Gastronomia italiana: entradas

Este post  faz parte da Blogagem Coletiva de Gastronomia Italiana, promovida por blogueiras brasileiras residentes na Itália que durante às sextas-feiras de outubro irão publicar  uma série de textos sobre especialidades da cozinha italiana. O post de hoje aqui no Milão nas mãos mostra as entradas típicas da região da Lombardia.

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A refeição italiana é feita por partes. Nada de colocar tudo no prato, misturado, como nós brasileiros estamos acostumado.

Para começar o longo ritual, a pedida é o antepasto, que tem origem no período romano, onde já existia o costume de servir pequenos petiscos chamados Gustatio para abrir o apetite dos hóspedes.

Exemplo de entrada em um restaurante de Milão

Exemplo de entrada em um restaurante de Milão

Os italianos não largaram mais esse costume e ainda hoje a entrada faz parte dos menus de restaurantes chics e também dos mais rústicos, assim como dos longos almoços e jantares das famílias italianas, especialmente em grandes comemorações.

A entrada é considerada um momento importante da refeição, já que é quase como um cartão de visitas do que está para vir.

Aqui na Lombardia, as entradas quase sempre mudam dependendo da estação do ano. Frios e salames são muito consumidos, sendo que a Bresaola, feita de carne de vaca ou cavalo, é típico da Valtellina e é o tipo de  frio lombardo por excelência.  Geralmente é servida com rúcula e lascas de queijo Grana Padano (o parmigiano da Lombardia). Uma outra versão, são os canudinhos de bresaola recheados com queijo de cabra.

entradas italianas gastronomia

Bresaola com rúcula e raspas de queijo grana

A lista continua com a polenta, que como entrada é servida em discos com a cobertura de um queijo da região, bem forte, chamado Taleggio. Como entrada, o mesmo queijo também é servido em pedaços fritos.

Para quem gosta de provar de tudo e comer como um verdadeiro milanês, não pode deixar de provar a salada de nervetti, que não é feita de nervo, mas sim das cartilagens dos joelhos de vitela.  Antigamente,  era servido nas osterias para acompanhar uma taça de vinho branco.

Nervetti, polenta e queijo, taleggio frito e bresaola e queijo de cabra

Nervetti, polenta e queijo, taleggio frito e bresaola e queijo de cabra

Mas a lista pode continuar com uma grande infinidade de opções, como flor de abobrinha ou folhas de salvia fritas em pastela. Ou seja, já que o banquete está apenas começando, escolha a sua entrada e bom apetite!!

Para ler os outros post que fazem parte da blogagem coletiva de gastronomia italiana acesse os links:

Brasil na Itália
Passeios na Toscana
Turismo em Roma
Viagem na Itália

Peck: Empório Gastronômico Chic em Milão

Apesar da iminência da abertura em Milão , em novembro, da nova unidade da loja de gastronomia mais famosa do mundo e muito conhecida dos brasileiros que viajam para NY, a Eataly, a cidade tem um outro nome muito mais famoso e frequentado pelos milaneses abastados para suas compras: a Peck.

Fundada por Francesco Peck,  um vendedor de salames de Praga em 1883, no início vendia só salames defumados da sua cidade natal. Em 1912 a loja foi comprada pelo senhor Magnaghi ese estabeleceu em Via Spadari, onde permanece até hoje, e  incrementou a oferta de produtos com pasta fresca, queijos e pratos prontos. Ecco, começava assim a nascer o mito Peck.

Loja Peck Milao gastronomia

Frequentada durante anos por intelectuais da cidade, mudou várias vezes de proprietário sem perder a sua auréa chique e seu padrão de qualidade.

Durantes as festividades mais importantes, principalmente no Natal, a loja é invadida pelos locais. Muito deles não renunciam ao panettone da casa, um dos muitos fabricados artesanalmente na cidade e aqui vendido durante todo o ano, como contei nesse post. Mas também compram pasta fresca, raviolis (23 euro/kg), molhos, peixe, carnes, frutas tropicais, molhos e para quem pode, na época das trufas, um pedacinho dessa iguaria vendida a 9.000 euros/kg (sim, os zeros estão certos).

trufas italianas

Misturados aos milaneses, a loja também recebe a visita de muitos turistas, que giram pelas prateleiras a procura de algo para comprar e quem sabe conseguir fotografar, que é proibido!

