San Valentino: apaixonar-se em Milão

Digam o que quiserem sobre Milão, incluindo que é uma cidade fria, e eu vou continuar a bater o pé para dizer que não é verdade, que Milão é, entre outras coisas, uma cidade romântica.

Um passeio pelos canais (I Navigli) de mãos dadas, namorar na tranquilidade e imersos nas belezas dos pátios e clautros mais bonitos da Itália, jantares românticos em restaurantes com as melhores vistas da cidade. Milão tem tudo para comemorar no melhor estilo o dia de San Valentino.

Decoração Via Montepoleone Milão

A decoração de San Valentino na Via Montenapoleone

Esse ano, para festejar o 14 de Fevereiro, dia de San Valentino, a famosa e chiquerríma Via Montenapoleone está toda decorada com corações suspesos e hospeda a Temporary Store dos famosos bombons Baci. Porque aqui, todo mundo um dia na vida já presenteou o próprio amado ou amada com um Bacio.

Um céu estrelado e paredes azul e prata forradas de frases de amor para receber os casais apaixonados que podem comprar caixas do famoso bombon em embalagens de edição limitada.

Loja Bacio Perugina em Milão

O temporary store da Bacio em Milão

E porque não, depois de um breve passeio, ir saborear os chocolates na frente do famoso quadro de Francesco Hayez, O Beijo (1859),  exposto na Pinacoteca de Brera.

Quadro O Beijo de Hayez

O quadro de Hayez na Pinacoteca de Brera

Milão oferece aos apaixonados, também um pouco de arte.

PS:. e para quem é solteiro, no dia seguinte, dia 15 de fevereiro, se festeja San Faustino, santo protetor dos solteiros.

Fotos: internet

Milão nas mãos e Simplesmente Elegante

Milão e moda. Impossível pensar em um sem pensar no outro. E é por isso que a parceria entre o Milão nas mãos e o blog de moda da jornalista Márcia Luz, o Simplesmente Elegante, nasceu naturalmente. Porque Milão e moda são uma única coisa.

Uma colaboração mensal através de artigos que falarão de moda, lojas, comportamento e estilo de vida de umas das cidades mais chiques do planeta.

Convido todos vocês a conferirem o Simplesmente Elegante e seguirem de perto essa nova aventura do Milão nas mãos.

“I paninari”, Milão e a moda dos anos 80

A década de 70 com seus eventos políticos e terroristas tinham ficado para trás, o teor de vida começava discretamente aumentar e a moda e suas grifes começavam a se propagar. Os jovens dos anos 80 queriam só curtir a vida sem se preocupar. É nesse cenário que nasce em Milão o movimento sub-cultural juvenil Paninaro.

Tudo começa mais ou menos em 1985 e a juventude milanesa burguesa, entre 14 e 18 anos que frequenta uma lanchonete do centro de Milão chamada Al Panino, se auto-nomeia I Paninari (literalmente Os Sanduícheiros, já que panino está para sanduíche).

O clássico paninaro dos anos 80

O look clássico do paninaro era casaco azul da marca Moncler por cima de um moleton Naj Oleari, jeans rigorosamente Armani com cinto (socorro!!) tipo texano da marca El Charro, meias estilo escocês, sapatos Timberland e óculos Ray-Ban, mas outras bizarras combinações também eram permitidas, desde que tudo fosse absolutamente de marca.

Pensando hoje dá vontade de sair correndo de alguém vestido assim, mas eram os anos 80 e, como não poderia ser diferente em uma cidade como Milão, o que contava era a aparência, a moda e a música. 100% superficialidade, tudo era permitido. Só quem foi adoslecente (como eu) nos anos 80 pode entender tamanha aberração de look.

Os “paninari” tinham um linguajar próprio, feito de gírias e palavras abreviadas e como diz o próprio nome, se nutriam de toneladas de hamburgers nos fast-foods italianos pré Mc Donalds. Estacionavam os seus scooters nas ruas do centro e passeavam para cima e para baixo entre Praça Duomo e Praça San Babila percorrendo Via Vittorio Emanuele e frequentando lojas como a histórica Fiorucci, embalados pelas músicas de Duran Duran, Falco e Spandau Ballet.

