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Peck: Empório Gastronômico Chic em Milão

Apesar da iminência da abertura em Milão , em novembro, da nova unidade da loja de gastronomia mais famosa do mundo e muito conhecida dos brasileiros que viajam para NY, a Eataly, a cidade tem um outro nome muito mais famoso e frequentado pelos milaneses abastados para suas compras: a Peck.

Fundada por Francesco Peck,  um vendedor de salames de Praga em 1883, no início vendia só salames defumados da sua cidade natal. Em 1912 a loja foi comprada pelo senhor Magnaghi ese estabeleceu em Via Spadari, onde permanece até hoje, e  incrementou a oferta de produtos com pasta fresca, queijos e pratos prontos. Ecco, começava assim a nascer o mito Peck.

Loja Peck Milao gastronomia

Frequentada durante anos por intelectuais da cidade, mudou várias vezes de proprietário sem perder a sua auréa chique e seu padrão de qualidade.

Durantes as festividades mais importantes, principalmente no Natal, a loja é invadida pelos locais. Muito deles não renunciam ao panettone da casa, um dos muitos fabricados artesanalmente na cidade e aqui vendido durante todo o ano, como contei nesse post. Mas também compram pasta fresca, raviolis (23 euro/kg), molhos, peixe, carnes, frutas tropicais, molhos e para quem pode, na época das trufas, um pedacinho dessa iguaria vendida a 9.000 euros/kg (sim, os zeros estão certos).

trufas italianas

Misturados aos milaneses, a loja também recebe a visita de muitos turistas, que giram pelas prateleiras a procura de algo para comprar e quem sabe conseguir fotografar, que é proibido!

No subsolo fica uma incrível adega, que segundo um meu amigo que entende de vinhos, é uma das melhores e mais abastecidas da cidade. Alí, é possível também se sentar para degustar uma taça de vinho a qualquer hora do dia.

No andar de cima, fica o restaurante e o bar. Almocei com uma amiga lá há alguns meses e tenho que dizer que o atendimento foi impecável e muito atencioso.

peck Milao

Na hora do almoço eles tem opções de pratos rápidos, já preparados, no estilo rotisserie e pratos preparados no momento, como risotos e carnes. Nós optamos pelos pratos rápidos por que não tínhamos muito tempo.  Eu pedi um riso pilaf, que é um arroz cozido, quase como o nosso, com aspargos e speck (um frio defumado). Sinceramente eu esperava alguma coisa um pouco mais saborosa. Minha amiga acabou optando por panquecas com funghi porcini e molho branco. Tomamos 2 taças de vinho e água. A conta do almoço ficou em 47 euros, valor não econômico para a normalidade dos pratos que pedimos. Mas alí, o que conta é a locação, o lugar e tudo o que te rodeia.

Loja Peck em Milao

Tenho que confessar que o total da conta, na verdade, foi outro (62 euros ) e encarecido por um vício meu: o do café. Na verdade, a Peck é um dos poucos estabelecimentos em Milão com uma variedade de cafés do mundo todo para venda ou consumo no bar.

Já fazia algum tempo que eu queria experimentar o café mais caro do mundo (pela sua limitada produção mundial, só 600kg por ano), o indonesiano Kopi Luwak.

Se você pesquisar por aí, vai ler que esses grãos de café são ingeridos pela civeta e depois de passarem pelo processo de digestão e atuação das enzimas, são expelidos. Das fezes da civeta os grãos são colhidos, lavados e torrados. É por isso que a sua produção é muito limitada e ele custa tanto.

Kopi Luwak cafe Milao

O café tinha um sabor forte, intenso, que ficou na minha boca por bastante tempo. Não é um café para se tomar sempre. É o café mais caro do mundo (paguei 15 euros a xícara), mas não necessariamente o melhor, mesmo sendo considerado o caviar dos cafés.

Para os interessados, a Peck  tem também famoso café jamaicano Blue Mountain, vendido a 8 euros. Vou ter que voltar lá para provar!!

