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Modena: terra de Ferrari, Pavarotti e muito mais

Existem cidades que são ligadas a nomes de personagens famosos da história recente ou poderíamos também dizer ao contrário: existem personagens da história recente que estão fortemente ligados ao nome de suas terras natais.

É o caso da cidade de Modena, na região italiana da Emilia Romagna e seus filhos mais ilustres: Enzo Ferrari e Luciano Pavarotti. Dois nomes que dispensam apresentações e que só contribuiram para enriquecer ainda mais uma região também cheia de tradições artísticas-culturais e enograstrônomicas.

Porque a Emilia Romagna, é a terra da Ferrari e de Pavarotti, mas também do Lambrusco, do queijo Parmigiano Reggiano e do verdadeiro Vinagre Balsâmico Tradicional.

Foi pensando em colocar essas excelências do terrítorio a disposição dos turistas durante o período da Expo2015, que o órgão de promoção turística da Emilia Romagna criou o Passaporte Discover, um passe com duração de 48 horas com serviço de van e que inclui todas as entradas nas etapas do itinerário para você descobri e deixar de surpreender por mais um pedacinho do Norte da Itália.

E foi para conhecer esse itinerário e suas etapas que, com outros 6 blogueiros, passei um final de semana entre Modena e Maranello para poder contar tudo para vocês e concluir que mesmo depois de 13 anos nesse país e a apenas 165 km de casa, a Itália ainda é capaz de me surpreender.

Como funciona:

A partir do dia 4 de abril e até o final da Expo2015 no dia 31 de outubro, é possível visitar todas as 14 etapas do Discover Ferrari e Pavarotti Land por 48 horas comprando o passe que incluí a entrada em todas as atrações do itinerário e também o serviço de van para quem está sem carro.

Das 10 às 17h, a cada hora, uma van saí das estações de Bolonha, Modena e Reggio Emilia (perfeito para quem está em Milão e quer udar o trem) ou do Museu Ferrari em Maranello e do Museu Enzo Ferrari em Modena e fazem o percurso circular das atrações.

mapa ferrari

Foto divulgação Discover Ferrari e Pavarotti Land

Você desce onde quiser e fica o tempo que quiser aproveitando a atração e sabe que de hora em hora passa uma outra van para você proseguir. É você que decide o que ver e por quanto tempo.

O passe também pode ser adquirido por quem está viajando pela Itália de carro.

As etapas:

Museu Enzo Ferrari (Modena)

O museu se divide em dois espaços: a oficina onde nasceu os carros Ferrari e que expõe alguns modelos de competição e um outro espaço mais moderno, dedicado a outros modelos e a exibição de um filme que conta um pouco da vida de Enzo e Pavarotti.

visitar museu ferrari modena

Vinícola Cleto Chiarli

A mais antiga vinícola de Lambrusco da região, fundada em 1860 e produtora de vinhos de qualidade, onde é possível conhecer a produção e degustar os vinhos.

Hombre e Coleção Maserati

Empresa agrícola que produz queijo Parmigiano Reggiano biológico e que possui uma das coleções privadas mais espetaculares de Maserati.

Malpighi Balsâmico, Giusti Balsâmico e Consorteria Balsâmico

Visita as empresas e museu (Consorteria) que produzem com o método tradicional o famoso vinagre balsâmico da cidade. Com certeza, o ponto alto do final de semana para mim. Primeiro porque eu sempre gostei do produto, segundo porque não conhecia (quase) nada da produção dele.

vinagre balsâmico modena

Provar um vinagre balsâmico tradicional com 12, 25 e 50 anos de envelhecimento, não tem preço.

Museu Ferrari e cidade de Maranello

Visita ao famoso museu na cidade de Maranello, sobre o qual já contei nesse post, entre modelos famosos e de Formula 1.

Depois, pare para comer a deliciosa especialidade local, gnocco fritto com queijos e frios. Bem alí pertinho do museu, tem o restaurante Drake, onde eu já tinha almoçado uma vez. Provado e aprovado.

