California Bakery: um americano em Milão

O California Bakery de Via Larga

Você está em Milão e por isso deveria se esbaldar em comer pizzas, massas, panini (sanduíches italianos) e até meu amado panzerotto. Mas esse é um blog democrático e se você tem uma queda pelo american style, aqui vai a dica de um lugar forasteiro: California Bakery, a bakery mais amada pelos milaneses.

É um daqueles lugares moderninhos, caros, decoração bem cuidada e cheio de gente jovem com seus laptops e tablets que aproveitam da área free wifi enquanto tomam um café. Como é um daqueles lugares badaladinhos, dependendo do dia e da hora é bem cheio, a espera pode ser longa e o serviço se torna lento.

Última vez que passamos (Via Larga) era um sábado lá pelas 18.30, mas era cedo para os padrões milaneses e comemos em santa paz.

Como manda o figurino e o nome, o menú de mais ou menos 10 páginas, é americanérrimo e passa dos muffins e brownies para o café da manhã aos hamburgers, sopas e bagels para o almoço ou jantar. Não faltam também as altas fatias de bolos, apple pie e o famoso e tão adorado cheese cake. A variedade é grande e os preços não são econômicos (hamburgers de 13 a 20 euros, fatias de bolos e tortas de 6 a 8 euros).

De maio a setembro California Bakery oferece o Pastis Time: uma opção de happy hour diferente, composto da bebida francesa a base de anis, o Patis, que pode ser diluído em suco de laranja ou água e limão e que é servido com pequenas porções de petiscos.

O nosso Patis, seleção de bagels e brownie

Para completar eles também oferecem o menu infantil e aos sábados, domingos e feriados o brunch das 11 às 17 (25 euros por pessoa), com reserva obrigátoria e aconselhada pelo menos 3 dias antes.

E quando o sol presenteia Milão e começa dar aquela vontade de ficar ao aberto, a sugestiva filial da Praça Sant’Eustorgio, que fica em frente ao lindo Parque das Basílicas, propõe nos finais de semana, de abril a setembro, o Pic-nic Brunch. Você retira almofadas, toalhas e cesta (tem que deixar um documento), leva tudo para o parque e faz sua refeição alí A cesta/menu para 2 pessoas custa 40 euros. Perfeito para os dias de sol da primevera e verão.

O kit pic nic do California Bakery 

Os restaurantes da rede ficam abertos até as 24h e em Milão eles tem vários endereços espalhados pela cidade.

California Bakery:
Via Larga, 19 (área Duomo)
Piazza Sant’Eutorgio, 4 (área Porta Ticinese)
Viale Premuda, 44 (área Porta Venezia)
Via Tortona, 28
Corso Como, 5 (área Corso Garibaldi)
Consulte o site para telefones

 

SignorVino: comer com vista para o Duomo

Para mim, que não sou turista por aqui, ou talvez próprio por essa razão, encontrar um restaurante no centro de Milão para almoçar (sim, centro, centro, tipo praça Duomo e arredores não distantes) é sempre um problema.

Claro, quando a pressa é grande e a vontade de pensar e andar é pouca, vou sempre de panzerotto do Luini (leia post), mas as vezes a vontade é de entrar em algum lugar, sentar e comer descentemente, sem gastar as fortunas que custam alguns restaurantes da Galeria Vittorio Emanuele, que são lugares históricos, mas por isso mesmo cheio de turistas.

A minha dica em Milão é sempre evitar aqueles restaurantes ao longo da Via Vittorio Emanuele, que colocam fotos de pratos do lado de fora e servem lasanha congelada por preços absurdos. São o que eu chamo de armadilhas para turistas.

Uma boa opção para comer no centro, bem atrás do Duomo, já que o restaurante fica atrás da abside da catedral (a parte mais linda da construção), é o SignorVino.

É um restaurante-winebar, onde você também pode comprar bons vinhos italianos a partir de 10 euros, que ficam expostos divididos pelas regiões italianas.

