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Temakinho e Fruteiro: um pouco de Brasil em Milão

Milão tem uma comunidade de brasileiros bem grande. Como a segunda maior cidade do país e altamente industralizada, atrai muitas pessoas que vem trabalhar na cidade e arredores.

Com isso, nesses quase 13 anos que estou aqui, timidamente vi nascer alí ou aqui alguns empreendimentos com configuração e alma verde-amarela na cidade, que se juntaram a alguns restaurantes-churrascarias já presentes há algum tempo, como o Barbacoa, que eu confesso que não conheço.

Eu já me acostumei a não consumir muitos dos produtos e comidas brasileiras que no início eu sentia falta, coisas como: coxinha, sonho de valsa, paçoca, guaraná. Agora, me contento de come-los uma vez por ano, quando vou ao Brasil.

sucos brasil Milão

Mas quando chega o verão, passando pelos lados de Brera e as vezes até para enganar meu estômago antes do almoço, dou uma escapada na loja do Fruteiro do Brasil, loja de sucos e sorvetes, especializada em sabores com nossas frutas. Já que não tenho como comer goiaba, vou de suco (de polpa) de goiaba. Mes coisa com o maracujá.

Mascostes Milão nas mãos também adoram um sorvetinho de manga. Eles vendem também tijela de açaí e os sucos são feitos com água ou leite, tipo vitaminas, misturando mais de uma fruta.

A loja é bem frequentada também pelos milaneses que adoram um sabor tropical (ou fruta exótica, como eles chamam aqui).

Outro lugar brasuca, agora já com 2 filiais, é o Temakinho. O primeiro restaurante, pequeninho, abriu no Navigli e ainda está lá. Há pouco mais de um ano, eles abriram um bem maior, com cadeiras na calçada no verão, no movimentado Corso Garibaldi, muito frequentado pelo locais.

Nascida no bairro japonês da Liberdade, admito que não gosto de comida japonesa, mas já tinha lido que o Temakinho servia a melhor (e talvez única autêntica) caipirinha. Essa sim eu aprecio.

restaurante japones milao

Já que o lugar é um restaurante e não faz só serviço de bar-aperitivo, demorei, mas em um sábado de sol de maio, depois de ter acabado um dos passeios culturais em Milão com um casal lá por aqueles lados, resolvi almoçar por lá.

As mesas na calçada estavam todas ocupadas e como eu estava sozinha, me colocaram no balcão, que fica em frente do time de brasucas que preparam os temakes.

Tudo muito cru para o meu gosto, acabdei optando por um roll com atum, robalo, manga e outras cositas mas, que era frito. Na minha cabeça, os ingredientes eram crus, mas imergidos em óleo fervendo…Tava valendo.

Pra mim, que caipirinha quer dizer de limão e cachaça, acabei me deparando com vários sabores e resolvi transgredir. Uhuuu!! Fui de caipirinha de goiaba, mas só depois eu vi que tinha uma de manga com pimenta rosa (mas também tem graviola, abacaxi, maracujá, açaí).  Vou ter que voltar.

Acho que o roll estava bom, não tenho como comparar com outras coisas que comi. Sem pensar muito, comi tudo. Mas a maravilha mesmo, naquele sábado de calor, era a caipirinha de goiaba.

milao restaurante japones

Eles também tem no cardápio cervejas brasileiras como: Brahma, Skol, Bohemia e Xingu e refrigerantes Guaraná e Fanta.

O ambiente é bem iluminado, colorido e os garçons e garçonetes, todos brasileiros, garantiram um atendimento gentil e educado. Os preços não são baratos, mas aqui é Milão, baby!! E com certeza a matéria-prima fresca deve influenciar muito no preço. Meu roll de atum e robalo, 9,50 euros, caipirinha 7,50.

Claro que se você passar por aqui por poucos dias, vale mais a pensa se jogar na comida italiana e nos vinhos, como o Francicorta ou os tintos da região. Mas se der vontade de tamaki e caipirinha, fica a dica.

Usando a desculpa que não estava com o marido e que ele tem que experimentar, já estou pensando em voltar para provar a caipirinha de manga. Sabores de casa.

