Milan, l’è on gran Milan (Milão é uma grande Milão).  Impossível viver aqui e de tanto em tanto não dar de cara com essa frase. Escrita e pronunciada rigorosamente em dialeto milanês, faz parte de um trecho de uma música dedicada a Madonnina (a enorme estátua dourada de Nossa Senhora que domina a cidade de cima do Duomo).

Em clima de Expo2015, pronta para receber milhares turistas e com uma grande vontade de deixar para trás os anos de crise e estagnação, a cidade que melhor sabe se reinventar na Itália, olha o futuro como sempre fez.

Aqui, a minha (pequena) lista de 20 razões para amá-la ou para quem não pode chega a tanto, vê-la com outros olhos!!

1.Porque é a cidade italiana onde as coisas acontecem

Subestimada pelos turistas, que preferem as mais conhecidas Veneza, Florença e Roma, Milão é a cidade que “puxa” o país. Se reconstroe de tempos em tempos, como já nos mostrou a história e aqui, não existe nenhuma igual a ela.

2.Porque o panettone, aqui, você compra na confeitaria e o ano todo

Doce natalino conhecido no mundo todo, o panettone é made in Milano. Aqui é possível encontra-lo o ano todo em algumas confeitarias da cidade como a Marchesi e a Peck.

3.Porque atrás dos portões e fachadas austeras existem jardins belíssimos e até flamingos rosa

É uma das características da cidade:. a beleza não é explícita, mas está disponível para quem tem tempo e paciência para aproveitar a cidade.

A piscina da Villa Nacchi Campiglio, os jardins posteriores de Palazzo Borromeo e Casa Atellani e os flamingos rosas da Villa Invernizzi são só alguns exemplos.

Jardim posterior Casa Atellani

4.Porque Leonardo veio para Milão e nos deixou a Última Ceia

Um dos mais ilustres milaneses adotados, o gênio toscano deixou aqui uma das suas maiores obras, a Última Ceia, pintada no refeitório de Santa Maria delle Grazie a pedido do seu mecenas, o duque milanês Ludovico Sforza.

5.Porque Michelangelo não veio, mas temos aqui uma das suas três Pietàs, a última

Outro grande artista toscano, Michelangelo nunca passou por Milão. Entre as suas obras, esculpiu três pietàs. A última, incompleta e encontrada na sua casa romana no momento da sua morte, foi comprada pela prefeitura de Milão no pós guerra.

A Pietá Rondanini, que agora tem um espaço dedicado só para ela no Castello Sforzesco, é para mim, a maior obra de arte da cidade.

6.Porque é a capital do design não só durante o Salão do Móvel

Milão não respira design só durante a semana mais “fervida” da cidade. As lojas especializadas nos mais variados tipos de móveis e objetos, expõem e vendem o ano todo o melhor do design milanês e italiano.

 7.Porque nas nossas casas museus você pode saber como viviam os ricos antigamente

Ao todo são quatro. Poldi Pezzoli e Bagatti Valsecchi que contam, através de suas salas, objetos e obras de arte, a vida dos abastados colecionadores do século 18. O século 20 estão nas modernas Villa Necchi Campiglio e Casa Boschi Di Stefano e revelam a paixão pela arte contemporânea de dois casais burgueses da cidade. Não pode perder!

8.Porque os ex espaços industriais se tornam culturais

Em Nova Iorque, as ex fábricas viram lofts, aqui elas viram centros culturais. Ex cidade industrial italiana, Milão ainda conserva grande parte dos edifícios industriais, recentemente transformados em: Mudec – Museo delle Culture (ex área Ansaldo), Fundação Prada (ex destileria ), Galleria d’Italia (ex Banca Commerciale Italiana), HangarBicocca (ex área Breda), Silos Armani (ex armazéns Nestlè)

9.Porque temos Brera e o Navigli…mas fique atento a Tortona e Isola

Os primeiros não precisam de apresentação e são atravessados por turistas (e locais) atrás de diversão (bares e restaurantes) e cultura (Pinacoteca de Brera), mas quem prefere conhecer aquela Milão outsider, frequentada pelos moradores, tem que conhecer os bairros de Tortona e Isola. Para um passeio, um almoço ou simplesmente para “perder” tempo.

10.Porque temos os arranhas-céu mais altos e bonitos do país

Desde que cheguei aqui, o skyline da cidade mudou radicalmente. Pólo de grandes empreendimentos imobiliários e de reurbanização, a cidade nos últimos 3 anos ganhou a Torre Unicredit (ou Pelli), o Bosque Vertical, o Palácio Lombardia e a Torre Isozaki (uma das 3 previstas no projeto Citylife). Eu adoro essa nova Milão!

