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Natal e Ano Novo em Milão

Confesso que tenho dificuldades de escrever sobre o Natal e Ano Novo em Milão e pensando bem, acho que nunca fiz um post sobre isso.

Mas não porque eu não goste de Natal (gosto menos do Ano Novo, ainda mais no frio), mas é que entendo muito quem gosta de viajar, mas acho uma época estranha para pessoas estarem longe de casa, dos amigos. Ainda mais os brasileiros, que trocam o calor pelo frio europeu.

Mas eu não tenho nada com isso no final das contas e tenho que pensar em todos vocês que se aventuram nessa época do ano para esses lados de cá, com temperaturas que ficam em torno aos 5 graus durante o dia.

O Natal em Milão é feito da feirinha em volta do Duomo e de eventos para crianças e adultos em várias partes da cidade.

 Então deixo aqui, nada mais nada menos do que uma simples lista do que já está acontecendo no Natal e Ano Novo em Milão nesse 2014/2015.

 Decoração

A grande protagonista no Natal milanês é sempre a grande árvore montada na Praça Duomo e que se acende todos os anos no dia 6 de dezembro. Esse ano, ela tem 50 metros, é toda iluminada em LED e é patrocinada por um fabricante de panettones.

Mas Milão também tem uma árvore moderna, que fica na Praça Gae Aulenti, no novo de também moderníssimo bairro de Porta Nuova.

A Galeria Vittorio Emanuele também é um outro importante monumento de Milão que se prepara para o evento do final do ano, com uma iluminação especial da grande cúpula.

Natal Ano Novo em Milão

Algumas ruas das cidade, principalmente as de grande comércio, também se decoração para o Natal, como o caso de Corso Buenos Aires e o Quadrilátero da Moda. Nelas, as vitrines das grandes marcas também dão um show a parte muitas vezes.

Crianças

Já faz aos que o espaço de Natal para a criançada é montado no belo parque Giardini Pubblici (Porta Venezia) com o Villaggio delle Meraviglie que vai propor espetáculos, laboratórios para as crianças e duas pistas de patinação no gelo, uma para crianças e outra para adultos.

Patinação

E não existe Natal sem a ideia de uma patinada no gelo. Esse ano, as pistas serão várias: no Villaggio dele Meraviglie em Porta Venezia uma para crianças e outra para adultos. Também uma pista de patinação em Praça Gae Aulenti e uma de 500 m² na Fabbrica del Vapore.

Natal em Milão

Na Praça Lombardia a pista de gelo vai ser dedicada ao hockey.

Mostras

Continua a programação invernal da cidade, com as grande mostras do Palazzo Reale e a exibição de uma obra de Raffaello, totalmente grátis, na sala Alessi da prefeitura de Milão, na Praça Scala.

Para quem fica por aqui alguns dias e quer se esquentar consumindo cultura, nada melhor do que aproveitar um dos museus de Milão.

Compras

Geralmente as grandes compras acontecem antes do Natal, mas quem pode esperar, convém deixar para o dia 5 de janeiro, quando começam as liquidações de inverno na cidade. Entre uma compra e outra, você sempre se refugiar para um chocolate quente ou um pedaço de panettone, por exemplo na Peck.

Mas fica uma dica: muitas lojas já oferecem descontos no caixa, nos dias seguintes ao Natal.

24 e 25 de dezembro

Aqui no Norte da Itália não é costume festejar a Véspera de Natal. Quem faz questão de não deixar passar em branco, assim como o almoço do dia 25, pode escolher um dos vários restaurantes que oferecem cardápios para esses dias, como o Biffi na Galeria Vittorio Emanuele ou Cucina delle Langhe em Corso Como.

As possibilidade e preços são variados, mas não deixe para a última hora. Eu aconselho fazer uma pesquisa na internet: cena e pranzo Natale a Milano. Leia o post do jornal Corriere della Sera com dicas para almoço de Natal em Milão.

Atenção: dia 26 é dia de São Estevão e é feriado aqui. Muito mais difícil achar até restaurantes abertos.

Ano Novo

Para o turista, a única possibilidade é congelar na grande festa organizada há anos na Praça Duomo, com concertos de artistas italianos famosos ou escolher uma das festas nas discotecas da cidade como o The Club ou Just Cavalli.

