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15 grandes obras de arte e arquitetura para visitar na Lombardia

Semana passada, o site da revista Vanity Fair Itália publicou uma lista de 15 grandes obras, igrejas e monumentos da Região da Lombardia, dignos de se visitar para poder dizer que você conhece o melhor da arte da região.

A lista foi elaborada pela presidente do Instituto de Arte Lombardo, Maria Antonietta Crippa, que motiva o porque visitar cada uma das obras de arte e arquitetura.

Ainda que seja a sua visão pessoal, posso dizer que concordo e adoro muitas das obras. De algumas, que são patrimônio da Unesco, já falamos no post “Os Patrimônios Unesco na Lombardia” e outras, estão ao alcance de todos que passam para uma visita por Milão.

O Duomo

O mármore branco-rosado, os 135 pináculos, a Madonnina coberta de lâminas de ouro e alta 4 metros: o símbolo da cidade e a quarta maior igreja da Europa foi iniciada em 1387 e terminou só 500 anos depois. Para entender melhor a sua história, leia o post sobre o Duomo e viste também o seu museu, recentemente aberto e do qual falamos nesse post.

Mas a visita só estará completa (na minha humilde opinião), se você subir aos telhados e admira-la lá de cima.

Por que visitá-lo (segundo Crippa): “É a identidade de Milão e com ao seu lado o belo Museu Novecento, é sempre uma descoberta”.

O beijo – de Francesco Hayez

O famoso quadro exposto na Pinacoteca de Brera, foi pintado por Hayez em 1859 e não representa só um beijo apaixonado entre dois amantes: o seu verdadeiro significado é o da aliança entre a Itália e França, representadas nas cores das roupas dos protagonistas, ou seja vermelho, verde, branco e azul.

Milao museus

O quadro foi apresentado na Exposição de Brera de 1859, três meses depois da entrada de Vittorio Emanuele II e Napoleão III em Milão.

Por que visitá-lo: “É a expressão do Romantismo e da identidade nacional”

A Coroa de Ferro

Peça de ourivesaria de valor inestimável, a coroa da rainha dos longobardos Teodolinda (589 a 616 d.C) é feita de ouro, pedras e esmaltes, mas a sua riqueza está nos significados que contam a história do Ocidente. Diz a lenda que o ferro dentro da coroa (daí o seu nome) é um dos pregos que foram usados para crucificar Jesus.

A coroa fica na Capela de Teodolinda no Duomo de Monza.

Por que visitá-la: “É uma joia que conta a história da arte lombarda e de uma mulher, mas arriscamos de esquecer seu valor”.

A Cartuxa de Pavia

Confesso que mesmo depois de anos morando aqui, só fui conhecer essa obra-prima de estilo gótico-renascentista nesse último verão. Há poucos km de Milão, a cidade de Pavia era também um dos refúgios da família Visconti-Sforza.

O mesmo Gian Galeazzo que começou a construção do Duomo, 10 anos depois, em 1396, deu ordens para a construção da cartuxa, que na verdade era o pagamento de uma promessa feita pelo então duque de Milão e sua esposa.

A cartuxa é ao mesmo tempo um santuário e monastério (ainda ativo, de uma pequena comunidade de cistercienses), mas é hoje, monumento nacional e propriedade do estado.

Da fachada em mármore, a nave central, os afrescos de Bergognone, os sarcófagos de Gian Galeazzo Visconti e de Ludovico Sforza e consorte, é uma continuação de grande maravilhas.

Além do majestoso interior, a cartuxa tem também dois grandes claustros, onde é possível ver as celas-quartos dos monges.

Por que visitá-la: “ É uma obra-prima do estilo gótico-renascentista, uma obra gigantesca onde encontramos a exuberância decorativa lombarda entre os séculos 14 e 15”.

O Palácio Borromeo na Isola Madre (Lago Maggiore)

Outra atração famosa aqui perto, mas que eu ainda não conheço (acontece sempre assim quando você mora perto de um lugar e sabe que pode ir quando quiser… e não vai). Na verdade, geograficamente falando, a ilha fica na cidade de Stresa, que já é Piemonte, mas se a Sra. Crippa a incluiu, não sou eu que vou tira-la.

A família Borromeo ainda hoje é uma das mais ricas do país e já no século 14 tornaram-se proprietários de um pequeno arquipélago no Lago Maggiore.