Museu Casa Pavarotti

Chamada de “Casa Vermelha”, foi sua última residência e recentemente transformada em museu multimedial dedicado a mémoria do grande tenor italiano.

Abadia de Nonantola

Etapa artística-cultural na abadia do século 8 situada na pequena cidade a poucos quilômetros de Modena.

MuSa – Museu dos Frios

No estabelcecimento Villani, produtor de presuntos e embutidos desde 1886, um interessante museu que mostra as fases de produção das famosas mortadelas de Bolonha, presunto de crú de Parma e San Daniele, presunto cozindo, copa e outras variedades.

4 Madonne – Parmigiano Reggiano

Fábrica do famoso queijo italiano, parmigiano reggiano, produzido só nessa região, a visita do estabelecimento surpreende pelas várias fases, que respeitam a tradição.

No final, é possível degustar alguns tipos de parmigiano.

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Palácio Ducal de Sassuolo

A cidade, famoso centro de produção de pisos e azulejos de alta qualidade, tem origem medieval e hospeda o belo Palácio Ducal, que foi residência de verão do ducado Estense.

Modena

A cidade, famosa pelos seus filhos ilustres e por ser sede da Ferrari, Maserati e do famoso autódromo, é uma das etapas dedicadas a arte e cultura, com seu centro histórico e a Piazza Grande, um dos 50 Patrimômios Unesco italianos.

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Quanto custa:

O passe Discover Ferrari e Paravotti Land custa 60 euros por pessoa por 48 horas de serviço van e entradas nas atrações.

A partir do segundo dia, cada dia adicional (se você quiser fazer as coisas com mais calma) custa 25 euros por pessoa.

Não estão incluídos nos preços as despesas de hospedagem (mas é possível adquirir pacotes a partir de 260 euros por pessoa), alimentação, taxas.

Onde comprar:

Pelo site  www.ferraripavarottiland.it

Vivara Viaggi  booking@vivaraviaggi.it

*Minha viagem a Emília Romagna foi um convite e faz parte do Discover Ferrari & Pavarotti Land project, uma colaboração entre Emilia-Romagna Tourism Board e iambassador, mas todas as opiniões aqui relatadas são pessoais.

Visitando o Museu Ferrari em Maranello

Nunca fui ligada em carros e com isso, mesmo em todos esses anos aqui, nunca nem me passou pela cabeça visitar o Museu Ferrari em Maranello, na região da Emilia Romagna. Até que há alguns meses surgiu um pedido de uma cliente para fazer esse passeio e lá fomos nós.

A Ferrari (La Rossa, como é chamada aqui) é com certeza um dos ícones italianos mais famosos e desejados no mundo. Fundada em 1929 por Enzo Ferrari, por décadas produziu componentes para a Alfa Romeo e para aviões e só em 1947 a construção de carros se tornou a atividade principal da fábrica. Hoje, a marca produz carros esportivos de alto nível e carros de corrida, que era a grande paixão de Enzo Ferrari.

visitar museu ferrari maranello

Chegamos ao museu no final da manhã, depois de cerca de 3 horas de viagem de carro. Era um dia de semana de setembro, não tinha filas ou grandes grupos de turistas. Nós, por falta de tempo, optamos pela visita só do museu, mas é possível também fazer a visita da pista (de dentro de um ônibus, sem possibilidade de descer) e do Museu Enzo Ferrari, mas que fica em Modena.

A primeira sala do museu é dedicada a mostras temporárias, mas o resto do percurso, que não é grande, fica por conta dos maravilhosos carros que fizeram a história da marca do cavalinho.

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Eu fiquei encantada com os modelos antigos, anos 60 e 70 e escolhia um como meu preferido, até encontrar outro ainda mais bonito.

Antes de passar para a grande sala que expõe os famosos carros da Fórmula 1 e todos os troféus conquistados ao longo dos anos, uma pequena sala de cinema exibe um trailer com cenas de filmes e seriados famosos onde a Ferrari era também a protagonista. Quem não se lembra de Magnum, Al Pacino em Perfume de Mulher, Miami Vice e o maravilhoso Curtindo a Vida Adoidado?

