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Temakinho e Fruteiro: um pouco de Brasil em Milão

Milão tem uma comunidade de brasileiros bem grande. Como a segunda maior cidade do país e altamente industralizada, atrai muitas pessoas que vem trabalhar na cidade e arredores.

Com isso, nesses quase 13 anos que estou aqui, timidamente vi nascer alí ou aqui alguns empreendimentos com configuração e alma verde-amarela na cidade, que se juntaram a alguns restaurantes-churrascarias já presentes há algum tempo, como o Barbacoa, que eu confesso que não conheço.

Eu já me acostumei a não consumir muitos dos produtos e comidas brasileiras que no início eu sentia falta, coisas como: coxinha, sonho de valsa, paçoca, guaraná. Agora, me contento de come-los uma vez por ano, quando vou ao Brasil.

sucos brasil Milão

Mas quando chega o verão, passando pelos lados de Brera e as vezes até para enganar meu estômago antes do almoço, dou uma escapada na loja do Fruteiro do Brasil, loja de sucos e sorvetes, especializada em sabores com nossas frutas. Já que não tenho como comer goiaba, vou de suco (de polpa) de goiaba. Mes coisa com o maracujá.

Mascostes Milão nas mãos também adoram um sorvetinho de manga. Eles vendem também tijela de açaí e os sucos são feitos com água ou leite, tipo vitaminas, misturando mais de uma fruta.

A loja é bem frequentada também pelos milaneses que adoram um sabor tropical (ou fruta exótica, como eles chamam aqui).

Outro lugar brasuca, agora já com 2 filiais, é o Temakinho. O primeiro restaurante, pequeninho, abriu no Navigli e ainda está lá. Há pouco mais de um ano, eles abriram um bem maior, com cadeiras na calçada no verão, no movimentado Corso Garibaldi, muito frequentado pelo locais.

Nascida no bairro japonês da Liberdade, admito que não gosto de comida japonesa, mas já tinha lido que o Temakinho servia a melhor (e talvez única autêntica) caipirinha. Essa sim eu aprecio.

restaurante japones milao

Já que o lugar é um restaurante e não faz só serviço de bar-aperitivo, demorei, mas em um sábado de sol de maio, depois de ter acabado um dos passeios culturais em Milão com um casal lá por aqueles lados, resolvi almoçar por lá.

As mesas na calçada estavam todas ocupadas e como eu estava sozinha, me colocaram no balcão, que fica em frente do time de brasucas que preparam os temakes.

Tudo muito cru para o meu gosto, acabdei optando por um roll com atum, robalo, manga e outras cositas mas, que era frito. Na minha cabeça, os ingredientes eram crus, mas imergidos em óleo fervendo…Tava valendo.

Pra mim, que caipirinha quer dizer de limão e cachaça, acabei me deparando com vários sabores e resolvi transgredir. Uhuuu!! Fui de caipirinha de goiaba, mas só depois eu vi que tinha uma de manga com pimenta rosa (mas também tem graviola, abacaxi, maracujá, açaí).  Vou ter que voltar.

Acho que o roll estava bom, não tenho como comparar com outras coisas que comi. Sem pensar muito, comi tudo. Mas a maravilha mesmo, naquele sábado de calor, era a caipirinha de goiaba.

milao restaurante japones

Eles também tem no cardápio cervejas brasileiras como: Brahma, Skol, Bohemia e Xingu e refrigerantes Guaraná e Fanta.

O ambiente é bem iluminado, colorido e os garçons e garçonetes, todos brasileiros, garantiram um atendimento gentil e educado. Os preços não são baratos, mas aqui é Milão, baby!! E com certeza a matéria-prima fresca deve influenciar muito no preço. Meu roll de atum e robalo, 9,50 euros, caipirinha 7,50.

Claro que se você passar por aqui por poucos dias, vale mais a pensa se jogar na comida italiana e nos vinhos, como o Francicorta ou os tintos da região. Mas se der vontade de tamaki e caipirinha, fica a dica.

Usando a desculpa que não estava com o marido e que ele tem que experimentar, já estou pensando em voltar para provar a caipirinha de manga. Sabores de casa.

Fruteiro do Brasil
Via Rivoli (Brera)
De segunda a sábado das 11 às 19h30
Fechado aos domingos
 
Temakinho (site)
Ripa de Porta Ticinese, 37
Aberto todos os dias das 12 às 15h e das 19 às 24h
Corso Garibaldi, 59
Aberto todos os dias das 12 às 15h e das 19 às 24h

Al Pont de Ferr: a osteria milanesa estrelada

Acho que já confessei que não me divirto em escrever sobre restaurantes e comida, senão eu teria um food blog, genero muito mais seguido (como os blogs de moda) do que os blogs de viagem.