Isola madre milao

Hoje, a família possui ainda a Ilha Bela e Ilha Mãe, essa última é a maior e é aquela onde fica situado o famoso palácio, conhecido sobretudo pelo seu jardim inglês, feito de plantas raras e habitado por animais exóticos.

Por que visitá-lo: “A inteira ilha foi transformada em um grande palácio por uma das mais importantes famílias da história lombarda, que deu a Milão 2 famosos cardeais (Carlo Borromeo e Federico Borromeo)”.

A Pietà Rondanini de Michelangelo

Acho a Santa Ceia uma grandíssima obra, mas se tivesse que escolher uma obra de arte de um grande nome italiano em Milão, eu escolheria a Pietà Rondanini.

A escultura “non finita” de Michelangelo fica no Castelo Sforzesco e, na minha opinião, é de uma carga emocional altíssima. Uma das coisas que mais gosto nela é o fato que não é uma pietà em posição usual, com Nossa Senhora sentada com Jesus no colo, deitado e sim os dois corpos em pé, quase que como mesmo na morte, ele tivesse saindo de dentro dela de novo.

A escultura foi encontrada na casa do grande artista, quando esse morreu e se diz que mesmo 90 anos, Michelangelo esculpisse por uma necessidade fisiológica, já que mesmo os não entendidos conseguem perceber que ali não existia mais mármore suficiente para tirar uma escultura. Percebe-se também, dando a volta nela, que o artista resolveu mudar o eixo da escultura e vemos 2 rostos de Maria esculpidos e um braço que não corresponde com o corpo de Jesus.

Michelangelo Milão Pietà

Por que visitá-la: “É um símbolo da cultura italiana e última obra de Michelangelo”.

Área Arqueológica do Capitolium

Durante a época romana, Brescia era uma das cidades mais importantes da Itália setentrional. Um exemplo disso é a área capitolina antiga, que conserva ainda restos do santuário, Capitolium e do teatro.  A pouca distância, fica o complexo museal de Santa Giulia, patrimônio Unesco e do qual já falamos nesse post.

Por que visitá-lo: “É um grande museu arqueológico quase desconhecido, mas que vale a pena descobrir”.

A Última Ceia de Da Vinci

Nunca ninguém pintou a Santa Ceia com tamanha intensidade. Sobre a pintura que ocupa toda uma parede do antigo refeitório de Santa Maria delle Grazie, nós falamos nesse post, que conta a sua história.

Pintada entre 1495 e 1498, durante esses séculos a obra passou por muitas vicissitudes e entre 1979 e 2000 passou pelo maior restauro já feito em uma obra de arte.

Uma das maiores riquezas artísticas de Milão, a obra é visitada por milhões de turistas todos os anos, mas para conhecê-la, é preciso se organizar e reservar, como explicamos nesse post.

Por que visitá-la: “Não precisa de explicação uma obra-prima que atrai milhões de visitantes de todo o mundo”.

Piazza Vecchia de Bérgamo

É uma pequena praça na parte cidade alta de Bérgamo, que fica a pouquíssimos km de Milão e vale realmente a visita, como contamos nesse post.

Praça Bergamo Italia

Na praça ficam o Palazzo della Ragione, o Duomo de Bérgamo e o batistério.

Por que visitá-la: “Le Corbusier a definiu a praça mais bonita do mundo. Com certeza é um emblema da típica praça antiga italiana.

As incisões rupestres da Val Camonica

Patrimônio Unesco, está nesse post onde falamos também sobre elas. São 300.000 figuras esculpidas nas rochas desse vale e testemunham a vida dos camuni 8.000 anos a.C. A zona de Capo di Ponte é também um parque nacional.

Por que visitá-las: “Pedras e rochas em uma enorme área concentram essa arte rupestre que é a verdadeira linguagem de uma civilização”.

O Palácio Tè em Mântua

Passei por Mantova (como é chamada aqui a cidade) há alguns anos e o Palácio Tè era uma das coisas que eu queria (e tinha) que conhecer. Realizado para a família Gonzaga, o palácio era uma espécie de ilha feliz. No interior, salas e quartos conservam lindos afrescos.

Por que visitá-lo: “É a celebração da família Gonzaga”.

