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A cidade que sobe

Como todas as cidades européias e, diferente do que aconteceu nas grande metrópolis sul-americanas, Milão durante o século XX se desenvolveu basicamente em horizontal.

As poucas construções altas da cidade são dos anos 50-60 e por anos nada mais foi construído. Os 2 símbolos verticais da cidade, a Torre Velasca e o aranha-céu Pirelli foram construídos nos anos do pós-guerra.

De repente, com a aproximação do século XXI, começaram, entre o entusiasmo de alguns e o ceticismo de outros, grande projetos que estão “equipando” Milão de arranhas-céus modernos e funcionais, inseridos em um contexto de novos parques urbanos e ilhas de pedestres. Os projetos principais (City Life e Porta Nuova) reurbanizam duas áreas centrais e, visto a altura dos edifícios, não podem fugir à atenção de que chega na cidade.

A área ao Norte do anel central de Milão é, de fato, un grande canteiro e os milaneses encontram-se diante de algo que não estão acostumados: uma cidade que sobe freneticamente dia após dia.

Alguns edifícios, como a nova sede da Região Lombardia já estão prontos, outros, como as torres Pelli estão em fase final de conclusão e outros ainda são só projetos. Se a próxima Expo 2015 deveria acelerar os canteiros, a atual crise econômica poderia por sua vez, atrasá-los. De qualquer maneira pelos próximos 5 anos os guindastes e obviamente os novos edifícios dominarão o skyline da cidade.

Para ver como os milaneses aceitarão estes novos milhões de metros cúbicos abitáveis temos que esperar ainda alguns anos, quando os canteiros terminarem e se descobrirá se as novas áreas conseguirão se integrar com as áreas ao redor ou se resterão simples centros direcionais cheios de dia e vazios a noite.

La città sale – Umberto Boccioni -1910 – MoMA New York.

Mas uma coisa é certa: os guindastes que se movem, os arranhas-céus que sobem e o dinamismo que caracterizam os canteiros teriam, com certeza, encantado Umberto Boccioni, renomado artista do movimento futurista italiano do ínicio do século XX. A sua primeira obra futurista é intitulada “La città che sale” (A cidade que sobe).

 

A Galeria Vittorio Emanuele

Depois da Praça Duomo e a sua catedral, no imaginário dos turistas é impossível pensar em Milão e na sua praça e não pensar na Galeria Vittorio Emanuele. A maioria de nós, que mora na cidade, a atravessamos na correria do dia-a-dia olhando direto para o outro lado, em direção a Praça Scala. Uma pena, já que é um deleite se perder olhando para cima, onde a Galeria mostra todo o seu esplendor, principalmente chegando ao centro do magnifico edifício em forma de cruz com a sua belíssima cúpula em ferro e vidro que cobre a parte octogonal.

Chamada pelos milaneses de antigamente e de hoje de “O Salão de Milão”, ela foi pensada para ser um corredor chic e coberto que unisse as duas praças. Por alí, no início do século XX os burgueses da cidade desfilavam, conversavam e jantavam antes dos espetáculos do Teatro alla Scala.

Galeria Vittorio Emanuele (entrada praça Duomo)

Construída entre 1865 e 1877 com teto de ferro e vidro, como as novas construções arquitetônicas na Europa naquela época (como o Crystal Palace em Londres), o edifício hospeda ainda hoje cafés e restaurantes históricos de Milão como o Biffi, Il Camparino e o luxuoso Savini, lojas de moda como Prada, Louis Vuitton, Tod´s e até pouco tempo atrás o famoso fast food americano. Todos os estabelecimentos devem ter seus nomes do lado de fora escrito em dourado com fundo preto. Nem o fast food e seu logo inconfundível escaparam dessa regra.

Em agosto de 1943 durante a Segunda Guerra Mundial a Galeria não foi poupada dos bombardeios ingleses e foi quase que completamente destruída junto com outros edifícios da cidade. A reconstrução dos anos seguintes trouxe de volta todo o seu esplendor.

Quando estiver em Milão a dica é atraversá-la sem pressa, prestando atenção em cada detalhe e olhando também para cima e não se esqueça de passar pelo touro a mosaico no chão (à esquerda do octagono indo em direção da Praça Scala) e com o calcanhar do pé direito nos testiculos do animal dar 3 voltas inteiras. Dizem que dá sorte. É pura superstição, mas todo mundo faz.

Para uma visão de cima do octágono, suba até a Pasticceria Marchesi (em cima da Prada Uomo) para tomar um cafezinho (mesmo em pé) e xeretar essa beleza lá de cima.

 

Amor e Psique em Milão

Amor e Psique. A história desse casal, ele deus do amor (Eros), ela a mais linda de todas as mortais, capaz de despertar a fúria e a inveja de Afrodite, deusa do amor e mãe de Eros, rendeu várias obras de artes.

Quadros e esculturas, ao longo dos séculos reproduziram a beleza e o amor desses dois jovens apaixonados.

