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Pratos para saborear no outono

Este post faz parte da Blogagem do Outono Europeu, uma série de posts sobre o outono europeu que o Milão nas mãos, juntamente com outros blogs brasileiros de cidades europeias, estará publicando.
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A gastronomia italiana tem os seus ritmos, e o mais importante deles é o ritmo das estações do ano.

Algumas frutas e verduras não estão disponíveis o ano todo nos supermercados e isso condiciona a preparação dos pratos. Sem contar a questão da temperatura: se brasileiros se aventuram a comer feijoada sob um sol de 40 graus, aqui deixamos os pratos mais consistentes para a chegada do frio.

E eis que da metade de setembro, início de outubro, os menu dos restaurantes e as delícias preparadas nas casas dos italianos, começam a mudar de cara e ingredientes: são os pratos de outono.

É a estação por excelência do funghi, já que quem “va per funghi” (ir procurar funghi), geralmente o faz a partir do final de agosto até outubro, quando as condições climáticas são ideais para encontrá-los.  Eles são muito usados para risotos e como guarnição de polenta, outra protagonista dessa estação.

Polenta com linguiça e com carne de cervo

Polenta com linguiça e com carne de cervo

A polenta também acompanha carnes mais fortes como cervo, o brasato cozido no vinho,  o coelho, linguiças ou queijos como o gorgonzola e taleggio.

Para quem aprecia o gosto forte, é agora que também temos o melhor das trufas (brancas e negras), que são usadas na preparação de massas, carnes e risotos.

As massas também sofrem uma pequena transformação e voltam a ser preparadas com molhos mais fortes e em receitas como o meu adorado Pizzoccheri, uma massa feita de trigo sarraceno e servida com batata, erbette (uma espécie de espinafre) e queijo derretido, que é típica aqui da Valtellina, região de montanhas perto de Milão.

Tagliolini com trufas negras, pizzoccheri, sopa de grãos mistos e filet com raspas de trufas.

Tagliolini com trufas, pizzoccheri, sopa de grãos e filet com raspas de trufas.

Voltam também às mesas, as sopas de grãos mistos, muito apreciadas e consumidas pelos italianos.

Como não poderia deixar de ser, os doces também dançam a dança das estações e aqui a estrela é a castanha, presente no famoso bolo de chocolate com castanhas ou nos marrom glacês, servidos como sobremesa.

Marron glacè com calda de chocolate

Marron glacè com calda de chocolate

Para completar, só escolher um bom vinho e boa companhia… Buon apetito!!

Para ver os demais posts da Blogagem do Outono Europeu, visite:

Alemanha! Porque não?
Conexão Paris
Londres para principiantes
Passaporte BCN
Turomaquia
 
Fotos: Milão nas mãos

Gastronomia italiana: entradas

Este post  faz parte da Blogagem Coletiva de Gastronomia Italiana, promovida por blogueiras brasileiras residentes na Itália que durante às sextas-feiras de outubro irão publicar  uma série de textos sobre especialidades da cozinha italiana. O post de hoje aqui no Milão nas mãos mostra as entradas típicas da região da Lombardia.

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A refeição italiana é feita por partes. Nada de colocar tudo no prato, misturado, como nós brasileiros estamos acostumado.

Para começar o longo ritual, a pedida é o antepasto, que tem origem no período romano, onde já existia o costume de servir pequenos petiscos chamados Gustatio para abrir o apetite dos hóspedes.

Exemplo de entrada em um restaurante de Milão

Exemplo de entrada em um restaurante de Milão

Os italianos não largaram mais esse costume e ainda hoje a entrada faz parte dos menus de restaurantes chics e também dos mais rústicos, assim como dos longos almoços e jantares das famílias italianas, especialmente em grandes comemorações.

A entrada é considerada um momento importante da refeição, já que é quase como um cartão de visitas do que está para vir.

Aqui na Lombardia, as entradas quase sempre mudam dependendo da estação do ano. Frios e salames são muito consumidos, sendo que a Bresaola, feita de carne de vaca ou cavalo, é típico da Valtellina e é o tipo de  frio lombardo por excelência.  Geralmente é servida com rúcula e lascas de queijo Grana Padano (o parmigiano da Lombardia). Uma outra versão, são os canudinhos de bresaola recheados com queijo de cabra.

entradas italianas gastronomia

Bresaola com rúcula e raspas de queijo grana

A lista continua com a polenta, que como entrada é servida em discos com a cobertura de um queijo da região, bem forte, chamado Taleggio. Como entrada, o mesmo queijo também é servido em pedaços fritos.