No subsolo fica uma incrível adega, que segundo um meu amigo que entende de vinhos, é uma das melhores e mais abastecidas da cidade. Alí, é possível também se sentar para degustar uma taça de vinho a qualquer hora do dia.

No andar de cima, fica o restaurante e o bar. Almocei com uma amiga lá há alguns meses e tenho que dizer que o atendimento foi impecável e muito atencioso.

peck Milao

Na hora do almoço eles tem opções de pratos rápidos, já preparados, no estilo rotisserie e pratos preparados no momento, como risotos e carnes. Nós optamos pelos pratos rápidos por que não tínhamos muito tempo.  Eu pedi um riso pilaf, que é um arroz cozido, quase como o nosso, com aspargos e speck (um frio defumado). Sinceramente eu esperava alguma coisa um pouco mais saborosa. Minha amiga acabou optando por panquecas com funghi porcini e molho branco. Tomamos 2 taças de vinho e água. A conta do almoço ficou em 47 euros, valor não econômico para a normalidade dos pratos que pedimos. Mas alí, o que conta é a locação, o lugar e tudo o que te rodeia.

Loja Peck em Milao

Tenho que confessar que o total da conta, na verdade, foi outro (62 euros ) e encarecido por um vício meu: o do café. Na verdade, a Peck é um dos poucos estabelecimentos em Milão com uma variedade de cafés do mundo todo para venda ou consumo no bar.

Já fazia algum tempo que eu queria experimentar o café mais caro do mundo (pela sua limitada produção mundial, só 600kg por ano), o indonesiano Kopi Luwak.

Se você pesquisar por aí, vai ler que esses grãos de café são ingeridos pela civeta e depois de passarem pelo processo de digestão e atuação das enzimas, são expelidos. Das fezes da civeta os grãos são colhidos, lavados e torrados. É por isso que a sua produção é muito limitada e ele custa tanto.

Kopi Luwak cafe Milao

O café tinha um sabor forte, intenso, que ficou na minha boca por bastante tempo. Não é um café para se tomar sempre. É o café mais caro do mundo (paguei 15 euros a xícara), mas não necessariamente o melhor, mesmo sendo considerado o caviar dos cafés.

Para os interessados, a Peck  tem também famoso café jamaicano Blue Mountain, vendido a 8 euros. Vou ter que voltar lá para provar!!

A Peck funciona em horário comercial bem reduzido, fechas às 19hs e aos domingos e segundas pela manhã. Uma opção para a noite, pode ser o Peck ItalianBar que funciona praticamente ao lado, na Via Cesare Cantù e fica aberto do café-da-manhã ao jantar.

Negozio Peck
Via Spadari 9
Segundas: 15.30 às 19.30
Terças a Sextas: 9.15 às 19.30
Sábados: 9.00 às 19.30
Fechado aos Domingos

Ristorante Al Peck
Via Spadari 9
Segundas:15.30 às 18.00
Terças aos Sábados: 12.00 às 18.00
fechado aos Domingos

Peck Italian Bar
Via Cesare Cantù 3
Segundas aos Sábados: 07.30 às 23.00
Fechado aos Domingos

Fotos: Milão nas mãos

Dicas de restaurantes no centro de Milão

Para os turistas que passam a manhã  gravitando pelo centro de Milão, chega sempre a hora de decidir onde comer.

Ok, o que não falta é opção, mas nem sempre qualidade e preço estão de mãos dadas. Eu aconselho sempre a fugir dos restaurantes do eixo Corso Vittorio Emanuele e Via Dante, aqueles que colocam as fotos dos pratos na calçada.

Não os aconselho, mas não porque já tive alguma experiência ruim com eles, mas simplesmente porque nós que moramos aqui, não comemos em tais restaurantes. Eles são o que eu chamo de armadilha para turista, é essa a impressão me que dão. Pratos sem a mínima personalidade, vendidos a preço de ouro.

Também não posso falar dos restaurantes da Galeria Vittorio Emanuele. Alguns são muito renomados estão alí há anos, mas sinceramente, se eu tiver que pagar 24 euros em um risotto, prefiro procurar um grande restaurante para comer.