 A Praça Ducal de Vigevano

Quando se fala de praças bonitas na Itália o jogo é duro. A praça da cidade de Vigevano, que também fica a poucos km de Milão, é uma dos mais belos exemplos de arquitetura urbanística do Renascimento. Com uma planta retangular, é circundada de arcos e pórticos.

Praça Vigevano Italia

Me lembro que a última vez que passeio por lá, era um dos dias mais frios que já conheci nesse país. Eram umas 14.30 e a praça estava bem vazia. Um espetáculo!!

Por que visitá-la: “Sempre foi uma grande “sala” a céu aberto. Notem que a fachada da igreja é mais larga que a nave”.

O altar de ouro da Basílica de Santo Ambrosio

Turistas e mais turistas visitam e fotografam o nosso amado Duomo, mas poucos sabem que uma das basílicas mais importantes da cidade e de construção muito anterior a nossa catedral, é a basílica dedicada ao santo padroeiro da cidade e seu primeiro bispo: Ambrosio.

A basílica conserva, entre outras belezas, o famoso altar de ouro, obra-prima de ourivesaria de época carolingia realizada entre 824 e 859, que conta em cenas esculpidas em lâminas de ouro, a história de Ambrosio.

Por que visitá-lo: “Uma joia gigantesca em lâminas de ouro e pedras preciosas”.

O burgo fortificado de Soncino

Confesso que é outro que não conheço ao vivo, mas só de ouvir falar. Soncino é uma pequena cidade na província de Cremona e seu burgo, feito de muralhas, forte, capela, moinhos, igrejas, palácio e até uma cidade subterrânea, é considerado um dos mais bonitos da Itália.

Por que visitá-lo: “Uma maravilha pouco conhecida mas que deve ser descoberta”.

A Ca’ Granda de Milão

Está aí um outro grande exemplo de arquitetura urbanística renascentista, a poucos passos do Duomo, que os turistas ignoram. Eu, sempre que estou por aquelas bandas e ela está aberta (hoje é sede da Università Statale), dou uma entrada.

ca granda milao

A chamada Ca’ Granda de Milão foi construída pelo duque Francesco Sforza como hospital da cidade e, na época, era um dos maiores e mais a vanguarda da Europa. Tive a oportunidade de conhece-la dentro com uma visita guiada ano passado e realmente é uma grande obra, com confortos que para a época eram impensáveis.

Por que visitá-la: “Até o século 19, foi a matriz para a construção de todos os hospitais civis europeus. O histórico e crítico Giovanni Testori o descreveu como um grande gesta de caridade dos milaneses.

Fotos: Milão nas mãos e wikicommons (O beijo – Praça Vigevano – Isola Madre)

Os patrimônios da Unesco na Lombardia

A Itália é o país, no mundo, que tem o maior número de cidades e monumentos declarados Patrimônio da UNESCO. São 49 no total, sendo que 45 são culturais e 4 são naturais. A esses, podemos também incluir os 4 patrimônios imateriais italianos.

Para quem viaja “colecionando” visitas a essas belezas e tradições, fica aqui uma lista dos 10 patrimônios Unesco localizados na Lombardia e que você pode visitar a partir de Milão.

1. A IGREJA DE SANTA MARIA DELLE GRAZIE COM A SANTA CEIA DE DA VINCI

Patrimônio Unesco desde 1980

Talvez um dos patrimônios mais conhecidos no mundo, não precisa de grandes apresentações. A obra-prima do gênio toscano é uma das paredes pintadas (entre 1495-98) sob ordem do duque Ludovico Sforza do refeitório do convento dos dominicados. Leia aqui a sua história.

Santa Ceia Da Vinci Milao

Para mim, a Basílica de Santa Maria delle Grazie é uma das igrejas mais bonitas da cidade e vale a pena a entrada se você passar por alí em um horário que ela esteja aberta. Aconselho também uma rápida entrada no claustro para apreciar a tranquilidade a poucos passos do centro da cidade.

A visita a Santa Ceia requer reservas com grande antecedência, como já expliquei nesse post.

2. CRESPI D’ADDA

Patrimônio Unesco desde 1995

Considerado pela Unesco um exemplo excepcional de vilarejos operários, o mais completo e mais bem convervado do Sul da Europa, Crespi d’Adda fica a poucos km de Milão e da cidade de Bérgamo.