Você pode dar uma olhada nesse link.

Divirta-se e….Feliz Natal !!

Milão: 48 horas com menos de 48 euros

É possível passar 2 dias em Milão gastando pouco e conhecendo alguns pontos importantes da cidade, misturando arte e mundanidade?

Sim, é possível. Tirando a hospedagem, é claro, a cidade oferece uma série de opções baratas ou grátis, como já contei nesse post. Aqui, eu pensei em deixar algumas dicas do que fazer em Milão em 2 dias gastando até 48 euros.

Dia 1

10h  7 € *
Onde: Telhados do Duomo

O Duomo de Milão é a primeira parada de qualquer turista. Impressionante por fora, onde mostra o melhor do seu majestoso mármore, é nos telhados que confirma a fama da sua beleza gótica medieval.

Enfrente sem temer as centenas de degraus. Você não vai se arrepender quando estiver lá em cima, tête-à-tête com as 135 estátuas que decoram os pináculos.

13h – 2,50 €
Onde: Luini

Ao lado do Duomo, é o panzerotto mais famoso da cidade. A fila é uma mistura de locais e turistas bem informados que vão atrás do salgado de origem pugliese, recheado de mozzarela de búfala e tomate.

Como contei nesse post, a melhor coisa é saborea-lo na Praça San Fedele ou na Praça Scala.

14h – 0 € *
Onde: Gallerie d’Italia

Situada na Praça Scala, uma visita a Gallerie d’Italia  valeria a pena nem que fosse para conhecer os dois palácios que hospedam a coleção privada do banco Intesa Sa Paolo.

Dividida entre a arte moderna do século 19 e a contemporânea do século 20, expõe obras de Antonio Canova, Umberto Boccioni, Piero Manzoni, Michelangelo Pistoletto e Lucio Fontana.

o que fazer 2 dias em Milao

16h – 0€
Onde: Passeio pelo Quadrilátero da Moda

Deixando a Gallerie d’Italia, Via Manzoni é uma das ruas que fecha um dos lados do quadrado que dá nome as 4 ruas mais famosas do mundo da moda.

Se deleite com as vitrines das marcas mais famosas, mas não deixe de reparar também na arquitetura de alguns palácios e casas em Via Montenapoleone, Via Gesú, Via Borgospesso, Via Santo Spirito e Via della Spiga, a única fechada ao tráfego e, para mim, a mais bonita de todas.

18h30 – 10 €
Onde: Corsia del Giardino

Essa é a hora clássica do aperitivo milanês. Centenas de locais deixa seus escritórios para encontrar amigos ou concluir reuniões nos vários bares da cidade que oferecem buffet ou petiscos elaborados pelo preço fixo do drink que você escolher.

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Dia 2

10h – 1,50 €
Onde: Tram 1 – Praça Repubblica

O bondinho da linha 1 é um daqueles tradicionais dos anos 20/30, todo de madeira por dentro e que são um dos símbolos dessa cidade.

Na Praça repubblica, pegue-o em direção ao centro e vá apreciando o percurso, até descer nas imediações do Castelo Sforzesco.

11h00 – 0 €
Onde: Castelo Sforzesco e Parque Sempione

O castelo da cidade é de época Renascentista e foi uma das cortes mais refinadas durante o período na Europa, quando por alí trabalharam artista como Leonardo da Vinci e Bramante.

Entre pela praça das armas e repare nas ameias no alto, onde os soldados faziam a guarda e nas grandes torres laterais que na época serviam como prisões.

A parte de trás da construção é dedicada a Corte Ducal e era onde ficavam os apartamentos dos duques e as salas de audiências e a capela. São essas salas que hoje hospedam parte dos museus municipais da cidade, como o Museu de Arte Antiga, dos Instrumentos Musicais ou a Pinacoteca do Castelo.

Deixando o castelo pela parte de trás, vocé dá para o Parque Sempione, o maior parque público da cidade. Antes de continuar o passeio, sente-se embaixo de uma árvore ou em um banco e dedique-se a observar o vai e vem de turistas e locais.

13h  4 €
Onde: Bar Brera ou Jamaica

Antes de uma visita a pinacoteca da cidade pare para almoçar saboreando um autêntico panino, como chamamos aqui o sanduíche.

