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10 curiosidades sobre o Duomo de Milão

Milão e a sua catedral são quase uma coisa só. Conhecida como a cidade da moda e do design, a cidade está extremamente ligada a um símbolo religioso: impossível pensar em um sem pensar no outro.

Já fiz um post sobre o Duomo de Milão, contando um pouco da sua história, mas resolvi propor aqui uma lista de 10 curiosidades (que são só algumas) de uma das catedrais mais famosas da Itália e do mundo.

LEIA AQUI O POST SOBRE A HISTÓRIA DO DUOMO DE MILÃO 

1. DIMENSÕES

O Duomo de Milão é considerada a terceira maior catedral do mundo, depois da Basílica de São Pedro no Vaticano e da Catedral de Sevilha com quase 12.000 metros quadrado de área construída.

Na parte interna, ele é alta 45 metros, larga 56,70 metros e tem 148,5 metros de comprimento.

2. CONSTRUÇÃO

A construção começou em 1386, de trás para frente, partindo da abside e “abraçando” a Basílica de Santa Maria Maggiore, que era demolida por partes e que funcionou por séculos como fachada provisória do Duomo.

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Em época medieval, o canteiro do Duomo foi um dos maiores da Europa, trazendo para Milão centenas de escultores, engenheiros, arquitetos, vidraceiros e artesãos de toda o continente.

A catedral foi completada em 1813, quando foi construído a parte superior da fachada que faltava.

3. VENERANDA FABBRICA DEL DUOMO DI MILANO

Tão antiga quanto a catedral, a Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano é a instituição fundada por Gian Galeazzo Visconti em 1387 para cuidar das arrecadações de fundos, da construção da catedral e dos seus interesses em geral.

4. MÁRMORE DE CANDOGLIA

O Duomo de Milão (Veneranda) é proprietária do seu próprio fornecedor de mármore (de Candoglia).

A jazida em Candoglia era propriedade da família Visconti até Gian Galeazzo doar tudo a Veneranda Fabbrica, que a explora para a manutenção da catedral até hoje (se diz que ainda tem mármore para construir uma outra catedral).

5. SUBTERRÂNEOS

Parte dos subterrâneos do Duomo (em correspondência da contra fachada) conserva os restos arqueológicos da basílica romana de Santa Tecla e do batistério, também romano (sec. IV) de San Giovanni alle Fonti.

Restos de época romana nos subterrâneos

Com uma profundidade de cerca 4 metros, a área foi descoberta durante as escavações para a construção do metrô nos anos 60.

6. MERIDIANA

Na entrada da catedral, no chão, é possível ver uma linha de cobre que corta a catedral da direita a esquerda, decorada com os signos do zodíaco. É a meridiana do Duomo, um calendário solar colocado na catedral no final do século 18.

curiosidades Duomo de Milão

Sempre do lado direito (nave direita), no teto, é possível ver um minúsculo furo por onde a luz do sol ao meio-dia entra, marcando no chão o período do ano.

7. PREGO SAGRADO

Uma das lendas que fazem parte da história do Duomo de Milão, é a de que ele conserva um dos 3 pregos sagrados da cruz de Jesus, doado a cidade pela imperatriz Helena, mão do imperador Constantino (quando esse era imperador de Roma e a capital era Milão – sec. IV).

O prego fica na abside da catedral, onde uma luz vermelha o identifica. Todos os anos, no segundo sábado de setembro, o Cardeal Arcebispo de Milão sobe dentro de uma estrutura que parece uma nuvem, pega o prego e desce, deixando-o exposto por 2 dias para a admiração dos fiéis.

Só para constar nos registros: os pregos sagrados nas igrejas pelo mundo são mais de vinte.

8. AGULHAS E ESTÁTUAS

O Duomo tem 135 agulhas, cada uma com uma estátua. Um museu de esculturas a céu aberto, a catedral conta no total (interior e exterior) com cerca de 3.400 estátuas.

A primeiríssima e única estátua por muito tempo foi a estátua Carelli, que leva o nome de um grande doador do Duomo, o comerciante de escravos Marco Carelli. A estátua fica na parte de trás, ao lado direito e é a única que segura uma espécie de bandeira. Seria o duque Gian Galeazzo Visconti nas vestes de São Jorge.

