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Onde comprar e degustar vinhos em Milão

A Itália, junto com a França é o maior produtor de vinhos do mundo e aqui ele é produzido em todas as regiões.

Os brasileiros amantes do chamado nectar nos deuses, aqui na Itália tem só a preocupação de decidir entre os mais variados tipos de vinhos, uvas e regiões na hora de comprar algumas garrafas para levar para casa (o limite são 12 lt por pessoa).

A própria região da Lombardia é produtora de grandes vinhos, como os Rossi della Valtellina e os vinhos do Oltrepo Pavese, sobre os quais falei nesse post sobre gastronomia italiana, e também de ótimos espumantes, produzidos com o método clássico, como o caso do Franciacorta, também apresentado aqui no blog nesse post.

Milão tem inúmeras lojas de vinho, mas aqui deixo as dicas de onde comprar vinhos nos arredores da Praça Duomo, já que é a área de maior exploração turística.

Peck

O empório gastronômico mais tradicional da cidade também já foi apresentado aqui no blog nesse post e, segundo um amigo amante e entendedor de vinhos, tem a mais bem abastecida adega da cidade com cerca de 2.000 etiquetas.

vinhos milao

Não se assuste com o ar pomposo e faça de conta que não entende certos preços. A Peck vende grandes vinhos do mundo, muitos de safras caríssimas com garrafas de chegam aos 42.000 euros (sim, os zeros estão corretos) e que são arrematados por russos e árabes, mas propõe também garrafas a partir de 12-15 euros.

A adega fica no subsolo da loja e é tem também um pequeno bar, onde a qualquer hora do dia é possível beber uma taça dos vinhos propostos do dia.

A Peck tem também um site onde vende os produtos presentes na loja e entrega em qualquer lugar do mundo.

Excelsior

Essa refinada mini loja de departamentos fica em Corso Vittoro Emanuele, em um edifício que abrigada antigamente um cinema (daí o nome) e hospeda “corners” de marcas como Tiffany e La Dureè no andar térreo e inúmeras grifes nos andares dedicados a moda masculina e feminina.

comprar vinhos milao

Mas é no sub-solo que fica toda a parte de gastronomia da loja, com o restaurante Eat’s Bistrot, o ótimo supermercado também Eat’s  e uma pequena adega onde é possível encontrar vinhos italianos e internacionais por preços que vão do acessível ao super caro.

Eataly

O empório gastrômonico mais famoso do mundo é uma boa opção para quem quer comprar vinhos italianos, já que a variedade deles é bem grande e dividida por regiões. Os preços variam de vinhos mais em conta aos mais caros.

Signorvino

Um dos meus restaurantes preferidos no centro, que fica bem atrás do Duomo (leia o post), o Signorvino já nasceu com a proposta de ser um ponto de referência para a venda de vinhos italianos na cidade.

O ambiente é super agradável e quem almoça ou janta por lá, o faz em mesas colocadas no meio de caixas de vinho em um ambiente bem descontraído. O slogan é: “beba aqui ou em casa, o preço é o mesmo”. Sim, porque você pode comprar uma garrafa na hora para saborear durante a sua refeição se quiser alguma coisa diferente do que é proposto no menú.

comprar vinhos em milao

Alí, só vinhos italianos, divididos e expostos por região. Tem um pouco de tudo e os preços são mais que honestos. Signorvino também organiza durante todo o ano, desgustações e encontros sobre vinho, que você pode conferir no site.

Saindo um pouco do centro, mas só um pouco (Milão é um ovo de pequena), na região de Brera também pode ser uma boa opção para almoço, jantar ou comprar vinhos o conhecido N’Ombra de Vin, adega e wine bar instalado em um antigo refeitorio de padres agostinianos. Vendem várias etiquetas italianas e internacionais, com uma queda pelo Barolo.

Peck (site)
Via Spadari 9
Seg das 15.30 às 19.30 Ter a Sex das 9.15 às 19.30 Sáb das 9.00 às 19.30
Fechado aos Domingos
 
Excelsior Milano (site)
Galleria del Corso 4
Todos os dias das  10 às  20.30
Wine bar: degustações das 10 às 21.30
 
Eataly (site)
Praça XV Aprile, 10
Todos os dias das 8.30 à meia noite
 
Signorvino (site)
Praça Duomo – esquina Corso Vittorio Emanuele
Todos os dias das 8:00 às 01:00
Via Dante
 
N’Ombra de Vin (site)
Via San Marco, 2
Seg à sab das 9 às 24
Fechado aos domingos

Almoço e brunch no Four Seasons Milão

Aqui em Milão, encravado no Quadrilátero da Moda, fica um dos grandes hotéis da cidade, o conhecido Four Season Milan, que ocupa uma belíssima construção do século 15 onde um dia foi o Convento de Santa Teresa.

