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Passeio com o trem Bernina Express

Milão, desde época romana, sempre teve uma posição privilegiada na geografia italiana e européia. Não foi à toa, que o imperador romano Dioclessiano, em 286 d.C, resolve deslocar a capital do império para cá, porque era mais perto da fronteira com o norte, por onde os bárbaros começavam a avançar.

Hoje os tempos são outros, não tememos mais as invasões, mas estamos sempre no mesmo lugar, no meio de tudo por aqui (o nome Milão vem do latim Mediolanum: terra do meio), pertinho de lagos, planaltos e montanhas.

As montanhas mais perto de Milão são as das cidades na área de Lecco e Bérgamo e foi aproveitando essa proximidade e o finalzinho das férias, que resolvemos fazer com as meninas o famoso passeio com o trem Bernina Express. Para quem não conhece, o  Bernina é um trem da ferróvia suiça, que liga a cidade de Tirano (Itália) a St. Moritz (Suiça).

Trem Bernina Express

Patrimônio Unesco desde 2008, a linha foi pensada no final do século 19 como meio de locomoção entre os vales (Valtellina e Val Poschiavo) e os alpes e para promover o turismo da região da Engadia e Grigione. Mais de 3.000 trabalhadores, na maioria italianos, trabalharam na construção da ferrovia, que foi inaugurada em 1911 e por muito tempo funcionou só no verão.

A viagem

O trajeto de 61 km parte de Tirano, que fica a 429 mt, atinge o Passo do Bernina, ponto mais alto do percurso a 2.253mt até chegar em St. Moritz a 1.775mt, depois de 2 horas de uma viagem com paisagens encantadoras.

Logo depois de Tirano, a atração é o viaduto espiral de Brusio, construído dessa forma para superar o disnível e alongar o percurso em um espaço estreito. Mais adiante se avista o bonito lago de Poschiavo e os passageiros do trem começam uma inevitável  sucessão de levanta e senta para apreciar a paisagem e tirar fotos.  Dalí para frente é isso: levantar e sentar, virar para a direita e esquerda, porque a beleza vem de todos os lados.

trem berbina express

O viaduto de Brusio. Foto: site Bernina Express

passeio trem Bernina

Paisagens da viagem. Foto: Milão nas mãos

O ponto alto da viagem para mim e não é um trocadilho, foi mesmo na altura do Passo Bernina, onde de um lado fica a charmosa estação/parada Ospizio Bernina, que é também a fronteira entre duas línguas: no vale ao Sul se fala italiano, ao Norte, na Engadina, alemão. Do outro da estação fica o maravilhoso Lago Bianco, assim chamado pela cor clara das águas.

Passeio trem Bernina

Lago Branco (Passo Bernina) Foto: Milão nas mãos

Nós tivemos a sorte de pegar um dia de sol (no dia anterior tinha chovido o dia todo) e com certeza isso muda bastante as cores, reflexos e nuances da paisagem.

A partir do Ospizio Bernina, o trem começa a descer em direção a St. Moritz. É última parte da viagem, mas sabendo que ainda tem o bis da volta.

St. Moritz

Você saí da estação de trem e sabe que está na Suiça pela organização, limpeza e a paisagem, mas assim que chegamos ao “centro” comecei a me perguntar porque St. Moritz é tão badalada.

A rua principal é uma sucessão de lojas de grifes, hotéis luxuosos e Ferraris, Porshes e Rolls Royces atravessam as ruas para cá e para lá. Eu não conheço Montecarlo, mas tive a impressão que fossem parecidas, pelo menos no meu imaginário (talvez preconceituoso): uma cidade de velhos ricos, sem muita personalidade.

passeio Bernina Siant Moritz

Saint Moritz. Foto: Milão nas mãos

Nós chegamos às 12.15 e tínhamos 3 horas (é o suficiente) para darmos uma volta e almoçarmos. O museu de arte da cidade estava fechado porque estavam montando uma mostra que abriria dalí alguns dias e decidimos então procurar um restaurante.

Tínhamos já dado uma olhada nos preços dos resturantes no TripAdvisor e eram realmente caros (e tem gente que reclama de Milão). Acabamos achando um “econômico”, que não vale a pena citar, onde uma pizza margherita custou 15 euros, quase o dobro daqui.

