Milão em 1 dia: dicas do que fazer

Turisticamente falando, acho que para conhecer a maioria das médias-grandes cidades do mundo serviria pelo menos 1 semana. As cidades com uma grande concentração de arte e cultura então, nem se falam. Mas por vários motivos, essa não é a permanência dos turistas nas cidades e no caso de Milão, infelizmente esse número cai drasticamente e muitos deles passam só 1 dia inteiro por aqui.

Foi pensando nisso, que resolvi dar as minhas dicas do que fazer em Milão em 1 dia, pensando em um passeio turístico a pé pela cidade. Os horários são mera indicação e é claro que você pode levar mais ou menos tempo para fazer cada coisa.

O dia vai ser puxado e começa cedo, mas um bom par de sapatos confortáveis e disposição para descobrir a cidade são suficientes para aguentar a pegada. Bom passeio!

9h- Praça Duomo e a catedral: A beleza da cidade dá o melhor de si nas primeiras hora do dia, quando as lojas ainda estão fechadas e turistas e milaneses começam a se preparar para mais um dia. Chegar a Praça Duomo por volta das 9hs pode fazer a diferença (se puder antes, melhor), você não vai encontrá-la vazia, mas menos cheia.

Ninguém pode passar por Milão sem passar por alí. Contemple com calma o Duomo e suas agulhas de mármore, cenário de um mundo de cerca 2.700 estátuas na parte de fora. Admire telamões, santos e gárgulas, sem esquecer da mais importante senhora milanesa, a Madonnina, que domina a agulha maior, antes de entrar.

No seu interior, não deixe de notar uma Meridiana (no chão, perto das portas), os vitrais que contam a história de santos e o evangelho, a famosa estátua de São Bartolomeu dissecado no fundo da nave direita e a cripta de São Carlos embaixo do altar.

telhados duomo milao

Para dizer mesmo que conheceu o Duomo de Milão, se o tempo é bom, vale a pena subir aos telhados e ter uma vista da cidade.

A praça hospeda também outros palácios importantes que você vai ver, como o Palácio Real, dedicado aa grandes mostras temporárias da cidade e o Museu Novecentos, a coleção municipal de arte contemporânea.

11h- Galeria Vittorio Emanuele: depois de deixar a catedral, entre e atravesse devagar a Galeria Vittorio Emanuele ou como é chamada aqui: “Il salotto di Milano”, ou seja, a sala de estar dos milaneses, com seu ar chique e seus restaurantes hoje turísticos, mas que estão alí quase desde a abertura.

Um dos templos das compras de luxo da cidade, a Galeria foi construída no finald o século 19 como um corredor coberto que ligasse a Praça Duomo a Praça Scala. Repare no pavimento original e nos mosaicos abaixo da grande cúpola de vidro, que representam os quatro continentes.

Para quem quiser curtir um pouco a atmosfera, uma opção é sentar no café Gucci para um cafezinho de luxo.

11h30- Praça Scala: do outro lado da Galeria fica a outra praça famosa da cidade, que leva o nome do conceituado teatro de lírica, o Teatro alla Scala.

A fachada neoclássica não deixa ninguém de bocas abertas, porque todo o seu esplendor está no seu interior, com sua bela sala a forma de ferradura de cavalo que ainda hoje hospeda a temporada lírica, de ballet e da filarmonica da cidade.

Uma curiosidade para os brasileiros, é saber que foi alí, em março de 1870 que o compositor Carlos Gomes estreou o ópera O Guarani.

12h- Castelo Sforzesco: deixando a Praça Scala volte em direção ao Duomo e siga na direção oposta até chegar ao Castelo Sforzesco.

Ampliado em época Renascentista como castelo defensivo, se transformou em residência ducal na metade do século 15 e viu seus anos de fama como uma das cortes mais refinadas do Renascimento durante o período que Leonardo da Vinci viveu e trabalhou por alí, afrescando uma das salas.

castelo milao

Hoje, o castelo abriga vários museus municipais de grande importância. Vale a pena entrar pelo menos no Museu de Arte Antiga e contemplar a sala afrescada por Leonardo e a Pietà Rondanini di Michelangelo, que fica no final do percurso.