Do lado de fora do cinema, fica também a reprodução do escritório de Enzo Ferrari.

Para os apaixonados pela F1, é a última sala a mais esperada. Modelos antigos e novos se misturam com telões onde trechos de vídeo mostram entrevistas e depoimentos dos grandes corredores da construtora.

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A última parte é dedicada ao espaço para quem quer se divertir e tentar o simulador (pagamento a parte), ao bar ou as inevitáveis compras na lojinha.

A visita o museu pode ser feita tranquilamente em cerca de 1 hora e vale a pena para os (muito) apaixonados pela marca. Como museu de carro, achei o Museu do Automóvel de Turim bem mais interessante (leia post aqui).

A cidade de Maranello respira Ferrari, então você vai encontrar lojas com inúmeros produtos e propostas para dirigir “una rossa” por toda parte.

Quando saímos do museu, era hora do almoço e eu não poderia deixar de procurar um lugar para comer o delicioso gnocco fritto, um prato típico da região emiliana que parece um pastel (vazio) que se come com frios e queijos moles. Foi a recepcionista do museu que me indicou o bar Drake, bem na rotátoria do centro. Se você for para aqueles lados, não deixe de provar.

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E foi a melhor maneira de terminar essa aventura automobilistica, antes de voltar para Milão.

COMO CHEGAR:

Maranello fica a 190 km de Milão – 20 km de Modena – 50 km de Bologna.

Para quem vai de carro, existem boas indicações para chegar ao museu.

De trem, de Milão, é possível ir até Modena com o Frecciabianca (cerca de 1h40). Da estação, existe um serviço (pagamento) de vans do museu que levam até o Museu Enzo Ferrari em Modena e depois ao Museu Ferrari em Maranello.

Se você tem tempo, pode fazer os dois. O ideal é reservar o serviço no site do museu.

MUSEU FERRARI- MARANELLO

Via  A. Dino Ferrari 43 Maranello
 
De 1 de novembro a 31 de março: todos os dias das 9.3o às 18h
De 1 de abril a 31 de outubro: todos os dias das 9.30 às 19h
Fechamento: 25 dezembro e 1 janeiro
Ingressos: adulto inteiro 15 euros – menores de 6 a 18 anos (acompanhados dos pais) 10 euros – acima de 65 anos 13 euros
Ingressos combinados museus + serviço van (reserva obrigatória): consultar site clique aqui

Bate e volta de Milão para o Lago de Como

Já cantei as belezas da região onde moro, a Lombardia, várias vezes. O que nos falta é só o mar, mas temos planície, colinas, montanhas e os nossos famosos lagos. Três dos grandes lagos italianos tocam a região: o Lago de Garda (o maior do país), o Lago Maggiore e o Lago de Como, que a diferença dos outros dois, fica inteiramente na região da Lombardia.

MIlao Como bate e volta

Com a chegada da primavera e verão e seus dias quentes e longos, nada melhor do que um bate e volta a partir de Milão para o Lago de Como para curtir a ‘praia dos milaneses’. Nessa época do ano, nos finais de semana, o lago fica bem cheio de gente, já que a distância de Milão é bem pequena. Para quem tem mais tempo, o ideal é pernoitar  1 ou 2 noites nos arredores para ter tempo de explorar as lindas cidades ao redor do lago, como Tremezzo, Lenno, Bellaggio e Varenna.

O Lago de Como (e a cidade de Como) ficam a apenas 00 km de Milão e é bem fácil de chegar de carro pela rodovia A8 ou de trem, saindo da estação Cadorna em Milão e chegando na estação Como Nord Lago depois de 1 hora de viagem. Não tem jeito melhor de chegar a cidade: mais um pouco e o trem para na água. A estação de trem fica a poucos passos do “lungo lago” (margem do lago) e do centro da graciosa cidade.