Fruteiro do Brasil
Via Rivoli (Brera)
De segunda a sábado das 11 às 19h30
Fechado aos domingos
 
Temakinho (site)
Ripa de Porta Ticinese, 37
Aberto todos os dias das 12 às 15h e das 19 às 24h
Corso Garibaldi, 59
Aberto todos os dias das 12 às 15h e das 19 às 24h

Al Pont de Ferr: a osteria milanesa estrelada

Acho que já confessei que não me divirto em escrever sobre restaurantes e comida, senão eu teria um food blog, genero muito mais seguido (como os blogs de moda) do que os blogs de viagem.

Mas um país e uma cidade também querem dizer gastronomia e nisso, o país bota tem uma reputação de todo respeito. Então lá vou eu, pensando nos meus queridos leitores e nas dicas que valem realmente a pena em Milão.

Domingo era dia de comemoração de aniversário de casamento por aqui e talvez inspirada pelo recente post sobre os restaurantes estrelados Michelin em Milão e pela vontade de uma voltinha pelo bairro Navigli em um lindo dia de sol de primavera, de manhã resolvemos sair para um almoço comemorativo e acabamos escolhendo ir conhecer o restaurante Al Pont de Ferr, uma estrela conquistada em 2012 e que fica as beiras dos canais milaneses.

Ajudaram na escolha, a procura de um lugar de qualidade sem preços proibitivos e cardápio inovativo mas sem aquelas combinações estranhas de ingredientes que estão na ordem do dia de muitos restaurantes por aqui. Ligamos pela manhã para reservar e lá fomos nós.

milão dicas  restaurante estrelado

Eu, sinceramente, não tinha visto fotos do restaurante antes e quando cheguei já gostei da despretensão: mesas de madeira, arrumadas com divertidos jogos americanos de papel com ilustrações feitas especialmente para o restaurante em um ambiente de muros de tijolinhos a vista. Uma velha osteria milanesa, como aquelas de antigamente.

Al Pont de Ferr não é um restaurante da moda, do momento. Ele já existe há 25 anos e há mais ou menos 5, com a chegada do jovem chef uruguaio Matias Perdomo*, começa a sua viagem até o reconhecimento Michelin**, através dos pratos inovativos.

Além das propostas alla cart, o restaurante propõe vários tipos de menù degustação: A tradição (que reúne alguns pratos que fizeram o nome da osteria – 60 euros), Água (a base de peixe – 70 euros), Terra (vegetariano – 70 euros), Fogo (a base de carnes – 70 euros) e por último A loucura está no ar (menù mais completo que reúne cerca de 20 pratos dos precedentes – 120 euros). Todos os menùs incluem também a sobremesa.

Ainda que quiséssemos provar um pouco de tudo, acabamos pedindo o mesmo menù, A Tradição. A diversão já começou em uma pequena entrada oferecida pela casa, onde uma salada com creme de iogurte vem acompanhada de um bom bom de Campari.

pratos

Para todo o resto, deixo as fotos falarem por mim, mesmo que elas não comuniquem a engenhosidade do primeiro prato, onde um creme de queijo de cabra vem servido dentro de uma “cebola” feita de calda de açucar queimado rosa; a maciez da carne de porco espanhola e o cheiro da fumaça de charuto Montecristo, servido com a sobremesa (um charuto de chocolate acompanhado de sorvete de rum) só para criar atmosfera.

restaurante estrela michelin milao

O ambiente descontraído e sem frescuras, se casa perfeitamente ao toque “divertido” dos pratos. Outro ponto a favor, são os garçons educados, jovens, bonitinhos e de cabelos impecáveis, mas que não são meros modelos (categoria muito presente nos restaurantes de Milão) e sabem realmente o que estão servindo e conhecem os vinhos que melhor combinam com o menù.

Vale a pena dizer, que em setembro do ano passado, tínhamos ido ao recém aberto Rebelot del Pont, bar bistot que fica ao lado e cria do Al Pont de Ferr, que propõe um aperitivo diferente em Milão, com vários tipos de tapas (sim, como as espanholas) preparadas pelo chef paulista Mauricio Zillo, discípulo de Matias, onde me deliciei com um ótimo gaspacho e um atum servido com creme de mandioca. Sabor de casa…

milao dicas bares

Para quem quer viver a experiência de uma ótima cozinha com preços honestos em um dos bairros mais característico de Milão.