A Peck funciona em horário comercial bem reduzido, fechas às 19hs e aos domingos e segundas pela manhã. Uma opção para a noite, pode ser o Peck ItalianBar que funciona praticamente ao lado, na Via Cesare Cantù e fica aberto do café-da-manhã ao jantar.

Negozio Peck
Via Spadari 9
Segundas: 15.30 às 19.30
Terças a Sextas: 9.15 às 19.30
Sábados: 9.00 às 19.30
Fechado aos Domingos

Ristorante Al Peck
Via Spadari 9
Segundas:15.30 às 18.00
Terças aos Sábados: 12.00 às 18.00
fechado aos Domingos

Peck Italian Bar
Via Cesare Cantù 3
Segundas aos Sábados: 07.30 às 23.00
Fechado aos Domingos

Fotos: Milão nas mãos

Hotel La Madonnina

Semana passada, fui encontrar dois amigos que estavam de passagem por Milão e que estavam hospedados no Hotel La Madonnina, um 3 estrelas de ótima localização.

Como o nome pode sugerir, o hotel fica a 50 metros da Praça Duomo e das estações de metrô e, segundo meus amigos, tem um ótimo custo benefício. O hotel parece ter sido pensado reformando alguns apartamentos de um prédio. Ao todo são 14 quartos (incluindo 2 suítes) com ar condicionado, banheiro com secador, TV Led, telefone e WiFi grátis.

Quando cheguei, atravessei a porta que dá para a rua e tive que subir uma escada (ou elevador) para chegar ao primeiro andar. É alí que fica a recepção e a sala onde é servido o café-da-manhã que, quando cheguei, já tinha terminado.

hotel milao la madonnina

Meus amigos tinham saído e por 10 minutos os esperei alí, reparando na estrutura e conversando com a recepcionista. Enquanto esperava também tive problemas com meu email no celular e um senhor, que não sei se era o gerente ou proprietário, foi muito gentil em me deixar a usar o computador para checar um email urgente.

Bem, depois que meus amigos chegaram e saímos para bater pernas e conversar, quis saber mais sobre o hotel, já que não vi os quartos.

Eles ficaram em um quarto double que não era grande mas confortável, com camas de solteiro e um  banheiro todo reformado. Me contaram que o café-da-manhã oferecia pães, torradas, iogurtes, croissants, geléias, suco, presunto e queijo, leite e café.

hotel milao la madonnina

Eu não usei os serviços do hotel pessoalmente, mas pensei em deixar essa dica porque a localização é realmente boa e eles estavam bem satisfeitos. A reserva foi feita pelo Booking e o custo foi de 125 euros por noite.

Fotos: site Hotel La Madonnina

Hotel La Madonnina
Via Mazzini, 10
Para reservar o Hotel La Madonnina com o Booking clique aqui
 
 

Banheiros “públicos” em Milão

Chega uma hora na vida de um blog sobre uma cidade, que ele tem que falar de banheiros. Sim, banheiros. Pensei muito se seria estranho publicar um post sobre o assunto, mas aí pensei que para mim, que vivo aqui, é fácil quando estou no centro, saber onde ir. Principalmente agora que o calor é intenso e fica difícil não tomar água.

Milão não possui aqueles tipos de banheiros públicos que ficam espalhados pela cidade e que são autolimpantes. Ok, muitos vão dizer que existe sempre a saída banheiro Mc Donald’s, mas os últimos que frequentei anos atrás não primavam pela limpeza. Acreditem ou não, em Milão é possível achar banheiro limpo no centro (a pagamento ou grátis).

E é aqui que vou limitar  minhas dicas de banheiros, já que é o lugar de maior concentração de turistas e viajantes. Lembrando, que além dessas opções que compartilho, existe sempre a possibilidade de entrar em um bar, pedir um café no balcão e usar o banheiro. Ah, acho que também é bom aconselhar que você  sempre aproveite para usar os banheiros dos museus e restaurantes que visitar.

Vamos lá!!!