O lugar é bem agradável, bem iluminado pelas grandes janelas e a comida é boa e barata para os padrões milaneses e você almoça ou janta rodeado de gente da cidade.

Última vez que estive lá, estávamos em três, eram 13.30 e não tínhamos reservado (aconselho fazer). Tívemos que esperar um pouco por uma mesa (10 minutos) mas não tívemos a sorte de nos sentar nas que dão para a catedral (se você reservar, peça um tavolo vista Duomo). Paciência!

O cardápio também é divido por regiões (Lombardia, Toscana, Piemonte, Veneto) e os preços dos pratos variam dos 8 a 18 euros. Eu pedi uma salada toscana (panzanella), preparada com pedaços de pão do dia anterior, tomates, pepino e lascas de queijo pecorino (queijo de leite de ovelha). Meus amigos escolheram salada de bacalhau e uma sopa de grãos. Tudo acompanhando por uma taça de vinho branco. Depois terminamos com um tiramissù de sobremesa e café.

Além da venda de vinhos, SignorVino também organiza noites de degustações (em italiano) com preços que variam de 15 euros (só desgustação) à 120 euros (com jantar). A reserva (no site) é obrigatória.

Para mim, o SignorVino já virou um restaurante-coringa no centro da cidade. Uma boa opção para uma refeição ou até mesmo só para uma taça de vinho e um papo entre as compras e as visitas turísticas em Milão.

SignorVino
Praça Duomo – esquina Corso Vittorio Emanuele
Aberto todos os dias das 8:00 às 01:00
 
 

O panzerotto do Luini

Se você esta pelo centro de Milão e quer comer uma coisa gostosa, tipica italiana e que não seja necessariamente a pizza, você tem que ir ao Luini comer um panzerotto. Gostoso e barato, é uma das melhores e mais famosas coisas que o centro de Milão tem à oferecer.

Praticamente “colado” na lateral direita da Duomo, Luini é mitologia em Milão. Fundado em 1949 pela senhora Giuseppina Luini, pugliese, no início era só uma padaria que fornecia pães aos hotéis e restaurantes do centro até que a senhora Luini resolveu preparar uma receita da sua terra: o panzerotto.

Para nós brasileiros o panzerotto pode parecer um pastel, mas a massa é completamente diferente. Pensando bem eu poderia descrevê-lo como um risoles grande, mas ainda assim não seria o suficiente. De qualquer maneira é um salgado frito, recheado de mozzarella e tomate (classico) ou de salame picante e outros recheios. Existem também as versões doces com recheios de pera e chocolate, nozes e frutas mas a massa é um pouco diferente e é assada.

A lojinha é pequena, não tem mesas dentro e quase sempre você vê a fila que se estende pela rua e mistura turistas e milaneses que trabalham na região. O serviço é rápido e depois de poucos minutos cada um sai com seu panzerotto quentinho pronto para comer.

E onde? Se você quer entrar no clima dos milaneses a dicas são duas: ou sentado na calçada do outro lado da rua (todo mundo faz) ou saindo vire a direita e depois de uns 100 metros você encontra uma graciosa pracinha com uma igreja no fundo (Praça e igreja San Fedele). Sente-se e saboreie uma das coisas mais gostosas que Milão tem a oferecer.

Eu levo todo mundo que passa por aqui até lá. E todo mundo a-do-ra!

Luini

Via S. Redegonda, 16
Segundas: 10h-15h
Terças á Sábado: 10h-20h
Domingos e todo o mês de agosto: fechado

Panetones artesanais em Milão

Outono, seguido do início do inverno e o frio apertando… Não podemos mais fazer de conta que não dá para perceber que o Natal está chegando.

Em Milão não existe idéia de Natal que não seja associada ao mais famoso doce natalino que essa terra exportou e fez conhecer ao mundo todo: o panettone. Ou como é chamado aqui, em dialeto: panetùn.