Pão crocante recheado do que você preferir: presunto cozido, crú, mozzarela, bresaola, tomates, verduras. As opções são infinitas e você ainda come em um dos bares tradicionais do bairro.

2 dias em Milao dicas do que fazer

14h – 9 €
Onde: Pinacoteca Brera

O antigo bairro dos bordéis milaneses hoje é um dos metros quadrados mais caros da cidade. Lojas de grife, galerias, antiquários e cafés dão o toque charmoso que encanta os turistas durante o dia e a noite.

Brera é também o bairro da grande Pinacoteca de Brera. Atravesse o imponente pátio, preenchido pela estátua de Napoleão nú que fica bem no meio e suba a escadaria até os grandes quadros de nomes como Tiziano, Mantegna, Caravaggio, Raffaello, Bellini, entre outros.

16h30 – 0 €
Onde: Corso Garibaldi – Corso Como

Depois de um banho de arte italiana, nada melhor que relaxar antes da parada para o jantar passeando por Corso Garibaldi e sua continuação, Corso Como.

Caminhe sem pressa admirando a arquitetura popular das casas de “ringhiera” (balaustras) que hoje escondem apartamentos modernos em outro metro quadrado caro na cidade.

Antes de Porta Garibaldi, repare na igreja dupla de Santa Maria Incoronata e dê uma entrada. São duas igrejas unidas em uma só.

Atravesse a porta para continuar por Corso Como. É naquele pedacinho de rua, que no número 10 fica a famosa concept store milanesa 10 Corso Como. Entre para conferir uma das lojas mais bonitas da cidade. Suba também para conhecer a livraria e dar uma espiada na mostra na Galleria Sozzani (sempre grátis).

Saindo dalí, continue seguindo a agulha do arranha-céu Pelli e suba até nova praça da cidade: Praça Gae Aulenti. Sente-se um pouco para ver os locais que trabalham por alí e que começam a voltar para a casa ou estão indo fazer um aperitivo.

Volte para trás, até a Porta Garibaldi… é hora de pensar no jantar.

19h00 – 10 €
Onde: Eataly

A versão milanesa do Eataly, o empório gastronômico mais famoso do mundo fica na antiga sede do Teatro Smeraldo. A noite tem sempre um pouco de música e o ambiente é bem agradável.

Com esse valor, você pode escolher uma pizza margherita ou um prato de massa simple e fechar seus dois dias em Milão, na melhor tradição italiana.

Reserve um tempinho antes ou depois do jantar, para conferir as prateleiras recheadas de produtos gastronômicos italianos.

Total 2 dias= 44 €

* Atenção: Agosto 2015: a partir de junho 2015 a Gallerie d’Italia passou a cobrar 10euros pelo ingresso e os telhados do Duomo a pé custam 11 euros, comprometendo a soma desse roteiro :-(

* Endereços e horários nos links

A minha Milão

Sábado foi aniversário de uma amiga e eu na floricultura esperando a minha vez de ser atendida. Folheio uma revista que vem dentro do jornal Corriere della Sera e vou parar em uma série de entrevistas com personagens  italianos (e não) que respondem a algumas perguntas e traçam uma city map pessoal de Milão.

Começo imaginar quais seriam as minhas resposta às mesma perguntas e faço uma entrevista comigo mesma. Aqui o resultado da minha Milão pessoal, de moradora, com lugares e coisas que normalmente os turistas não conhecem.

Um símbolo

Os velhos bondinhos milaneses, com o interior original em madeira. Milão mudou muitas coisas ao longo dos anos, mas ainda bem que, pelo menos eles, resistem.

Um cantinho secreto

Milão é cheia de cantinhos secretos e quase escondidos que os milaneses esquecem que existem na correria do dia-a-dia. Meus preferidos são Villa Necchi Campiglio e o claustro da igreja de Santa Maria Delle Grazie, especialmente na primavera, quando as duas magnólias estão completamente floridas. Dois cantinhos bem perto do centro, mas quando você entra parece estar em um outra dimensão.

Uma obra-prima

Milão é cheia de obras primas que eu realmente não cansaria de ver um pouquinho todos os dias. A mais famosa da cidade e do mundo é a Santa Ceia, mas se tenho que escolher uma obra prima em Milão, seria a   Pietà Rondanini de Michelangelo, que fica  no museu do Castelo Sforzesco.