Um lugar ideal para quem viaja pelo Norte da Itália de carro e pode dar uma desviada e uma parada para conhecer um lugar de muito charme, como já contei nesse post.

O vilarejo foi fundado no final do século 19 pela família Crespi para acolher os operários e suas famílias, que trabalhavam na fábrica de tecelagem. A configuração urbanística de Crespi segue princípios geométricos, já que a estrada principal o divide em 2: de um lado a fábrica e do outro a parte residencial.

vista-crespidadda-italia

Ainda hoje, Crespi é um pequeníssimo centro habitado e, tendo eu a sorte de morar do outro lado do rio que nos separa, é onde vou correr 3 ou 4 vezes por semana.

3. ARTE RUPRESTE DA VAL CAMONICA 

Patrimônio Unesco desde 1979

Primeiro patrimônio italiano na lista da Unesco, as incisões ruprestes na província de Brescia começaram a serem realizadas há 8.000 anos atrás, em época mesolítica e foram  até a idade do ferro.

Elas  estão presentes em cerca de 2.000 rochas em mais de 180 localidades divididas em 24 municípios e maior concentração estão nos municípios de Capo di Ponte, Ceto (Nadro), Cimbergo e Paspardo, Sonico Sellero, Darfo Boario Terme, Ossimo  onde existem 8 parques acessíveis para visitas.

4. MONTE SAN GIORGIO

Patrimônio Unesco desde 2010

Um dos 4 patrimônios naturais do país, a parte italiana do Monte San Giorgio foi acrescentada há poucos anos como extensão do território suiço (patrimônio desde 2003), já que a pirâmede rochosa de 1.097 metros de altura fica entre a Lombardia e o Cantão Ticino suiço, na zona meridional do Lago de Lugano.

Além da beleza natural, a região foi inserida na lista Unesco pelo seu valor geológico (época Triassica média  245–230 milhões de anos) e pelos milhares de fósseis encontrados a partir do século 19.

5. FERROVIA RETICA DO BERNINA EXPRESS

Patrimônio Unesco desde 2008

O patrimônio é suiço, mas tomo a liberdade de incluí-lo nessa lista, já que a viagem, para quem está na Itália, começa na Lombardia, mas precisamente na cidade de Tirano e termina em St. Moritz na Suíça.

bernina express trem suiça

Considerado pela revista Nathional Geografic uma das 10 viagens ferroviárias mais bonitas do mundo, posso dizer que tive o prazer de fazê-la há poucos mesmo e é realmente uma experiência que vale a pena, como contei nesse post.

6. SACRI MONTI DE VARESE E OSSUCCIO

O sacri monti da Itália são grupos de capelas e outras construções realizadas entre os séculos 16 e 17, dedicados a diferentes aspectos da fé cristã. Geralmente estão integrados em um contexto paisagístico de colinas, bosques e lagos, além de conter elementos artísticos importantes como afrescos e estátuas.

As 14 capelas do  Sacro Monte de Varese foram todas projetadas por um só arquiteto e fica em uma posição privilegiada no Monte Velate, que permete a visão do lago e da planice lombarda.  O percurso termina no santuário de Santa Maria del Monte.

Já o Sacro Monte de Ossuccio, fica na parte ocidental do Lago de Como,  possui um grandel valor paisagístico e foi  as 15 capelas construídas entre 1635 e 1710, provavelmente foram realizadas sob ordem dos monges franciscanos e das famílias nobres locais.

7. CIDADES DE MÂNTUA E SABBIONETA 

Patrimônio Unesco desde 2008

Confesso que a cidade de Mantova pouco conhecida dos brasileiros, é uma das cidades que mais me encantou aqui (sem falar na culinária local). Sua vizinha, a pequena Sabionetta também não deixa nada a desejar. Uma graça.

Território da potente família Gonzaga, as duas cidades foram incluídas na lista Unesco por serem um exemplo da arquitetura e da urbanistica Renascentista. Enquanto Mantova é considerada uma cidade evolutiva, ou seja, que cresceu e se alargou em bases já pré existentes, Sabbioneta é classificada como cidade fundativa, já que foi construída pelos Gongaza como cidade ideal.

Palacio Ducal Mantua

Ainda hoje as duas cidades conservam essas características e também hospedam numerosas obras de artes importantes do período Renascentista. Leia sobre elas nesse post.