Mas um país e uma cidade também querem dizer gastronomia e nisso, o país bota tem uma reputação de todo respeito. Então lá vou eu, pensando nos meus queridos leitores e nas dicas que valem realmente a pena em Milão.

Domingo era dia de comemoração de aniversário de casamento por aqui e talvez inspirada pelo recente post sobre os restaurantes estrelados Michelin em Milão e pela vontade de uma voltinha pelo bairro Navigli em um lindo dia de sol de primavera, de manhã resolvemos sair para um almoço comemorativo e acabamos escolhendo ir conhecer o restaurante Al Pont de Ferr, uma estrela conquistada em 2012 e que fica as beiras dos canais milaneses.

Ajudaram na escolha, a procura de um lugar de qualidade sem preços proibitivos e cardápio inovativo mas sem aquelas combinações estranhas de ingredientes que estão na ordem do dia de muitos restaurantes por aqui. Ligamos pela manhã para reservar e lá fomos nós.

milão dicas  restaurante estrelado

Eu, sinceramente, não tinha visto fotos do restaurante antes e quando cheguei já gostei da despretensão: mesas de madeira, arrumadas com divertidos jogos americanos de papel com ilustrações feitas especialmente para o restaurante em um ambiente de muros de tijolinhos a vista. Uma velha osteria milanesa, como aquelas de antigamente.

Al Pont de Ferr não é um restaurante da moda, do momento. Ele já existe há 25 anos e há mais ou menos 5, com a chegada do jovem chef uruguaio Matias Perdomo*, começa a sua viagem até o reconhecimento Michelin**, através dos pratos inovativos.

Além das propostas alla cart, o restaurante propõe vários tipos de menù degustação: A tradição (que reúne alguns pratos que fizeram o nome da osteria – 60 euros), Água (a base de peixe – 70 euros), Terra (vegetariano – 70 euros), Fogo (a base de carnes – 70 euros) e por último A loucura está no ar (menù mais completo que reúne cerca de 20 pratos dos precedentes – 120 euros). Todos os menùs incluem também a sobremesa.

Ainda que quiséssemos provar um pouco de tudo, acabamos pedindo o mesmo menù, A Tradição. A diversão já começou em uma pequena entrada oferecida pela casa, onde uma salada com creme de iogurte vem acompanhada de um bom bom de Campari.

pratos

Para todo o resto, deixo as fotos falarem por mim, mesmo que elas não comuniquem a engenhosidade do primeiro prato, onde um creme de queijo de cabra vem servido dentro de uma “cebola” feita de calda de açucar queimado rosa; a maciez da carne de porco espanhola e o cheiro da fumaça de charuto Montecristo, servido com a sobremesa (um charuto de chocolate acompanhado de sorvete de rum) só para criar atmosfera.

restaurante estrela michelin milao

O ambiente descontraído e sem frescuras, se casa perfeitamente ao toque “divertido” dos pratos. Outro ponto a favor, são os garçons educados, jovens, bonitinhos e de cabelos impecáveis, mas que não são meros modelos (categoria muito presente nos restaurantes de Milão) e sabem realmente o que estão servindo e conhecem os vinhos que melhor combinam com o menù.

Vale a pena dizer, que em setembro do ano passado, tínhamos ido ao recém aberto Rebelot del Pont, bar bistot que fica ao lado e cria do Al Pont de Ferr, que propõe um aperitivo diferente em Milão, com vários tipos de tapas (sim, como as espanholas) preparadas pelo chef paulista Mauricio Zillo, discípulo de Matias, onde me deliciei com um ótimo gaspacho e um atum servido com creme de mandioca. Sabor de casa…

milao dicas bares

Para quem quer viver a experiência de uma ótima cozinha com preços honestos em um dos bairros mais característico de Milão.

 Al Pont de Ferr
Ripa di Porta Ticinese, 55
02 89406277
Aberto todos os dias almoço e jantar
 
Rebelot del Pont
Ripa di Porta Ticinese, 55
Aberto das 18 às 02hs
Domingo das 12 às 02hs
Fechado às terças
 
*Post editado maio 2015: Em abril de 2015, o chef do al Pont de Ferr mudou. Agora a cozinha do restaurante está sob o comando do chef Vittorio Fusari. Com isso, os pratos apresentados nesse post que faziam parte do menu que eu provei, não existem mais. Mesmo destino ao Rebelot del Pont, que passa a ser comandado pelo chef italiano Matteo Monti.
 
**Post editado dezembro 2015: com a mudança de chef, o restaurante al Pont de Ferr perde a estrela Michelin. 
 

Os baristas italianos e a arte de servir um bom café

Para quem aprecia um bom café fora de casa, só existe uma certeza: não existe um bom café sem um bom barista.