Se optar por não visitar o museu, atravesse o castelo observando a sua estrutura, formada ainda de parte da fossa e das torres de guarda. Saindo pela parte de trás, se dá de cara com o maior parque da cidade, o Parque Sempione, antigo bosque de caça da família ducal nos tempos áureos do castelo.

A essa altura você já deve estar um pouco cansado. A opção é descansar embaixo de uma árvore no parque, se o clima permitir ou, dando as costas para o castelo, com o parque a frente, sair pelo portão da direita em direção ao bairro de Brera, para o almoço.

14h- Brera: o antigo bairro dos artistas e da casas de prostituição até os anos 50, hoje é um dos metros quadrados mais caros da cidade e meta de turistas e locais que aproveitam seus bares, restaurantes, lojas e galerias.

A moldura são os prédios lindinhos mas que conversam ainda a arquitetura popular das casas milaneses dos séculos passados. Em Via Fiori Chiari, você pode decidir parar para o almoço com um panino (sanduíche) ou uma salada no histórico Bar Brera ou nos restaurantes da rua, como o milanesíssimo Nabuco ou, um pouco mais para frente na rua, o mais moderno Fiori Chiari Plates. É sempre em Brera, que ficam também os já citados Ristorante Al Pozzo (bom e baratíssimo) e o modernoso Pisacco.

bairro brera milao

15h30- Pinacoteca de Brera: Nada melhor depois ao almoço e da descansada, que retornar a descoberta de Milão com obras de Caravaggio, Mantegna, Raffaello, Bellini, Hayez e outros grandes nomes, no maior museu da cidade. Realmente vale investir um pouco do seu dia para conhecer essa maravilha.

Visualize o mapa Praça Duomo-Brera  clicando aqui

17h- Corso Garibaldi – Cso. Como: Depois da visita, partindo da Pinacoteca de Brera siga até Corso Garibaldi e continue em frente caminhando e curtindo as lojinhas e lojonas, como a Eataly e 10 Corso Como que estão antes de você chegar na parte moderna da cidade.

17h30- Praça Gae Aulenti: é novíssima e seu arranha-céu principal, o Torre Pelli, já é um ponto de referência na cidade, com seu pináculo que remete aos seus similares na grande Duomo.

torre_pelli_milao

Olhe um pouco as vitrines das lojas que dão para a praça ou simplesmente sente-se para olhar o vai e vém, antes de descer em um dos lados e pegar o metrô na Estação Garibaldi (linha verde) e ir até a Estação Porta Genova (linha verde). Saindo da estação, pegue Via Vigevano para terminar seu dia com um happy hour na sugestiva área dos canais de Milão.

Visualize o mapa Brera-Praça Gae Aulenti clicando aqui

18h30- Navigli: outro bairro popular da cidade, com suas casas de balaustras debruçadas em pátios internos e que hoje concentra inúmeros bares e restaurantes onde locais se refugiam depois do expediente para o famoso ritual do aperitivo.

navigli canais milao

Visualize o mapa Estação Porta Genova-Navigli clicando aqui

O dia foi longo e cansativo, mas antes de se despedir de Milão, escolha um dos bares e relaxe com um Spritz (um clássico milanês) ou qualquer outro drink antes de voltar para o hotel com a certeza de ter explorado ao máximo a cidade.

Milão pelos olhos de uma viajante brasileira

Como eu já contei outras vezes, desde que comecei o Milão nas mãos, há quase 1 ano, conheci um montão de gente legal, pessoalmente e virtualmente. Uma delas (virtualmente) é a brasileira Sandra Brocksom, que vive desde 2011 em Madri com seu companheiro Paco.

Sandra também tem um blog, o Sandra B em Madrid, que ela mesma define como um blog caseiro e narcísico, que como muitos outros blogs de expatriados, nasceu como um diário de sua cotidianidade ibérica, um modo de manter contato e contar suas experiências aos caros deixados no Brasil.

No final de junho Sandra passou um final de semana em Milão com Paco e, como gosto muito do texto dela, a convidei para escrever um guest post sobre a cidade. Um olhar diferente do meu  (mas não muito) para os leitores. Boa leitura!!

