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Fernanda Wittgens e a Pinacoteca de Brera

Os personagens que fazem grande a história de uma cidade, são muitos e no caso de Milão não é diferente.

Mas na história recente da cidade, se destaca a figura de uma grande mulher: Fernanda Wittgens, primeira mulher a assumir a diretoria de um grande museu na Itália.

Moleskine Café em Milão

Moleskine, a famosa caderneta de capa preta (e também colorida), além de várias lojas em Milão, tem também um café muito agradável em Corso Garibaldi, uma das minhas áreas preferidas da cidade.

Dividido em 2 andares, é um espaço moderno e luminoso, onde é possível comer durante todo o dia ou simplesmente estudar e trabalhar, já que o mezanino é um espaço de co-working. Um cantinho do café é reservado à venda das famosas cadernetas de anotações.

A Pinacoteca de Brera

Apesar das recentes aberturas do Museu Novecentos e da Gallerie d’Italia e da maior notoriedade que a exposição dos Códigos Atlânticos de Da Vinci tenha dado a Pinacoteca Ambrosiana, o museu com mais prestígio de Milão é, com certeza, a Pinacoteca de Brera.

Situada no primeiro andar do antigo Palácio de Brera, faz parte do complexo que reúne outras instituições como a Academia de Belas Artes, a Biblioteca Braidense e o Jardim Botânico.

O bairro homônimo foi, no passado, um dos mais característicos graças aos artistas que frequentavam a Academia e o seu estilo boêmio feito de bares e bordéis. Hoje, é ainda um dos bairros característicos de Milão, mas por outros motivos: ainda é um bairro boêmio e ponto de referimento para a noite milanesa, mas os decadentes bordéis deixaram espaços para galerias de arte e lojas descoladas. Assim, o bairro virou um dos lugares mais chiques e in da cidade.

O Palácio de Brera foi um convento de jesuítas no século 16 e já abrigava um centro de estudos. Durante a dominação austríaca em Milão, a imperatriz Maria Teresa d’Austria baniu os jesuítas e em 1776 fundou a Academia de Belas Artes. A Pinacoteca nasceu inicialmente com finalidades didáticas: deveria constituir uma coleção de obras (moldes e pinturas) que os estudantes da Academia podiam usar como modelos.

 

Patio Pinacoteca Brera Milao

Com a chegada dos franceses, por vontade de Napoleão, nos primeiros anos do século 19 a Pinacoteca se transformou em um museu que tinha a intenção de expor as obras mais significativas dos territórios conquistados pelas armadas franceses. Em particular, abrigou numerosos quadros e afrescos descolados que pertenciam às igrejas e conventos banidos pelo novo governo.

A Pinacoteca de Brera, diferente de outros museus, como a Pinacoteca Ambrosiana, o museu Poldi Pezzoli ou o Bagatti Valsecchi, não nasceu do colecionismo privado mas de uma coleção do governo. O aumento dessa continuou com doações, trocas e aquisições, como por exemplo, a belíssima Ceia em Emaus de Caravaggio.

Brera Milao Ceia em Emaus Caravaggio

Na história da cidade, os milaneses sempre foram doadores  generosos: em 1982 a familia Jesi doou à Pinacoteca uma rica coleção de 60 obras dos maiores artistas italianos do início do século 20 (entre eles, Boccioni, Modigliani, Morandi e Martini) e alguns estrangeiros, como Picasso. Dessa maneira, a Pinacoteca preencheu uma lacuna e hoje permite aos visitantes uma excursão também nas obras do século 20, antes essencialmente ausente no percurso.

Picasso Modiglini Pinacoteca Brera Milao

A coleção Jesi  é só um dos exemplos das obras presentes em Milão que são  frutos de doações e que incluem também obras no Duomo, passando pela Pietà Rondanini de Michelangelo, exposta no Museu de Arte Antiga do Castelo Sforzesco e chegando até muitas das obras expostas no Museu Novecentos.

A Pinacoteca abriga um número incrível de artista e obras primas. A já citada Ceia em Emaus de Caravaggio o e O Casamento da Virgem de Rafaello são só algumas das obras presentes ao lado de outras de artistas como Mantegna, Tintoretto, Bramantino, Bergognone, Bellini, Luini e Hayez.

Casamento da Virgem Rafaello Brera Milao

Para quem está em Milão e aprecia um pouco de arte, uma etapa na Pinacoteca de Brera é obrigatória. A visita com um percurso dos quadros mais importantes dura mais ou menos 2 horas.

Pinacoteca di Brera 
Via Brera, 28  
De ter a dom das 8.30 às 19.15
Sextas até as 21.15
Fechada: segundas, 1 janeiro, 1 maio, 25 dezembro
Ingressos: 10 euros (inteiro) e 7 euros (reduzido)
Entrada grátis todo primeiro domingo do mês
Audioguia: 5 euros (disponível em  italiano, inglês, francês, espanhol e alemão)
 

 

Fiori Chiari Plates – Brera

Há 10 anos, recém-casada, entrei em uma loja de decoração no bairro de Brera e comprei algumas luminárias para a casa nova e ainda um pouco vazia.

Há alguma semanas, sempre em Brera, na hora do almoço e procurando um restaurante-bistrot recém inaugurado, acabei na frente da loja de decoração. A loja virou restaurante.

São duas salas com um mezzanino,  decoradas em estilo nórdico com muita madeira clara e branco. O cardápio é bem contido mas bom: alguns primeiros pratos (eu pedi  um spaguete com atum, azeitonas e alcaparras) e algumas opções que não chegam a ser segundos pratos (sopas, tábuas de frios com um tipo de pastel, o famoso gnocco fritto) e boas sobremesas.

Gnocco fritto com frios

 

 

 

 

 

 

 

Os preços são honestos e o staff gentil. Um ótimo custo-benefício e uma boa opção em Brera, também no jantar ou só para tomar um vinho e comer alguma coisa.

Fiori Chiari Plates
Via Fiori Chiari, 13 
Tel: 02.3663.0635