 Al Pont de Ferr
Ripa di Porta Ticinese, 55
02 89406277
Aberto todos os dias almoço e jantar
 
Rebelot del Pont
Ripa di Porta Ticinese, 55
Aberto das 18 às 02hs
Domingo das 12 às 02hs
Fechado às terças
 
*Post editado maio 2015: Em abril de 2015, o chef do al Pont de Ferr mudou. Agora a cozinha do restaurante está sob o comando do chef Vittorio Fusari. Com isso, os pratos apresentados nesse post que faziam parte do menu que eu provei, não existem mais. Mesmo destino ao Rebelot del Pont, que passa a ser comandado pelo chef italiano Matteo Monti.
 
**Post editado dezembro 2015: com a mudança de chef, o restaurante al Pont de Ferr perde a estrela Michelin. 
 

A nova Eataly em Milão

A fórmula de negócios dos empórios gastronômicos Eataly, é uma fórmula vencedora: o empresário piemontês Oscar Farinetti leva e vende o melhor dos produtos italianos no mundo. É sucesso em cidades como New York, Chicago, Tokio, Dubai e parece que logo, em São Paulo.

Acho que podemos dizer que é sucesso também aqui, já que a marca está presente com grande lojas em Roma, Genova, Bari, Florença e Turim.

Digo acho, porque tenho a impressão que muitos brasileiros, sabem mais o que é Eataly do que alguns dos meus amigos italianos aqui. Ainda que a fórmula seja vencedora pelo mundo afora, aqui a Eataly vende o que podemos comprar em muitos supermercados ou pequenas lojas gourmet pela cidade: uma géleia de cebolas vermelhas para comer o queijo, um pesto de cime di rappa, um bom vinho por 7,50 euros e por aí vai.

Milao Eataly Emporio

Milão já tinha uma pequena unidade da loja, no subsolo da loja de departamentos Coin e que apresentamos aqui no blog nesse post, mas há um mês, a cidade ganhou finalmente a sua nova loja, toda reformada e, que como as outras pelo mundo, mistura a venda de produtos com a proposta de restaurantes/box que servem comida por especialidades.

Passei em frente no dia da inauguração e era impossível entrar. Deixei passar um mês para ir lá conferir a nova loja, que fica em um espaço significativo de Milão, já que ocupa o interior do antigo e famoso Teatro Smeraldo de Milão, sede por anos de temporadas movimentadas da cena teatral e musical da cidade.

Era uma segunda-feira, hora de almoço e talvez fosse ainda o efeito novidade ou porque era véspera do Salão do Móvel, mas me pareceu que a unidade milanesa já nasceu pequena.

Eataly Milao

Anunciada como  3 andares, a coisa não é bem assim, já que tirando o térreo, os outros andares são na verdade mezzaninos, o que reduz bem o espaço para as mesinhas dos restaurantes. De resto, o efeito é bem bonito, já que é bem iluminada e “coroada” com um palco onde todas as noites se apresentam músicos e artistas para animar a experiência.

Repetindo a estrutura das outras lojas pelo mundo, estão lá a livraria, os utensílios domésticos, a feira de fruta e verdura (só produtos italianos, não espere encontrar frutas exóticas e tropicais), o acougue, a rottisserie, as prateleiras com todo tipo de produtos italianos, tudo emoldurado pelos restaurantes de massa e pizzas, peixe, carnes, frituras, pão, queijos e frios e por aí vai. Não faltam também as propostas de sorvetes, chocolates e doces, piadinas e os cafés.

Eataly_Milao2

Para completar, o restaurante “estrelado”  Alice, no segundo andar, comandado pela chef Viviana Varese e que tem capacidade para 50 pessoas e a possibilidade do Social Table, uma mesa “comunitária” para 12 pessoas que fica em frente a cozinha, que é de vidro.

Depois de dar uma volta de reconhecimento, estava na hora de almoçar. Eu estava com vontade de carne, mas tinha pouco tempo e a espera era longa (tinha fila) e tive que “remendar” com um prato de raviolli no restaurante de massas no térreo. Como estava sozinha, comi no balcão, que era um tantinho espremido. Os balcões dos outros boxes, nos mezzaninos, me pareceram mais espaçosos.

A qualidade da comida é média para os preços cobrados (prefiro a carne que comi no Eataly Turim). Sinceramente acho que se come melhor na cidade pelo mesmo preço (12,50 euros pelo prato e uma água natural). Mas o que conta alí é também o contexto.

restaurante Eataly Milao Emporio

Com certeza é um lugar para conferir quando você passar por Milão e aproveitar para abastecer sua dispensa de iguarias Made in Italy.  Para os aprendizes de cozinheiros, a Eataly Milão também promove cursos e workhops, que você pode conferir no calendário.