Além dos restos de afrescos medievais nas paredes da recepção e do espetacular claustro do antigo convento transformado em pátio interno, o Four Seasons tem dois restaurantes comandados pelo renomado chef italiano Sergio Mei, conhecido por aqui pelo seu apego as tradições da cozinha italiana autêntica.

Hotel Milao Four Seasons

Eu, que tenho uma grande dificuldade de encarar cardápios que anunciam combinações estranhas, já fazia tempo que queria provar os pratos de Mei, que não deixa de propor em Milão o prato mais conhecido e famoso dessa cidade.

A primeira experiência foi um almoço no começo de junho com a minha cara amiga Ana Cristina, autora do blog de viagens ItaliAna. Depois de uma manhã de sábado batendo pernas pelo Quadrilátero do Silêncio e de uma visita a Villa Necchi Campiglio, escolhemos o restaurante La Veranda do hotel para continuarmos o papo e o nosso sábado milanês.

Já era um pouco tarde para os padrões daqui (por volta das 14h) e o restaurante não estava cheio. La Veranda, como diz o nome, é a parte do hotel que circunda o antigo claustro.

Acabei me deixando seduzir por uma entrada e pedi Culatello di Zibello (é um tipo de frio) com salada de alcachofra e pera. Depois, tanto eu quanto Ana, acabamos ficando com o tradicional Risotto alla milanese com ossobuco.

almoço Milao Four Seasons

Inútil dizer que até hoje foi o melhor que comi. O risoto estava no ponto justo e a carne era de uma maciez que dispensava até o uso da faca. Tudo foi regado por um tinto escolhido pela Ana e ali esquecemos o tempo. O serviço foi atencioso e educadíssimo sem ser insistente, como deveria ser (e nem sempre é) em todo grande restaurante.

Depois de um ótimo cafezinho, eu a Ana continuamos as nossas andanças pela cidade embaixo de uma chuva fininha de primavera, mas nem isso estragou o que foi um dos meus melhores finais de semana da estação.

Muito famoso no Four Seasons também é o seu brunch de domingo, que eu e Ana perdemos por algumas semanas, já que ele vai de setembro e maio.  Depois da agradável experiência do almoço, resolvi que no outono não iria deixar escapar o brunch e sua cobiçada Chocolate Room. Sim, o brunch tem uma sala dedicada só ao chocolate em todas as suas variações.

O cenário é o restaurante Il Teatro, que fica no andar abaixo da recepção. Dessa vez reservei para 4 pessoas, já que estávamos com um casal de amigos e era o final de semana da Semana da Moda de Milão no final de setembro.

O brunch é estruturado em “Ilhas dos Sabores”: pão, queijos, doces, frios, ovos, peixes e depois de você se acomodar você se desloca livremente entre elas e é servido e aconselhado pelo staff muito qualificado e gentil do hotel.

brunch domingo Four Seasons Milao

Além do Chocolate Room, uma das coisas mais legais do brunch é que, para os pratos quentes, você entra na grande cozinha do restaurante para se servir.  É ali que a perdição gastronômica continua entre carnes, risotos, peixe, pizzas e massas.

Deixo as fotos falarem por mim e explicarem as variedades e a qualidade das matérias primas. Sabendo que pela frente ainda tínhamos que enfrentar a parte chocolatosa da manhã, a intenção (falida) era só provar um pouco, pouquinho, de tudo.

fourseasons_brunch_milao

brunch2_fourseasons_milao

Eu me comportei muito bem até chegar no meu já conhecido risoto de acafrão, dessa vez acompanhando pelo não menos milanês: o bife. Ok, não vou dizer que daqui para frente quando comê-los em outros lugares vou ficar comparando.

Mas a grande estrela do brunch é a Chocolate Room. Pequena grande sala, pensada e montada pelo chef Johannes Walk que esse ano escolheu o tema da moda para decorar a Chic…olate Room, utilizando 120Kg de puríssimo chocolate ao leite, branco e amargo francês para criar bolsas, sapatos, vestidos e croquis, além das mais variadas sobremesas a base de chocolate.

brunch four seaons milao

Confesso que não sei se aconselho começarem ou terminarem pela aventura de chocolate. A escolha alí dentro é difícil e tentadora.