É uma obra de uma intensidade visceral para mim, onde a morte, a dor e o amor materno estão representados em dois corpos inacabados.

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Um lugar para o almoço

No centrão, Signorvino, o melhor custo benefício e ainda por cima com vista para o Duomo. Se estou para o lado de Brera, fico entre Fiorichiari Plates, Pisacco e por que não, o meu estimado restaurante mais barato da cidade, que se chama Al Pozzo, e serve primeiro prato, segundo com acompanhamento, água e café a 10 euros.

Um happy hour

Qualquer lugar que me sirva uma taça de espumante tá valendo. O importante é o ritual e a companhia. No centro gosto do Victoria e sua decoração anos 20 (fechado atualmente para reformas) ou nos terraços da La Rinascente. Em Via Manzoni uma boa pedida pode ser La Corsia del Giardini.

Na primavera e verão o bar Martini em Corso Venezia ou um dos roof bar da cidade, como o do Hotel Scala ou Ceserio 7.

A área do Navigli, sempre muito movimentada, tem todo tipo de happy hour e para todos os bolsos. Um deles, que foge do esquema buffet da cidade, é o ótimo Rebelot, um bistrot comandado por Maurício, um chef paulista.

Um parque

O meu preferido é  jardim posterior da Villa Reale, mas a entrada de adultos é permitida só de acompanhados por crianças. Quando estou sem as meninas, o meu preferido é o Parco delle Basiliche, atrás da Basilica de San Lorenzo.

Um meio de transporte

Caminhar é o melhor jeito de conhecer a cidade. Eu ando muito em Milão. Quando posso, dispenso o metrô e se o tempo é apertado e a estação do ano permite, vou de bicicleta

Uma vitrine

As vitrines das lojas alternativas e descoladas pra mim são sempre as melhores. Então, Wait and See e Cavalli e Nastri.

La Rinascente também tem vitrines maravilhosas dependendo da marca que expõe.

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Uma rua, um bairro, uma igreja, um museu

Via San Maurilio é com certeza, a minha preferida. Se eu pudesse escolher um bairro para viver, sem problemas de orçamento, escolheria o chamado Quadrilátero do Silêncio, em zona Porta Venezia.

Para mi, escolher uma igreja e um museu só é quase impossível. Vou extrapolar um pouco e escolher 3 igrejas: Santa Maria dele Grazie, Santa Maria em San Satiro e San Maurizio.

Quanto aos museus: fico com a Pinatoteca de Brera, a Pinacoteca Ambrosiana, as casas museus…mas só porque não posso continuar.

Food and Shop

Se estamos falando de concentrar tudo no mesmo lugar, nada melhor do que umas comprinhas na La Rinascente e depois beliscar ou comprar alguma coisa no 7 andar, onde fica o Food Market and Restaurants. A loja Excelsior no Corso Vittorio Emanuele também oferece compras e o supermercado Eats.

A concept store 10 Corso Como também é fantástica, nem que seja só para um passeio e ou só uma paradinha no restaurante no térreo.

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Um lugar para o doce

Se você entrar em qualquer boa confeitaria-café milanês como Cova ou Bastianello,  vai ter a garantia de um cafezinho ou chá com doces e pedaços de bolo maravilhosos. Eu adoro doces, mas na maioria das vezes, de passagem pelo bar Taveggia, onde servem minha marca de café preferida, me contento de um pedaço de casca de laranja cristalizada coberta de chocolate.

Mas para indicar um lugar menos central e frequentado por locais, fico com a atmosfera e os doces do Pavè.

Um palácio ou prédio

Gosto da arquitetura mais antiga de Milão e meu palácio preferido é a Casa degli Omenoni, na rua do mesmo nome, onde 8 telamões vigiam os seus passos. Quando posso, corto caminho só para passar na frente.

Mas confesso que como paulista, adoro a Milão moderna que vem crescendo verticalmente. Além do novo arranha-céu Pelli, que já virou ponto de referência na cidade, gosto muito dos novíssimos Bosques Verticais, prédios residenciais que vão acolher a Milão mais abastada.