Passeio Milao Como

Chegando cedo, o que não falta é o que fazer em Como em um dia: eu aconselho começar o passeio pelas margens do lago, apreciando a paisagem. Saindo da estação e seguindo o lago pela direita, se chega na estação da funivia de Brunate. Alí você pode pegar um funicular que te leva até Brunate, cidadezinha que fica a 716 metros de altura. Depois de uma breve subida com o funicular (cerca de 7 minutos) com alguns minutos de caminhada ou com um micro ônibus você chega ao Farol Voltiano, que oferece uma bela vista de 360º do lago e dos Alpes. Uma daquelas coisas que você não pode deixar de fazer quando visita um lugar.

Depois de descer e voltar a Como, o legal é seguir com um passeio de barco pelo lago. Aí as opções podem ser duas: nos finais de semana existem barcos que fazem passeios panorâmicos de 30 min, sem paradas, e que mostram as principais vilas a beira do lago, como as famosas Villa d’Este e Villa Erba.

Foi o que eu fiz na última vez que fui, com um grupo de clientes e o resultado estão nas fotos abaixo. Os passeios custam 5 euros por pessoa a valem a pena, porque ver o lago a partir do lago, é outra coisa.

Lago Como Milao passeios

A segunda opção é pegar os barcos que fazem o transporte público da cidade. As possibilidades são múltiplas, porque existem vários tipos de bilhetes e vários destinos finais.

Você pode optar por fazer Como-Cernobio (13 min) e almoçar na elegante cidadezinha. De volta a Como, na parte da tarde a visita continua pelo centro da cidade, que começa na praça Duomo com a sua catedral de mármore gótica-renascentista ao lado do Broletto (palácio destinado a vida civil da cidade) e da torre da cidade.

Como passeio desde Milao

Depois de apreciar uma parte da Como medieval, você pode continuar dalí pelo Corso Vittorio Emanuele, principal rua de comércio da cidade. Adentrando-se, é só se perder pelas ruelas da cidade e deixar de surpreender por praças como San Fedele e a sua basílica e continuar passeando em busca de um sorvete ou de lojas de deliciosos biscoitos. Seguindo reto, praticamente oposto a Praça Duomo, fica a Porta Torre, construção medieval que era uma das portas das muralhas de Como.

bate e volta Milao Como

Se o cansaço bater, é só parar em um dos bares com mesinhas na calçada e relaxar com um happy hour antes de voltar para Milão. Com certeza depois do passeio você vai entender porque o lago ficou famoso até entre vip’s como George Clooney, que em 2002 comprou a Villa Oleandra (foto abaixo) em Laglio. Foi uma ótima publicidade para a região, mas com todas as belezas concentradas alí tínhamos material de sobra para sermos famosos pelo mundo sem a ajuda dele.

Villa_Clooney_in_Laglio

Então fica a dica: passando com tempo por Milão, principalmente na primavera e verão, reserve um dia para conhecer o Lago de Como e suas belezas. Bom passeio.

Site Empresa de Navegação Lago de Como

Site da Funicolare Brunate

*Esse post contém link para afiliados (Booking). Para saber sobre nossa política de monetização, clique aqui.

Estações de esqui perto de Milão

Milão, além de ser uma cidade que vale a pena por aquilo que oferece, atrai também pelo o que oferece os seus arredores: cidades de arte como Bergamo e Turim, lagos, mar e montanha, acessíveis com um simples bate e volta.

No inverno, para os amantes do esqui ou para quem quer simplesmente tocar pela primeira vez a neve, os arredores de Milão oferecem diversas estações de esqui com pistas de todos os tipos.

esqui arredores Milão

Confesso que eu não sou a esquiadora da casa. Coloquei meu primeiro par de esquis aos 35 anos e até que não me dei mal, mas para mim é muito trabalho (e roupa) para pouca diversão. E tira sapato de neve e coloca o sapato de esqui, e sobe com o teleférico (mooorro de medo) e desce e começa tudo de novo.

Mas maridão esquia desde criança e as mascotes de casa começaram aos 4 anos e a-do-ram. Com isso, vamos todos os anos, geralmente no esquema bate e volta e com uma média de 1 hora e meia de viagem. Aqui ficam as minhas dicas de onde esquiar nos arredores de Milão.