Aqui na Itália, país grande consumidor de café e inventor do expresso, a coisa é levada a sério. Sim, mesmo aqui um bom barista não se encontra em todos os bares, porque ser um bom barista não é só preparar e servir um café.

Tecnicamente falando, serve uma boa mão, nos bares mais movimentados serve uma boa memória e atenção aos pedidos (com todas as variedades que existem aqui). Humanamente falando serve gentileza, simpatia e discrição.

Os italianos amantes do cafezinho no bar concordam unanimamente: um bom barista pode mudar o seu dia (assista o vídeo).

Em 2002 eu tomava um café, antes de entrar no escritório onde trabalhava, em um bar comum, que servia uma marca de café que não é a minha preferida, mas o café que “tirava” Tiziano (me lembro do nome dele até hoje) ainda é um dos melhores cafés que bebi aqui na Itália.

Simpático e alegre, tinha sempre uma palavra gentil ou divertida para os clientes. Me lembro que uma vez perguntei a ele qual era o segredo do seu ótimo café e ele respondeu: “é café com sentimento”.

Em uma cidade como Milão existem vários bares onde é possível tomar um bom café, feito por bons e gentis baristas e, com certeza, alguns milaneses tem seus baristas (e não só bares) preferidos. Sim, porque alguém pode gostar mais do café feito por um barista que o outro, no mesmo bar.

Eu mesma, no bar que fica no final da rua onde moro e que serve só a minha marca preferida, prefiro o café feito pelo proprietário ao café feito pelo filho dele. Ou seja, oq ue faz um bom barista é uma série de combinações técnicas e humanas e cada um elege o seu.

Chiringuitos: happy hour na “praia milanesa”

Os chiringuitos (o nome tem origem espanhola) são há muitos verões, uma referência no panorama noturno de Milão e esse ano não vai ser diferente.

Os famosos quiosques espalhados pela cidade, oferecem o já famoso happy hour milanês com  com um “a mais” de dj’s e diversão até altas horas, além dos drinks e petiscos. Resumindo, é a praia do milanês quando ele está na cidade.

Foto: Duilio Piaggesi / Fotogramma

Foto: Duilio Piaggesi / Fotogramma

Eles funcionam só no verão e geralmente a clientela é composta de jovens, mas tem chiringuitos para todas as idades e gostos musicais. Aqui vai uma minha pequena seleção para esse verão:

Chiringuito Fornalini: fica no meio do Parque Forlanini (que não é centralíssimo para o turista) e está sempre aberto, mesmo durante o dia. Mas a balada mesmo é de quarta a domingo, quando dj’s se revesam para garantir a diversão dos milaneses.  Os drinks custam de 5 a 8 euros.

Sugar Cocktail Therapy: o chiringuito na zona dos canais de Milão, pequeno, sempre lotado (melhor reservar, já que eles tem apenas 50 lugares) e aberto todos os dias das 17 às 2 da manhã com um ambiente bem legal e acolhedor. Os drinks custam entre 6 e 7 euros e a trilha sonora varia entre drum’n’bass, jungle e revival.

Bar Bianco: famoso bar-quiosque no Parque Sempione que no verão se transforma também em chiringuito. Bem espaçoso, tem dois andares (o de cima é um terraço) e  funciona todas as noites das 18.30 às 22hs (sexta e sábado até as 2hs) com música variada, bons drinks (de 8 a 10 euros) e um público entre os 25 e 35 anos.

bar em milao happu hour

Trifola: chiringuito mais tranquilo e um pouco diferente dos demais, ideal para quem quer também um pouco de tranquilidade para conversar. Os drinks custam 6 euros e são servidos com um pratinho de petiscos variados. Frequentado praticamente pelos moradores do bairro.

Chiringuito San Siro: um dos mais famosos da cidade, porque foi quem lançou a moda do happy hour nos quiosques na metade dos anos 90 em Milão. Como diz o nome, fica na mais afastada zona do estádio de San Siro, mas nem por isso é menos frequentado pelos locais.  Sempre aberto, até as 2 da manhã, propõe música dj  e drinks que custam 6 euros.

Sergio e Efisio: Clientela jovem nesse que é considerado o chiringuito dos chiringutos, talvez porque (dizem) é frequentado por alguns famosos do canal RAI (que fica a poucos passos).  Drinks custam 7 euros.