O brunch do Four Seasons é frequentado por uma mistura de turistas e locais e o ambiente é realmente acolhedor e não tem aquele ar pomposo que te deixa pouco confortável. O staff é sempre muito educado e disponível para orientar nas escolhas dos pratos, explicando o que for preciso.

chocolate_4seasons_brunch_milao

Indo embora, paramos no bar do hotel o Foyer Bar para mais uma xícara de café e alí tivemos o prazer de conversar e rir mais 5 minutos com Mário, um dos barman, uma daquelas pessoas que fazem toda a diferença em um lugar. Simpatia garantida em Milão.

É uma dica para quem está em Milão e quer passar uma manhã de domingo diferente e de bom gosto, quem sabe comemorando uma data ou só batendo um papo com uma amiga.

Ana querida, estou te esperando para ‘il nostro prossimo giro’ !!

Four Seasons Milano
Via Gesu, 6/8
Brunch: de setembro a maio, domingos das 11.45 às 15 
Preço:  75 euros (bebidas excluídas)
Restaurante La Veranda: todos os dias das 12 às 16.30
 
 

Um vinho Barbera do Oltrepò

Este post  faz parte da Blogagem Coletiva de Gastronomia Italiana, promovida por blogueiras brasileiras residentes na Itália que durante às sextas-feiras de outubro publicaram uma série de textos sobre especialidades da cozinha italiana. O post último post da série traz os vinhos produzidos na região da Lombardia.

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Depois das entradas, pratos principais e doces e sobremesas, não poderíamos acabar a nossa blogagem coletiva sem falar em um dos produtos italianos mais conhecidos mundo afora: os seus vinhos.

A produção de vinho na Lombardia, da qual Milão é capital, se caracteriza por uma qualidade superior em relação a média italiana, ainda que a nível internacional não tenha a fama das produções de outras regiões como a Toscana e o Piemonte, que produzem há séculos grandes tintos como o Brunello e o Barolo.

As zonas produtivas lombardas são caracterizadas por uma ampla diversidade ambiental e os vinhedos são muito diferentes entre si, já que a Itália, ao contrário de outros países produtores, preservou as uvas nativas e não as substituíram com as internacionais (Cabernet, Merlot, Chardonnay, etc), tornando-se o país com a maior diversidade vinícola do mundo.

Aqui, as três áreas mais importantes a nível qualitativo e quantitativo são Oltrepò Pavese, a Franciacorta e a Valtellina. São três localidades diferentes do ponto de vista geográfico e da tradição enológica e todas dão o nome aos principais vinhos que produzem.

Oltrepò Pavese:  Vai da baixa planície Padana às colinas apeninas e é a área com a maior produção vinícola na Lombardia. Nessa região se produz uma grande variedade de vinhos tintos, brancos e espumantes, utilizando uvas nativas como a Barbera e a Bonarda assim como uvas internacionais. A maior parte dos vinhos usa a denominação Oltrepò Pavese junto com o nome da uva prevalente (Oltrepo’ Pavese Sauvignon, Oltrepò Pavese Barbera etc).

Um vinho Barbera do Oltrepò

Franciacorta: região muita querida por essa que vos escreve, seja pela beleza naturalística, seja pela qualidade dos meus espumantes preferidos: o Franciacorta, do qual já falamos nesse post.

É uma região relativamente pequena ao sul do Lago d’Iseo com uma belíssima paisagem de pré colinas. Ao contrário da região do Oltrepò Pavese e da Valtellina, até os anos 70 a Franciacorta não tinha tradição própria e se limitava a produção de vinhos medíocres, quase sempre para o autoconsumo dos pequenos agricultores locais.

A paisagem da região da Franciacorta

A paisagem da região da Franciacorta

Graças a uma história empresarial de sucesso, em poucas décadas a Franciacorta se tornou a região italiana mais importante para a produção de espumantes com método clássico com garrafas que podem competir com o famoso Champagne francês.

Nossa degustação de 6 espumantes em uma cantina na Franciacorta

Nossa degustação de 6 espumantes em uma cantina na Franciacorta

Nesse caso, a uva nativa foi substituída pela Chardonnay e Pinot para criar o espumante. Franciacorta significa espumante método clássico. Um nome, um território, um vinho.

A região também produz um tinto que eu gosto muito, o Cuterfranca.