O ponto alto da parada, para mim e para as meninas, foi a entrada em uma loja de chocolates, a Laderach para um abastecimento rápido antes de voltarmos. Não preciso dizer que eram muito gostosos.

Loja de chocolates Laderach

Loja de chocolates Laderach. Foto: Milão nas mãos

Com certeza St. Moritz deve ser um ótimo destino no inverno, para fanáticos abastados do esqui , já que fiquei sabendo que as pistas são ótimas. No verão, para quem passa, não me pareceu oferecer grandes diversões.

Mas quem chega alí com o Bernina é atraído pela viagem em si e não pelo destino final. Fiz ida e volta tentando imaginar como deve ser de inverno, com a paisagem completamente coberta pela neve, imaculadamente branca. Já estou pensando que vou ter que conhecer a outra versão da viagem.

passeio trem Bernina

Paisagem invernal. Foto: site Bernina Express

Para os mais desavisados: como disse antes, a cidade fica a 1.775mt de altitude, a temperatura mesmo no verão, é fresquinha. Nós pegamos um dia de sol na metade de agosto, mas mesmo assim a temperatura lá estava por volta de 15 graus.

Como organizar

A viagem em si pode ser feita em um dia, um bate e volta, pois o percurso dura 2 horas por trecho e você pode decidir quanto tempo ficar em St. Moritz.

Para o turista que tem um pouco mais de tempo por aqui, o ideal é passar a noite anterior em Tirano, já que a cidade fica a 3 horas de Milão de carro e  a 2 horas e meia com os trens regionais e tentar chegar lá no mesmo dia da viagem, dificultaria o embarque nos 2 trens panorâmicos da manhã.

Nós queríamos passar alguns dias nas montanhas, então optamos por nos hospedar em Livigno (o que nos fez enfrentar 1 hora de viagem na ida e na volta entre Livigno-Tirano), mas a Tirano me pareceu muito organizada, limpa e cheia de bares, restaurantes e hotéis.

Nós reservamos nossos lugares no trem com vagões de janelas panorâmicas (existem só 3 ao dia que fazem Tirano-St. Moritz e outros 3 que fazem a volta, mas atualmente os horários não estação indicados no site ). Nos outros horários os trens tem janelas grandes, mas normais. A diferença entre os dois é o preço, já que o vagão de janelas panorâmicas tem uma taxa de 12 francos suiços por trecho para a reserva de lugares marcados, que é obrigatória. Ida e volta, para esse tipo de trem, um adulto paga cerca de 90 francos suíços (crianças de 6 a 16 anos pagam a metade). No verão existe uma versão de vagão panorâmico aberto (foto) nos trens com janelas normais.

Trem Bernina passeio

Os tipos de trem. Foto: Milão nas mãos

Os trens também tem 1 e 2 classe, mas pelo que consegui ver, a diferença está na quantidade e na largura das poltronas. Nós viajamos de 2 classe e garanto que as poltronas são bem espaçosas e se viaja muito bem.

Resumindo: fomos até Tirano, partindo de Livigno pela manhã com os bilhetes já reservados, pegamos o trem das 10.03, chegamos em St. Moritz às 12.17 e saímos de lá no último trem panorâmico das 15.22, chegando em Tirano às 17.27.

Clique no site da Ferrovia Retica SA para reservar seu bilhete

Digamos que na volta, quem não quiser dormir em Tirano de novo, pode enfrentar a viagem de 3 horas de volta até Milão. Nos comentários desse post, a leitora Ana Carla conta a sua experiência usando o trem de Milão  para chegar a Tirano.

Uma outra opção são empresas, como a Zani Viaggi,  que de Milão e Bérgamo fazem a viagem (1 vez por mês) de ônibus até Tirano, com visita guiada da cidade em italiano e dalí até o destino final com o Bernina Express em trem com vagões normais. A permanência em St. Moritz é de 1 hora e meia e a viagem de volta é feita de ônibus.

Sei que existe também a possibilidade de fazer a viagem saindo de ônibus de Lugano, na Suiça (da estação de trem).

Essa é uma viagem que você tem que organizar, principalmente em algumas épocas do ano, mas para quem fica aqui por mais tempo, vale muito a pena.