A estação mais perto de Milão e que praticamente usamos todos os anos e que indico é Barzio-Piani di Bobbio, uma pequena estação que fica a 1 hora de Milão. Obs: leia nos comentários a experiência da leitora Ana Carla, que usou o trem a partir de Milão para chegar à estação.

Durante a temporada, que geralmente começa no feriado de 8 de dezembro e vai até a Páscoa, existe um ônibus que funciona nos finais de semana e leva de Milão a Piani di Bobbio. Clique aqui para saber informações.

Para quem quer ir de trem, a opção é fazer Milão-Lecco e de lá pegar o ônibus para Barzio (que sai de frente da estação). O problema é ir de Barzio a estação de esqui (como relatado por mais de 1 leitor), já que o translado só funciona de final de semana. Durante a semana é encarar uma subidona a pé de cerca 30 min.

De Barzio parte uma cabinovia que leva até as pistas que ficam a 1.700metros e da base das pistas, para subir, a estação dispõe de 4 teleféricos e 3 skilifts para 30 km de pista: 2 são para esquiadores mais experientes e outras para principiantes. É presente também pista circular para o esqui de fundo.

Também presente vários refúgios alpinos onde depois do esforço, saborear um prato de polenta ou alugar uma cadeira para tomar sol e também todos os equipamentos.

Esta estação é perfeita para quem procura um equilíbrio entre comodidade e qualidade/quantidade de pista e tem também a vantagem que essas ficam expostas ao sol o dia todo (fator importante em dias de muito frio).

As estações, grandes ou pequenas,  são sempre bem cheias nos finais de semana. Nós, sempre que podemos, vamos durante a semana: pistas vazias e custo reduzido.  

Em direção de Bérgamo, a menos de 2 horas de Milão, o meu conselho é o Monte Pora. Essa também é uma estação pequena, com uma boa exposição ao sol e ideal para uma excursão não muito puxada.

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Também a cerca de 2 horas de Milão ficam as localidades maiores como Madesimo (Val Chiavenna ) e Pila (Val d’Aosta) e a possibilidade de esquiar na Suiça (Splugen, Andermatt).

As estações maiores e mais renomadas ficam um pouco mais longe e a mais renomada na Lombardia é Bormio, porque é uma das etapas fixas do calendário da Copa do Mundo de Esqui Alpino: a 3 horas e meia de Milão, dispõe de 80 km de pistas que chegam a 3.000 mt de altura. Outras localidades famosas a cerca de 3 hores de viagem são Cervinia, Courmayeur, Sestriere.

As estações de esqui na Itália, geralmente abrem as pistas no final de semana do feriado de 8 de dezembro e as fecham depois das férias de Páscoa (quando essa não é muito tarde). Para quem não quer renunciar ao esqui durante o verão, na Lombardia o geleiro Presena no Passo del Tonale se esquia até junho, e no Passo dello Stelvio se esquia de junho a setembro.

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O custo dos passes diários ficam em torno de 20 a 35 euros, dependendo da estação e do dia. As reduções são consistentes para crianças. O aluguel de equipamento (não roupas) nas pista custa entre 20-30 euros.

Aqui os sites das estações italianas citadas no post:

http://www.pianidibobbio.com/it/home

http://www.presolanamontepora.it

www.skiareavalchiavenna.it

http://www.pila.it

http://www.bormioski.eu

Editado em 18/08/2018

Dicas do que fazer em Turim

Turim. Está aí uma cidade pouco levada em consideração pelos turistas (ao menos os brasileiros) para uma visita e que vale realmente a pena conhecer.

A cidade foi capital diversas vezes durantes os séculos: do Ducado de Savoia no séc. 17, do Reino da Sicília e da Sardenha no séc. 18  e enfim, a primeira capital da Itália depois da união em 1861. Todo esse ar de nobreza se vê na arquitetura da cidade, feita de grandes palácios e praças imponentes, emolduradas por mais de 18km de pórticos.

Ainda que parte dos edifícios sejam pouco conservados, Turim não perde seu ar de grandeza. Para ajudar esse belo panorama, a cidade é atravessada de um lado pelo Rio Pò.