Uma ‘utopia’ urbana

Ver os canais da cidade de volta. O projeto de reabertura existe e mas realmente acho que seria uma coisa muito difícil de acontecer. Com certeza, a Milão cheia de canais que existiu até os anos 30, era uma outra cidade.

Acrescentando mais uma, essa possível, uma campanha de conscientização para a diminuição das pichações nos muros da cidade. Milão tem palácios lindos completamente pichados por vândalos que vem até de outras cidades europeias.

Essas eram as perguntas da entrevista que eu li. Mas vocês leitores, podem deixar nos comentários as suas próprias perguntas sobre os aspectos da cidade e  quem sabe daqui  alguns meses eu não publico uma outra…

Milão de A a Z

Para cada letra do alfabeto (brasileiro) eu poderia ter achado mais de uma opção para definir essa cidade (ok, o X e Z provavelmente não), mas aqui está praticamente a primeira coisa que me veio a cabeça quando pensei em uma letra e uma coisa que a definisse em Milão.

A como Aperitivo

É o ritual milanês por excelência. Se difundiu em outras cidades italianas (no sentido de ser feito com a modalidade de buffet abundante), mas continua tendo suas raízes aqui.

Chic, descolado, caro, barato, com buffet, com petiscos, com os amigos ou colegas de trabalho: se você vive em Milão pelo menos 1 ou 2 vezes por semana vai “fazer um aperitivo” (leia o post).

Eles começam a partir das 18.30 e podem ser rápidos, só para antecipar o jantar tomando um Negroni, Spritz, Campari  ou uma taça de Franciacorta; ou pode ser mais demorado e substituir o jantar

Na sua passagem por Milão, escolha um bar e relaxe depois de um dia de turismo, como os milaneses.

B como Brera

O famoso bairro descolado, que fica atrás do Teatro alla Scala era, até os anos 90, um bairro popular e boêmio, graças a presença (desde o sec. 18) da Academia de Belas Artes e seus alunos artistas e, posteriormente da Pinacoteca de Brera, o museu mais famoso da cidade.

Chamado a Montmartre milanesa, Brera foi também o bairro dos bordéis até 1957, ano em que a prostituição passou a ser ilegal na cidade.

Nos anos 90 a redescoberta do bairro com a recuperação de vários edifícios e o boom imobiliário. Hoje, Brera com seus bares, restaurantes como Pisacco, suas galerias e lojas, tem um dos metros quadrados mais caros da cidade.

C como Castelo

O castelo de Milão fica no centro e tem suas origens em época medieval. Durante o Renascimento foi ampliado pela família Sforza (daí o nome Castelo Sforzesco) e virou residência ducal.

Por alí passou Da Vinci, que trabalhava para o duque Ludovico Sforza também como cenógrafo das festas de corte.

Hoje, as salas do castelo hospedam uma série de grandes museus municipais, como o Museu de Arte Antiga, Museu dos Instrumentos Musicais, Pinacoteca do Castelo e conserva uma das minhas obras de arte preferida e uma das pérolas dessa cidade: a Pietà Rondanini de Michelangelo.

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D como Design

Além da moda, Milão é famosa também pela excelência do seu design e escolas como o Politecnico e IED atraem todos os anos italianos e estrangeiros que vem estudar arquitetura e design industrial na cidade.

Nas últimas décadas (e ainda hoje) foi em Milão que  nasceram as idéias mais inovativas sobre o setor. Mas a cidade é famosa também porque aqui o design é um sistema baseado em um equilibrio produtivo entre business, cultura, profissionais, críticos, comunicadores, artesãos, empresários e centros de pesquisa, como o Politecnico.

A cidade lançou grandes nomes como Fornasetti, Achille Castiglione, Gae Aulenti e Giò Ponti, só para citar os mais famosos por aqui.

E como Elegância

Scott Schuman do blog de street style The Sartorialist já declarou que Milão é a cidade mais elegante para ele. Sim, ele se referia, provavelmente, aos milaneses e milanesas e seus estilos ao se vestir e também as grifes famosas da cidade, nascidas aqui ou não.

Prada, Armani, Versace, Dolce Gabbana, Gianfranco Ferrè e outras marcas nasceram na cidade e aqui se consolidaram a partir dos anos 80 (quando o eixo da moda italiana se transferiu de Florença para cá), dando um outro significado ao conhecido preat-a-porter. Sim, porque se Paris significa alta costura, Milão, ao meu ver, é a cidade do preat-a-porter de qualidade.