Chiringuito Fornalini
Parco Forlanini, entrada Via Salesina
Tel: 329 4164 628 – Sempre aberto
 
Sugar Cocktail Therapy
Ripa Ticinese, 79
Tel: 339 2011 743 – Sempre aberto
 
Bar Bianco
Viale Ibsen – Parco Sempione (atrás do Castelo Sforzesco)
Sempre aberto
 
Trifola
Piazza Risorgimento, 5
Fecha às segundas
 
Chiringuito San Siro
Piazza dello Sport – Sempre aberto
 
Sergio e Efisio
Corso Sempione, 32
Fecha as segundas
 
 
 
 

O aperitivo de Milão: muito mais que um happy hour

Já no século 5 a.C o médico Ipócrates o receitava aos seus pacientes contra a falta de apetite. Era tão amargo que tinha que ser bebido em um único gole. Nos séculos sucessivos foi modificado para tentar torná-lo menos amargo e mais agradável para o paladar, mas a sua função continuou sempre a mesma, a de estimular o apetite, tanto que a palavra deriva do latim aperire, ou seja abrir (o estômago).

happy hour milao aperol

Estamos falando do aperitivo que, como o conhecemos hoje, nasceu em Turim em 1789 quando o destilador Antonio Carpano inventa o Vermouth, um vinho branco aromatizado.

Com o passar dos anos o Vermouth foi exportato em toda Europa e no mundo e, produzido pela Martini & Rossi, se tornou com o apelido de “Martini” o aperitivo por excelência, base de muitos coktails como o Negroni ou o Manhattan. No final do século 19, com a moda dos cafés, o costume do aperitivo era já comum nas principais cidades italianas, tanto que em Milão para o aperitivo era famoso o Bar Campari, onde nasceu o maior concorrente do Martini.

Terrazza Aperol Milão 6

A partir dos anos 90, em Milão, o aperitivo sofreu uma transformação: a simples bebida alcoólica  ou não, que se bebia antes das refeições, começou a ser acompanhada de um rico buffet de petiscos, massas, pizzas e saladas. Os preços aumentaram com a difusão da moda, mas muitos ainda consideram um bom aperitivo uma digna substituição de um jantar a um preço muito mais abordável.

Hoje em Milão por aperitivo se indica não só o drink, mas também o ritual no qual durante os dias da semana, das 18 às 21hs se vai em um bar, se pede um drink ou uma taça de vinho com um preço médio que vai dos 8 aos 10 euros e se usufrui do buffet de comidas proposto pelo lugar.

Happy hour centro Milao

O aperitivo do Victoria

Mesmo que o aperitivo esteja se propagando pelo mundo, Milão continua sendo, pelo momento, a capital desse ritual que a cada dia envolve milhares de pessoas: estudantes, executivoss, namorados, turistas… o início da noite em Milão tem um denominador comum.

As áreas de maior concentração de bares que propõe o aperitivo são Colonne-Navigli (os canais), Brera, Sempione, Porta Romana e Garibaldi-Corso Como-Isola, mas em qualquer lugar da cidade é possível “fare un aperitivo”. Nos bares da moda, sem a reserva de uma mesa se corre o risco de não conseguir sentar.

Mas já que esse é o primeiro post sobre o assunto, vou me limitar a duas dicas de aperitivo no centro de Milão.

O primeiro é a Terrazza Aperol, que tem vista para o Duomo e fica na parte superior da entrada da Galeria Vittorio Emanuele. A entrada não é muito intuitiva e se passa por dentro do bar-restaurante Autogrill.

No interior do bar a decoração é moderna e toda cor -de-laranja,  como o drink inventado nos anos 20 e hoje propriedade da Campari. A varanda tem uma maravilhosa vista para a praça, a catedral e do outro lado o Museu 900, que com seu neon de Lucio Fontana dá à praça, ao anoitecer, um toque de modernidade.

terrazza aperol milao happy hour

A Terrazza Aperol

A Terrazza Aperol não propõe o clássico aperitivo com buffet, mas serve alguns petiscos em uma pequena bandeija junto com o drink, que dada a localização “exclusiva”, custa 12 euros. Nos dias quentes de primavera e verão é uma ótima pedida para quem já está no centro e não quer se afastar muito.

Também bem perto da praça, atrás da Galeria Vittorio Emanuele, fica um dos meus bares e aperitivos preferidos quando estou no centro: o Victoria.

bar victoria milao happy hour

Decorado em estilo liberty, é frequentado pelos locais de todas as idades. Propõe um buffet de saladas de macarrão, bruschetas, pizzas, verduras e salada russa com drinks que custam de 8 a 10 euros.

Quando você passar por Milão, não deixe de se aventurar em um aperitivo. Não existe jeito melhor de conhecer um dos costumes mais arraigados nos milaneses.

Terrazza Aperol
Aberto todos os dias das 17 às 24
Praça Duomo, esquina Galeria Vittorio Emanuele – 2° andar
 
Victoria
Happy hour de segunda à sábado a partir das 18.30
Via Clerici 1
 
Editado em Setembro 2014: O Victoria não existe mais. No lugar dele, reformado e preservando alguns elementos da decoração Liberty anterior, temos hoje o Ta’ Milano, que também oferece  o aperitivo com drinks entre 8 e 10 euros, mas sem buffet.
 
 
Fotos: Milão nas mãos