Turim dicas do que fazer

Quarta cidade italiana depois de Roma, Milão e Nápoles, Turim é também um importante polo universitário, artístico, cultural e automobilístico no país. Impossível não ligar a ela o nome da família Agnelli e a marca de automóveis FIAT.

Turim também é sede de famosos museus nacionais e foi pensando na visita a alguns deles, que depois do Natal resolvemos passar alguns dias na cidade com as meninas.  Para quem tem tempo, eu diria que a cidade vale mais que um bate e volta desde Milão e aqui ficam algumas dicas do que fazer em Turim em mais ou menos 2 dias.

A cidade fica a 150 km de Milão e é fácil chegar de carro direto pela rodovia A4 ou de trem veloz, numa viagem que leva apenas 1 hora.

O CENTRO, SUAS PRAÇAS E SEUS BARES HISTÓRICOS

Aos meus olhos, Turim é uma cidade imponente, nobre. Gostei de cara já na primeira vez que a visitei, há 2 anos atrás (e me perguntei como já tivesse passado 10 anos aqui sem cogitar uma visita). Passear pelo centro admirando as grandes construções como Palazzo Madama, Palazzo Reale e a grande Praça Vittorio Veneto, que se abre ao Pò, já é em si um ótimo programa.

Turim_Piazza_Vittorio_Veneto

É nas imediações do centro também que se vê o símbolo máximo de Turim, a Mole Antonelliana, que começou a ser construída em 1863 para ser uma sinagoga. Em 1873 a comunidade hebraica cedeu o edifício à prefeitura de Turim, que a dedicou ao rei Vittorio Emanuele II. A Mole hoje hospeda o esplêndido Museu do Cinema.

Turim é famosa na Itália pelos seus inúmeros bares-cafés, muitos deles históricos. Uma das atrações é passear parando de vez em quando para entrar nessas pérolas antigas, conservados como eram nos séculos passados. Deixo aqui o nome de alguns, onde passei dessa vez, mesmo que só com a desculpa de tomar só um cafezinho.

Baratti Milano é o café dos cafés e fica na Piazza Castello.  Fundado em 1858, é uma confeitaria e bar de alto nível, com uma decoração feita de pavimento em mármore, balcão de mogno e lustres de cristal. Impossível descrever a atmosfera, a minha dica é que você entre, nem que seja para um café em pé no balcão. Foi o que eu fiz dessa vez, já que tinha na minha lista a passagem por pelo menos mais 2 dos inúmeros cafés da cidade.

O Mulassano fica bem perto do Baratti Milano, embaixo dos mesmos pórticos de Piazza Castello. Eram 12.30 quando perdemos o tour no bondinho histórico da cidade e resolvemos esperar o próximo (1 hora depois) “almoçando” alguma coisa no histórico café.

O lugar é minúsculo, com mesas também minúsculas de mármore (são só 4 dentro) e a decoração é inteiramente Art Nouveau. Uma placa diz que em 1926 a Sra. Angela Demichelis Nebiolo inventou ali o tramezzino (sanduíches de pão de forma macio preparados com inúmeros recheios) e já que o lugar é famoso por eles, foram a nossa pedida. A nossa escolha foi: queijo e azeitonas; alcachofra com atum; presunto; radicchio, queijo de cabra e azeite de tartufo e um de lagosta. Os sanduíches são tão pequenos quanto o bar e custam como ouro (dado o tamanho), mas são realmente de qualidade. Marido também escolheu um vermuth fabricado pelo próprio bar para acompanhar os sanduíches.

Turim dicas

Depois de voltar no tempo no Mulassano, conseguimos pegar o nosso bondinho e demos uma volta pela cidade. Ele parte da Piazza Castello e cerca de 40 min depois está de volta.

Naquele mesmo dia deixamos para o lanche da tarde a iguaria mais famosa da cidade e pelo qual eu pegaria um trem a cada 2 semanas só para tomar um copo. Al Bicerin é outro dos cafés históricos que deram fama à cidade e que inventou no final do século 18, o bicerin, bebida quente feita de café, chocolate quente meio amargo e creme de leite (não confundir com chantilly). Uma delícia!