Os paninaros e a revista do movimento

E foi próprio a música a difundir o movimento na Itália e até em parte da Europa. Em 1986 os Pet Shop Boys estavam na cidade para gravar alguns programas de Tv e se impressionaram com a moda que enlouquecia os jovens daqui. Câmeras nas mãos, registraram imagens de jovens milaneses e vitrines de lojas e assim nasceu o vídeo (e música) Paninaro. É o auge do movimento, que virou também uma revista.

Como toda tendência que se respeite, a moda paninara teve vida relativamente curta e se concluiu com o fim dos anos 80 e quem foi paninaro, hoje já está bem crescidinho.

Nós brasileiros, adoslecentes nos anos 80 (com look e cortes de cabelo não menos bizarros), não conhecíamos o movimento, mas quem não se lembra da música?  Uma observação: o vídeo (qualidade) é tão tosco quanto os looks e moda da época.

 

Milão no inverno

Provavelmente, a maioria das pessoas que planeja uma viagem para a Europa pensa em vir para cá na primavera e porque não, no verão. Ok, os dias são mais longos e ficar batendo perna é mais agradável com uma temperatura de 25 graus.

Mas existe um grupo de pessoas que por opção ou necessidade (de trabalho, por exemplo) vem para cá no outono e inverno e, apreciar a cidade com temperaturas que muitas vezes beiram o zero é possível. Afinal, nesse período a vida da gente aqui muda um pouco, mas não pára. O inverno muitas vezes é rigoroso, mas nem sempre com nevadas intensas.

Sim, você tem que rever os seus programas: nada de aperitivo (happy hour) nas mesinhas das calçadas e nem longas caminhadas pelas ruas de Brera e dos canais. Em Milão a dica é trocar tudo isso pelos inúmeros museus que a cidade tem à oferecer (Pinacoteca di Brera, Pinacoteca Ambrosiana, Museu Novecentos, Museus do Castelo Sforzesco, as casas museus, Gallerie d’Italia e outros), trocar as lojas de rua pelas compras na Rinascente ou na Galleria Excelsior, visitar as centenas de igrejas da cidade, muitas delas decoradas com afrescos famosos e obras de arte.

Uma sala da Gallerie d’Italia

Quem fala um pouco de italiano, ainda tem a opção dos teatros e cinemas da cidade.

E entre uma coisa e outra, essa é a melhor época para apreciar um almoço com entrada, primo e secondo prato com as melhores receitas de pratos outonais e invernais regadas a muito vinho ou até mesmo sentar e tomar um chá ou chocolate quente acompanhados dos maravilhosos pasticcini (doces de confeitaria) em confeitarias como a Pasticceria Cova, Pasticceria Cucchi ou na Peck.

O chocolate quente da Peck

Tenha o cuidado de se vestir em modo adequado (passar frio não é agradável) e você não irá perder nada do que Milão tem à oferecer de novembro à março.

A cozinha italiana outonal

O outono já deu as caras por aqui e como não poderia deixar de ser, já mudou os pratos preparados nas casas dos italianos e os menus dos restaurantes, porque nada melhor do que cozinhar (e comer) os pratos da tradição outonal.

Se você é amante da boa mesa e está por aqui nessa época, procure restaurantes que ofereçam o melhor dessa estação do ano.

Tagliolini com trufas

É o momento de comer massas preparadas com trufas, funghi, feijão, lentilhas e verduras. Carnes cozidas no vinho (como o brasato) ou não (como o bollito, preparado com verduras) que acompanham a rainha dessa estação para os italianos do Norte: a polenta!

Essa também é preparada aqui para acompanhar carne de coelho e existe a versão servida com uma carga bombástica de gorgonzola. E por falar em gorgonzola, não podemos esquecer os queijos, que nas noites frias, acompanhados de vinhos tintos e por que não, geléias, são uma ótima pedida.: parmigiano, taleggio, pecorino, stracchino, fontina… a lista de queijos aqui é interminável.

E ainda temos os frios e salames, as sopas, os risotos, os doces a base de castanhas, chocolate e marron glace…a lista é interminável.

Marron Glacè com calda de chocolate

 

 

 

 

 

 

 

Fatias de panetone com creme mascarpone

Escolha o seu prato e buon appetito!!