Eu vou deixar a poeira baixar e conferir o movimento daqui há alguns meses.

Eataly Milano Esmeraldo (site)
Piazza XV Aprile, 10
Aberto todos os dias, das 10 às 24h (restaurantes das 12h às 15h e das 19h às 23h)
 
 

Milão de A a Z

Para cada letra do alfabeto (brasileiro) eu poderia ter achado mais de uma opção para definir essa cidade (ok, o X e Z provavelmente não), mas aqui está praticamente a primeira coisa que me veio a cabeça quando pensei em uma letra e uma coisa que a definisse em Milão.

A como Aperitivo

É o ritual milanês por excelência. Se difundiu em outras cidades italianas (no sentido de ser feito com a modalidade de buffet abundante), mas continua tendo suas raízes aqui.

Chic, descolado, caro, barato, com buffet, com petiscos, com os amigos ou colegas de trabalho: se você vive em Milão pelo menos 1 ou 2 vezes por semana vai “fazer um aperitivo” (leia o post).

Eles começam a partir das 18.30 e podem ser rápidos, só para antecipar o jantar tomando um Negroni, Spritz, Campari  ou uma taça de Franciacorta; ou pode ser mais demorado e substituir o jantar

Na sua passagem por Milão, escolha um bar e relaxe depois de um dia de turismo, como os milaneses.

B como Brera

O famoso bairro descolado, que fica atrás do Teatro alla Scala era, até os anos 90, um bairro popular e boêmio, graças a presença (desde o sec. 18) da Academia de Belas Artes e seus alunos artistas e, posteriormente da Pinacoteca de Brera, o museu mais famoso da cidade.

Chamado a Montmartre milanesa, Brera foi também o bairro dos bordéis até 1957, ano em que a prostituição passou a ser ilegal na cidade.

Nos anos 90 a redescoberta do bairro com a recuperação de vários edifícios e o boom imobiliário. Hoje, Brera com seus bares, restaurantes como Pisacco, suas galerias e lojas, tem um dos metros quadrados mais caros da cidade.

C como Castelo

O castelo de Milão fica no centro e tem suas origens em época medieval. Durante o Renascimento foi ampliado pela família Sforza (daí o nome Castelo Sforzesco) e virou residência ducal.

Por alí passou Da Vinci, que trabalhava para o duque Ludovico Sforza também como cenógrafo das festas de corte.

Hoje, as salas do castelo hospedam uma série de grandes museus municipais, como o Museu de Arte Antiga, Museu dos Instrumentos Musicais, Pinacoteca do Castelo e conserva uma das minhas obras de arte preferida e uma das pérolas dessa cidade: a Pietà Rondanini de Michelangelo.

dicas milao

D como Design

Além da moda, Milão é famosa também pela excelência do seu design e escolas como o Politecnico e IED atraem todos os anos italianos e estrangeiros que vem estudar arquitetura e design industrial na cidade.

Nas últimas décadas (e ainda hoje) foi em Milão que  nasceram as idéias mais inovativas sobre o setor. Mas a cidade é famosa também porque aqui o design é um sistema baseado em um equilibrio produtivo entre business, cultura, profissionais, críticos, comunicadores, artesãos, empresários e centros de pesquisa, como o Politecnico.

A cidade lançou grandes nomes como Fornasetti, Achille Castiglione, Gae Aulenti e Giò Ponti, só para citar os mais famosos por aqui.

E como Elegância

Scott Schuman do blog de street style The Sartorialist já declarou que Milão é a cidade mais elegante para ele. Sim, ele se referia, provavelmente, aos milaneses e milanesas e seus estilos ao se vestir e também as grifes famosas da cidade, nascidas aqui ou não.

Prada, Armani, Versace, Dolce Gabbana, Gianfranco Ferrè e outras marcas nasceram na cidade e aqui se consolidaram a partir dos anos 80 (quando o eixo da moda italiana se transferiu de Florença para cá), dando um outro significado ao conhecido preat-a-porter. Sim, porque se Paris significa alta costura, Milão, ao meu ver, é a cidade do preat-a-porter de qualidade.

Caminhando por certos bairros e em certos horários (o comercial, por exemplo) é facíl encontrar homens e mulheres com suas roupas de cortes perfeitos emoldurados por acessórios e detalhes (como meias, sapatos, encharpes) que fazem dos milaneses os italianos mais bem vestidos no país.