Estação de metrô Duomo e San Babila

Eles são antes da catraca, então basta você descer na estação e procurar as indicações de banheiro. Para o da estação Duomo, dê as costas para a catedral e desça uma a escada à direita na praça.

banheiros em milão

Os banheiros dessas estações custam 0,50 centavos e são os que eu mais uso. Satisfação garantida, sem surpresas. Tem sempre um mocinho ou uma mocinha na porta que cobram e que limpam constantemente os banheiros masculinos e femininos. Nunca os peguei sujos.  Também tem sempre papel, sabão para lavar as mãos e os secadores que funcionam.

Já vi outras estações do metrô com banheiros a pagamento, como Cadorna e Montenapoleone, mas nunca os usei.

Autogrill Praça Duomo

Olhando para a catedral, a entrada fica do lado esquerdo. Suba todas as escadas e vá em direção do restaurante Terrazza Aperol. Quando você chegar à porta, em vez de entrar na restaurante (a direita) suba uma pequena escada a esquerda.

banheiros em milão

Depois de você pagar 0,50 centavos e passar uma catraca, você entra em um dos  banheiros da SANIFAIR. O banheiro é bem limpo, quando usei só encontrei alguns papéis no chão perto do lixinho da pia (que estava bem cheio).

Na verdade os 0,50 centavos que você paga, é um bônus de desconto que você pode usar na loja do Autogrill embaixo, para tomar um café, por exemplo.

Loja de departamentos La Rinascente

Quem não conhece os outros banheiros no centro da cidade, vai sempre alí e é fácil encontrar filas bem longas.

banheiro rinascente milao

Fica no 7 andar da loja, no andar dos restaurantes, é grátis e bem limpo, já que tem sempre uma senhora cuidando de tudo. O banheiro também tem um distribuidor de absorventes e lenços de papel.

Galleria d’Italia

Adoro esse museu, vale uma visita e me parece feio dizer que, já que é grátis (por enquanto), você pode usar os banheiros que ficam no subsolo.

Peça um bilhete na entrada, use o banheiro, mas não deixe de dar uma visitada nessa esplêndida coleção de arte moderna e contemporânea.

Castelo Sforzesco

Não se paga para entrar no Castelo Sforzesco, só nos seus museus. Os banheiros são muito frequentados pelos turistas e por isso, são bem mais sujos e não pouco cuidados e frequentemente não tem papel. Mas se você não tem opção.

Uma vez usei o banheiro de um dos museus e alí a situação era melhor.

Triennale di Milano

Um pouco mais afastado do centro e útil se você está por alí, já que o museu Triennale fica na parte de trás do Parque Sempione.

banheiros em milão

A maioria das mostras são a pagamento mas não se paga para entrar no hall, que dá acesso ao restaurante, a livraria e aos banheiros mais coloridos e musicais da cidade, já que tem uma iluminação especial e música ambiente. Também são limpos e abastecidos com papel e secadores de mãos.

Fotos: Milão nas mãos

 

Dicas de restaurantes no centro de Milão

Para os turistas que passam a manhã  gravitando pelo centro de Milão, chega sempre a hora de decidir onde comer.

Ok, o que não falta é opção, mas nem sempre qualidade e preço estão de mãos dadas. Eu aconselho sempre a fugir dos restaurantes do eixo Corso Vittorio Emanuele e Via Dante, aqueles que colocam as fotos dos pratos na calçada.

Não os aconselho, mas não porque já tive alguma experiência ruim com eles, mas simplesmente porque nós que moramos aqui, não comemos em tais restaurantes. Eles são o que eu chamo de armadilha para turista, é essa a impressão me que dão. Pratos sem a mínima personalidade, vendidos a preço de ouro.

Também não posso falar dos restaurantes da Galeria Vittorio Emanuele. Alguns são muito renomados estão alí há anos, mas sinceramente, se eu tiver que pagar 24 euros em um risotto, prefiro procurar um grande restaurante para comer.

Aqui ficam algumas dicas de restaurantes no centro de Milão com comida para todos os gostos e preços para todos os bolsos para uma refeição sem grandes pretensões.