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Por Sandra Brocksom

Arrisco dizer que eu, como 100% dos brasileiros, não tinha Milão como a primeira cidade que queria conhecer da Itália. Brasileiros querem ir a Toscana e suas pequenas vilas que são cenários das histórias das nonas. Acho que queremos recuperar aquela memória das centenas de famílias italianas que vieram ao Brasil.

No último final de semana de junho Milão aconteceu, um final de semana longo, um bate e volta de Madrid a Milão. Assim como 100% dos turistas brasileiros, minha grande preocupação era que Milão fosse cara demais a ponto de impossibilitar qualquer diversão. Eu acho também que Milão é muito mais cara que Madrid, que é uma das capitais européias com o custo de vida mais econômico. Explico mais, Paco e eu estamos muito acostumados a fazer atividades culturais a custo quase zero, vamos a museus nos horários gratuitos, shows free, comemos em botecos e cozinhamos muito em casa. Quando viajamos também somos assim: nada de restaurantes chiques, nem grandes compras. Queríamos adequar Milão ao nosso estilo super econômico de viagem. E deu!!

milao em bicicleta

Para conseguir submeter uma grande cidade cosmopolita ao nosso baixo orçamento, eu pesquisei bastante. Foi ai que descobri o “Milão nas mãos” que me ajudou com 80% do nosso final de semana. Os outros 20% eram direções óbvias: o Duomo e seu entorno. A sua paixão pelas ruas, pessoas e arquitetura de Milão me contagiou. Também tenho que confessar que você é responsável da minha grande frustração: eu não achei o Quadriláterio do Silêncio. Você escreveu um post maravilhoso sobre o lugar, eu tinha que vê-lo. Depois que voltei para casa, revi meus roteiros, percebi que estive muito perto e não soube vê-lo. Este é meu primeiro motivo para voltar!

Diante do seu rico material publicado, eu sabia que tinha que fazer escolhas de caminhos e também sabia que as ruas da cidade seriam nosso cenário. Você moldou o meu olhar! Eu sabia para onde tinha que olhar “Milão é uma cidade para se descobrir nos interiores, de belezas escondidas e fachadas austeras”. E por outro lado: “É uma cidade onde você tem que caminhar prestando atenção nos portões abertos de muitos palácios para ver se tem a sorte de descobrir os mais belos pátios da Itália (prometo um post sobre eles), caminhar olhando para cima, quando possível, para admirar seus jardins suspensos. Mas uma das coisas que mais adoro aqui, são essas quantidades infinitas de homens e mulheres “encostados” nas fachadas de palácios mais ou menos históricos das cidades e até das igrejas, como o Duomo. Quem são? As famosas cariátides e telamones “.

estatuas em milao

Nossa viagem também suponha um desafio: encontrar uma amiga que aterrou na cidade somente no sábado no final de tarde. Chegamos na sexta-feira de manhã e tínhamos que evitar o Duomo nas próximas horas porque queríamos explorá-lo com ela. Nós tínhamos que deixar o melhor para o final. Apesar de todas as tentações, o Duomo tem uma força atrativa como um polo magnético, conseguimos cumprir nossa auto-imposta missão de não entrar no Duomo logo nas primeiras horas.

No nosso primeiro dia, sexta-feira, eu propus a Paco uma longa caminhada que cruzasse a cidade pelo seu centro. Escolhi como ponto final Mercato di Piazza Wagner (dica do blog Turomaquia). O ponto inicial foi a estação Central onde o ônibus vindo do aeroporto de Bergamo nos deixou. Fizemos uma parada estratégica para deixar as mochilas no hotel barato e limpo perto do metrô Porta de Veneza e seguimos: Giardini Pubblici; Via Manzoni; Teatro Scala; Estátua do Leonardo; Galeria Vittorio Emanuele; Duomo; Castelo Sforzesco; Praça Cadorna; Corso Magenta; Mercato di Piazza Wagner.