Caminhando por certos bairros e em certos horários (o comercial, por exemplo) é facíl encontrar homens e mulheres com suas roupas de cortes perfeitos emoldurados por acessórios e detalhes (como meias, sapatos, encharpes) que fazem dos milaneses os italianos mais bem vestidos no país.

F como Feiras

Algumas conhecidas como o Salão do Movél e Mido (óculos) e outras mais especializadas, Milão possui um polo feiristico enorme e conhecido mundialmente.

Ainda que não seja bem uma feira, e sim uma Exposição Mundial, Milão vai hospedar em 2015 a próxima Expo, que em 6 meses (de 1 maio a 31 outubro 2015), em uma área que está sendo construída exclusivamente para isso, esperar receber 20 milhões de turistas de todo mundo.

G como Galeria

“Il salotto di Milano”: a Galeria Vittorio Emanuele foi construída no final do séc.19 para ser um corredor chique entre as praças Duomo e Scala e assim é até hoje.

Alí, desde o ínicio se instalaram restaurantes, bares e lojas exclusivas (como a primeira Prada em 1913) para acolher a burguesia que passeava entre um espetáculo e outro do Teatro Scala.

A grande cobertura de vidro e ferro é de uma beleza sem igual na Itália, tudo completado pelo pavimento original e as decorações no alto a mosaico.

H como Hospedagem

Cidade de negócios e de muitas feiras, como o Salão do Móvel, por exemplo, Milão oferece vários tipos de hospedagem para quem vem a cidade. De hotéis de super luxo como Four Seasons, Hotel Bulgari, Armani Hotel, entre outros, passando por opções mais acessíveis como os bons 4 e 3 estrelas.

Para quem prefere as opções low cost, Milão oferece albergues da juventude recém abertos como o Gogol Ostello ou apartamentos para alugar, como o Milan Central Flat, que é  administrado por uma brasileira.

Confira as nossas dicas de hospedagem em Milão por bairros, clicando aqui.

I como Igrejas

Muitos não sabem, mas Milão perde para o número de igrejas só para Roma aqui na Itália. A maiora dos turistas não vai muito além do Duomo, o que é uma pena, já que a cidade tem inúmeras igrejas de grandíssimo valor histório e artístico e que conversam obras de arte e capelas revelantes para entender a própria história da cidade.

Deixo aqui uma lista curta das minhas preferidas, muitas deles no centro da cidade e no caminho de turistas desatentos: Santa Maria em San Satiro, San Simpliciano, San Gottardo, Sant’Eustorgio (Capella Portinari), Santa Maria delle Grazie, San Maurizio, Sant’Ambrogio.

J como Jogo de Futebol

Assim como os brasileiros, os italianos são grandes fãs do futebol e em Milão “o” jogo clássico, aqui chamadod e derby, é Milan x Inter.

Difícil desassociar a cidade desses dois grandes times italianos e do estádio mais famoso do país: San Siro (como é chamado pelos milanistas) – Giuseppe Meazza (como é chamado pelos interistas). Confesso que minha primeira vez em um jogo de futebol foi em San Siro para evr Milan x Catania e me diverti. Para os turistas assistir um jogo é mais difícil, já que o ingresso é vendido para uma rede de pessoas previamente cadastradas. Mas é possível conhecer o estádio durante a visita ao museu (leia o post).

Não importa se você é um rosso-nero (milanista) ou nero-azzuro (interista), o importante é torcer para um time da cidade.

L como Lojas

Em uma cidade como Milão é fácil encontrar todas as grandes marcas mundiais e suas lojas espetaculares, assim como as lojas das grandes marcas fast fashion (leia o post).

Mas Milão conta também com uma série de lojas locais e de concept stores que valem a visita como 10 Corso Como, Wait and See, Nonostante Marras, Wok e brechós como o conhecidíssimo Cavalli e Nastri.

Os eixos de compras mais acessíveis estão em Corso Vittorio Emanuele, Corso Buenos Aires, Corso Vercelli e Via Torino. O luxo está no Quadrilátero da Moda, Galleria Vittorio Emanuele e na loja de departamento La Rinascente.