Turim dicas bicerin

Esse também é um bar minúsculo, com decoração em madeira e mármore e vive cheio. No verão eles colocam algumas mesas do lado de fora e no inverno se não tem lugar dentro, você pode fazer o seu pedido e esperar fora pela senhora que saí para servi-lo.  Nós demos sorte dessa vez e conseguimos sentar. O serviço é muito bom e educado.

Para falar sobre os cafés históricos de Turim serviria uns 3 posts. Além desses que visitei dessa vez, deixo aqui o nome de outros, cada um com sua história e particularidade, que fizeram a fama da cidade: Caffé San Carlo, Caffé Torino, Fiorio, Gatsby, Neuv Caval ‘d Brôns, Roma già Talmone, Zucca.

GASTRONOMIA

A região do Piemonte é famosa pelo boa cozinha. Alí se come bem e ponto. Diversas são as especialidades da região, como o Brasato (carne feita no vinho) e a Bagna Cauda e a tradição dos vinhos (Barollo, Dolcetto, Nebbiolo, Barbaresco) e dos chocolates não fica atrás.

Opções de restaurantes e tratorias em Turim é que não faltam, mas deixo aqui, sem me prolongar muito,  as dicas de restaurantes por onde passamos e onde comemos bem e com bom serviço: Quanto Basta e L’Acino que ficam no Quadrilátero Romano da cidade, local cheio de restaurantes e vida noturna na cidade.

Uma dica: não saia para jantar sem reservar antes. Principalmente nos finais de semana os restaurantes ficam lotados e pode ser difícil achar uma mesa.

Em uma das noites e pela proximidade com o nosso hotel, na área Lingotto (antiga fábrica da Fiat), optamos por jantar na gigantesca Eataly. O mais famoso empório gastronômico do mundo nasceu aqui, já que seu proprietário é piemontês e a loja de Turim foi a primeira a ser inaugurada em 2004.

Eataly Turim dicas

“Boxes” de massa, pizza, verduras, quejos e frios, peixe, carnes, cervejaria…rodamos uns 30 minutos para vermos tudo e decidirmos o que comer. Nós nos dividimos entre massas e carnes. Os preços não são econômicos mas em linha com restaurantes de preços médios e a qualidade é médio- alta. E para quem não resistir, existe sempre a possibilidade de se esbaldar nas comprinhas de iguarias italianas para levar para casa.

OS MUSEUS E PALÁCIOS

Além dos museus que visitamos, Turim tem vários palácios que abrem suas portas a visitação e expõe suas salas, quartos e móveis de época como o Palazzo Madama e o Palácio Reale, antiga residência da família real italiana; a Galleria Sabauda e a Armeria Reale, só para citar alguns.

Por estarmos com as meninas, decidimos visitar os museus mais interessantes da cidade para as crianças.

MUSEU DO CINEMA

O museu está entre os mais importantes do mundo pela riqueza do seu patrimônio, mas uma das coisas que o rende único é a peculiaridade do seu percurso expositivo. Inaugurado em 1958, desde 2000 o museu fica dentro da Mole Antonelliana, uma construção fascinante que é o símbolo da cidade. A nova montagem do percurso expositivo da nova sede ficou por conta do cenógrafo suíço François Confino, que pensou nos ambientes de uma maneira que estimulassem os visitantes continuamente através de materiais aúdio-visuais.

Museu cinema turim

Nós fizemos um tour individual com um guia (Fábio) ótimo, que envolveu as meninas na história do cinema desde os primórdios, através de jogos de imagens como as lanternas mágicas, caixas óticas, estereoscópios e cinematógrafos.

Difícil escrever em um post a grandiosidade do museu e os inúmeros materiais expostos, como vestiários de filmes, o telegrama que Fellini recebeu da Academia quando foi indicado ao Oscar, posters de filmes, simuladores de efeitos especiais.