Para quem gosta de provar de tudo e comer como um verdadeiro milanês, não pode deixar de provar a salada de nervetti, que não é feita de nervo, mas sim das cartilagens dos joelhos de vitela.  Antigamente,  era servido nas osterias para acompanhar uma taça de vinho branco.

Nervetti, polenta e queijo, taleggio frito e bresaola e queijo de cabra

Nervetti, polenta e queijo, taleggio frito e bresaola e queijo de cabra

Mas a lista pode continuar com uma grande infinidade de opções, como flor de abobrinha ou folhas de salvia fritas em pastela. Ou seja, já que o banquete está apenas começando, escolha a sua entrada e bom apetite!!

Para ler os outros post que fazem parte da blogagem coletiva de gastronomia italiana acesse os links:

Brasil na Itália
Passeios na Toscana
Turismo em Roma
Viagem na Itália

Peck: Empório Gastronômico Chic em Milão

Apesar da iminência da abertura em Milão , em novembro, da nova unidade da loja de gastronomia mais famosa do mundo e muito conhecida dos brasileiros que viajam para NY, a Eataly, a cidade tem um outro nome muito mais famoso e frequentado pelos milaneses abastados para suas compras: a Peck.

Fundada por Francesco Peck,  um vendedor de salames de Praga em 1883, no início vendia só salames defumados da sua cidade natal. Em 1912 a loja foi comprada pelo senhor Magnaghi ese estabeleceu em Via Spadari, onde permanece até hoje, e  incrementou a oferta de produtos com pasta fresca, queijos e pratos prontos. Ecco, começava assim a nascer o mito Peck.

Loja Peck Milao gastronomia

Frequentada durante anos por intelectuais da cidade, mudou várias vezes de proprietário sem perder a sua auréa chique e seu padrão de qualidade.

Durantes as festividades mais importantes, principalmente no Natal, a loja é invadida pelos locais. Muito deles não renunciam ao panettone da casa, um dos muitos fabricados artesanalmente na cidade e aqui vendido durante todo o ano, como contei nesse post. Mas também compram pasta fresca, raviolis (23 euro/kg), molhos, peixe, carnes, frutas tropicais, molhos e para quem pode, na época das trufas, um pedacinho dessa iguaria vendida a 9.000 euros/kg (sim, os zeros estão certos).

trufas italianas

Misturados aos milaneses, a loja também recebe a visita de muitos turistas, que giram pelas prateleiras a procura de algo para comprar e quem sabe conseguir fotografar, que é proibido!

No subsolo fica uma incrível adega, que segundo um meu amigo que entende de vinhos, é uma das melhores e mais abastecidas da cidade. Alí, é possível também se sentar para degustar uma taça de vinho a qualquer hora do dia.

No andar de cima, fica o restaurante e o bar. Almocei com uma amiga lá há alguns meses e tenho que dizer que o atendimento foi impecável e muito atencioso.

peck Milao

Na hora do almoço eles tem opções de pratos rápidos, já preparados, no estilo rotisserie e pratos preparados no momento, como risotos e carnes. Nós optamos pelos pratos rápidos por que não tínhamos muito tempo.  Eu pedi um riso pilaf, que é um arroz cozido, quase como o nosso, com aspargos e speck (um frio defumado). Sinceramente eu esperava alguma coisa um pouco mais saborosa. Minha amiga acabou optando por panquecas com funghi porcini e molho branco. Tomamos 2 taças de vinho e água. A conta do almoço ficou em 47 euros, valor não econômico para a normalidade dos pratos que pedimos. Mas alí, o que conta é a locação, o lugar e tudo o que te rodeia.

Loja Peck em Milao

Tenho que confessar que o total da conta, na verdade, foi outro (62 euros ) e encarecido por um vício meu: o do café. Na verdade, a Peck é um dos poucos estabelecimentos em Milão com uma variedade de cafés do mundo todo para venda ou consumo no bar.