As lojas mais descoladas e jovens ficam no eixo de Corso de Porta Ticinese e Navigli. Tem para todos os gostos e bolsos.

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M como Museus

Se engana quem pensa que Milão não oferece museus de prima linha. A cidade conta com uma rede museal composta de museus municipais, federais e particulares.

Se começa pela grande Pinacoteca de Brera para passar pela Pinacoteca Ambrosiana, que conversa os Códigos Atlânticos de Da Vinci, e pelos ótimos museus municipais dentro das salas do Castelo Sforzesco. Recém inaugurado, o Museu do Duomo conta a história da construção da catedral através de esculturas antigas e uma rica documentação.

A arte moderna e contemporânea ficam concentradas na Galleria di Arte Moderna, na coleção privada da Gallerie d’Italia e no Museo Novecento. O design é o tema principal do Triennale Design Museum.

Milão ainda conta com 4 excelentes casas-museus, antigas residências que foram deixadas pelos seus proprietários repletas de coleções de arte e móveis de época: Museu Poldi Pezzoli, Museu Bagatti Valsecchi, Museu Boschi di Sfefano e a belíssima Villa Necchi Campiglio, da qual falei nesse post.

Para fechar, o Palazzo Reale oferece durante todo ano, um calendário de grandes mostras nacionais e internacionais temporárias.

N como Navigli

Hoje a palavra Navigli (canais) significa só especificar um bairro de Milão, mas não fo sempre assim. Para quem conhece a cidade, é difícil imaginar que muitas vezes passamos por ruas onde até os anos 30 corriam uma grande rede de canais.

Grande recurso e meio de transporte da época medieval (o mármore do Duomo chegava na cidade através dos canais) até a invenção das ferrovias, os canais caíram em desuso no século 20 e nos anos 30 grande parte foi coberto em nome da viabilidade e da modernidade.

Hoje, o pouco que resta fica em uma das áreas mais agitadas de Milão a noite, com uma concentração de bares e restaurantes.

O como Ópera

Por mais que você não seja chegado no gênero musical, é difícil falar de Milão sem falar do Teatro alla Scala, um dos grandes teatros de lírica do mundo.

Com uma acústica perfeita, por aqui passaram os grandes nomes da lírica e do ballet mundiais, entre compositores, tenores, sopranos, maestros e bailarinos.

O que muitos brasileiros não sabem é que foi aqui que, em 1870, Carlos Gomes estreou mundialmente a sua grande ópera “O Guarani”.

Não deixe se intimidar pela fachada neoclássica austéra, o interior é de tirar o fôlego e é possível ve-lo se você visita o museu do teatro.

P como Parques

Milão, infelizmente, não pode ser considerada uma cidade verde. Os parques mais famosos da cidade, dos quais falamos nesse post, se concentram no centro e arredores, como é o caso do Parco Sempione, atrás do castelo e o Giardini Pubblici, o meu preferido, que fica no Corso Venezia e hospeda o Museu de História Natural da cidade.

Para quem está por aqui com crianças, vale a pena também (o meu querido) o jardim posterior da Villa Reale, que fica em frente ao Giardini Pubblici. Ele é realmente muito bonito e tranquilo, já que a entrada é probida para adultos que não estão acompanhados de crianças (até 12 anos).

Q como Quadriláteros

Sim, no plural. O quadrilátero mais famoso da cidade e do mundo é o nosso chamado Quadrilátero da Moda (ou de ouro), ou seja, as quatro ruas que concentram um grande números de marcas de luxo (roupas, jóais, relógios, móveis e design). Mesmo para quem não tem intenção de arruinar a carteira nas redondezas, vale um passeio para olhar vitrines e apreciar a arquitetura do bairro.

Mas meu quadrilátreo preferido na cidade é o mesnoa conhecido e do qual falei nesse post: o Quadrilátero do Silêncio. Um conjunto de poucas ruas paralelas ao Corso Venezia, com edíficios de arquitetura liberty (art nouveau) e que te catapulta em uma outra dimensão pelo…silêncio. Tudo isso a dois passos do centro.

R como Restaurantes

Aqui a lista poderia ser infinita, com as minhas indicações pessoais ou simplesmente uma lista de grandes nomes da cozinha italiana (os chamados estrelados) que tem seus restaurantes em Milão.