F como Feiras

Algumas conhecidas como o Salão do Movél e Mido (óculos) e outras mais especializadas, Milão possui um polo feiristico enorme e conhecido mundialmente.

Ainda que não seja bem uma feira, e sim uma Exposição Mundial, Milão vai hospedar em 2015 a próxima Expo, que em 6 meses (de 1 maio a 31 outubro 2015), em uma área que está sendo construída exclusivamente para isso, esperar receber 20 milhões de turistas de todo mundo.

G como Galeria

“Il salotto di Milano”: a Galeria Vittorio Emanuele foi construída no final do séc.19 para ser um corredor chique entre as praças Duomo e Scala e assim é até hoje.

Alí, desde o ínicio se instalaram restaurantes, bares e lojas exclusivas (como a primeira Prada em 1913) para acolher a burguesia que passeava entre um espetáculo e outro do Teatro Scala.

A grande cobertura de vidro e ferro é de uma beleza sem igual na Itália, tudo completado pelo pavimento original e as decorações no alto a mosaico.

H como Hospedagem

Cidade de negócios e de muitas feiras, como o Salão do Móvel, por exemplo, Milão oferece vários tipos de hospedagem para quem vem a cidade. De hotéis de super luxo como Four Seasons, Hotel Bulgari, Armani Hotel, entre outros, passando por opções mais acessíveis como os bons 4 e 3 estrelas.

Para quem prefere as opções low cost, Milão oferece albergues da juventude recém abertos como o Gogol Ostello ou apartamentos para alugar, como o Milan Central Flat, que é  administrado por uma brasileira.

Confira as nossas dicas de hospedagem em Milão por bairros, clicando aqui.

I como Igrejas

Muitos não sabem, mas Milão perde para o número de igrejas só para Roma aqui na Itália. A maiora dos turistas não vai muito além do Duomo, o que é uma pena, já que a cidade tem inúmeras igrejas de grandíssimo valor histório e artístico e que conversam obras de arte e capelas revelantes para entender a própria história da cidade.

Deixo aqui uma lista curta das minhas preferidas, muitas deles no centro da cidade e no caminho de turistas desatentos: Santa Maria em San Satiro, San Simpliciano, San Gottardo, Sant’Eustorgio (Capella Portinari), Santa Maria delle Grazie, San Maurizio, Sant’Ambrogio.

J como Jogo de Futebol

Assim como os brasileiros, os italianos são grandes fãs do futebol e em Milão “o” jogo clássico, aqui chamadod e derby, é Milan x Inter.

Difícil desassociar a cidade desses dois grandes times italianos e do estádio mais famoso do país: San Siro (como é chamado pelos milanistas) – Giuseppe Meazza (como é chamado pelos interistas). Confesso que minha primeira vez em um jogo de futebol foi em San Siro para evr Milan x Catania e me diverti. Para os turistas assistir um jogo é mais difícil, já que o ingresso é vendido para uma rede de pessoas previamente cadastradas. Mas é possível conhecer o estádio durante a visita ao museu (leia o post).

Não importa se você é um rosso-nero (milanista) ou nero-azzuro (interista), o importante é torcer para um time da cidade.

L como Lojas

Em uma cidade como Milão é fácil encontrar todas as grandes marcas mundiais e suas lojas espetaculares, assim como as lojas das grandes marcas fast fashion (leia o post).

Mas Milão conta também com uma série de lojas locais e de concept stores que valem a visita como 10 Corso Como, Wait and See, Nonostante Marras, Wok e brechós como o conhecidíssimo Cavalli e Nastri.

Os eixos de compras mais acessíveis estão em Corso Vittorio Emanuele, Corso Buenos Aires, Corso Vercelli e Via Torino. O luxo está no Quadrilátero da Moda, Galleria Vittorio Emanuele e na loja de departamento La Rinascente.

As lojas mais descoladas e jovens ficam no eixo de Corso de Porta Ticinese e Navigli. Tem para todos os gostos e bolsos.

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M como Museus

Se engana quem pensa que Milão não oferece museus de prima linha. A cidade conta com uma rede museal composta de museus municipais, federais e particulares.

Se começa pela grande Pinacoteca de Brera para passar pela Pinacoteca Ambrosiana, que conversa os Códigos Atlânticos de Da Vinci, e pelos ótimos museus municipais dentro das salas do Castelo Sforzesco. Recém inaugurado, o Museu do Duomo conta a história da construção da catedral através de esculturas antigas e uma rica documentação.