Milão pelos olhos de uma viajante brasileira

Como eu já contei outras vezes, desde que comecei o Milão nas mãos, há quase 1 ano, conheci um montão de gente legal, pessoalmente e virtualmente. Uma delas (virtualmente) é a brasileira Sandra Brocksom, que vive desde 2011 em Madri com seu companheiro Paco.

Sandra também tem um blog, o Sandra B em Madrid, que ela mesma define como um blog caseiro e narcísico, que como muitos outros blogs de expatriados, nasceu como um diário de sua cotidianidade ibérica, um modo de manter contato e contar suas experiências aos caros deixados no Brasil.

No final de junho Sandra passou um final de semana em Milão com Paco e, como gosto muito do texto dela, a convidei para escrever um guest post sobre a cidade. Um olhar diferente do meu  (mas não muito) para os leitores. Boa leitura!!

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Por Sandra Brocksom

Arrisco dizer que eu, como 100% dos brasileiros, não tinha Milão como a primeira cidade que queria conhecer da Itália. Brasileiros querem ir a Toscana e suas pequenas vilas que são cenários das histórias das nonas. Acho que queremos recuperar aquela memória das centenas de famílias italianas que vieram ao Brasil.

No último final de semana de junho Milão aconteceu, um final de semana longo, um bate e volta de Madrid a Milão. Assim como 100% dos turistas brasileiros, minha grande preocupação era que Milão fosse cara demais a ponto de impossibilitar qualquer diversão. Eu acho também que Milão é muito mais cara que Madrid, que é uma das capitais européias com o custo de vida mais econômico. Explico mais, Paco e eu estamos muito acostumados a fazer atividades culturais a custo quase zero, vamos a museus nos horários gratuitos, shows free, comemos em botecos e cozinhamos muito em casa. Quando viajamos também somos assim: nada de restaurantes chiques, nem grandes compras. Queríamos adequar Milão ao nosso estilo super econômico de viagem. E deu!!

milao em bicicleta

Para conseguir submeter uma grande cidade cosmopolita ao nosso baixo orçamento, eu pesquisei bastante. Foi ai que descobri o “Milão nas mãos” que me ajudou com 80% do nosso final de semana. Os outros 20% eram direções óbvias: o Duomo e seu entorno. A sua paixão pelas ruas, pessoas e arquitetura de Milão me contagiou. Também tenho que confessar que você é responsável da minha grande frustração: eu não achei o Quadriláterio do Silêncio. Você escreveu um post maravilhoso sobre o lugar, eu tinha que vê-lo. Depois que voltei para casa, revi meus roteiros, percebi que estive muito perto e não soube vê-lo. Este é meu primeiro motivo para voltar!

Diante do seu rico material publicado, eu sabia que tinha que fazer escolhas de caminhos e também sabia que as ruas da cidade seriam nosso cenário. Você moldou o meu olhar! Eu sabia para onde tinha que olhar “Milão é uma cidade para se descobrir nos interiores, de belezas escondidas e fachadas austeras”. E por outro lado: “É uma cidade onde você tem que caminhar prestando atenção nos portões abertos de muitos palácios para ver se tem a sorte de descobrir os mais belos pátios da Itália (prometo um post sobre eles), caminhar olhando para cima, quando possível, para admirar seus jardins suspensos. Mas uma das coisas que mais adoro aqui, são essas quantidades infinitas de homens e mulheres “encostados” nas fachadas de palácios mais ou menos históricos das cidades e até das igrejas, como o Duomo. Quem são? As famosas cariátides e telamones “.

estatuas em milao

Nossa viagem também suponha um desafio: encontrar uma amiga que aterrou na cidade somente no sábado no final de tarde. Chegamos na sexta-feira de manhã e tínhamos que evitar o Duomo nas próximas horas porque queríamos explorá-lo com ela. Nós tínhamos que deixar o melhor para o final. Apesar de todas as tentações, o Duomo tem uma força atrativa como um polo magnético, conseguimos cumprir nossa auto-imposta missão de não entrar no Duomo logo nas primeiras horas.

