

Já o Inter  foi fundado em 1908, quando uma discórdia entre os sócios do Milan culminou na dissidência de 44 deles, que fundaram o novo clube.

A vitória do primeiro campeonato italiano já acontece 2 anos depois e, entre altos e baixos, é o único time italiano a ter partecipado de todos os campeonatos da primeira divisão.

Sempre em oposição ao Milan, seu uniforme é azul e preto e os interistas são chamados de neroazzuri. O time teve seu nome mudado por um breve período durante a época fascista, que o fez tirar a denominação Internazionale. Assim de 1928 a 1945 foi chamada de Ambrosiana Inter.

O Inter também conta na sua história recente com a presença de grandes jogadores brasileiros como Ronaldo, Adriano, o goleiro Júlio Cesar, Lúcio, Thiago Motta, entre outros.

As lojas dos dois times no centro de Milão

As lojas dos dois times no centro de Milão

O clássico dos clássicos aqui, que nós chamamos de “derby” é sem dúvida Inter X Milan, disputado no maior e mais famoso estádio do país, o estádio de San Siro (leia a sua história nesse post). Para completar a rivalidade entre os times, até o estádio muda de nome de acordo com o time que vai jogar: quando joga o Milan é simplesmente San Siro. Quando joga o Inter, é chamado pelo seu nome, estádio Giuseppe Meazza.

Meazza foi um dos grande jogadores neroazzuri da história e por isso nenhum, mas nenhum dos milanistas chama o estádio com o nome oficial.

O estádio milanês: San Siro para osmilanistas, Giuseppe Meazza para os interistas

O estádio milanês: San Siro para os milanistas, Giuseppe Meazza para os interistas

Confesso a vocês que sou a pessoa mais ‘não futebol’ da terra. Não torço para nenhum time e só sofro um pouquinho (mas sempre menos) quando joga o Brasil na Copa do Mundo. Também sou casada com um milanês interistas da boca para fora, porque nunca vi meu marido a frente da televisão seguindo um jogo com sofrimento ou interesse.

Mas há uns dois anos atrás, tive a oportunidade de pisar em um estádio pela primeira vez e acompanhada de marido e pai, fui assistir em San Siro um Milan x Catania. Ok, eu sou daquelas que não entendo um impedimento nem se me desenham, mas confesso que me diverti um montão naquela tarde.

O início do meu primeiro jogo de futebol

O início do meu primeiro jogo de futebol (2011)

Os bilhetes eram presentes de fornecedores e ficamos em uma área VIP e um tanto monótona, o babado era mesmo na “curva” (arquibancada), onde os chefes da torcida, em pé nas grades puxavam os  hinos e agitavam aquela tarde fria de domingo. Difícil ficar indiferente a paixão dos torcedores.

A festa acabou em 4 a 0 para o Milan, com um dos gols marcados pelo brasileiro Robinho.

O próximo clássico é dia 4 de maio e com certeza, Milão vai parar mais uma vez, contagiada pela torcida de milanistas e interistas!!

E que vença o melhor!!

Para conhecer o futebol do Barça e do Porto, clique nos links:

Em Barcelona futebol não é apenas futebol

No Porto futebol não é apenas futebol

É primavera em Milão

Barcelona, Milão, Porto. O que essas cidades tem em comum?

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Barcelona- Milão-Porto, que todas as quinta de Abril vai mostrar um pouco das coisas em comum dessas 3 grandes cidades europeias, pontos de referências em seus países, com a participação de Cristina Rosa do blog  Sol de Barcelona e Rita Branco do blog O Porto Encanta.

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Me lembro que há uns 25 anos atrás, uma grande amiga da minha família fez a sua primeira viagem a Europa e voltou ao Brasil nos contando que em Vienna, as pessoas se colocavam embaixo do primeiro raio de sol nas praças e parques na hora do almoço, muitas vezes ficando até sem blusa. Óbvio que todos nós achamos engraçado e exagerado.

Uma pessoa que passa a vida em um país tropical como o Brasil, sem estações muito definidas, não pode imaginar o efeito do sol e os prazeres por ele proporcionado depois de meses de inverno e frio. E olha que eu estou escrevendo da Itália, que não é o país mais frio por aqui.

primavera

Difícil explicar para quem nunca morou por aqui, mas a vida na primavera (e verão), muda. Não que ela pare no inverno, mas roupas, programas e muitas vezes o humor, tomam formas diferentes.

Taí o efeito da nova estação, do sol, que não faz desabrochar só as flores e árvores, mas também coloca mesinhas e cadeiras nas calçadas em frente aos bares e restaurantes, torna tudo mais leve, muda o teu estado de espírito, fazendo desabrochar a alma.

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Por aqui vamos continuar a frequentar mostras e exposições, como as programadas na cidade para os próximos meses, mas vamos começar também a fazer programas outdoor, como pedaladas pela cidade e a demorar em almoços e happy-hours ao ar livre em Brera ou a beira dos canais da cidade. É também a melhor estação para apreciar a minha adorada magnólia no claustro da igreja de Santa Maria delle Grazie, que hospeda a famosa Santa Ceia no seu refeitório.

O claustro da igreja de Santa Maria dele Grazie

O claustro da igreja de Santa Maria delle Grazie

Pelas ruas, as primeiras flores começam a aparecer nos vasos das varandas das casas, mudando também as cores de uma cidade considerada cinza.

Que você goste do calor ou não, tem que concordar comigo: tudo é mais fácil e mais bonito com sol, inclusive Milão.

E agora que apenas começamos o horário de verão, a alegria dura até mais tarde.

Benvenuta Primavera! !

Para saber como vai a Primavera em Barcelona e no Porto clique nos links.

Sol de Barcelona

O Porto Encanta

Fotos: Milão nas mãos