bondinho-milao

Claro que não fizemos o percurso assim tão linear como no mapa. Zig-zageamos pelo Giardini Pubblici di Porta Venezia; cogitamos entrar na Galleria di Arte Moderna (um dos museus gratuitos) mas achamos arriscado ficar horas ali e perder a cidade que clamava que deveríamos seguir caminhando. Assim fomos, eu olhando para cima buscando o Quadrilátero do Silêncio que estava logo ali e não vi, e o Paco já vidrado pelos bondinhos amarelos que eu propositadamente não havia contado que em Milão também existe “tranvia”, como são chamados em espanhol. Foi muito bonito ver os olhos dele iluminados pela paixão de menino por trens e bondes. Passou o primeiro dia emocionado atrás das melhores fotos, ficamos algum tempo parados em várias esquinas esperando pelos bondinhos.

Não sei o porquê, naquela hora passamos quase reto pelo Teatro Scala e nos dedicamos a reverenciar a estátua de Leonardo Da Vinci, somos fãs do projeto “Da Vinci the genius” que leva a vários países as incríveis invenções do mestre. Como planejamos a viagem de última hora, não conseguimos entradas para ver a Santa Ceia pintada por ele. Segundo motivo para voltar a Milão.

estatua da vinci milao

Cruzamos a Galeria Vittorio Emanuele maravilhados com seu esplendor. Eu fiquei particularmente interessada nas mulheres de véu (de marca) em um alto grau de consumo. Elas em duplas ou trio com suas crianças e, às vezes, com seus maridos, entrando e saindo das lojas de alta gama da Galeria com naturalidade de quem vai comprar pão na esquina. Entendi que são elas que protagonizam o consumo.

Chegamos a piazza del Duomo! E ali creio que palavras não são suficientes, saíram muitos UAU!UAU! Seguimos em direção ao Castelo Sforzesco. Ficamos tentados em entrar no museu, mais uma vez escolhemos as ruas. Ter tempo para apreciar os museus é o meu terceiro motivo para voltar.

Deste ponto até chegar ao mercado nos perdemos muito. Rodamos as rotatórias entrando e saindo das ruas, ficamos sem qualquer sentido de direção. Já estávamos tão cansados que não tiramos fotos decentes dos magníficos balcões dos prédios que existem na região. Eu fiquei apaixonada por eles, eu imaginei tantas lindas serenatas de amor eles não inspiraram. Depois ficamos arrependidos de não ter tantas fotos e tenho meu quarto motivo para voltar.

Enfim, encontramos o mercado que foi escolhido porque fica no estremo oposto de onde esta nosso hotel. É um mercado de comida “normal e corrente” como existe tantos e em todas as cidades. Eu acho que entrar em mercado e supermercados é parada obrigatória no turismo econômico que fazemos. Demos uma volta e compramos vários pães e pizzas. Andamos até uma praça próxima e devoramos tudo. O pão de cebola estava especialmente delicioso.

Energias recuperadas, caminhamos tudo de volta até chegarmos exaustos no hotel. Por sorte havia uma pequena pizzaria, dessas que agradam estudantes “eramus” e a nós. Pizza boa, atendimento caseiro e barato.

Queria terminar contando um pequeno causo. Sábado pegamos leve com a caminhada. Começamos pelo Corso de Vezenia onde paramos um pequeno bar para nosso legítimo expresso italiano. Eu queria um “café normale”, forte. Paco queria o seu com leite, “caffè macchiato”. A dona do lugar nos deu uma aula de como apreciar um café. Paco descreveu como se toma “café com leche” na Espanha e ela taxativamente disse que isso não se faz na Itália. Ela não foi especialmente simpática e, sim, cativantemente generosa em nos explicar as diferenças.

Estas foram nossas primeiras impressiones de Milão: imponente e chique como o Duomo; firme, estrita e generosa como a dona do café; abundante com os seus balcões. No domingo tevemos outra visão da cidade, da zona boemia e acolhedora Navigli, mas isso fica para outro post.

Os parques e jardins de Milão

É bom começar avisando que Milão não pode ser considerava uma cidade verde. Não sou uma especialista no assunto e não fiquei debruçada nas estatísticas dos metros quadrados verdes da cidade, mas é só você viver aqui para se dar conta disso.