Valtellina: se apresenta no mercado como a Franciacorta, ou seja, com um só vinho que leva o nome do território. Nesse caso é um tinto que utiliza uma uva nativa, a Nebbiolo, que é utilizada para a produção do Sforzato e de outros 5 vinhos DOCG (Denominação de origem controlada e garantida) com as sub denominações: Maroggia, Sassella, Grumello, Inferno e Valgella.

A região é na parte oposta do Oltrepò e fica ao Norte da Lombardia entre os Alpes e na fronteira com a Suíça. Por esse motivo, os vinhedos são cultivados em esplendidos terraços encravados nas montanhas e expostos ao sol.

Os terraços na Valtellina

Os terraços na Valtellina

Ao contrário da Franciacorta, a região tem uma tradição na produção vinícola, tanto que o vinho sempre foi uma mercadoria importante no comércio entre a população do vale e os pequenos povoados suíços e austríacos. Até Leonardo Da Vinci, no século 15, definiu o vinho da Valtellina “muito potente”.

As cantinas de todas as três regiões tem visitas guiadas e degustações durante todo o ano. Pensando na  beleza dos lugares, seja natural que artística, unida as maravilhas da gastronomia local, eu sugiro para quem passa por Milão, tem tempo e é interessado em vinhos, uma visita a uma vinícola lombarda.

“A vida é muito breve para bebermos vinhos medíocres.” (Goethe)

Vamos aprender com Goethe e brindamos com um Franciacorta,  Valtellina ou Oltrepo’. A vocês a escolha!!

Para ler os outros post que fazem parte da blogagem coletiva de gastronomia italiana acesse os links:

Brasil na Itália
Passeios na Toscana
Turismo em Roma
Viagem na Itália
 
Fotos: Milão nas mãos e internet
 
 

Gastronomia italiana: doces e sobremesas

Este post  faz parte da Blogagem Coletiva de Gastronomia Italiana, promovida por blogueiras brasileiras residentes na Itália que durante às sextas-feiras de outubro irão publicar  uma série de textos sobre especialidades da cozinha italiana. O post de hoje aqui no Milão nas mãos traz os doces e sobremesas da região da Lombardia.

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Desafio qualquer pessoa a responder um doce que lhe vem a cabeça quando digo Milão. Se não todo mundo, a maioria das pessoas vai responder: panettone.

A resposta está completamente certa, já que esse pão natalício tão conhecido pelos brasileiros, nasceu meio por acaso aqui em Milão, no século 15. Aqui nesse post  eu conto toda a história e onde comprá-lo o ano todo em Milão.

panettone

Mais do que sobremesas, pelo menos como a conhecemos nós brasileiros,  Milão e a região da Lombardia tem alguns doces típicos como bolos e biscoitos, que são pouco conhecidos fora do país, já que muitos são ligados aos produtos locais ou a comemorações em datas específicas.  São também menos doces do que os nossos e mais secos, já que se utiliza menos cremes e chantily  e é mais comum o uso de amêndoas, castanhas, avelãs e frutas como maça ou pera.

Fica aqui uma pequena lista das maravilhas açucaradas dos nossos arredores.

A lista das delícias açucaradas de Milão e arredores que começa com o já mencionado Panettone, continua com a torta paesana, feita de chocolate, leite, pão velho, pinolli e uva passa e muito consumida nessa época do ano (outono) para festejar as festas de bairros e cidades da região. Confesso que eu espero o ano inteiro para come-la. Adoroe já comi a minha desse ano (a foto abaixo foi feita na cozinha aqui de casa).

doces sobremesas milao italia

Torta Paesana

Também comum encontrar no final de outubro e início de novembro, o pan dei morti, biscoitos de chocolate assim chamados porque eram assados para festejar os mortos no feriado de finados.

Sempre como biscoito, Milão tem também o pan dei mej (em dialeto) feito de milho miúdo, um cereal pouco usado e conhecido no Brasil. A lenda conta que o pan dei mej era preparado no dia 23 de abril, dia de São Jorge, padroeiro dos leiteiros, e por isso era servido acompanhado de creme de leite fresco. Aqui em Milão é vendido no famoso Luini, do qual já falamos nesse post.

Pan dei Mej

Pan dei Mej

Na época do Carnaval, o doce mais encontrado são os famosos Tortelli di Carnevale ou Tortelli di São José (comemorado dia 19 de fevereiro), que é uma massinha que quando é frita vira um bolinho oco (parece o nosso bolinho de chuva). Pode ser consumido assim ou recheado de creme ou chantily.