O resto da decoração, ainda que já fosse presente no projeto original, foi colocada a partir do século 19, depois da conclusão de boa parte da construção.

9. SÃO BARTOLOMEU

Das 3.400 estátuas do Duomo, a que faz mais sucessos entre adultos e crianças, é uma estátua na parte de dentro, colocada no fundo da nave direita (indo em direção ao altar).

Fotografadíssima, todos se perguntam quem é aquele homem tão “musculoso”. É São Bartolomeu Apóstolo, representado em uma linda estátua renascentista do século 15 do escultor Marco Agrate, no seu doloroso martírio: ele teve a pele arrancada.

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O que parece ser o manto que cai pelo seu corpo, é na verdade a sua pele. Para entender melhor a estátua, observe-a de lado e na parte de trás. É surpreendente e linda, mesmo na sua imensa crueldade.

10. MADONNINA

Muito devotos de Nossa Senhora, os Visconti dedicaram a nova catedral da cidade a ela. A enorme estátua de bronze folheada a ouro que brilha sobre a cidade e é colocada na agulha maior, é a milanesíssima Madonnina.

Tão importante como símbolo da cidade como a própria catedral, a ela os milaneses dedicaram uma conhecida música em dialeto e até uma regra que dizia que nenhum prédio poderia ser mais alto do que a Madonnina em Milão.

Nos anos 60, com a construção da sede da Pirelli na frente da Estação Central, essa regra cai e a altura da protetora de Milão é superada.

Hoje, com os novos arranha-céus de Porta Nuova, ela não tem mais o record de ponto mais lato da cidade, mas é a única que continua e velar pelos milaneses e que ‘brilet de luntan’ (brilha de longe).

 

Cemitério Monumental de Milão

Quando alguém planeja uma viagem para Milão coloca no roteiro algumas coisas que não pode deixar de ver: o Duomo, Galeria, Teatro Scala, Quadrilátero da Moda, Castelo e algum tempo dedicado as compras. Poucos pensam em visitar o cemitério mais famoso da cidade e um dos mais belos do mundo: o Cimitero Monumentale.

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Construído em 2 anos e inaugurado em 1866, logo depois da união da Itália, era enorme mas se mostrou logo insuficiente, já que era o primeiro e único cemitério da cidade.

Construído para todos os milaneses, a obra projetada em estilo eclético (porque mistura vários estilos) foi pensada pelo arquiteto Maciachini com um grande monumento frontal, reservado aos personagens mais ilustres da história italiana que morreram em Milão.

Difícil ficar indiferente ao Famedio, entrada principal do cemitério e que foi pensado para ser uma igreja, mas que desde 1870 é destinado a sepultura do escritor Alessandro Manzoni, o filósofo Carlo Cattaneo, o arquiteto Luca Beltrami e poucos outros. Em estilo neo-medieval e coberto por uma abóboda azul, seu nome vem do latim famae aedes ou Templo da Fama.

cemiterio Milao

No grande cemitério milanês estão sepultados personagens como: Giuseppe Meazza (jogador do Inter que dá nome ao estádio de San Siro), Giorgio Gaber (cantor italiano), Francesco Hayez (pintor), os fundadores do Milan e do Inter di Milano, Salvatore Quasimodo (escritor prêmio Nobel), Arturo Toscanini (maestro), Medardo Rosso (escultor) .

Considerado o maior museu de esculturas da Itália, passeando pelas suas ruas (é fácil se perder) se encontram também os monumentos fúnebres de importantes famílias de industriais, como Campari, Falck, Motta, Pirelli e trabalhos realizados por escultores como Butti, Lucio Fontana, Medardo Rosso, Adolfo Wildt e Arnaldo Pomodoro.

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Atrás do Famedio, um monumento projetado pelo estúdio de arquitetura milanês BBPR, lembra as 800 vítimas milanesas mortas nos campos de concentração, como um dos B do nome do estúdio, o arquiteto Gian Luigi Banfi, morto em Mauthausen em 1945.

As laterais do cemitério são destinadas, uma aos israelitas e outras aos acatólicos. No fundo do cemitério fica o crematório, primeiro construído na Europa, mas infelizmente hoje abandonado.