Signorvino

É o meu preferido, sem dúvidas! Minha primeiríssima opção quando estou por alí. Mas já ficou conhecido e conseguir uma mesa sem reservar para o almoço, pode ser difícil. Mas fica aberto a tarde inteira, então lá pelas 14h a coisa pode ser um pouco mais tranquila.

restaurantes centro milao

O cardápio é dividido pelas regiões italianas e oferece pratos que vão de 8 a 16 euros. Como também é uma enoteca, oferece uma grande variedade de vinhos italianos.

Food Hall Rinascente

No sétimo andar da loja de departamentos La Rinscente, fica localizado o Food Hall, que reúne quase 10 restaurantes com propostas de comida de todos os tipos: sushi, sanduíches, hamburgers, pizzas, mozzarella bar.

Para um sanduíche rápido mas muito autêntico, a filial do milanesíssimo De Santis é a opção. Se a vontade for de hamburger, a dica é o Be Steak, onde a jóia da casa é o hamburger de carne de bisão. Eu provei e recomendo, muito saborosa. Mas o preço não é próprio econômico.

carnebisao

Para uma pizza ou então comer uma autêntica mozzarella du búfala ou suas primas famosas: a burratta ou a straciatella (super recomendada pelo meu marido) a pedida é o Obikà Mozzarella Bar. Se você  tiver sorte, pode até conseguir uma das mesas no terraço, que tem vista para as espiras do Duomo, assim como o restaurante ao lado, o Mayo.

restaurante obika milao

Para uma rápida pausa café, água ou suco, o corner do JuiceBar é a melhor opção. Eles vendem também potinhos de fruta fresca se você quiser só tapear a fome.

Meat Grill Food

Confesso que acabei lá por caso, um dia que estava com as meninas e uma queria comer massa e a outra pizza. Com uma vista da cozinha, o ambiente é escuro e nem um pouco italiano e a clientela era basicamente de estrangeiros, mas a comida das meninas (pizza de mozzarella de búfala e um espaghetti a bolonhesa) eram bem gostosas. Eu optei por um club sandwich que para o meu gosto deveria estar um pouco mais frio.

meatgrillfoodmilao

O cardápio também oferece saladas, hamburgers, carnes grelhadas e antipastos. Como fica aberto direto das 12 às 23, pode ser uma opção.

Farinella

Uma opção mais para o lado do Castelo Sforzesco, também acabei nesse restaurante, que faz parte de uma cadeia, por acaso. Está sempre cheio, mas não é impossível achar uma mesa.

O cardápio é bem variado e vai de saladas, pizzas, massas, carnes e peixe com um preço acessível.

Van Bol and Feste - Exterior

Faz parte da cadeia também, o Van Bol & Feste, que fica na mesma calçada e onde eu paro quando o tempo é curto e dá para comer só um pedaço de pizza ou focaccia. Mas eles também servem almoço com opções de 5 ou 6 pratos por dia com preços por volta de 10 euros.

E para quem quer fugir um pouco do caos do centro, uma opção são alguns restaurantes já apresentados aqui, que ficam nas imediações, a poucos minutos de caminhadas do centro: That’s Vapore , California Bakery e Princi.

SignorVino
Praça Duomo – esquina Corso Vittorio Emanuele
Aberto todos os dias das 8:00 às 01:00
Tel: 02 89092539
  
Food Hall Rinascente
Praça Duomo
Aberto todos os dias das 10 às 24hs
 
Meat Grillfood
Via Radegonda, 11
Aberto todos os dias das 12 às 23hs
 
Farinella e Van Bolt & Feste
Largo Cairoli
Horários de abertura não disponíveis no site
 
 

Milão pelos olhos de uma viajante brasileira

Como eu já contei outras vezes, desde que comecei o Milão nas mãos, há quase 1 ano, conheci um montão de gente legal, pessoalmente e virtualmente. Uma delas (virtualmente) é a brasileira Sandra Brocksom, que vive desde 2011 em Madri com seu companheiro Paco.

Sandra também tem um blog, o Sandra B em Madrid, que ela mesma define como um blog caseiro e narcísico, que como muitos outros blogs de expatriados, nasceu como um diário de sua cotidianidade ibérica, um modo de manter contato e contar suas experiências aos caros deixados no Brasil.