Em Mântua, não deixe de visitar a Basilica de Sant’Andrea, a casa do pintor Mantegna, Palazzo Te e a magnífica residência dos Gonzaga por quase 4 séculos, que é o Palazzo Ducale.

8. LONGOBARDOS NA ITÁLIA – OS LOCAIS DO PODER

Patrimônio Unesco desde 2011

Se trata de uma série de sítios de importantes construções que incluem fortes, igrejas e monastérios localizados em toda a península que testemunham a grande influência dos longobardos, que migraram do Norte da Europa e desenvolveram uma cultura bem específica na Itália entre os séculos 6 e 8.

A Lombardia possiu 2 dos 7 patrimônios longobardos: o complexo monástico de San Salvatore-Santa Giulia na província de Brescia e o Castrum de Castelseprio-Torba, na província de Varese.

A basílica de San Salvatore, situada dentro do monastério feminino de Santa Giulia, foi edificada sob ordem do rei longobrado Desiderio no ano 753. Parte do complexo hospeda o museu da cidade de Brescia.

san salvatore patrimonio unesco italia

Já o Castrum de Castelseprio-Torba é uma área arqueológica que conserva exemplos de arquitetura militar, os restos da basílica de san Giovanni Evangelista, o monásterio de Torba e a renomada igreja de Santa Maria foris portas, que como diz o nome, era localizada fora das muralhas do pequeno burgo da alta idade média.

9. SÍTIOS PALAFÍTICOS PRÉ-HISTÓRICOS AO REDOR DOS ALPES 

Patrimônio Unesco desde 2011

A série de sítios se estendem nos territórios de 6 países: Suiça, Austria, França, Alemanha, Eslovênia e Itália e reunem 111 vilarejos palafíticos, compostos de restos pré históricos que vão de 5.000 a 555 a. C.

Em Itália possui 19 áreas arqueólogicas espalhadas por 5 regiões. Na Lombardia as palafítas estão presentes na província de Brescia e Varese. No lago de Varese ficam as estruturas palafíticas mais antigas já descobertas, que são do período Neolítico.

Na região do Lago de Garda (na parte de Brescia) se encontra a maior concentração de palafítas (mais de 30) situadas ao longo das margens do lago.

10. ARTE DA LUTERIA CREMONES

Patrimônio Unesco desde 2013

A palavra é pouco conhecida em português e significa a arte de fabricar instrumentos de corda que possuem caixa de ressonância (mas não teclados).

Um dos 4 patrimônios imateriais que a Itália possui, a luteria cremonesa entra nessa lista pelo valor dos seus famosos violinos, como o mundialmente conhecido Stradivari.

Ainda hoje a cidade concentra um grande número de fabricantes de violinos e violoncelos e recentemente abriu um museu dedicado ao instrumento e a sua história.

Fotos: Milão nas mãos, Corriere della Sera e Wikimedia Commons

Praça Affari: dinheiro, história e arte em Milão

Dinheiro: Uma praça situada no centro de Milão e pouco conhecida é a Piazza Affari (alguma coisa como Praça dos Negócios). Como todo mundo sabe, Milão é a capital econômica da Itália, mais ou menos como São Paulo para o Brasil. Por isso, na cidade temos as sedes de grandes bancos e da Bolsa de Valores.

Bolsa de valores Milao

Na praça, o edifício que mais chama a atenção é o Palazzo Mezzanotte, sede da bolsa de valores italiana desde 1927, onde nos inícios dos anos 90 com a adoção das transações telemáticas, o sistema de “gritos” foi abandonado. Hoje, os brokers trabalham em escritórios discretos espalhados pela cidade e o belo palácio, que se chama Mezzanote porque esse é o sobrenome do arquiteto que o projetou, é usado para convenções e eventos.

História: Mas se o Palazzo Mezzanote é pouco conhecido e frequentado por turista e locais, é embaixo que fica a sua parte ainda menos conhecida mas talvez a mais interessante: os restos (fundações) do teatro romano de Milão.

Teatro Romano Milao

Sim, porque nos tempos do Império Romano, Milão se tornou uma cidade sempre mais importante, até virar a sua capital em 286 d. C e competir com Roma por beleza e grandiosidade. Por isso, aqui não poderia faltar um teatro, que podia abrigar cerca de 8.000 espectadores e cujos restos podem ser visitados (para maiores informações, click nesse link).