A arte moderna e contemporânea ficam concentradas na Galleria di Arte Moderna, na coleção privada da Gallerie d’Italia e no Museo Novecento. O design é o tema principal do Triennale Design Museum.

Milão ainda conta com 4 excelentes casas-museus, antigas residências que foram deixadas pelos seus proprietários repletas de coleções de arte e móveis de época: Museu Poldi Pezzoli, Museu Bagatti Valsecchi, Museu Boschi di Sfefano e a belíssima Villa Necchi Campiglio, da qual falei nesse post.

Para fechar, o Palazzo Reale oferece durante todo ano, um calendário de grandes mostras nacionais e internacionais temporárias.

N como Navigli

Hoje a palavra Navigli (canais) significa só especificar um bairro de Milão, mas não fo sempre assim. Para quem conhece a cidade, é difícil imaginar que muitas vezes passamos por ruas onde até os anos 30 corriam uma grande rede de canais.

Grande recurso e meio de transporte da época medieval (o mármore do Duomo chegava na cidade através dos canais) até a invenção das ferrovias, os canais caíram em desuso no século 20 e nos anos 30 grande parte foi coberto em nome da viabilidade e da modernidade.

Hoje, o pouco que resta fica em uma das áreas mais agitadas de Milão a noite, com uma concentração de bares e restaurantes.

O como Ópera

Por mais que você não seja chegado no gênero musical, é difícil falar de Milão sem falar do Teatro alla Scala, um dos grandes teatros de lírica do mundo.

Com uma acústica perfeita, por aqui passaram os grandes nomes da lírica e do ballet mundiais, entre compositores, tenores, sopranos, maestros e bailarinos.

O que muitos brasileiros não sabem é que foi aqui que, em 1870, Carlos Gomes estreou mundialmente a sua grande ópera “O Guarani”.

Não deixe se intimidar pela fachada neoclássica austéra, o interior é de tirar o fôlego e é possível ve-lo se você visita o museu do teatro.

P como Parques

Milão, infelizmente, não pode ser considerada uma cidade verde. Os parques mais famosos da cidade, dos quais falamos nesse post, se concentram no centro e arredores, como é o caso do Parco Sempione, atrás do castelo e o Giardini Pubblici, o meu preferido, que fica no Corso Venezia e hospeda o Museu de História Natural da cidade.

Para quem está por aqui com crianças, vale a pena também (o meu querido) o jardim posterior da Villa Reale, que fica em frente ao Giardini Pubblici. Ele é realmente muito bonito e tranquilo, já que a entrada é probida para adultos que não estão acompanhados de crianças (até 12 anos).

Q como Quadriláteros

Sim, no plural. O quadrilátero mais famoso da cidade e do mundo é o nosso chamado Quadrilátero da Moda (ou de ouro), ou seja, as quatro ruas que concentram um grande números de marcas de luxo (roupas, jóais, relógios, móveis e design). Mesmo para quem não tem intenção de arruinar a carteira nas redondezas, vale um passeio para olhar vitrines e apreciar a arquitetura do bairro.

Mas meu quadrilátreo preferido na cidade é o mesnoa conhecido e do qual falei nesse post: o Quadrilátero do Silêncio. Um conjunto de poucas ruas paralelas ao Corso Venezia, com edíficios de arquitetura liberty (art nouveau) e que te catapulta em uma outra dimensão pelo…silêncio. Tudo isso a dois passos do centro.

R como Restaurantes

Aqui a lista poderia ser infinita, com as minhas indicações pessoais ou simplesmente uma lista de grandes nomes da cozinha italiana (os chamados estrelados) que tem seus restaurantes em Milão.

Caro ou barato, em pé, na rua ou sentado, Milão tem restaurantes e cozinhas para todos os gostos e bolsos. Um panino (sanduíche), um panzerotto no Luini, comer com vista para a abside do Duomo, um brunch com uma sala dedicada ao chocolate… Escolha o seu tipo de restaurante e bom apetito.

S como Santa Ceia

Sem dúvida a maior obra de arte da cidade, do próprio Da Vinci e uma das mais conhecidas e reproduzidas do mundo.

A grande parede do refeitório dos domenicanos, pintada a seco (não é um afresco, leia a sua história nesse post) a pedido do duque Ludovico Sforza, atrai todos os anos milhares de turistas de todo mundo. Admira-la requer uma certa dose de organização, já que os bilhetes para a visita de 15 minutos começam a serem vendidos com 3 meses de antecedência.