No final de junho Sandra passou um final de semana em Milão com Paco e, como gosto muito do texto dela, a convidei para escrever um guest post sobre a cidade. Um olhar diferente do meu  (mas não muito) para os leitores. Boa leitura!!

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Por Sandra Brocksom

Arrisco dizer que eu, como 100% dos brasileiros, não tinha Milão como a primeira cidade que queria conhecer da Itália. Brasileiros querem ir a Toscana e suas pequenas vilas que são cenários das histórias das nonas. Acho que queremos recuperar aquela memória das centenas de famílias italianas que vieram ao Brasil.

No último final de semana de junho Milão aconteceu, um final de semana longo, um bate e volta de Madrid a Milão. Assim como 100% dos turistas brasileiros, minha grande preocupação era que Milão fosse cara demais a ponto de impossibilitar qualquer diversão. Eu acho também que Milão é muito mais cara que Madrid, que é uma das capitais européias com o custo de vida mais econômico. Explico mais, Paco e eu estamos muito acostumados a fazer atividades culturais a custo quase zero, vamos a museus nos horários gratuitos, shows free, comemos em botecos e cozinhamos muito em casa. Quando viajamos também somos assim: nada de restaurantes chiques, nem grandes compras. Queríamos adequar Milão ao nosso estilo super econômico de viagem. E deu!!

milao em bicicleta

Para conseguir submeter uma grande cidade cosmopolita ao nosso baixo orçamento, eu pesquisei bastante. Foi ai que descobri o “Milão nas mãos” que me ajudou com 80% do nosso final de semana. Os outros 20% eram direções óbvias: o Duomo e seu entorno. A sua paixão pelas ruas, pessoas e arquitetura de Milão me contagiou. Também tenho que confessar que você é responsável da minha grande frustração: eu não achei o Quadriláterio do Silêncio. Você escreveu um post maravilhoso sobre o lugar, eu tinha que vê-lo. Depois que voltei para casa, revi meus roteiros, percebi que estive muito perto e não soube vê-lo. Este é meu primeiro motivo para voltar!

Diante do seu rico material publicado, eu sabia que tinha que fazer escolhas de caminhos e também sabia que as ruas da cidade seriam nosso cenário. Você moldou o meu olhar! Eu sabia para onde tinha que olhar “Milão é uma cidade para se descobrir nos interiores, de belezas escondidas e fachadas austeras”. E por outro lado: “É uma cidade onde você tem que caminhar prestando atenção nos portões abertos de muitos palácios para ver se tem a sorte de descobrir os mais belos pátios da Itália (prometo um post sobre eles), caminhar olhando para cima, quando possível, para admirar seus jardins suspensos. Mas uma das coisas que mais adoro aqui, são essas quantidades infinitas de homens e mulheres “encostados” nas fachadas de palácios mais ou menos históricos das cidades e até das igrejas, como o Duomo. Quem são? As famosas cariátides e telamones “.

estatuas em milao

Nossa viagem também suponha um desafio: encontrar uma amiga que aterrou na cidade somente no sábado no final de tarde. Chegamos na sexta-feira de manhã e tínhamos que evitar o Duomo nas próximas horas porque queríamos explorá-lo com ela. Nós tínhamos que deixar o melhor para o final. Apesar de todas as tentações, o Duomo tem uma força atrativa como um polo magnético, conseguimos cumprir nossa auto-imposta missão de não entrar no Duomo logo nas primeiras horas.

No nosso primeiro dia, sexta-feira, eu propus a Paco uma longa caminhada que cruzasse a cidade pelo seu centro. Escolhi como ponto final Mercato di Piazza Wagner (dica do blog Turomaquia). O ponto inicial foi a estação Central onde o ônibus vindo do aeroporto de Bergamo nos deixou. Fizemos uma parada estratégica para deixar as mochilas no hotel barato e limpo perto do metrô Porta de Veneza e seguimos: Giardini Pubblici; Via Manzoni; Teatro Scala; Estátua do Leonardo; Galeria Vittorio Emanuele; Duomo; Castelo Sforzesco; Praça Cadorna; Corso Magenta; Mercato di Piazza Wagner.

