Um vinho Barbera do Oltrepò

Este post  faz parte da Blogagem Coletiva de Gastronomia Italiana, promovida por blogueiras brasileiras residentes na Itália que durante às sextas-feiras de outubro publicaram uma série de textos sobre especialidades da cozinha italiana. O post último post da série traz os vinhos produzidos na região da Lombardia.

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Depois das entradas, pratos principais e doces e sobremesas, não poderíamos acabar a nossa blogagem coletiva sem falar em um dos produtos italianos mais conhecidos mundo afora: os seus vinhos.

A produção de vinho na Lombardia, da qual Milão é capital, se caracteriza por uma qualidade superior em relação a média italiana, ainda que a nível internacional não tenha a fama das produções de outras regiões como a Toscana e o Piemonte, que produzem há séculos grandes tintos como o Brunello e o Barolo.

As zonas produtivas lombardas são caracterizadas por uma ampla diversidade ambiental e os vinhedos são muito diferentes entre si, já que a Itália, ao contrário de outros países produtores, preservou as uvas nativas e não as substituíram com as internacionais (Cabernet, Merlot, Chardonnay, etc), tornando-se o país com a maior diversidade vinícola do mundo.

Aqui, as três áreas mais importantes a nível qualitativo e quantitativo são Oltrepò Pavese, a Franciacorta e a Valtellina. São três localidades diferentes do ponto de vista geográfico e da tradição enológica e todas dão o nome aos principais vinhos que produzem.

Oltrepò Pavese:  Vai da baixa planície Padana às colinas apeninas e é a área com a maior produção vinícola na Lombardia. Nessa região se produz uma grande variedade de vinhos tintos, brancos e espumantes, utilizando uvas nativas como a Barbera e a Bonarda assim como uvas internacionais. A maior parte dos vinhos usa a denominação Oltrepò Pavese junto com o nome da uva prevalente (Oltrepo’ Pavese Sauvignon, Oltrepò Pavese Barbera etc).

Um vinho Barbera do Oltrepò

Franciacorta: região muita querida por essa que vos escreve, seja pela beleza naturalística, seja pela qualidade dos meus espumantes preferidos: o Franciacorta, do qual já falamos nesse post.

É uma região relativamente pequena ao sul do Lago d’Iseo com uma belíssima paisagem de pré colinas. Ao contrário da região do Oltrepò Pavese e da Valtellina, até os anos 70 a Franciacorta não tinha tradição própria e se limitava a produção de vinhos medíocres, quase sempre para o autoconsumo dos pequenos agricultores locais.

A paisagem da região da Franciacorta

A paisagem da região da Franciacorta

Graças a uma história empresarial de sucesso, em poucas décadas a Franciacorta se tornou a região italiana mais importante para a produção de espumantes com método clássico com garrafas que podem competir com o famoso Champagne francês.

Nossa degustação de 6 espumantes em uma cantina na Franciacorta

Nossa degustação de 6 espumantes em uma cantina na Franciacorta

Nesse caso, a uva nativa foi substituída pela Chardonnay e Pinot para criar o espumante. Franciacorta significa espumante método clássico. Um nome, um território, um vinho.

A região também produz um tinto que eu gosto muito, o Cuterfranca.

Valtellina: se apresenta no mercado como a Franciacorta, ou seja, com um só vinho que leva o nome do território. Nesse caso é um tinto que utiliza uma uva nativa, a Nebbiolo, que é utilizada para a produção do Sforzato e de outros 5 vinhos DOCG (Denominação de origem controlada e garantida) com as sub denominações: Maroggia, Sassella, Grumello, Inferno e Valgella.

A região é na parte oposta do Oltrepò e fica ao Norte da Lombardia entre os Alpes e na fronteira com a Suíça. Por esse motivo, os vinhedos são cultivados em esplendidos terraços encravados nas montanhas e expostos ao sol.

Os terraços na Valtellina

Os terraços na Valtellina

Ao contrário da Franciacorta, a região tem uma tradição na produção vinícola, tanto que o vinho sempre foi uma mercadoria importante no comércio entre a população do vale e os pequenos povoados suíços e austríacos. Até Leonardo Da Vinci, no século 15, definiu o vinho da Valtellina “muito potente”.

As cantinas de todas as três regiões tem visitas guiadas e degustações durante todo o ano. Pensando na  beleza dos lugares, seja natural que artística, unida as maravilhas da gastronomia local, eu sugiro para quem passa por Milão, tem tempo e é interessado em vinhos, uma visita a uma vinícola lombarda.

“A vida é muito breve para bebermos vinhos medíocres.” (Goethe)

Vamos aprender com Goethe e brindamos com um Franciacorta,  Valtellina ou Oltrepo’. A vocês a escolha!!

Para ler os outros post que fazem parte da blogagem coletiva de gastronomia italiana acesse os links:

Brasil na Itália
Passeios na Toscana
Turismo em Roma
Viagem na Itália
 
Fotos: Milão nas mãos e internet
 
 
5 respostas
  1. Maria says:

    Não entendo muito de vinho, mas adoro bebê-lo! Quando for pelas bandas da Lombardia, vou provar um desses que você aconselha no texto.

    Ah, e Goethe tem toda razão :-)

    Abraços,

    Maria

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