Caro ou barato, em pé, na rua ou sentado, Milão tem restaurantes e cozinhas para todos os gostos e bolsos. Um panino (sanduíche), um panzerotto no Luini, comer com vista para a abside do Duomo, um brunch com uma sala dedicada ao chocolate… Escolha o seu tipo de restaurante e bom apetito.

S como Santa Ceia

Sem dúvida a maior obra de arte da cidade, do próprio Da Vinci e uma das mais conhecidas e reproduzidas do mundo.

A grande parede do refeitório dos domenicanos, pintada a seco (não é um afresco, leia a sua história nesse post) a pedido do duque Ludovico Sforza, atrai todos os anos milhares de turistas de todo mundo. Admira-la requer uma certa dose de organização, já que os bilhetes para a visita de 15 minutos começam a serem vendidos com 3 meses de antecedência.

T como Transportes

Esqueça o carro alugado. Milão conta com uma rede de transporte público que satisfaz completamente as exigências dos turistas (e moradores). O metrô tem 4 linhas urbanas e mais algumas integradas com o que chamamos de “passante”. A integração do bilhete vale também (por 90 minutos) com os ônibus e bondinhos da cidade.

Na primavera ou verão uma opção, mesmo para os turista, pode ser o serviço de Bike Sharing da cidade, onde é possível “alugar” uma bicicleta para rodar pela cidade. Leia nesse post como usar o serviço BikeMi.

Para quem não renuncia ao taxi, saiba que eles (quase sempre) não param na rua e devem ser pegos nos vários pontos espalhados pela cidade.

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U como Um dia não basta

Para muitos brasileiros Milão ainda é vista como uma cidade de chegada na Itália e de passagem: daqui se parte para a descoberta “del bel paese”. Com isso, a média de estadia dos turistas aqui ainda é bem baixa.

Fico sempre perplexa (para não usar outras palavras) com quem passa por aqui por 1 dias, não explora muito além do “centro-centro” e volta dizendo para amigos e parentes: Milão não tem nada.

Se fosse assim, esse blog não existiria e se fosse assim, esse post não existiria.

Milão não é uma cidade para preguiçosos. Vá além do óbvio, vá além dos guias de turismo e acredite: Milão não é só o Duomo, Castelo e Galeria e um dia só não basta.

V como Vida Noturna

Muitos leitores me escrevem emails cobrando dicas de vida noturna no blog. Para quem ainda não entendeu, sou uma jovem senhora de 40 anos com 2 filhas pequenas e minha idéia de vida noturna está mais para uma ida ao cinema, um jantar com amigos ou no máximo um aperitivo que vai até mais tarde.

Dito isso, não quer dizer que uma cidade como Milão não tenha uma vida noturna agitada. Cidade de modelos, jogadores de futebol, estilistas e empresários, Milão ainda tem essa modalidade, que eu não suporto, do police door: escolher quem entra ou não entra. Já vi lugares com filas homéricas fora e que quando você está meio vazio. A “fila” faz o lugar ficar famoso.

Me limito a deixar uma lista dos clubs noturnos mais famosos da cidade: The Club, Just Cavalli Hollywood, Sio Café, Bobino Club, Tocqueville, Hollywood, Alcatraz.

X como Xeretar

Milão não é uma cidade óbvia, é cheia de segredos e belezas muitas vezes escondidos atrás de fachadas austeras e portões pesados. Pode ser difícil para o turista, que passa aqui pouco dias, conseguir colher a essência e a beleza da cidade.

A minha dica é que você xerete o máximo possível, que alongue o pescoço toda vez que tiver um portão aberto e que for possível espiar (porque muitas das propriedades são privadas), que entre em pátios abertos e que foram transformados em espaços para pequenas lojas, que visite os claustros das igrejas, que olhe para cima para apreciar as cariátides e telamones dos palácios.

Z como Zanzar

E essa última letra está estritamente ligada a anterior. Porque é impossível xeretar sem zanzar pela cidade. Milão é uma cidade plana e relativamente pequena para os padrões brasileiros. A melhor maneira de conhecer a cidade é caminhando entre os bairros e as atrações mais ou menos turísticas.