Dito isso, não quer dizer que não temos os nossos parques e jardins, maiores ou menores, mais ou menos frequentados por turistas e locais. Aliás, os parques são muito frequentado pelos milaneses, já que são a nossa praia e depois de longos e rígidos invernos, não é difícil ver a população de shorts e até biquínis tomando sol deitada nos gramados.

Também, são os melhores lugares para um pic nic com as crianças e amigos, uma pedalada ou uma corridinha. Se você estiver passando por aqui como turista, pode aproveitá-los também para uma pausa entre um passeio e outro.

Aqui, as dicas de parques em Milão mais acessíveis aos turistas:

Parco Sempione

Talvez seja o parque dos parques. Fica atrás do Castelo Sforzesco e não tem como não passar por alí. O parque era na Idade Média, o bosque particular da família Visconti, onde os duques levavam os hóspedes para caçar. Naquela época a área verde era muito maior. O parque foi reformado e se tornou público com a restruturação do castelo no século 19.

parque milao

Parque Sempione

Além da opção de sentar ou deitar para relaxar ou fazer um pic nic, alí ficam também o prédio da Triennale, que alías tem seu próprio jardim posterior, onde no verão é possível fazer um happy hour no Bar Design externo, a Torre Branca (onde você pode subir para ver Milão de cima), o Arco della Pace (O Arco do Triunfo milanês,  mandado construir por Napoleão para a entrada dele na cidade) e o Aquário Cívico  que pode ser uma boa opção para quem está com a criançada.

triennale milao

O jardim da Triennale

O parque também conta com conexão WiFi, uma área de brinquedos para crianças e, além dos quiosques- barzinhos, tem também o Bar Bianco.

Bar quiosque no parque Senpione

Bar quiosque no parque Senpione

Giardini Pubblici di Porta Venezia

O meu preferido, seja pela zona  ou porque é mais frequentado pelos locais.

Giardini Pubblici em Porta Venezia

Giardini Pubblici em Porta Venezia

O parque mudou de nome (se chama Giardini Pubblici Indro Montanelli), mas os milaneses continuam a chamá-lo assim, já que fica localizado em um dos lados da avenida monumental (Corso Venezia), acesso de entrada da família real austríaca quando eram os regentes de Milão.

Construído entre 1782 e 1786, foi o primeiro parque público da cidade e ainda hoje é muito frequentado pelos milaneses.

A fonte do Giardini Pubblici em Porta Venezia

A fonte do Giardini Pubblici em Porta Venezia

Possui 3 áreas de brinquedos para crianças, um pequeno parque de diversões com carrosel e bate-bate, laguinhos com patos e hospeda o famoso Museu de História Natural e o Planetário da cidade.

Giardino della Villa Reale

Como diz o nome, é o jardim posterior da Villa Reale, que fica ao lado dos Giardini Pubblici, e que hoje é sede da Galleria di Arte Moderna, um dos museus gratuitos da cidade e que vale uma visita.

O jardim é lindo, não muito grande, com uma pequena área de brinquedos para crianças, mas tem uma das particularidades mais estranhas da cidade: o acesso aos adultos só é consentido se estiverem acompanhados por menores de 12 anos.

O Jardim Da Villa Reale

O Jardim Da Villa Reale

Eu sempre entrei com as meninas, mas um dia juro que vou tentar entrar sozinha para ver se alguém me barra.

Parco delle Basiliche

Antigo lugar que a Inquisição usava para queimar as bruxas milanesas, mais que um parque propriamente dito, é um grande gramado que fica entre as basílicas de San Lorenzo e Sant’Eustorgio. Mas é comum ver locais deitados no gramado tomando sol e conversando.

O Parco dele Basiliche, com a Basilica de São Lourenço ao fundo

O Parco dele Basiliche, com a Basilica de São Lourenço ao fundo

Giardini della Guastalla

Outro jardim da cidade, desconhecido pelos turistas e também por alguns locais. Localizado atrás da famosa Ca’ Granda, hoje sede de algumas faculdades da Universidade Estadual, é ideal se você quer um lugar tranquilo para repousar com uma sombrinha e aproveitar a leitura de um bom livro.