Antigamente cemitério de todos os milaneses, hoje são três os critérios para se ter uma sepultura ali: ser famoso, rico ou residente nas imediações.

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Se você estiver por aqui com tempo e gosta desse gênero de passeios, não pode perder. Até o final desse ano (2015) a linha M5 do metrô (lilás) deve abrir a estação Monumentale (hoje a estação mais perto é Garibaldi).

Cimitero Monumentale
Piazzale Cimitero Monumentale
De terça a domingo das 8h às 18h
Fechado às segundas (que não sejam feriado)

Milão e suas portas

Quem visita Milão e olha um mapa da cidade ou caminha por ela se dá conta que algumas ruas tem o nome de Porta (alguma coisa) e quando pega tal rua, encontra a tal da porta.

Assim como outras cidades italianas cercada por muralhas, Milão sempre teve as suas portas, desde a época romana. As portas das muralhas romanas eram de madeira e senhor bárbaro Federico Barbarossa, acabou também com elas na sua devastadora entrada na cidade em 1162.

Em época medieval, as muralhas foram refeitas e Milão ganhou as suas 6 portas, que eram as entradas da cidade e dividia a cidade em 6 “bairros”: Porta Oriental, Porta Romana, Porta Comasina, Porta Vercellina, Porta Ticinese e Porta Nuova.

Em época espanhola, a cidade se alargou e algumas portas medievais foram abatidas (sobraram só as minhas preferidas: Porta Nuova e Porta Ticinese) e refeitas no “anel” mais externo da cidade.

Em período Napoleônico, o famoso nanico francês as achava pouco monumentais e gastando um pouco de dinheiro do povo, refez quase todas as portas espanholas, salvando só Porta Romana.

Além de serem a entrada para a cidade, eram nas portas que impostos de entradas de produtos eram pagos.

Mas quais são e como são as portas de Milão, atualmente?

Porta Nuova (medieval)

É uma das portas medievais (reformada nos séculos 19 e 20) e era uma das maiores naquela época, colocada ao longo do curso dos canais (que passava onde hoje é Via Senato e Fatebenefratelli).

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É a porta que fica em Via Manzoni, uma das que formam o famoso Quadrilátero da Moda.

Porta Nuova (Napoleônica)

Situada em Piazza Principessa Clotilde, era colocada ente as muralhas espanholas. A porta que se encontra hoje no local é de época Napoleônica (1813).

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Porta Ticinese (medieval)

Outra sobrevivente de época medieval, também ficava ao longo do canal (hoje Via Mulino delle Armi). É a porta que se vê Corso de Porta Ticinese e passando em frente das Colunas de San Lorenzo. O nome se refere ao rio Ticino, direção para a onde a porta levava.

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Porta Ticinese (Napoleônica)

Refeita no século 19, é a versão mais moderna e monumental da porta colocada nas muralhas espanholas. Fica em Piazza XXIV Maggio, ao lado da Darsena, um pouco antes de começar os canais.

Foto: Giovanni dall'Orto (wikicommons)

Foto: Giovanni dall’Orto (wikicommons)

Porta Vercellina (depois Porta Magenta)

A única que não sobreviveu às mudanças da cidade, no seu lugar hoje existe um grande cruzamento (Piazzale Baracca).

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Porta Venezia (já Porta Orientale)

Reformada em época napoleônica, não é bem uma porta, mas a entrada no corso (avenida) mais monumental da cidade, Corso Venezia, que no século 18 foi o lugar “in” para os nobres construírem seus palácios, já que a família imperial austríaca, governantes da cidade, entravam em Milão vindos daquela direção.

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Porta Romana

A principal porta da cidade em época romana, indicava a saída e a entrada para Roma. Hoje, a porta refeita em época espanhola, fica no meio de uma espécie de rotatória e não longe dos restos das muralhas espanholas de Milão.

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Porta Garibaldi (já Porta Comasina)

O antigo nome indicava a direção de Como e, ainda hoje, o nome da pequena rua que começa depois dela  é Corso Como (vindo do centro).

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Também refeita em época napoleônica, depois da união da Itália, foi batizada de Porta Garibaldi, em homenagem ao famoso personagem da história italiana.