Bosque Vertical - Porta Nuova

11.Porque o nosso Duomo…não tem igual

A catedral da cidade é também seu símbolo espiritual e (hoje) turístico. País de igrejas lindas, como o Duomo de Milão na Itália não existe. Representa perfeitamente uma frase que li recentemente: o Duomo é uma oração esculpida no mármore.



12.Porque temos alguns dos Códigos Da Vinci

Sim, temos dois: o Código Trivulziano e o Código Atlântico. O segundo, conservado na Biblioteca Ambrosiana, suas folhas são expostas a rotação alí e na sacrestia de Santa Maria delle Grazie. Um dos mais belos exemplos do gênio que era Leonardo, com seus desenhos e estudos dos mais variados temas.

13.Porque somos a cidade com o maior número de universidades

Ok, isso pode interessar pouco ao turista que chega a Milão, mas quer dizer muito sobre a cidade: Politecnico, Bocconi, Cattolica, Statale, Bicocca e mais todos as escolas de especialização como Ied, Marangoni e Bauer.

14.Porque nossos museus não são conhecidos mas são grandes museus

Museu Novecento (arte contemporânea), Pinacoteca de Brera (arte do século 12 ao século20), Triennale (Design), Museus do Castelo (arte antiga, pinacoteca, instrumentos musicais, arte egipcia), Museu Arqueológico, Gallerie d’Italia (arte moderna e contemporânea), Museu de História Natural, Museu da Criança, Museu de Ciência e Tecnologia, HangarBicocca, Pinacoteca Ambrosiana (arte do século 13 ao século 15)… só para citar alguns. 

15.Porque temos vários “templos” da gastrônomia

Tudo começou com a renomada Peck no final do século 19, mas hoje Milão oferece outras inúmeras opções para compras e experiências gastrônomicas como a Eataly, Eats e Mercato del Duomo.

16.Porque somos a cidade do (meio de transporte) sharing

Tudo começou há alguns anos com o bike sharing, o serviço de compartilhamentos de bicicletas, que hoje conta com mais de 200 estações e está para estrear as bicicletas elétricas. Mas depois a cidade e a prefeitura pegaram gosto pela questão das alternativas de mobilidade (ainda bem) e nasceram serviços como o car sharing (mais de 1.000 carros e cerca de 150 elétricos) e agora a cidade apresenta o serviço de scooter sharing.

BikeMi

17.Porque temos a Galeria e o Teatro Scala

E estamos de novo no centro histórico, explorado e explorado pelos turistas, sempre cheio, mas impossível não passar para conhecer (além do Duomo, é claro) a Galeria Vittorio Emanuele, a mais bela galeria do país, com seus restaurantes, bares centenários (Camparino) e suas lojas de luxo. Recentemente restaurada, aconselho atravessá-la com calma, prestando atenção aos detalhes.

E quando você atravessa a galeria, saí na Praça Scala, com seu famoso Teatro alla Scala em um dos lados. Não deixe se enganar pela fachada austéra e quase sem graça. A beleza interior e sua acústica perfeita, ainda fazem dele um dos maiores teatros de lírica do mundo, onde carlos Gomes estreou em 1870 o nosso Guarani.

18.Porque é a verdadeira cidade do aperitivo e do panino

Sim, hoje você encontra o aperitivo alla milanese (happy hour) em grande parte da Itália, mas a fórmula pague o drink e tenha acesso ilimitado ao buffet de massas, canapés, pizzas nasceu aqui e “fazer” um aperitivo à beira do Naviglio ou nos bares mais badalados da cidade, é bem legal.

Mesma coisa para o famoso panino (sanduíche), você não encontra só aqui, mas ele era tão popular aqui nos anos 80, que deu nome a um dos movimentos culturais juvenis mais conhecidos do país e que virou até música do Pet Sho Boys: o movimento Paninaro.

19.Porque todo mundo conhece um quadrilátero, mas temos dois

Montenapoleone, manzoni, Via della Spiga e Corso Venezia. Essas são as quatro ruas que formam o famoso Quadrilátero da Moda, grande concentração de lojas de luxo na cidade e meta de turistas e locais abastados.

Mas esse não é o único quadrilátero da cidade. Menos famoso e muito mais fascinante, o Quadrilátero do Silêncio (zona Corso Venezia) reúne casas de arquitetura liberty, orelhas que funcionam como interfone e uma das vilas mais bonitas da cidade, a casa museu Villa Necchi Campiglio.

20.Porque Milão é sempre Milão

Simples assim!