Aqui ficam algumas dicas de restaurantes no centro de Milão com comida para todos os gostos para uma refeição sem grandes pretensões.

SignorVino

É o meu preferido, sem dúvidas! Minha primeiríssima opção quando estou pelo centro com ou sem clientes. A rede tem 2 unidades entre o Duomo e o Castelo e mesmo depois que a cozinha fecha (por volta das 15h) e possível beber uma taça de vinho ou drinks com uma tábua de frios.

Como também é uma enoteca, oferece uma grande variedade de vinhos italianos para quem quiser levar algo para a casa.

Site SignorVino

Food Hall Rinascente

No sétimo andar da loja de departamentos La Rinascente, fica localizado o Food Hall, que reúne quase 10 restaurantes com propostas de comida de todos os tipos: sushi, sanduíches, hamburgers, pizzas, mozzarella bar.

Para um sanduíche rápido mas muito autêntico, a filial do milanesíssimo De Santis é a opção. Se a vontade for de hamburger, a dica é o Be Steak, onde a jóia da casa é o hamburger de carne de bisão. Eu provei e recomendo, muito saborosa.

Para uma pizza ou então comer uma autêntica mozzarella du búfala ou suas primas famosas: a burratta ou a straciatella (super recomendada pelo meu marido) a pedida é o Obikà Mozzarella Bar. Se você  tiver sorte, pode até conseguir uma das mesas no terraço, que tem vista para as espiras do Duomo, assim como o restaurante ao lado, o Mayo.

Para uma rápida pausa café, água ou suco, o corner do Caffè Illy.

Site Food Hall Rinascente

Doppio Malto

Um dos mais novos endereços na cidade em 2022 é a cervejaria com uma decoração linda e opções de pratos que vão de pizzas, hamburgers, carnes grelhadas e saladas. Para quem gosta de cerveja as opções são muitas.

Site Doppio Malto

Farinella

Uma opção mais para o lado do Castelo Sforzesco, também acabei nesse restaurante, que faz parte de uma cadeia, por acaso. Está sempre cheio, mas não é impossível achar uma mesa.

O cardápio é bem variado e vai de saladas, pizzas, massas, carnes e peixe com um preço acessível.

Faz parte da cadeia também, o Van Bol & Feste, que fica na mesma calçada e onde eu paro quando o tempo é curto e dá para comer só um pedaço de pizza ou focaccia. Mas eles também servem almoço com opções de 5 ou 6 pratos por dia com preços por volta de 13 euros.

Site Farinella

 
 

Restaurante Parma&Co

A área de Corso Garibaldi é uma das mais vivas da cidade. A noite é um dos eixos da badalação milanesa junto com a sua continuação, Corso Como  e comentei sobre ela, brevemente, quando falei do vizinho hotel Maison Moschino.

Há uma semana atrás, antes de uma visita guiada a uma das minha igrejas preferidas na cidade, a Basílica de San Simpliciano, resolvemos almoçar em um dos restaurantes da rua, o Parma&Co, muito frequentado pelos locais, principalmente durante o horário de almoço nos dias de semana.

restaurante Milao Parma Co

Quando estívemos lá era sábado,  tinha gente, mas estava tranquilo. Como o diz o nome, o local tem um look de “salumeria”, típico lugar italiano de venda de frios e salames. Formas de queijo parmigiano, presuntos crús inteiros e salames pendurados decoram o restaurante, que não é grande, mas tem o seu charme italiano.

restaurante Parma Co Milao

No cárdapio, o melhor da tradição da cozinha emiliana: tortelli, ravioli, pratos de frios, sopas (no inverno) e carnes assadas. Como não poderia deixar de ser, eles também sempre servem uma boa porção de gnocco fritto, um pastelzinho sem recheio que os emilianos comem acompanhado de frios.