E aqui vou escrever assim, com 2 t’s, por respeito a tradição desse pão doce, nascido em terras ‘meneguinas’ durante o Renascimento, quase por acaso.

panettone-milanese

As lendas da criação do panettone são muitas, mas existem duas mais famosas: a minha preferida conta que durante um banquete de Natal na corte do Duque Ludovico Sforza (século XV), o doce preparado para o evento foi esquecido no forno e queimou. Um ajudante do cozinheiro, chamado Toni, que naquela manhã tinha preparado um pão com restos de farinha, ovos, manteiga e frutas cristalizadas propôs ao chefe de serví-lo. O cozinheiro, na falta de alternativa, aceitou a proposta e levou à mesa o pão preparado, que fez sucesso entre os convidados. Perguntado como se chamava o doce, o cozinheiro respondeu: é o pão de Toni. Daí o nome.

A outra lenda, um pouco mais romântica, fala de um jovem que, apaixonado pela filha de um padeiro (quase em falência), consegue um emprego na padaria do pai da amada e para aumentar as vendas inventa um pão doce feito a base de farinha, ovos, manteiga e frutas cristalizadas. O pão é um sucesso, as vendas aumentam, o padeiro não fecha e dá a filha em casamento ao jovem.

Qualquer que seja a origem verdadeira do panettone, se você estiver por aqui no Natal não pode deixar de nota-lo nas vitrines das mais famosas confeitarias milanesas, que vendem o produto a preço de ouro (em média custam 30 euros/kg). Sim, porque se aqui o panettone das principais marcas industriais encontrados nos supermercados já são bons, os panettones de confeitaria são uma pérola artesanal e vão da versão classica, as com nozes, tamaras, cremes e baunilha. Aqui em Milão alguns famosos são: Pasticceria Cova, Pasticceria Marchese, Pavè, Pasticceria Gatullo, Peck, Pasticceria Knam, essa última, comandada por um confeiteiro alemão que aprendeu a rate do panettone milanês, como mostra no vídeo abaixo (em italiano)

 Algumas dessas confeitarias vendem o produto o ano todo, mas para quem não quer comprar um panettone inteiro mas não quer deixar de provar essa delícia no lugar onde ele nasceu, em confeitarias como Marchesi e Pavè é possível pedir uma fatia para acompanhar um café ou uma xícara de chocolate quente.

Pasticceria Cova
Via Montenapoleone, 8
 
Peck
Via Spadari, 9
 
Pasticceria Marchesi
Via Santa Maria della Porta, 11
Via Montenapoleone, 9
Galleria Vittorio Emanuele
 
Pavè
Via Felice Casati, 27
 
Pasticceria Knam
Via A. Anfossi, 10

 

A cozinha italiana outonal

O outono já deu as caras por aqui e como não poderia deixar de ser, já mudou os pratos preparados nas casas dos italianos e os menus dos restaurantes, porque nada melhor do que cozinhar (e comer) os pratos da tradição outonal.

Se você é amante da boa mesa e está por aqui nessa época, procure restaurantes que ofereçam o melhor dessa estação do ano.

Tagliolini com trufas

É o momento de comer massas preparadas com trufas, funghi, feijão, lentilhas e verduras. Carnes cozidas no vinho (como o brasato) ou não (como o bollito, preparado com verduras) que acompanham a rainha dessa estação para os italianos do Norte: a polenta!

Essa também é preparada aqui para acompanhar carne de coelho e existe a versão servida com uma carga bombástica de gorgonzola. E por falar em gorgonzola, não podemos esquecer os queijos, que nas noites frias, acompanhados de vinhos tintos e por que não, geléias, são uma ótima pedida.: parmigiano, taleggio, pecorino, stracchino, fontina… a lista de queijos aqui é interminável.

E ainda temos os frios e salames, as sopas, os risotos, os doces a base de castanhas, chocolate e marron glace…a lista é interminável.

Marron Glacè com calda de chocolate

 

 

 

 

 

 

 

Fatias de panetone com creme mascarpone

Escolha o seu prato e buon appetito!!