T como Transportes

Esqueça o carro alugado. Milão conta com uma rede de transporte público que satisfaz completamente as exigências dos turistas (e moradores). O metrô tem 4 linhas urbanas e mais algumas integradas com o que chamamos de “passante”. A integração do bilhete vale também (por 90 minutos) com os ônibus e bondinhos da cidade.

Na primavera ou verão uma opção, mesmo para os turista, pode ser o serviço de Bike Sharing da cidade, onde é possível “alugar” uma bicicleta para rodar pela cidade. Leia nesse post como usar o serviço BikeMi.

Para quem não renuncia ao taxi, saiba que eles (quase sempre) não param na rua e devem ser pegos nos vários pontos espalhados pela cidade.

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U como Um dia não basta

Para muitos brasileiros Milão ainda é vista como uma cidade de chegada na Itália e de passagem: daqui se parte para a descoberta “del bel paese”. Com isso, a média de estadia dos turistas aqui ainda é bem baixa.

Fico sempre perplexa (para não usar outras palavras) com quem passa por aqui por 1 dias, não explora muito além do “centro-centro” e volta dizendo para amigos e parentes: Milão não tem nada.

Se fosse assim, esse blog não existiria e se fosse assim, esse post não existiria.

Milão não é uma cidade para preguiçosos. Vá além do óbvio, vá além dos guias de turismo e acredite: Milão não é só o Duomo, Castelo e Galeria e um dia só não basta.

V como Vida Noturna

Muitos leitores me escrevem emails cobrando dicas de vida noturna no blog. Para quem ainda não entendeu, sou uma jovem senhora de 40 anos com 2 filhas pequenas e minha idéia de vida noturna está mais para uma ida ao cinema, um jantar com amigos ou no máximo um aperitivo que vai até mais tarde.

Dito isso, não quer dizer que uma cidade como Milão não tenha uma vida noturna agitada. Cidade de modelos, jogadores de futebol, estilistas e empresários, Milão ainda tem essa modalidade, que eu não suporto, do police door: escolher quem entra ou não entra. Já vi lugares com filas homéricas fora e que quando você está meio vazio. A “fila” faz o lugar ficar famoso.

Me limito a deixar uma lista dos clubs noturnos mais famosos da cidade: The Club, Just Cavalli Hollywood, Sio Café, Bobino Club, Tocqueville, Hollywood, Alcatraz.

X como Xeretar

Milão não é uma cidade óbvia, é cheia de segredos e belezas muitas vezes escondidos atrás de fachadas austeras e portões pesados. Pode ser difícil para o turista, que passa aqui pouco dias, conseguir colher a essência e a beleza da cidade.

A minha dica é que você xerete o máximo possível, que alongue o pescoço toda vez que tiver um portão aberto e que for possível espiar (porque muitas das propriedades são privadas), que entre em pátios abertos e que foram transformados em espaços para pequenas lojas, que visite os claustros das igrejas, que olhe para cima para apreciar as cariátides e telamones dos palácios.

Z como Zanzar

E essa última letra está estritamente ligada a anterior. Porque é impossível xeretar sem zanzar pela cidade. Milão é uma cidade plana e relativamente pequena para os padrões brasileiros. A melhor maneira de conhecer a cidade é caminhando entre os bairros e as atrações mais ou menos turísticas.

Almoço e brunch no Four Seasons Milão

Aqui em Milão, encravado no Quadrilátero da Moda, fica um dos grandes hotéis da cidade, o conhecido Four Season Milan, que ocupa uma belíssima construção do século 15 onde um dia foi o Convento de Santa Teresa.

Além dos restos de afrescos medievais nas paredes da recepção e do espetacular claustro do antigo convento transformado em pátio interno, o Four Seasons tem dois restaurantes comandados pelo renomado chef italiano Sergio Mei, conhecido por aqui pelo seu apego as tradições da cozinha italiana autêntica.

Hotel Milao Four Seasons

Eu, que tenho uma grande dificuldade de encarar cardápios que anunciam combinações estranhas, já fazia tempo que queria provar os pratos de Mei, que não deixa de propor em Milão o prato mais conhecido e famoso dessa cidade.

A primeira experiência foi um almoço no começo de junho com a minha cara amiga Ana Cristina, autora do blog de viagens ItaliAna. Depois de uma manhã de sábado batendo pernas pelo Quadrilátero do Silêncio e de uma visita a Villa Necchi Campiglio, escolhemos o restaurante La Veranda do hotel para continuarmos o papo e o nosso sábado milanês.