Até o dia 13 de janeiro 2013, com entrada gratuíta no Palácio Marino, sede da prefeitura de Milão, ficarão expostas duas obras provenientes do Museu do Louvre.

As obras expostas no Palácio Marino

 Logo na entrada da magnífica sala Alessi, onde foi reproduzido um jardim neoclássico (período da obras), o quadro “Psyché et l’Amour” (1798) do pintor francês François Gérard . Depois de uma breve explicação da guia (em italiano) se passa à parte de trás, onde está exposta a escultura “Amore e Psiche stanti” (1797) do escultor italiano Antonio Canova.

A entrada é feita em grupos e a visita não dura mais que 15 minutos. A espera na fila, no lado de fora, depende do horário e do dia da semana (eu esperei 15 minutos para entrar, mas não era final de semana).

A exposição faz parte da parceria da iniciativa privada (ENI) com o museu francês, que pelo quarto ano consecutivo propõe a exposição de singolas obras de arte (é a segunda vez que são expostas duas) com ingresso gratuíto. As edições passadas foram um sucesso e pelas filas que tenho visto nos últimos dias na Praça Scala, esse ano não vai ser diferente.

Se você estiver em Milão nesse período, porque não dar uma passadinha?

Amore e Psiche a Milano
Palazzo Marino – Sala Alessi
Piazza Scala, 2
Até 13 de janeiro 2013 das 9.30 às 20
Ingresso gratuíto
 

Foto: site Comune di Milano

 

Santo Ambrosio e “La Prima della Scala”

7 de dezembro é dia de Santo Ambrosio,  importante arcebispo de Milão no século 4 e também seu padroeiro. Feriado em Milão, é um dia importantíssimo para os milaneses porque também é a data, desde 1951, de um grande acontecimento para eles (participantes ou não): “La prima della Scala”, a estréia da temporada lírica do Teatro Scala, evento cultural, institucional e mundano da cidade.

Prefeito, presidente da república, primeiro ministro, empresários, famosos e ricos, se reúnem para assistir a ópera que abrirá a temporada lírica e que é diferente todos os anos, assim também como muda o maestro regente da orquestra.

Depois, um total de 400 convidados partecipam de um grande jantar de gala. Os ingressos para a estréia chegam a custar 2.000 euros. Durante o ano, é possível comprar ingressos um pouco mais baratos para as óperas e apresentações da Filarmônica della Scala, mas mesmo assim, os preços podem ainda ser salgados.

scaladimilano

Para os menos abastados, a opção é assistir a estréia pelo telão instalado especialmente para a ocasião no octagono da Galeria Vittorio Emanuele ou em vários outros instalados pela cidade, incluindo a periferia e a prisão de san Vittore.

Durante o ano, a programação é composta das apresentações  líricas, da Filarmônica della Scala e dos espetáculos de battet e geralmentevão até o início do verão. Depois de uma pausa nos meses das férias, retoma em modo reduzido de setembro à novembro.

Para quem quer conhecer um pouco do teatro, é possível visitar o museu e ter uma visão da sala atráves de um dos camarotes, como contei nesse post.

O vídeo mostra a preparação e atmosfera dessa noite especial para a cidade e os milaneses.

 

O panzerotto do Luini

Se você esta pelo centro de Milão e quer comer uma coisa gostosa, tipica italiana e que não seja necessariamente a pizza, você tem que ir ao Luini comer um panzerotto. Gostoso e barato, é uma das melhores e mais famosas coisas que o centro de Milão tem à oferecer.

Praticamente “colado” na lateral direita da Duomo, Luini é mitologia em Milão. Fundado em 1949 pela senhora Giuseppina Luini, pugliese, no início era só uma padaria que fornecia pães aos hotéis e restaurantes do centro até que a senhora Luini resolveu preparar uma receita da sua terra: o panzerotto.

Para nós brasileiros o panzerotto pode parecer um pastel, mas a massa é completamente diferente. Pensando bem eu poderia descrevê-lo como um risoles grande, mas ainda assim não seria o suficiente. De qualquer maneira é um salgado frito, recheado de mozzarella e tomate (classico) ou de salame picante e outros recheios. Existem também as versões doces com recheios de pera e chocolate, nozes e frutas mas a massa é um pouco diferente e é assada.

A lojinha é pequena, não tem mesas dentro e quase sempre você vê a fila que se estende pela rua e mistura turistas e milaneses que trabalham na região. O serviço é rápido e depois de poucos minutos cada um sai com seu panzerotto quentinho pronto para comer.

E onde? Se você quer entrar no clima dos milaneses a dicas são duas: ou sentado na calçada do outro lado da rua (todo mundo faz) ou saindo vire a direita e depois de uns 100 metros você encontra uma graciosa pracinha com uma igreja no fundo (Praça e igreja San Fedele). Sente-se e saboreie uma das coisas mais gostosas que Milão tem a oferecer.

Eu levo todo mundo que passa por aqui até lá. E todo mundo a-do-ra!

Luini

Via S. Redegonda, 16
Segundas: 10h-15h
Terças á Sábado: 10h-20h
Domingos e todo o mês de agosto: fechado