Já fazia algum tempo que eu queria experimentar o café mais caro do mundo (pela sua limitada produção mundial, só 600kg por ano), o indonesiano Kopi Luwak.

Se você pesquisar por aí, vai ler que esses grãos de café são ingeridos pela civeta e depois de passarem pelo processo de digestão e atuação das enzimas, são expelidos. Das fezes da civeta os grãos são colhidos, lavados e torrados. É por isso que a sua produção é muito limitada e ele custa tanto.

Kopi Luwak cafe Milao

O café tinha um sabor forte, intenso, que ficou na minha boca por bastante tempo. Não é um café para se tomar sempre. É o café mais caro do mundo (paguei 15 euros a xícara), mas não necessariamente o melhor, mesmo sendo considerado o caviar dos cafés.

Para os interessados, a Peck  tem também famoso café jamaicano Blue Mountain, vendido a 8 euros. Vou ter que voltar lá para provar!!

A Peck funciona em horário comercial bem reduzido, fechas às 19hs e aos domingos e segundas pela manhã. Uma opção para a noite, pode ser o Peck ItalianBar que funciona praticamente ao lado, na Via Cesare Cantù e fica aberto do café-da-manhã ao jantar.

Negozio Peck
Via Spadari 9
Segundas: 15.30 às 19.30
Terças a Sextas: 9.15 às 19.30
Sábados: 9.00 às 19.30
Fechado aos Domingos

Ristorante Al Peck
Via Spadari 9
Segundas:15.30 às 18.00
Terças aos Sábados: 12.00 às 18.00
fechado aos Domingos

Peck Italian Bar
Via Cesare Cantù 3
Segundas aos Sábados: 07.30 às 23.00
Fechado aos Domingos

Fotos: Milão nas mãos

Restaurante Parma&Co

A área de Corso Garibaldi é uma das mais vivas da cidade. A noite é um dos eixos da badalação milanesa junto com a sua continuação, Corso Como  e comentei sobre ela, brevemente, quando falei do vizinho hotel Maison Moschino.

Há uma semana atrás, antes de uma visita guiada a uma das minha igrejas preferidas na cidade, a Basílica de San Simpliciano, resolvemos almoçar em um dos restaurantes da rua, o Parma&Co, muito frequentado pelos locais, principalmente durante o horário de almoço nos dias de semana.

restaurante Milao Parma Co

Quando estívemos lá era sábado,  tinha gente, mas estava tranquilo. Como o diz o nome, o local tem um look de “salumeria”, típico lugar italiano de venda de frios e salames. Formas de queijo parmigiano, presuntos crús inteiros e salames pendurados decoram o restaurante, que não é grande, mas tem o seu charme italiano.

restaurante Parma Co Milao

No cárdapio, o melhor da tradição da cozinha emiliana: tortelli, ravioli, pratos de frios, sopas (no inverno) e carnes assadas. Como não poderia deixar de ser, eles também sempre servem uma boa porção de gnocco fritto, um pastelzinho sem recheio que os emilianos comem acompanhado de frios.

Essa foi a minha pedida: um prato com um mix de frios (presunto crú, cozido, lardo, mortadella, salames), pedaços de parmigiano e gnocco fritto. Meus acompanhantes escoheram um prato de carne porco com molho de atum (é estranho, eu sei, mas é isso mesmo) e o fiochetto assado, um tipo de presunto defumado levemente assado.

parma co milao restaurante

A qualidade dos frios que comi era excelente e meus acompanhantes também gostaram muito do que comeram. O serviço era o padrão gentil-milanês, isso quer dizer educado mas não necessariamente simpático. Um pouco de distração na hora de trazer o café, pelo qual esperamos um poquinho e tivemos que pedir duas vezes. Mas é verão, estávamos com tempo, então vou perdoar. Os preços dos pratos variam entre 10 e 15 euros. Para 3 pessoas, com uma garrafa de vinho tinto gastamos 65 euros.

No inverno, aos domingos, eles servem o brunch, que custa 29 euros por pessoa e é servido com um buffet e alguns doces. O cardápio está sempre disponível no site deles.

Para quem está passando por alí (Brera é a pouquíssimos passos) pode ser uma opção legal para comer uma coisa diferente.