PS:. Milão tem ainda a Porta Volta, mas que foi construída já em 1880 no eixo que levava ao Cimitero Maggiore e também Porta Vittoria, que nunca foi uma porta principal e sim secundária e não marcava um dos bairros (sestieri) milaneses.

O design e Milão

Milão conquistou nas últimas décadas a fama de capital da moda e do design. Apesar da publicidade nas mídias, o conceito de design italiano permanece muitas vezes abstrato: se sabe que existe, mas não se sabe bem o que é. Na verdade, os nossos designers levaram para o mundo, inovações que entraram na vida cotidiana, muitas vezes melhorando-a.

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Aqui alguns exemplos, na verdade os meus preferidos, de inovações criadas por designer milaneses, sejam de nascimento ou por escolha.

A cadeira em policarbonato Kartell

Difícil de usar na moldagem, até os anos 90 o policarbonato não era utilizado no mundo dos móveis. Depois de anos de pesquisa a empresa milanesa Kartell consegue dar vida a um produto de design industrial: La Marie, a primeira cadeira no mundo realizada em policarbonato toma forma em 1999 com desenho de Phillipe Starck. Não precisa nem dizer que outros produtos de sucesso em policarbonato foram produzidos pela Kartell e outras empresas com sucesso nesses últimos 15 anos.

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Para quem quiser conferir esse ícone, é só dar uma passadinha na nova Eataly Milão para o almoço ou aperitivo para se sentar em uma cadeira Kartell.

O blazer desestruturado de Giorgio Armani

A produção de Armani abrange vários tipo e modelos de roupas, mas é com o blazer que o estilista revoluciona nos anos 80 o design: os suportes internos são removidos, os botões são mudados de lugar e as proporções tradicionais são modificadas. Nasce assim o blazer desestruturado, símbolo absoluto do seu estilo.

blazer Armani

O blazer vira protagonista do tailleur de corte masculino que Giorgio Armani desenha para as mulheres. Com tonalidades de cinza misturado com bege, sem cores fortes ou estampas floreais, o estilo Armani significa para milhares de mulheres uma elegância descontraída e finalmente autônoma.

Hoje esse estilo é a normalidade, mas antes de Armani não era.

A luminária Arco de Floss

Os irmãos Castiglioni, dupla de arquitetos milaneses, criaram para a Floss em 1962 essa luminária que até hoje é vendida da sua versão original e está entre umas das mais copiadas.

Ainda semana passada, em um passeio pelos subsolos da La Rinascente que hospeda o Desig Market, eu suspirava em frente de uma enquanto segurava a etiqueta com o preço. Confesso que acho ela linda, porque gosto daquele design datado mas que mais de 50 anos depois, ainda é atual.

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O conceito principal do Arco é a sua versatilidade e praticidade, que nasce da ideia de ter um ponto de luz efetivamente suspenso em cima do lugar desejado, que pode ser uma mesa, escrivaninha ou um livro, sem ter que estar vinculado a um sistema a suspensão com um ponto fixo.

Arco ainda hoje é o protótipo de inúmeras luminárias produzidas por outras marcas e baseadas no mesmo conceito.

Concluo esse brevíssimo percurso no design milanês com um nome que nos deixou recentemente e falando de design de interiores.

Design de interiores: Musée d’Orsay

Na ocasião da transformação de velha estação ferrovíaria em museu, é Gae Aulenti que projeta os espaços internos do percurso expositivo do Musée d’Orsay.

É ela que opta pela pedra calcarea clara, que dá luminosidade as salas, aproveitando ao máximo a luz que entre pela abóboda em vidro e ferro e que ao mesmo tempo rende o espaço um lindo conjunto.

design interiores Milão

Podemos dizer que quando admiramos os impressionistas em Paris, atrás de Cezanne e Renoir existe literalmente a milanesíssima Gae Aulenti.

Fotos: wikicommons e internet

As igrejas de Milão e seus ‘tesouros’

Segundo o historiador de arte italiano Phillipe D’Averio, Milão só perde para Roma em número de igrejas. Infelizmente, elas não são os principais pontos turisticos de interesse dos milhares de visitantes que chegam a Milão todos os anos.