Depois de uma visita espetacular e diria, cinematográfica, fechamos com chave de ouro, já que tínhamos o bilhete completo e subimos até cúpula da Molle Antonelliana com um super elevador transparente que fica no meio da construção. Lá de cima se vê Torino, suas praças e as montanhas ao redor.

MUSEU EGÍPICIO

Pode parecer repetitivo, mas está aí um grande museu de Turim e da Itália. A concepção da montagem expositiva é mais “velha” e tradicional, mas o museu é o segundo maior do mundo depois do Museu do Cairo pela importância do acervo, dedicado exclusivamente a arte egípcia.

No momento o museu passa por reformas e a finalização está prevista para 2015, já que Turim quer aproveitar o fluxo de turistas presentes em Milão para a Expo2015. Mas isso não compromete a visita.

Nós optamos por uma visita guiada em grupo, para crianças e a nossa guia, Serena, fez um percurso onde explicava as crianças os principais deuses, deusas e divindades da terra dos faraós. O grupo de crianças eram de idade heterogênea (de 5 a 10 anos), os mais velhos eram avantajados por saberem já alguma coisa (aqui, na quarta série se estuda a civilização egípcia), mas mesmo os mais novos ficaram fascinados pelas múmias de gatos e estátuas de deuses com cara de animais.

No andar de cima, uma sala expõe a Tumba de Kha, descoberta por um arqueólogo italiano no início do século 20., completamente intacta. Com isso,  junto com o sarcófago estão expostos todos os pertences encontrados dentro da grande construção, como o sarcófago da esposa de Kha (que era um arquiteto) e utensílios como vasos, pentes, escovas de cabelo e até comidas desidratadas (pães).

A visita terminou depois de 1 hora na sala das estátuas, onde esfinges e estátuas de deuses e deusas ficam expostas em sequência.

MUSEU DO AUTOMÓVEL 

Essa foi nossa última escolha antes de voltarmos para Milão. Confesso, que como mulher, pouquíssima ligada em carro e mãe de duas meninas, não estava muito entusiasmada não. Mas o museu me surpreendeu. Só depois que estava lá descobri que o percurso expositivo aqui também foi projetado pelo mesmo cenógrafo que projetou o Museu do Cinema de Turim.

São 30 salas divididas em 3 andares que mostram, em ordem cronológica desde os primeiros projetos de carros no final do século 19 até as últimas novidades, tudo de forma estimulante, em ambientes reconstruídos segundo a década representada. Vídeos que ilustram o contexto histórico, música e objetos de época completam a montagem.

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Não é um museu tedioso em nenhum momento, mesmo para quem não é interessado em carros. No final da nossa viagem, o Museu do Automóvel e o do Cinema foram os preferidos das meninas.

HOSPEDAGEM

Nessa nossa segunda vez em Turim, optamos de novo por um hotel da rede espanhola NH. Há dois anos ficamos em uma unidade no centro, chamada  NH Santo Stefano. Dessa vez escolhemos o NH Lingotto, um hotel 4 estrelas que fica dentro da antiga fábrica da Fiat, hoje transformada em centro congresso, shopping, hotéis e até uma pequena Pinacoteca (da família Agnelli, fundadores e proprietários da Fiat) que visitamos na manhã de sábado.

É um pouco mais afastado do centro, mas Turim tem uma única linha de metrô bem comprida, que chega até o Lingotto e o liga com o centro em 10 minutos.

PS:. Devido ao grande número de informações sobre os museus, restaurantes e cafés e respectivos endereços e horários,  deixarei aqui a lista dos sites de todos os lugares citados no post, assim temos a certeza que as informações estarão sempre atualizadas.

Baratti Milano MulassanoAl Bicerin

Quanto Basta (restaurante)L’Acino (restaurante)Eataly Turim

Palazzo Reale Palazzo Madama – Galleria Sabauda – Armeria Reale

Museu do Cinema (site em português) – Museu Egípcio Museu do Automóvel

NH Lingotto

Fotos: Milão das mãos e Wikicommons (vistas de Turim)

*Esse post contém link para afiliados (Booking  e RailEurope). Para saber sobre nossa política de monetização, clique aqui.