Parma&Co
Via Delio Tessa, 2 – esquina Corso Garibaldi
De segunda à sábado das 12 às 15 e das 19 às 22.30
Domingos brunch das 12 às 16
 
 

Dicas de sorveterias em Milão

Eu sou uma pessoa bem bem ligada em doces, mas confesso que não sou doida por sorvete. Tomo um de vez em quando. Mas tenho que admitir: o sorvete italiano não tem rivais no mundo.

Por aqui ele é consumido o ano inteiro, não tem essa que no inverno não se toma sorteve, incluindo as crianças. Mas é claro que na primavera e verão o consumo aumenta e as filas nas sorveterias também.

sorveteria Milao

Milão tem uma infinidade de sorveterias e elencar muitas delas seria uma tarefa árdua. Se você estiver por aqui, a minha dica é fugir dos sorvetes dos bares do centro, não porque a qualidade não seja boa, mas vale a pena procurar estabelecimentos que se dediquem só à produção dessa delícia, uma típica “gelateria”.

No centro, pertinho do Duomo e da Galeria Vittorio Emanuele temos duas boas opções. Na frente do famoso panzerotto Luini, fica a sempre cheia Cioccolati Italiani, especializada, como diz o próprio nome, em sorvetes no sabor chocolate de várias partes do mundo. Mas não faltam também algumas opções de sabores de fruta, como limão siciliano e tangerina (que aqui se chama mandarino).

sorveteria cioccolati italiani milao

A grande atração da sorveteria são três fontes de chocolate que ficam atrás do balcão. Se você pedir uma casquinha, a atendente te pergunta com que chocolate você quer enchê-la. A fórmula faz sucesso e a fila é grande. É justo por isso que não é a minha preferida: não tenho paciência para o comportamento muito italiano de não saber formar filas. O atendimento é confuso e em alguns dias a espera pode levar meia-hora.

A poucos passos dalí, na lateral da Galeria Vitorio Emanuele, fica uma das lojas da rede Gromm, famosíssima na cidade com 7 lojas. É a minha escolha quando estou nas imediações. Bons sorvetes de cremes e opções de frutas, com propostas de sabores  que mudam de acordo com a estação do ano.  Na Grom eu sempre peço o sabor Crema di Grom combinado com algum outro.

Na mesma rua fica a Venchi, umas das minhas preferidas também para os sorvetes de creme. Assim como na Groom, lá os sorvetes não ficam expostos e em contato com o ar (o que não é o ideal) e sim dentro de recipientes fechados com tampas. Aprendi na Universidade do Sorvete em Bolonha que assim é o certo.

sorveteria grom milao

Mas a minha favorita quando estou em Brera ou na região dos canais é a Amorino, que como as outras, também oferece sabores a base de cremes  como chocolate, avelãs, baunilha, canela, caramelo, etc e sabores de fruta como banana, manga, maracujá e coco.

Confesso que só posso dar a minha opinião sobre 2 sabores, já que não peço outra coisa quando tomo o sorvete da Amorino: amaretto e caramelo com manteiga salgada (esse último, também provei na Gromm e pra mim não chegava aos pés).  O charme é ainda a massa servida em forma de flor na casquinha.

sorvete amorino milao

Se você prefere sorvete de fruta ou creme, não deixe de entrar em uma sorveteria italiana e se deliciar com seu sabor preferido ou um sabor novo. Aqui eles são ainda feitos de forma artesanal, muitas vezes em laboratórios atrás das próprias lojas. Uma ds mais badaladas e adoradas pelos milaneses é a  Gelateria della Musica, que tem uma loja em uma pracinha escondida perto do Duomo.

É provar para adorar!!!

Fotos: Milão nas mãos e divulgação (Cioccolati Italiani)

Cioccolati Italiani
Via de Amicis 25
Via San Raffaele 6
 
Grom
Via S. Margherita 16
Corso Buenos Aires 13
Corso di Porta Ticinese 51
 
Amorino
Via Fiori Chiari 9
Alzaia Naviglio Grande 24
 
Venchi
Via Mengoni, 1
Via dei Mercanti
 
Gelateria della Musica
Piazzetta Pattari, 2