Uma pena, já que conhecer igrejas, principalmente em um país como a Itália, é entender e contextualizar cada período e a sua história, jáque por séculos a vida religiosa e civil da cidade eram em simbiose permanente.

A importância das igrejas milanesas, vai além do seu famoso (e maravilhoso) Duomo, já que foi aqui, em 313 d.C que o imperador Constantino assinou o Edito de Milão, que legalizou o cristianismo.

De origens paleocristãs, medievais, renascentistas e barrocas, as igrejas de Milão muitas vezes escondem “tesouros” que podem passar despercebidos aos turistas menos atentos.

Aqui uma listas bem pessoal dos mais importantes, alguns bem centrais e com visita gratuíta.

Santa Maria della Passione

A segunda maior igreja depois do Duomo tem seus encantos, como as capelas (escuras) decoradas com quadros de grandes pintores lombardos e o órgão imponente com as portas pintadas pelo pintor Daniele Crespi.

Mas a minha menina dos olhos alí é a belissíma Sala Capitolare, local onde os monjes e padres se reuniam para partecipar de várias assembléias. Colocada na parte de trás da igreja, em um dos lados do claustro, quem não tem um guia (Touring em italiano) nem sabe da sua existência.

igrejas Milão

De forma retangular, é decorada com quadros e afrescos do grande artista renascentista Bergognone que representam Jesus e os apóstolos e santos e doutores da igreja. Um céu azul e estrelado completa o cenário, na abóboda da sala. Linda!

San Bernardino alle Ossa

A pequena igreja localizada atrás do Duomo de Milão, é de origem medieval mas foi reconstruída em tempos sucessivos. A grande atração fica por conta da capela ossário, exemplo barroco da arte de decoração com ossos.

 

Milão igrejas

As quatros paredes do pequeno ambiente são tapeçadas de ossos provenientes de antigos cemitérios da área que formam a decoração com cruzes e lacinhos e podem impressionar os mais sensíveis. Conta a história que Don João V ficou fascinado com o lugar, quando passou por Milão no século 18.

Vale realmente a visita, porque não é toda a cidade que tem uma igreja do gênero.

Duomo

Todo mundo entra, dá a volta admirando as milhares de estátuas externas, sobe até aos telhados, mas poucos descem abaixo da catedral para conhecer a áera arqueológica que abriga os restos da basílica precedente (Santa Tecla – sec. 4) e do batistério de San Giovanni, também do século 4 e onde Santo Ambrosio batizou Santo Agostinho.

Duomo Milão subterraneos

Um pedaço da Milão Romana embaixo dos pés dos desavisados turistas que invadem a catedral.

Santa Maria em San Satiro

Mais um dos nossos tesouros escondidos, dessa vez quase que literalmente, já que quem passa apressado descendo Via Torino, não nota do lado esquerdo uma pequena igreja, de fachada anônima, atrás de um portão colocado em um nicho da calçada.

Entre para conhecer uma das obras primas da arquitetura do Renascimento milanês que guarda um “segredo”, desvendado só para quem se aproxima lentamente da abside.

 

Milão igrejas

O grande arquiteto Bramante, contemporâneo de Da Vinci, é o autor da ilusão ótica que permitiu criar uma abside falsa em um espaço de menos de 1 metro. O restante da igreja também vale cada minuto passado dentro dela.

Com certeza, uma das mais belas de Milão.

San Maurizio

Chamada a Capela Sistina de Milão, já valeria a visita só por esse título.

A belissíma igreja, completamente afrescada, em grande parte pelo pintor lombardo Bernardino Luini, fazia parte de um complexo muito mais vasto, que abrigada um monastério feminino de freiras beneditinas de clausura que recebiam as filhas das famílias abastadas de Milão a partir da metade do século 16.

 

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dicas guia de Milão igrejas

Não tenha pressa e aprecie cada centímetro das duas partes da igreja: a dedicada as freiras de clausura na parte de trás (repare no grande órgão) e a parte da frente, dedicada aos fiéis com a contro fachada pintada pelo professor de Caravaggio, o grande e quase desconhecido Simone Peterzano.

San Maurizio fica em uma área arqueológica importantíssima da cidade, no eixo do antigo Decumano Romano e o seu interior pode ser considerado um museu da arte pictórica lombarda do século 16.