Arte: Desde 2010, no centro da Piazza Affari fica a escultura L.O.V.E. de Maurizio Cattelan, artista italiano contemporâneo famoso no mundo das artes. Conhecido pelas suas provocações, até o  Guggenheim de New York dedicou a ele uma mostra recentemente. O irreverente dedo médio, como outras obras e Cattelan, provocou polêmica e discussões, mas hoje a cidade já se acostumou a ele.

escultura Milao

Piazza Affari também é o espaço  de várias manifestações e festas ao ar livre na cidade. Se vocè quiser conferir a escultura, o palácio ou os restos romanos do teatro, deixando a Praça Duomo e indo em direção ao Castelo Sforzesco, fica ao lado esquerdo da Praça Cordusio. Não tem como errar!

Fotos: Milão nas mãos e internet

Mappa Piazza Affari

Os restauros no Duomo de Milão

O turista que chegou aqui nas últimas semanas, encontrou uma Duomo em faxina. Enormes gruas dentro da catedral limpam as estátuas dos capitéis das enormes colunas internas; a controfachada está coberta por andaimes desde o ínicio de julho e isso sem falar nos restauros na parte externa.

Misturada no meio de ondas de turistias que invadem a cidade no verão, confesso que me perguntei se a Veneranda Fabbrica del Duomo, instituição responsável desde 1387 por tudo o que diz respeito a catedral, não podia esperar até setembro, quando o número de turistas dá uma leve diminuida. Pergunta feita, eu mesma me dei a resposta de que provavelmente eles tinham bons motivos para estar fazendo essa faxina próprio agora. Parece que é mesmo isso.

Aliás, faxina é um termo que se pode usar para a parte interna do Duomo, onde o mármore escurecido pode ser limpado. O restauro da parte externa é mais complicado e demorado, já que o mármore de Candoglia, é muito delicado e  sofre com a poluição, a chuva ácida  e por isso se corroi. Isso faz com que na parte externa, o restauro signifique a substituição de todo o mármore e suas respectivas estátuas .

restauros duomo de milão

Lí nos últimos dias que o Duomo tem menos de 2 anos para terminar os restauros antes da Expo 2015, a exposição mundial que trará 20 milhões de visitantes à cidade. Primeira etapa de quem chega na cidade?  A sua belíssima catedral.

Mas manter todo esse esplendor de mármore custa 23 milhões de euros por ano só para a manutenção ordinária. Tudo o que é extraordinário, consome mais e mais milhões de euros, que a Veneranda tem que procurar, já que os subsídios estatais são cada vez mais escassos.

Já faz uns 2 anos que a necessidade de dinheiro mudou a rotina da catedral milanesa: grandes outdoors cobrem parte dos andaimes na lateral em restauro (50-100 mil euros por mês de entrada), o pagamento de 2 euros para poder fotografar o interior, a campanha Adota uma espira, onde empresas e comuns cidadãos pode contribuir economicamente com o restauros do que é um dos símbolos da catedral: seus 135 pináculos e suas estátuas.

A maior fonte de entrada da catedral é o dinheiro que os quase 1 milhão de visitantes pagam para subir na única catedral que tem o teto completamente percorrível. São 7 euros para subir com as escadas e 12 de elevador.

Para terminar, nos últimos dias a grande polêmica é a intenção de abrir um pequeno bar no teto. A Veneranda entregou o projeto, o Ministério dos Bens Culturais não o aprovou e nas redes sociais e blogs os milaneses se mostram indignados: o Duomo não se toca!!

Ainda que eu entenda a real necessidade da Veneranda Fabbrica em arrecadar fundos para a manutenção desse edifício extraordinário, não vejo com bons olhos um bar lá em cima, mas espero com entusiasmo a reabertura do Museu do Duomo (fechado por 4 anos), prevista para novembro 2013 e que vai disponibilizar ao público parte do material de arquivo acumulado nesses mais de 6 séculos pela Veneranda Fabbrica del Duomo.

Milão pelos olhos de uma viajante brasileira

Como eu já contei outras vezes, desde que comecei o Milão nas mãos, há quase 1 ano, conheci um montão de gente legal, pessoalmente e virtualmente. Uma delas (virtualmente) é a brasileira Sandra Brocksom, que vive desde 2011 em Madri com seu companheiro Paco.