No nosso primeiro dia, sexta-feira, eu propus a Paco uma longa caminhada que cruzasse a cidade pelo seu centro. Escolhi como ponto final Mercato di Piazza Wagner (dica do blog Turomaquia). O ponto inicial foi a estação Central onde o ônibus vindo do aeroporto de Bergamo nos deixou. Fizemos uma parada estratégica para deixar as mochilas no hotel barato e limpo perto do metrô Porta de Veneza e seguimos: Giardini Pubblici; Via Manzoni; Teatro Scala; Estátua do Leonardo; Galeria Vittorio Emanuele; Duomo; Castelo Sforzesco; Praça Cadorna; Corso Magenta; Mercato di Piazza Wagner.

bondinho-milao

Claro que não fizemos o percurso assim tão linear como no mapa. Zig-zageamos pelo Giardini Pubblici di Porta Venezia; cogitamos entrar na Galleria di Arte Moderna (um dos museus gratuitos) mas achamos arriscado ficar horas ali e perder a cidade que clamava que deveríamos seguir caminhando. Assim fomos, eu olhando para cima buscando o Quadrilátero do Silêncio que estava logo ali e não vi, e o Paco já vidrado pelos bondinhos amarelos que eu propositadamente não havia contado que em Milão também existe “tranvia”, como são chamados em espanhol. Foi muito bonito ver os olhos dele iluminados pela paixão de menino por trens e bondes. Passou o primeiro dia emocionado atrás das melhores fotos, ficamos algum tempo parados em várias esquinas esperando pelos bondinhos.

Não sei o porquê, naquela hora passamos quase reto pelo Teatro Scala e nos dedicamos a reverenciar a estátua de Leonardo Da Vinci, somos fãs do projeto “Da Vinci the genius” que leva a vários países as incríveis invenções do mestre. Como planejamos a viagem de última hora, não conseguimos entradas para ver a Santa Ceia pintada por ele. Segundo motivo para voltar a Milão.

estatua da vinci milao

Cruzamos a Galeria Vittorio Emanuele maravilhados com seu esplendor. Eu fiquei particularmente interessada nas mulheres de véu (de marca) em um alto grau de consumo. Elas em duplas ou trio com suas crianças e, às vezes, com seus maridos, entrando e saindo das lojas de alta gama da Galeria com naturalidade de quem vai comprar pão na esquina. Entendi que são elas que protagonizam o consumo.

Chegamos a piazza del Duomo! E ali creio que palavras não são suficientes, saíram muitos UAU!UAU! Seguimos em direção ao Castelo Sforzesco. Ficamos tentados em entrar no museu, mais uma vez escolhemos as ruas. Ter tempo para apreciar os museus é o meu terceiro motivo para voltar.

Deste ponto até chegar ao mercado nos perdemos muito. Rodamos as rotatórias entrando e saindo das ruas, ficamos sem qualquer sentido de direção. Já estávamos tão cansados que não tiramos fotos decentes dos magníficos balcões dos prédios que existem na região. Eu fiquei apaixonada por eles, eu imaginei tantas lindas serenatas de amor eles não inspiraram. Depois ficamos arrependidos de não ter tantas fotos e tenho meu quarto motivo para voltar.

Enfim, encontramos o mercado que foi escolhido porque fica no estremo oposto de onde esta nosso hotel. É um mercado de comida “normal e corrente” como existe tantos e em todas as cidades. Eu acho que entrar em mercado e supermercados é parada obrigatória no turismo econômico que fazemos. Demos uma volta e compramos vários pães e pizzas. Andamos até uma praça próxima e devoramos tudo. O pão de cebola estava especialmente delicioso.

Energias recuperadas, caminhamos tudo de volta até chegarmos exaustos no hotel. Por sorte havia uma pequena pizzaria, dessas que agradam estudantes “eramus” e a nós. Pizza boa, atendimento caseiro e barato.

Queria terminar contando um pequeno causo. Sábado pegamos leve com a caminhada. Começamos pelo Corso de Vezenia onde paramos um pequeno bar para nosso legítimo expresso italiano. Eu queria um “café normale”, forte. Paco queria o seu com leite, “caffè macchiato”. A dona do lugar nos deu uma aula de como apreciar um café. Paco descreveu como se toma “café com leche” na Espanha e ela taxativamente disse que isso não se faz na Itália. Ela não foi especialmente simpática e, sim, cativantemente generosa em nos explicar as diferenças.

Estas foram nossas primeiras impressiones de Milão: imponente e chique como o Duomo; firme, estrita e generosa como a dona do café; abundante com os seus balcões. No domingo tevemos outra visão da cidade, da zona boemia e acolhedora Navigli, mas isso fica para outro post.