Basilica San Lorenzo

A basílica de origem milenar, já que sua origem é de época romana, conserva na Capela de Santo Aquilino, construída come mausoléu imperial,  mosaicos e decorações paleocristãs belíssimas do século 6, que representam Cristo entre os apóstolos.

 

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Reformada durante os séculos, é possível reconhecer parte dos muros perimetrais originais e descendo atrás do altar da capela, se tem acesso a um pequeno subterrâneo com as fundações romanas.

Basilica di Sant’ Ambrogio

Uma das quatro basílicas construídas pelo primeiro arcebispo milanês, Ambrósio, tem suas origens no século 4 d.C e é um dos símbolos do cristianismona cidade.

Seu interior é rico de surpresas, como o sárcofago de Stilicone, afrescos e pinturas nas capelas e a parte do altar, que abriga talvez a maior obra de ate da basílica: uma grande urna de ouro, de idade carolíngia (sec. 9) e uma das maiores expressões da arte ourivesaria lombarda.

 

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A abóboda da abside é decorada com um grande mosaico dourado com partes do século 5 e 8 e que representa o Redentor no trono.

Uma capela ao lado direito da basílica (visita a pagamento) abriga outro grande mosaico da cidade: San Vittore in Cielo d’Oro, colocado na parte da cúpola e rodeado de outros mosaicos que respresentam Santo Ambrosio, São Gervasio e São Protasio.

Basilica di Sant’Eustorgio

Outra grande obra do Renascimento em Milão fica no interior da antiga basílica, que hospeda a elegante Capela Portinari, construída pelo banqueiro dos Medici (Pigello Portinari) na cidade e afrescada pelo grande pintor Vicenzo Foppa em uma explosão de cores.

 

Guia de Milão igrejas

Inteiramente restaurada nos último anos, a capela também abriga o lindo sarcófago gótico, em mármore, com os restos de San Pietro Martire, esculpido por giovanni da Balduccio entre 1335-1339

A basílica abriga também uma arca onde diz a lenda que repousam alguns ossos dos Reis Magos e a cripta embaixo do altar mostra restos arqueológicos de uma necrópole paleocristã.

Fotos: Milão nas mãos, WikiCommons (Carlo dall’Orto)

Horários e informações:

Santa Maria della Passione
Via Conservatorio, 12
De seg a sab: das 8 às 12  e das 15.30 às 18
Dom: das 9.30 às 12 e das 15.30 às 18.30
Entrada gratuíta
 
San Bernardino alle Ossa
Piazza Santo Stefano
De seg a sex: das 7.30 às 12 e das 13.30 às 18
Sab: das 9.30 às 12.30
Dom: das 9.30 às 12.30 e das 16.30 às 19.30
Entrada gratuíta
 
Duomo
Piazza Duomo
Subterrâneos – de ter a dom: das 10 ás 18
Fechado: 1 janeiro – 1 maio – 15 agosto – 25 dezembro
Ingresso: 7 euros (bilhete para catedral, subterrâneos e museu do Duomo)
 
Santa Maria em San Satiro
Via Torino, 17
De ter a sab: das 9.30 às 17.30
Dom e feriados: das 14 às 17.30
Entrada Gratuita
 
San Maurizio
Corso Magenta, 15
De ter a sab: das 9.30 às 17.30
Fechada: 24, 25,  26 e 31 dezembro – 6 janeiro – 1 maio
Entrada Gratuita
 
Basilica de San Lorenzo
Corso Porta Ticinese, 35
De seg a sab: das 7.30 às 18.30
Dom: das 9 às 19
Ingresso Capela Sant’Aquillino: 2 euros
 
Basilica Sant’Ambrogio
Piazza Sant’Ambrogio, 15
De seg a sab: das 10 às 12 e das 14.30 às 18
Dom: das 15 às 17
Ingresso tesouro: 3 euros
 
Basilica de Sant’Eustorgio
Piazza Sant’Eustorgio, 3
Basilica: todos os dias das 8 às 12 e das 15 ás 18.30
Capela Portinari: todos os dias das 10 às 18
Ingresso capela: 6 euros (inteiro) – 3 euros (reduzido) – 1 euro (até 14 anos)