Sandra também tem um blog, o Sandra B em Madrid, que ela mesma define como um blog caseiro e narcísico, que como muitos outros blogs de expatriados, nasceu como um diário de sua cotidianidade ibérica, um modo de manter contato e contar suas experiências aos caros deixados no Brasil.

No final de junho Sandra passou um final de semana em Milão com Paco e, como gosto muito do texto dela, a convidei para escrever um guest post sobre a cidade. Um olhar diferente do meu  (mas não muito) para os leitores. Boa leitura!!

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Por Sandra Brocksom

Arrisco dizer que eu, como 100% dos brasileiros, não tinha Milão como a primeira cidade que queria conhecer da Itália. Brasileiros querem ir a Toscana e suas pequenas vilas que são cenários das histórias das nonas. Acho que queremos recuperar aquela memória das centenas de famílias italianas que vieram ao Brasil.

No último final de semana de junho Milão aconteceu, um final de semana longo, um bate e volta de Madrid a Milão. Assim como 100% dos turistas brasileiros, minha grande preocupação era que Milão fosse cara demais a ponto de impossibilitar qualquer diversão. Eu acho também que Milão é muito mais cara que Madrid, que é uma das capitais européias com o custo de vida mais econômico. Explico mais, Paco e eu estamos muito acostumados a fazer atividades culturais a custo quase zero, vamos a museus nos horários gratuitos, shows free, comemos em botecos e cozinhamos muito em casa. Quando viajamos também somos assim: nada de restaurantes chiques, nem grandes compras. Queríamos adequar Milão ao nosso estilo super econômico de viagem. E deu!!

milao em bicicleta

Para conseguir submeter uma grande cidade cosmopolita ao nosso baixo orçamento, eu pesquisei bastante. Foi ai que descobri o “Milão nas mãos” que me ajudou com 80% do nosso final de semana. Os outros 20% eram direções óbvias: o Duomo e seu entorno. A sua paixão pelas ruas, pessoas e arquitetura de Milão me contagiou. Também tenho que confessar que você é responsável da minha grande frustração: eu não achei o Quadriláterio do Silêncio. Você escreveu um post maravilhoso sobre o lugar, eu tinha que vê-lo. Depois que voltei para casa, revi meus roteiros, percebi que estive muito perto e não soube vê-lo. Este é meu primeiro motivo para voltar!

Diante do seu rico material publicado, eu sabia que tinha que fazer escolhas de caminhos e também sabia que as ruas da cidade seriam nosso cenário. Você moldou o meu olhar! Eu sabia para onde tinha que olhar “Milão é uma cidade para se descobrir nos interiores, de belezas escondidas e fachadas austeras”. E por outro lado: “É uma cidade onde você tem que caminhar prestando atenção nos portões abertos de muitos palácios para ver se tem a sorte de descobrir os mais belos pátios da Itália (prometo um post sobre eles), caminhar olhando para cima, quando possível, para admirar seus jardins suspensos. Mas uma das coisas que mais adoro aqui, são essas quantidades infinitas de homens e mulheres “encostados” nas fachadas de palácios mais ou menos históricos das cidades e até das igrejas, como o Duomo. Quem são? As famosas cariátides e telamones “.

estatuas em milao

Nossa viagem também suponha um desafio: encontrar uma amiga que aterrou na cidade somente no sábado no final de tarde. Chegamos na sexta-feira de manhã e tínhamos que evitar o Duomo nas próximas horas porque queríamos explorá-lo com ela. Nós tínhamos que deixar o melhor para o final. Apesar de todas as tentações, o Duomo tem uma força atrativa como um polo magnético, conseguimos cumprir nossa auto-imposta missão de não entrar no Duomo logo nas primeiras horas.