O quadrilátero do silêncio em Milão

Sem dúvida nenhuma, o quadrilátero mais conhecido de Milão é o chamado Quadrilátero da Moda ou Quadrilátero de Ouro, as quatro ruas mais famosas da cidade (Via Manzoni, Via Montenapoleone, Via della Spiga e Via Sant’Andrea) que reúnem as lojas das mais badaladas marcas mundiais.

Mas em Milão existe um outro quadrilátero, muito menos famoso e pouco conhecido pelos turistas e até locais, que é completamente o oposto ao seu badalado “primo”: é o Quadrilátero do Silêncio.

Essa área que fica a dois passos do centro de Milão é assim chamada pela tranquilidade de suas ruas, praticamente privadas de bares, restaurantes e lojas badaladas. É alí que estáo reunidos os melhores e mais belos exemplos da arquitetura Liberty em Milão, estilo muito em voga nos anos 10 do século 20 e também de estilos das décadas posteriores, constituindo assim, uma espécie de “albúm” da história da arquitetura milanesa do século passado. Só para entender melhor, o estilo aqui chamado de Liberty, é o que os franceses chamam de art-nouveau.

milao quadrilatero silencio

O arco de Via Salvini – Foto Geobia

O Quadrilátero do Silêncio (para mim) tem uma entrada oficial: o arco que se abre em Corso Venezia, à frente do Parque Jardins Públicos e que pegando Via Salvini vai dar em uma “outra dimensão”: a deliciosa Praça Duse. Já alí, vale a pena reparar nos prédios que circundam a praça com suas cariátides. A traficada avenida está a poucos passos, mas você já começa a gozar da tranquilidade e silêncio das ruas.

Edifício na Praça Duse - Foto Friedrichstrasse

Edifício na Praça Duse – Foto Friedrichstrasse

A partir dalí é uma sucessão de surpresas como: Palácio Fidia (1929), Palácio Berri Meregalli (1911), Casa Tensi (1907), a belíssima Villa Necchi Campiglio (1932) e seu jardim com piscina e cafeteria, perfeitos para uma pausa. A vila é uma das casas museus de Milão e é visitável com um tour guiado feito por voluntários, como contei nesse post.

casa tensi milao

Em Via dei Capuccini vale conferir a surpresa que nos reserva os jardins da Villa Invernizzi: uma colônia de flamingos rosas em pleno centro da cidade.

villa invernizzi milao flamingos

Algumas poucas ruas mais em direção a periferia ficam outros exemplos famosos de construções , como o renomado Hotel Diana, de 1908 e hoje parte da rede Sheraton, onde o ritual do aperitivo no seu belo jardim é disputadíssimo e os prédios com varandas e escadas em ferro batido e decorações em azulejos, como as famosas Casa Galimberti (1913) e a Casa Guazzoni em Via Malpighi.

liberty milao

Casa Guazzoni MIlao

O Quadrilátero do Silêncio é um lugar para se conhecer a pé, com calma e olhando para cima. Se você tem alguns dias por aqui e quer fazer um passeio diferente em Milão, eu aconselho conhecer esse cantinho especial e mágico da cidade.

Para chegar até o quadrilátero do silêncio, você pode descer nas estações (linha vermelha) de Porta Venezia (e começar por Via Piave e Malpighi) ou Palestro (e começar pelo arco di Via Salvini). Abaixo os nomes dos principais edifícos, os endereços e um mapa da áera.

Palácio Fidia – Via Luigi Melegari 2
Palácio Berri Meregalli – Via Cappuccini 8
Villa Necchi Campiglio – Via Mozart 12-14
Villa Invernizzi – Via dei Capuccini
Casa Tenzi –  Via Vivaio 4 esquina Via Maggiolini
Hotel Diana – Viale Piave 42
Casa Galimberti e Casa Guazzoni – Via Malpighi 3 e 12

Fotos: (onde não especificado) Milão nas mãos

O aperitivo de Milão: muito mais que um happy hour

Já no século 5 a.C o médico Ipócrates o receitava aos seus pacientes contra a falta de apetite. Era tão amargo que tinha que ser bebido em um único gole. Nos séculos sucessivos foi modificado para tentar torná-lo menos amargo e mais agradável para o paladar, mas a sua função continuou sempre a mesma, a de estimular o apetite, tanto que a palavra deriva do latim aperire, ou seja abrir (o estômago).

happy hour milao aperol

Estamos falando do aperitivo que, como o conhecemos hoje, nasceu em Turim em 1789 quando o destilador Antonio Carpano inventa o Vermouth, um vinho branco aromatizado.

