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Fernanda Wittgens e a Pinacoteca de Brera

Os personagens que fazem grande a história de uma cidade, são muitos e no caso de Milão não é diferente.

Mas na história recente da cidade, se destaca a figura de uma grande mulher: Fernanda Wittgens, primeira mulher a assumir a diretoria de um grande museu na Itália.

Moleskine Café em Milão

Moleskine, a famosa caderneta de capa preta (e também colorida), além de várias lojas em Milão, tem também um café muito agradável em Corso Garibaldi, uma das minhas áreas preferidas da cidade.

Dividido em 2 andares, é um espaço moderno e luminoso, onde é possível comer durante todo o dia ou simplesmente estudar e trabalhar, já que o mezanino é um espaço de co-working. Um cantinho do café é reservado à venda das famosas cadernetas de anotações.

Restaurante Pisacco

milao restaurantes

O Pisacco é um daqueles restaurantes “da moda”, que uma cidade como Milão sempre tem de montão. É novo, é moderno, bem frequentado e em torno tem a auréa do nome do badalado chef Andrea Berton (ex Trussardi), mas que aqui contribuíu só como consultor para o cardápio.

Falando em cardápio, aviso que o do Pisacco não é muito variado. Algumas opções estão sempre presentes e outras variam mensalmente, segundo a estação do ano e seus produtos e pratos (acesse o site para baixar o cardápio).

restaurante milao pisacco

Tem quem diga que durante a semana é muito frequentado pelos jornalistas do vizinho Corriere della Sera e que não é um restaurante que valha a pena para o jantar. Nós passamos por alí em um sábado na hora do almoço, depois de um longo passeio pelo meu adorado Quadrilátero do Silêncio.

O restaurante fica naquela parte tranquila de Brera, aquela pouco frequentada pelos turistas e muito pelos locais. A decoração é moderna, paredes grafitadas, um grande balcão que serve como mesa, espaçoso (tem 2 andares) e, não consigo ser imparcial, eles já me ganharam com a trilha sonora daquele dia: um cd da Cat Power.

restaurante=pisacco-milao

Sem vontade de muitas surpresas, eu pedi (um dos meus pratos favoritos aqui) risotto de acafrão com ragù de vitelo e um cálice de Brunello. O risotto estave bem gostoso, macio e úmido, cozido no ponto justo e a carne dava um sabor diferente ao tradicional prato milanês.

Giò acabou escolhendo o (já famoso) hamburger assinado pelo chef Berton. Não resisti e dei uma mordida: vou ter que voltar para saborerar um só meu, inteirinho. A carne era bem macia.

Gostosas  também as sobremesas. Nossas escolhas foram: waffle com sorvete de baunilha e calda de pessêgo e crumble com sorvete de menta e de alcaçuz.

comer em milao

Não podemos dizer que a conta foi econômica (56 euros), mas não era nada fora dos padrões da Milão moderninha, da Milão de Brera.

Já li por aí que o bunch de domingo é legal, frequentado por milaneses de todas as idades e com os pratos do cardápio mais algumas opções de café-da-manhã. Eu só sei que tenho que voltar para o meu hamburger.

Pisacco
Via Solferino 48
De terça a domingo das 12 às 15.30 e das 19 às 01 (cozinha aberta até as 23h)
 
 

A Pinacoteca de Brera

Apesar das recentes aberturas do Museu Novecentos e da Gallerie d’Italia e da maior notoriedade que a exposição dos Códigos Atlânticos de Da Vinci tenha dado a Pinacoteca Ambrosiana, o museu com mais prestígio de Milão é, com certeza, a Pinacoteca de Brera.

Situada no primeiro andar do antigo Palácio de Brera, faz parte do complexo que reúne outras instituições como a Academia de Belas Artes, a Biblioteca Braidense e o Jardim Botânico.

O bairro homônimo foi, no passado, um dos mais característicos graças aos artistas que frequentavam a Academia e o seu estilo boêmio feito de bares e bordéis. Hoje, é ainda um dos bairros característicos de Milão, mas por outros motivos: ainda é um bairro boêmio e ponto de referimento para a noite milanesa, mas os decadentes bordéis deixaram espaços para galerias de arte e lojas descoladas. Assim, o bairro virou um dos lugares mais chiques e in da cidade.

O Palácio de Brera foi um convento de jesuítas no século 16 e já abrigava um centro de estudos. Durante a dominação austríaca em Milão, a imperatriz Maria Teresa d’Austria baniu os jesuítas e em 1776 fundou a Academia de Belas Artes. A Pinacoteca nasceu inicialmente com finalidades didáticas: deveria constituir uma coleção de obras (moldes e pinturas) que os estudantes da Academia podiam usar como modelos.

 

Patio Pinacoteca Brera Milao

Com a chegada dos franceses, por vontade de Napoleão, nos primeiros anos do século 19 a Pinacoteca se transformou em um museu que tinha a intenção de expor as obras mais significativas dos territórios conquistados pelas armadas franceses. Em particular, abrigou numerosos quadros e afrescos descolados que pertenciam às igrejas e conventos banidos pelo novo governo.

A Pinacoteca de Brera, diferente de outros museus, como a Pinacoteca Ambrosiana, o museu Poldi Pezzoli ou o Bagatti Valsecchi, não nasceu do colecionismo privado mas de uma coleção do governo. O aumento dessa continuou com doações, trocas e aquisições, como por exemplo, a belíssima Ceia em Emaus de Caravaggio.

Brera Milao Ceia em Emaus Caravaggio

Na história da cidade, os milaneses sempre foram doadores  generosos: em 1982 a familia Jesi doou à Pinacoteca uma rica coleção de 60 obras dos maiores artistas italianos do início do século 20 (entre eles, Boccioni, Modigliani, Morandi e Martini) e alguns estrangeiros, como Picasso. Dessa maneira, a Pinacoteca preencheu uma lacuna e hoje permite aos visitantes uma excursão também nas obras do século 20, antes essencialmente ausente no percurso.

Picasso Modiglini Pinacoteca Brera Milao

A coleção Jesi  é só um dos exemplos das obras presentes em Milão que são  frutos de doações e que incluem também obras no Duomo, passando pela Pietà Rondanini de Michelangelo, exposta no Museu de Arte Antiga do Castelo Sforzesco e chegando até muitas das obras expostas no Museu Novecentos.

A Pinacoteca abriga um número incrível de artista e obras primas. A já citada Ceia em Emaus de Caravaggio o e O Casamento da Virgem de Rafaello são só algumas das obras presentes ao lado de outras de artistas como Mantegna, Tintoretto, Bramantino, Bergognone, Bellini, Luini e Hayez.

Casamento da Virgem Rafaello Brera Milao

Para quem está em Milão e aprecia um pouco de arte, uma etapa na Pinacoteca de Brera é obrigatória. A visita com um percurso dos quadros mais importantes dura mais ou menos 2 horas.

Pinacoteca di Brera 
Via Brera, 28  
De ter a dom das 8.30 às 19.15
Sextas até as 21.15
Fechada: segundas, 1 janeiro, 1 maio, 25 dezembro
Ingressos: 10 euros (inteiro) e 7 euros (reduzido)
Entrada grátis todo primeiro domingo do mês
Audioguia: 5 euros (disponível em  italiano, inglês, francês, espanhol e alemão)