bondinho-milao

Claro que não fizemos o percurso assim tão linear como no mapa. Zig-zageamos pelo Giardini Pubblici di Porta Venezia; cogitamos entrar na Galleria di Arte Moderna (um dos museus gratuitos) mas achamos arriscado ficar horas ali e perder a cidade que clamava que deveríamos seguir caminhando. Assim fomos, eu olhando para cima buscando o Quadrilátero do Silêncio que estava logo ali e não vi, e o Paco já vidrado pelos bondinhos amarelos que eu propositadamente não havia contado que em Milão também existe “tranvia”, como são chamados em espanhol. Foi muito bonito ver os olhos dele iluminados pela paixão de menino por trens e bondes. Passou o primeiro dia emocionado atrás das melhores fotos, ficamos algum tempo parados em várias esquinas esperando pelos bondinhos.

Não sei o porquê, naquela hora passamos quase reto pelo Teatro Scala e nos dedicamos a reverenciar a estátua de Leonardo Da Vinci, somos fãs do projeto “Da Vinci the genius” que leva a vários países as incríveis invenções do mestre. Como planejamos a viagem de última hora, não conseguimos entradas para ver a Santa Ceia pintada por ele. Segundo motivo para voltar a Milão.

estatua da vinci milao

Cruzamos a Galeria Vittorio Emanuele maravilhados com seu esplendor. Eu fiquei particularmente interessada nas mulheres de véu (de marca) em um alto grau de consumo. Elas em duplas ou trio com suas crianças e, às vezes, com seus maridos, entrando e saindo das lojas de alta gama da Galeria com naturalidade de quem vai comprar pão na esquina. Entendi que são elas que protagonizam o consumo.

Chegamos a piazza del Duomo! E ali creio que palavras não são suficientes, saíram muitos UAU!UAU! Seguimos em direção ao Castelo Sforzesco. Ficamos tentados em entrar no museu, mais uma vez escolhemos as ruas. Ter tempo para apreciar os museus é o meu terceiro motivo para voltar.

Deste ponto até chegar ao mercado nos perdemos muito. Rodamos as rotatórias entrando e saindo das ruas, ficamos sem qualquer sentido de direção. Já estávamos tão cansados que não tiramos fotos decentes dos magníficos balcões dos prédios que existem na região. Eu fiquei apaixonada por eles, eu imaginei tantas lindas serenatas de amor eles não inspiraram. Depois ficamos arrependidos de não ter tantas fotos e tenho meu quarto motivo para voltar.

Enfim, encontramos o mercado que foi escolhido porque fica no estremo oposto de onde esta nosso hotel. É um mercado de comida “normal e corrente” como existe tantos e em todas as cidades. Eu acho que entrar em mercado e supermercados é parada obrigatória no turismo econômico que fazemos. Demos uma volta e compramos vários pães e pizzas. Andamos até uma praça próxima e devoramos tudo. O pão de cebola estava especialmente delicioso.

Energias recuperadas, caminhamos tudo de volta até chegarmos exaustos no hotel. Por sorte havia uma pequena pizzaria, dessas que agradam estudantes “eramus” e a nós. Pizza boa, atendimento caseiro e barato.

Queria terminar contando um pequeno causo. Sábado pegamos leve com a caminhada. Começamos pelo Corso de Vezenia onde paramos um pequeno bar para nosso legítimo expresso italiano. Eu queria um “café normale”, forte. Paco queria o seu com leite, “caffè macchiato”. A dona do lugar nos deu uma aula de como apreciar um café. Paco descreveu como se toma “café com leche” na Espanha e ela taxativamente disse que isso não se faz na Itália. Ela não foi especialmente simpática e, sim, cativantemente generosa em nos explicar as diferenças.

Estas foram nossas primeiras impressiones de Milão: imponente e chique como o Duomo; firme, estrita e generosa como a dona do café; abundante com os seus balcões. No domingo tevemos outra visão da cidade, da zona boemia e acolhedora Navigli, mas isso fica para outro post.