Bolinhos de Carnaval

Bolinhos de Carnaval

Para citar outros doces que não são de Milão, mas de outras cidades da Lombardia, temos a famosa Torta Sbrisolona, que é de Mantova e é um bolo bem seco e duro feito com amêndoas, muita manteiga e baunilha. Os amantes desse bolo afirmam que não se deve ser cortado e sim quebrado com as mãos. Quase sempre é consumido acompanhado de vinho licoroso.

A cidade de Bérgamo tem um doce bem típico, que eu compro sempre quando vou que é a Polenta e Osei, mas atenção, aqui estamos falando da versão doce (já que existe uma salgada) que é feita de uma polenta doce revestida com uma massa de amêndoas e decorada com um passarinho de chocolate em cima.

Polenta e osei

Polenta e osei

Depois de entrada e pratos principais, escolha seu doce para terminar a sua refeição.

Para ler os outros post que fazem parte da blogagem coletiva de gastronomia italiana acesse os links:

Brasil na Itália
Passeios na Toscana
Turismo em Roma
Viagem na Itália
 
Fotos: Milão nas mãos e internet
 
 

Gastronomia italiana: pratos principais

Este post  faz parte da Blogagem Coletiva de Gastronomia Italiana, promovida por blogueiras brasileiras residentes na Itália que durante às sextas-feiras de outubro irão publicar  uma série de textos sobre especialidades da cozinha italiana. O post de hoje aqui no Milão nas mãos traz os pratos principais da região da Lombardia.

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Continuando o ritual das refeições italianas, depois das entradas, das quais falamos nesse post, temos os pratos principais, divididos em primi (primeiros) que são a base de massa ou arroz e secondi (segundos), que ficam entre as carnes e peixes e seus acompanhamentos.

Mas a cozinha da Lombardia, e especificamente a milanesa, tem também seus pratos únicos, como é  caso da Cassoeula, ensopado que tem origem na “cozinha pobre” (simples), feita de verduras e carnes pouco nobres, como as linguiças.

A cassoeula

A cassoeula é muito consumida por aqui nessa época do ano, por ser um prato forte e que é servido bem quente. Faz parte das comemorações dos aniversários de várias cidades dos arredores de Milão, festejados entre outubro e novembro.

É nessa época do ano também que os milaneses comem muito a trippa, aqui chamada de busecca, que é preparada também em outras regiões da Itália e é o estômago do boi. Nada mais nada menos do que a nossa conhecida dobradinha.

Podemos dizer que Milão não tem um prato de massa característico, mas aqui na região das montanhas, o pizzoccheri, massa feita de trigo sarraceno e cozida com batatas, erbette e queijo derretido, impera. Assim como a polenta, que acompanha carnes como cervo, coelho ou queijo e funghi.

Mas se estamos aqui para falar de um prato desse lugar, temos dois grandes protagonistas da gastronomia italiana conhecidos no mundo, um primo e um secondo: o risoto à milanesa e o bife à milanesa.

O risoto de açafrão do restaurante Pisacco

O primeiro é o que chamamos também de risoto amarelo, porque é a versão do prato feito com o açafrão e que nasceu aqui, onde a lenda conta que um dos pintores dos vitrais do Duomo (que eram feitos com cores de elementos naturais), no século 16 usava muito o açafrão para calibrar várias cores e um dia seu chefe soltou: “só falta um dia você colocar açafrão até no risoto”.   O pintor aceitou a provocação e dias depois nascue o risoto com uma pitada de açafrão: o risotto alla milanese.

Como eu disse, o risoto é um primeiro prato, mas aqui também é muita famosa e adorada por essa que vos escreve, a versão do risoto a milanesa servido com carne de ossobuco. O melhor que comi na cidade, foi em um dos restaurantes do hotel Four Seasons de Milão, mas isso é assunto para um outro post.

Já o bife à milanesa, aqui chamado de cotoletta, parece ter influências de época de dominação austríaca. Quase sempre é feita com o bife da carne de boi, mas existem algumas versões de frango. O segredo está na espessura (não pode ser muito grosso) e na maciez da carne.

O bife à milanesa do Milano Bakery

Casseoula, tripa, pizzocheri, risoto e bife a milanesa…quando você passar por Milão, vai ter que ficar muito mais de um dia para provar tudo.

Buon apetito!!

Para ler os outros post que fazem parte da blogagem coletiva de gastronomia italiana acesse os links:

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