Essa foi a minha pedida: um prato com um mix de frios (presunto crú, cozido, lardo, mortadella, salames), pedaços de parmigiano e gnocco fritto. Meus acompanhantes escoheram um prato de carne porco com molho de atum (é estranho, eu sei, mas é isso mesmo) e o fiochetto assado, um tipo de presunto defumado levemente assado.

parma co milao restaurante

A qualidade dos frios que comi era excelente e meus acompanhantes também gostaram muito do que comeram. O serviço era o padrão gentil-milanês, isso quer dizer educado mas não necessariamente simpático. Um pouco de distração na hora de trazer o café, pelo qual esperamos um poquinho e tivemos que pedir duas vezes. Mas é verão, estávamos com tempo, então vou perdoar. Os preços dos pratos variam entre 10 e 15 euros. Para 3 pessoas, com uma garrafa de vinho tinto gastamos 65 euros.

No inverno, aos domingos, eles servem o brunch, que custa 29 euros por pessoa e é servido com um buffet e alguns doces. O cardápio está sempre disponível no site deles.

Para quem está passando por alí (Brera é a pouquíssimos passos) pode ser uma opção legal para comer uma coisa diferente.

Parma&Co
Via Delio Tessa, 2 – esquina Corso Garibaldi
De segunda à sábado das 12 às 15 e das 19 às 22.30
Domingos brunch das 12 às 16
 
 

Bar Martini – Dolce Gabbana em Milão

Um lindo domingo de sol para os lados de Corso Venezia. Passeia daqui e de lá e já era hora do almoço. É uma área, que eu gosto muito: palácios elegantes, algumas lojas e escritórios de grandes grifes, mas poucos restaurantes. As opções naquele pedaço de avenida para nós eram duas e acabamos escolhendo o Bar Martini – Dolce Gabbana, chamado assim porque fica praticamente dentro da boutique masculina da marca.

Confesso que entrei não muito convencida da escolha que tínhamos feito, por que bares e restaurantes ligados a grifes nem sempre são as minhas opções preferidas. Mas tenho que admitir que me surpreendi.

bar martini em Mião

A entrada que dá diretamente no restaurante, é quase anônima, com uma única placa preta com o nome da marca de bebidas encostada na parede. É possível também entrar passando pela loja Dolce Gabbana.

Como o dia era de sol, queríamos ficar no jardim anterior, mas estava cheio e o garçom que nos recebeu sugeriu que sentássemos no terraço de vidro que fica na parte de trás, depois de atravessar o pequeno bar, onde o preto impera.

bar martini Milao

A parte de trás é muito agradável e com certeza mesmo nos dias de chuva e frio é possível aproveitá-la. O público era predominantemente de milaneses, eram poucos os turistas. As mesas são baixas, redondas e ideais mais para um happy hour do que para refeições. São rodeadas de um lado por um comprido sofá e do outro por puffs baixinhos.

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O menù é uma mistura de opções de saladas, massas, carnes, peixe, sanduíches e hamburgers. Os preços foram uma outra surpresa, dada a localização e a parceria com a famosa grife italiana. As saladas ficam por volta de 12 euros, as massas e risottos entre 12 e 16 euros, carne e peixe não superam os 22 euros e sobremesas ficam entre 6 e 8 euros. As porções são fartas.

Eu escolhi uma pasta só porque era feita com uma cebola doce (cipolle di Tropea) que só dá essa época do ano na Calabria e que eu adoro e espero o ano inteiro para comer: tagliolini fresco com bacalhau, cebola de Tropea e creme de ervilhas. Estava uma delícia. Meu marido optou por um anel de risotto de açafrão, radicchio e creme de gorgonzola. Só eu pedi uma taça de vinho branco para acompanhar a minha massa com peixe. Gastamos 39 euros em 2 pessoas.

bar martini dolce gabbana milao

Na hora da sobremesa, escolhemos um doce que, minutos depois o garçom veio (pedindo mil desculpas) avisar que não tinha naquele dia. Nos perguntou se poderiam nos oferecer docinhos sicilianos, mas acabamos recusando.

O serviço é muito educado, feito por uma equipe exclusivamente masculina e jovem que parece ter saído de um book de agência de modelos. Apesar de toda essa proximidade com o snob mundo milanês da moda, o bar restaurante não tem aquele jeitão de nariz em pé.

Da próxima vez, quero voltar no horário de happy hour para aproveitar a atmosfera.

Bar Martini – Dolce e Gabbana
Corso Venezia 15
De segunda a sábado das 7.30 às 22h
Domingos das 9 às 21h

Fotos: Milão nas mãos