Já era um pouco tarde para os padrões daqui (por volta das 14h) e o restaurante não estava cheio. La Veranda, como diz o nome, é a parte do hotel que circunda o antigo claustro.

Acabei me deixando seduzir por uma entrada e pedi Culatello di Zibello (é um tipo de frio) com salada de alcachofra e pera. Depois, tanto eu quanto Ana, acabamos ficando com o tradicional Risotto alla milanese com ossobuco.

almoço Milao Four Seasons

Inútil dizer que até hoje foi o melhor que comi. O risoto estava no ponto justo e a carne era de uma maciez que dispensava até o uso da faca. Tudo foi regado por um tinto escolhido pela Ana e ali esquecemos o tempo. O serviço foi atencioso e educadíssimo sem ser insistente, como deveria ser (e nem sempre é) em todo grande restaurante.

Depois de um ótimo cafezinho, eu a Ana continuamos as nossas andanças pela cidade embaixo de uma chuva fininha de primavera, mas nem isso estragou o que foi um dos meus melhores finais de semana da estação.

Muito famoso no Four Seasons também é o seu brunch de domingo, que eu e Ana perdemos por algumas semanas, já que ele vai de setembro e maio.  Depois da agradável experiência do almoço, resolvi que no outono não iria deixar escapar o brunch e sua cobiçada Chocolate Room. Sim, o brunch tem uma sala dedicada só ao chocolate em todas as suas variações.

O cenário é o restaurante Il Teatro, que fica no andar abaixo da recepção. Dessa vez reservei para 4 pessoas, já que estávamos com um casal de amigos e era o final de semana da Semana da Moda de Milão no final de setembro.

O brunch é estruturado em “Ilhas dos Sabores”: pão, queijos, doces, frios, ovos, peixes e depois de você se acomodar você se desloca livremente entre elas e é servido e aconselhado pelo staff muito qualificado e gentil do hotel.

brunch domingo Four Seasons Milao

Além do Chocolate Room, uma das coisas mais legais do brunch é que, para os pratos quentes, você entra na grande cozinha do restaurante para se servir.  É ali que a perdição gastronômica continua entre carnes, risotos, peixe, pizzas e massas.

Deixo as fotos falarem por mim e explicarem as variedades e a qualidade das matérias primas. Sabendo que pela frente ainda tínhamos que enfrentar a parte chocolatosa da manhã, a intenção (falida) era só provar um pouco, pouquinho, de tudo.

fourseasons_brunch_milao

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Eu me comportei muito bem até chegar no meu já conhecido risoto de acafrão, dessa vez acompanhando pelo não menos milanês: o bife. Ok, não vou dizer que daqui para frente quando comê-los em outros lugares vou ficar comparando.

Mas a grande estrela do brunch é a Chocolate Room. Pequena grande sala, pensada e montada pelo chef Johannes Walk que esse ano escolheu o tema da moda para decorar a Chic…olate Room, utilizando 120Kg de puríssimo chocolate ao leite, branco e amargo francês para criar bolsas, sapatos, vestidos e croquis, além das mais variadas sobremesas a base de chocolate.

brunch four seaons milao

Confesso que não sei se aconselho começarem ou terminarem pela aventura de chocolate. A escolha alí dentro é difícil e tentadora.

O brunch do Four Seasons é frequentado por uma mistura de turistas e locais e o ambiente é realmente acolhedor e não tem aquele ar pomposo que te deixa pouco confortável. O staff é sempre muito educado e disponível para orientar nas escolhas dos pratos, explicando o que for preciso.

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Indo embora, paramos no bar do hotel o Foyer Bar para mais uma xícara de café e alí tivemos o prazer de conversar e rir mais 5 minutos com Mário, um dos barman, uma daquelas pessoas que fazem toda a diferença em um lugar. Simpatia garantida em Milão.

É uma dica para quem está em Milão e quer passar uma manhã de domingo diferente e de bom gosto, quem sabe comemorando uma data ou só batendo um papo com uma amiga.

Ana querida, estou te esperando para ‘il nostro prossimo giro’ !!

Four Seasons Milano
Via Gesu, 6/8
Brunch: de setembro a maio, domingos das 11.45 às 15 
Preço:  75 euros (bebidas excluídas)
Restaurante La Veranda: todos os dias das 12 às 16.30