No nosso primeiro dia, sexta-feira, eu propus a Paco uma longa caminhada que cruzasse a cidade pelo seu centro. Escolhi como ponto final Mercato di Piazza Wagner (dica do blog Turomaquia). O ponto inicial foi a estação Central onde o ônibus vindo do aeroporto de Bergamo nos deixou. Fizemos uma parada estratégica para deixar as mochilas no hotel barato e limpo perto do metrô Porta de Veneza e seguimos: Giardini Pubblici; Via Manzoni; Teatro Scala; Estátua do Leonardo; Galeria Vittorio Emanuele; Duomo; Castelo Sforzesco; Praça Cadorna; Corso Magenta; Mercato di Piazza Wagner.

bondinho-milao

Claro que não fizemos o percurso assim tão linear como no mapa. Zig-zageamos pelo Giardini Pubblici di Porta Venezia; cogitamos entrar na Galleria di Arte Moderna (um dos museus gratuitos) mas achamos arriscado ficar horas ali e perder a cidade que clamava que deveríamos seguir caminhando. Assim fomos, eu olhando para cima buscando o Quadrilátero do Silêncio que estava logo ali e não vi, e o Paco já vidrado pelos bondinhos amarelos que eu propositadamente não havia contado que em Milão também existe “tranvia”, como são chamados em espanhol. Foi muito bonito ver os olhos dele iluminados pela paixão de menino por trens e bondes. Passou o primeiro dia emocionado atrás das melhores fotos, ficamos algum tempo parados em várias esquinas esperando pelos bondinhos.

Não sei o porquê, naquela hora passamos quase reto pelo Teatro Scala e nos dedicamos a reverenciar a estátua de Leonardo Da Vinci, somos fãs do projeto “Da Vinci the genius” que leva a vários países as incríveis invenções do mestre. Como planejamos a viagem de última hora, não conseguimos entradas para ver a Santa Ceia pintada por ele. Segundo motivo para voltar a Milão.

estatua da vinci milao

Cruzamos a Galeria Vittorio Emanuele maravilhados com seu esplendor. Eu fiquei particularmente interessada nas mulheres de véu (de marca) em um alto grau de consumo. Elas em duplas ou trio com suas crianças e, às vezes, com seus maridos, entrando e saindo das lojas de alta gama da Galeria com naturalidade de quem vai comprar pão na esquina. Entendi que são elas que protagonizam o consumo.

Chegamos a piazza del Duomo! E ali creio que palavras não são suficientes, saíram muitos UAU!UAU! Seguimos em direção ao Castelo Sforzesco. Ficamos tentados em entrar no museu, mais uma vez escolhemos as ruas. Ter tempo para apreciar os museus é o meu terceiro motivo para voltar.

Deste ponto até chegar ao mercado nos perdemos muito. Rodamos as rotatórias entrando e saindo das ruas, ficamos sem qualquer sentido de direção. Já estávamos tão cansados que não tiramos fotos decentes dos magníficos balcões dos prédios que existem na região. Eu fiquei apaixonada por eles, eu imaginei tantas lindas serenatas de amor eles não inspiraram. Depois ficamos arrependidos de não ter tantas fotos e tenho meu quarto motivo para voltar.

Enfim, encontramos o mercado que foi escolhido porque fica no estremo oposto de onde esta nosso hotel. É um mercado de comida “normal e corrente” como existe tantos e em todas as cidades. Eu acho que entrar em mercado e supermercados é parada obrigatória no turismo econômico que fazemos. Demos uma volta e compramos vários pães e pizzas. Andamos até uma praça próxima e devoramos tudo. O pão de cebola estava especialmente delicioso.

Energias recuperadas, caminhamos tudo de volta até chegarmos exaustos no hotel. Por sorte havia uma pequena pizzaria, dessas que agradam estudantes “eramus” e a nós. Pizza boa, atendimento caseiro e barato.

Queria terminar contando um pequeno causo. Sábado pegamos leve com a caminhada. Começamos pelo Corso de Vezenia onde paramos um pequeno bar para nosso legítimo expresso italiano. Eu queria um “café normale”, forte. Paco queria o seu com leite, “caffè macchiato”. A dona do lugar nos deu uma aula de como apreciar um café. Paco descreveu como se toma “café com leche” na Espanha e ela taxativamente disse que isso não se faz na Itália. Ela não foi especialmente simpática e, sim, cativantemente generosa em nos explicar as diferenças.

Estas foram nossas primeiras impressiones de Milão: imponente e chique como o Duomo; firme, estrita e generosa como a dona do café; abundante com os seus balcões. No domingo tevemos outra visão da cidade, da zona boemia e acolhedora Navigli, mas isso fica para outro post.