O significado dos nomes das ruas de Milão

Toponomástica é o estudo dos nomes de ruas, lugares e cidades. Quantos significados de nomes de ruas das cidades nas quais vivemos ou visitamos conhecemos?

Se a tarefa fica um pouco mais fácil no país de residência (qual é o brasileiro que não sabe o que aconteceu no dia 7 de setembro), quando visitamos uma cidade estrangeira, mapas e endereços nas mãos, nos deparamos com nomes muitas vezes impronunciáveis e datas que não temos a mínima ideia do que respresentam.

Pensei em uma pequena lista, pura curiosidade, de algumas ruas e praças de Milão e a história de seus nomes.

Há alguns séculos atrás, as ruas milanesas não tinham um nome. Foi só em 1785, durante a dominação austríaca, que a toponomástica da cidade por ordem do governador do império foi imposta junto com a numeração das casas e a colocação de lampiões a óleo em cada esquina.

Ainda que a numeração austríaca das casas fosse diferente do sistema de hoje (era circular, partindo do Duomo), naquela época as ruas ganharam seus primeiros nomes.

A título de curiosidade, pensei em uma pequena lista de algumas ruas mais centrais só para contar um pouco a origem de certos nomes.

laghetto

Os mais comuns, são os nomes de personalidades políticas como Corso Vittorio Emanuele (primeiro rei da Itália unida), Praça Cavour (político nacionalista), Corso Garibaldi (general nacionalista) ou artísticas e literárias como Via Manzoni, Via Dante (escritores), Via Verdi, Via Puccini (compositores), Largo Boccioni (pintor futurista).

Pertinho do Duomo, os nomes de ruas mais interessantes para mim são as chamadas ruas dos ofícios, já conhecidas assim em época medieval pela concentração de artesão especializados. É o caso de Via Spadari (espadas), Via Orefici (ourives), Via Cappellari (chapéus), Via Armorari (armaduras), Via Speronari (esporas), Via Mercanti (mercadores).

Sempre nas imediações da catedral, ficam Via Moneta (onde já em época romana ficava a Casa da Moeda) grudada nas ‘primas’ Via della Posta (correios) e Via del Bollo (selos). Depois temos Via degli Omenoni (homenzarrões), uma rua pequena que leva o nome de uma das minhas casas preferidas, a Casa degli Omenoni, construção barroca sustentada por 8 grandes homens-telamões.

Casa Omenoni Milao

Ainda no centro, na parte de trás do Duomo, Piazza Fontana tem esse nome pela presença de uma das pouquíssimas fontes da cidade. A poucos metros dela, Via Verziere leva o nome da feira que ali acontecia (a verza é o repolho – foto em preto e branco) e Via Laghetto indica o antigo laguinho nas proximidades da catedral, onde eram descarregados os blocos de mármore para construir o Duomo.

Em Brera, a curiosidade fica por conta de Via Fiorichari (flores claras) e Fiori Scuri (flores escuras). A lenda diz que há muitos anos atrás (no século 19) na primeira existia um internato para donzelas e na segunda, um bordel. Aí está a tonalidade das flores.

Verziere

Como em toda cidade, depois temos os nomes de ruas e praças com datas importantes como Praça XXV Aprile (dia da Liberação da Segunda Guerra), Praça Cinque Giornate (os 5 dias de guerra de insurreição), XXIV Maggio (24 maio, a Itália entre na Primeira Guerra) e as ruas dedicadas as cidades (Corso Como, Corso Vercelli, Via Torino).

Para terminar, as ruas que levam os nomes das portas milensas como Corso de Porta Venezia (porta em direção a Veneza), Corso de Porta Romana e Corso de Porta Ticinese e as de santos, que em uma cidade como Milão, são muitas.

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