Giardini della Guastalla - Foto Stefano Trezzi/Wikicommons

Giardini della Guastalla – Foto Stefano Trezzi/Wikicommons

Além desses, a cidade também conta com outros parques em zonas menos frequentadas pelos turistas como: Bosco in città, Parco Forlanini, Idroscalo e os parques de alguns bairros. Clique nos links abaixo para acessar os mapas dos parques citados.

Parco Sempione

Giardini Pubblici Indro Montanelli – Porta Venezia

Giardini della Villa Reale

Parco delle Basiliche

Giardini della Guastalla

Boscoincittà – Parco di Trenno

Parco Forlanini

Idroscalo

Fotos (onde não especificado): Milão nas mãos

O quadrilátero do silêncio em Milão

Sem dúvida nenhuma, o quadrilátero mais conhecido de Milão é o chamado Quadrilátero da Moda ou Quadrilátero de Ouro, as quatro ruas mais famosas da cidade (Via Manzoni, Via Montenapoleone, Via della Spiga e Via Sant’Andrea) que reúnem as lojas das mais badaladas marcas mundiais.

Mas em Milão existe um outro quadrilátero, muito menos famoso e pouco conhecido pelos turistas e até locais, que é completamente o oposto ao seu badalado “primo”: é o Quadrilátero do Silêncio.

Essa área que fica a dois passos do centro de Milão é assim chamada pela tranquilidade de suas ruas, praticamente privadas de bares, restaurantes e lojas badaladas. É alí que estáo reunidos os melhores e mais belos exemplos da arquitetura Liberty em Milão, estilo muito em voga nos anos 10 do século 20 e também de estilos das décadas posteriores, constituindo assim, uma espécie de “albúm” da história da arquitetura milanesa do século passado. Só para entender melhor, o estilo aqui chamado de Liberty, é o que os franceses chamam de art-nouveau.

milao quadrilatero silencio

O arco de Via Salvini – Foto Geobia

O Quadrilátero do Silêncio (para mim) tem uma entrada oficial: o arco que se abre em Corso Venezia, à frente do Parque Jardins Públicos e que pegando Via Salvini vai dar em uma “outra dimensão”: a deliciosa Praça Duse. Já alí, vale a pena reparar nos prédios que circundam a praça com suas cariátides. A traficada avenida está a poucos passos, mas você já começa a gozar da tranquilidade e silêncio das ruas.

Edifício na Praça Duse - Foto Friedrichstrasse

Edifício na Praça Duse – Foto Friedrichstrasse

A partir dalí é uma sucessão de surpresas como: Palácio Fidia (1929), Palácio Berri Meregalli (1911), Casa Tensi (1907), a belíssima Villa Necchi Campiglio (1932) e seu jardim com piscina e cafeteria, perfeitos para uma pausa. A vila é uma das casas museus de Milão e é visitável com um tour guiado feito por voluntários, como contei nesse post.

casa tensi milao

Casa Tensi

Em Via dei Capuccini vale conferir a surpresa que nos reserva os jardins da Villa Invernizzi: uma colônia de flamingos rosas em pleno centro da cidade.

villa invernizzi milao flamingos

Colônia de flamingos rosa da Villa Invernizzi

Algumas poucas ruas mais em direção a periferia ficam outros exemplos famosos de construções , como o renomado Hotel Diana, de 1908 e hoje parte da rede Sheraton, onde o ritual do aperitivo no seu belo jardim é disputadíssimo e os prédios com varandas e escadas em ferro batido e decorações em azulejos, como as famosas Casa Galimberti (1913) e a Casa Guazzoni em Via Malpighi.

liberty milao

Fachada Liberty da Casa Galimberti

Casa Guazzoni MIlao

A escada interna em ferro batido na Casa Guazzoni

O Quadrilátero do Silêncio é um lugar para se conhecer a pé, com calma e olhando para cima. Se você tem alguns dias por aqui e quer fazer um passeio diferente em Milão, eu aconselho conhecer esse cantinho especial e mágico da cidade.