Com o passar dos anos o Vermouth foi exportato em toda Europa e no mundo e, produzido pela Martini & Rossi, se tornou com o apelido de “Martini” o aperitivo por excelência, base de muitos coktails como o Negroni ou o Manhattan. No final do século 19, com a moda dos cafés, o costume do aperitivo era já comum nas principais cidades italianas, tanto que em Milão para o aperitivo era famoso o Bar Campari, onde nasceu o maior concorrente do Martini.

Terrazza Aperol Milão 6

A partir dos anos 90, em Milão, o aperitivo sofreu uma transformação: a simples bebida alcoólica  ou não, que se bebia antes das refeições, começou a ser acompanhada de um rico buffet de petiscos, massas, pizzas e saladas. Os preços aumentaram com a difusão da moda, mas muitos ainda consideram um bom aperitivo uma digna substituição de um jantar a um preço muito mais abordável.

Hoje em Milão por aperitivo se indica não só o drink, mas também o ritual no qual durante os dias da semana, das 18 às 21hs se vai em um bar, se pede um drink ou uma taça de vinho com um preço médio que vai dos 8 aos 10 euros e se usufrui do buffet de comidas proposto pelo lugar.

Happy hour centro Milao

O aperitivo do Victoria

Mesmo que o aperitivo esteja se propagando pelo mundo, Milão continua sendo, pelo momento, a capital desse ritual que a cada dia envolve milhares de pessoas: estudantes, executivoss, namorados, turistas… o início da noite em Milão tem um denominador comum.

As áreas de maior concentração de bares que propõe o aperitivo são Colonne-Navigli (os canais), Brera, Sempione, Porta Romana e Garibaldi-Corso Como-Isola, mas em qualquer lugar da cidade é possível “fare un aperitivo”. Nos bares da moda, sem a reserva de uma mesa se corre o risco de não conseguir sentar.

Mas já que esse é o primeiro post sobre o assunto, vou me limitar a duas dicas de aperitivo no centro de Milão.

O primeiro é a Terrazza Aperol, que tem vista para o Duomo e fica na parte superior da entrada da Galeria Vittorio Emanuele. A entrada não é muito intuitiva e se passa por dentro do bar-restaurante Autogrill.

No interior do bar a decoração é moderna e toda cor -de-laranja,  como o drink inventado nos anos 20 e hoje propriedade da Campari. A varanda tem uma maravilhosa vista para a praça, a catedral e do outro lado o Museu 900, que com seu neon de Lucio Fontana dá à praça, ao anoitecer, um toque de modernidade.

terrazza aperol milao happy hour

A Terrazza Aperol

A Terrazza Aperol não propõe o clássico aperitivo com buffet, mas serve alguns petiscos em uma pequena bandeija junto com o drink, que dada a localização “exclusiva”, custa 12 euros. Nos dias quentes de primavera e verão é uma ótima pedida para quem já está no centro e não quer se afastar muito.

Também bem perto da praça, atrás da Galeria Vittorio Emanuele, fica um dos meus bares e aperitivos preferidos quando estou no centro: o Victoria.

bar victoria milao happy hour

Decorado em estilo liberty, é frequentado pelos locais de todas as idades. Propõe um buffet de saladas de macarrão, bruschetas, pizzas, verduras e salada russa com drinks que custam de 8 a 10 euros.

Quando você passar por Milão, não deixe de se aventurar em um aperitivo. Não existe jeito melhor de conhecer um dos costumes mais arraigados nos milaneses.

Terrazza Aperol
Aberto todos os dias das 17 às 24
Praça Duomo, esquina Galeria Vittorio Emanuele – 2° andar
 
Victoria
Happy hour de segunda à sábado a partir das 18.30
Via Clerici 1
 
Editado em Setembro 2014: O Victoria não existe mais. No lugar dele, reformado e preservando alguns elementos da decoração Liberty anterior, temos hoje o Ta’ Milano, que também oferece  o aperitivo com drinks entre 8 e 10 euros, mas sem buffet.
 
 
Fotos: Milão nas mãos