Para chegar até o quadrilátero do silêncio, você pode descer nas estações (linha vermelha) de Porta Venezia (e começar por Via Piave e Malpighi) ou Palestro (e começar pelo arco di Via Salvini). Abaixo os nomes dos principais edifícos, os endereços e um mapa da áera.

Palácio Fidia – Via Luigi Melegari 2
Palácio Berri Meregalli – Via Cappuccini 8
Villa Necchi Campiglio – Via Mozart 12-14
Villa Invernizzi – Via dei Capuccini
Casa Tenzi –  Via Vivaio 4 esquina Via Maggiolini
Hotel Diana – Viale Piave 42
Casa Galimberti e Casa Guazzoni – Via Malpighi 3 e 12
 


View Larger Map

Fotos: (onde não especificado) Milão nas mãos

O estádio de San Siro

San Siro em 1926

É difícil de acreditar mas é  o estádio de San Siro na fotografia acima.

A inauguração do estádio, construído pelo então presidente do Milan, Piero Pirelli (sim, o dos pneus) aconteceu em 1926. De propriedade da prefeitura e pensado para receber os jogos “em casa” do Milan, o estádio foi utilizado também pelo Inter só a partir de 1947. O nome original do estádio deriva do bairro onde fica. Desde 1980 é chamado Estádio Giuseppe Meazza, em homenagem do falecido jogador do Inter e 2 vezes campeão do mundo. 30 anos depois o nome mais usado é ainda San Siro.

O estádio foi várias vezes remodernado e ampliado com a construção do segundo anel em 1956: em volta ao corpo do estádio que já existia foi acrescentada(externamente) uma estrutura helicoidal ao antigo estádio, onde foram construídas as novas arquibancadas.

O estádio de San Siro com apenas 2 anéis

Para a Copa do Mundo de 1990, foi construído um terceiro anel e a cobertura de todos os assentos. Mais uma vez o estádio foi concebido como uma caixa sobreposta à estrutura anterior. Uma espécie de matrioska que contém, um dentro do outro, os estádios antigos, característica quase única no mundo dos esportes e exemplo de reutilização do que já existia, técnica de que Milão é mestre desde os tempos antigos.

Hoje San Siro é o estádio de maior capacidade da Itália, com mais de 80.000 lugares e uma das construções mais famosas e prestigiadas do mundo (tanto que foi chamado A Scala do Futebol). Além de jogos de futebol hospeda também shows e outras manifestações.

San Siro hoje

Para o turista estrangeiro o acesso ao estádio durante os jogos de futebol é possível nos lugares onde não é necessário a ‘tessera del tifoso’ (carteirinha do clube). Tenho alguns clientes que usaram o site de compras de bilhetes Biglietti Calcio para comprar ingressos para os jogos  e tudo correu bem, com entrega no hotel. Mas atenção, compre os ingressos onde está escrito que não é necessária a carteirinha.

Uma outra dica para conhecer o estádio é uma visita ao Museu San Siro, que inclui um tour guiado que conta a história do Milan e Inter através de uma coleção de copas, troféus, chuteiras e lembranças de todos os tipos. As camisas históricas de Rivera e Mazzola, mas também de Pelé e Maradona lembram os grandes feitos esportivos que fazem parte das lendas do futebol mundial.

Depois da visita ao museu é possível entrar no estádio para apreciar a originalidade de uma das estruturas esportivas mais bonitas do mundo. Os grupos são conduzidos ao interior de San Siro, percorrendo as arquibancadas, camarotes, sala de entrevistas e os vestiários dos jogadores.

O interior do estádio de San Siro

O Museu abre todos os dias das 10 às 17, em dia que não são previstos jogos e outras manifestações. Consulte site para informações. Os tours guiados saem a cada 20 minutos e são feitos em várias línguas.

Como chegar: em dias de jogos o acesso ao estádio de carro não é possível. A melhor maneira é usar o metrô MM5 (linha lilás) e descer na Estação San Siro

Estádio San Siro
Via dei Piccolomini, 5 
entrada pelo portão 14
Ingressos Museu e tour guiado 13 euros (grátis para menores de 6 anos)
 
Fotos: internet