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O Castelo Sforzesco de Milão

O Castelo Sforzesco de Milão faz parte das metas clássicas dos turistas e se encontra na extremidade da grande área de pedestres do centro da cidade.

Ele tem origem em 1360/1370 quando em Milão reinava a família Visconti. Depois de acontecimentos alternados, entre eles uma destruição, o castelo foi ampliado e assumiu a forma atual durante os últimos 20 anos do século 15, quando Milão era já um ducado e governado por Ludovico il Moro (membro da família Sforza, de onde o castelo pega o nome). Milão naquela época era cheia de obras: canalizaçoes, plantações de arroz, seda e fortificações.

 

castelo de milao

A corte milanesa naqueles anos era esplêndida, no ápice do Renascimento, repleta de festas e banquetes, música e bailes. Frequentada por poetas e artista, entre eles Donato Bramante e Leonardo da Vinci, que em Milão deixou uma marca incancelável, pintando a Santa Ceia, encomendada  próprio por Ludovico Il Moro.

Com a queda do ducado sforzesco e a invasão dos franceses, decaiu também o castelo, que foi utilizado nos séculos sucessivos e com várias transformações, só para funções essencialmente militares.

castelo-milao

A estrutura que vemos hoje é resultado de restaurações do final do século 19 e ínicio do século 20, que tentaram reformar o castelo nas formas que ele tinha durante o seu  máximo  esplendor nos anos do período sforzesco. O Castelo foi restituído à cidade e destinado a acolher museus e bibliotecas, assumindo a função cultural e pública que ainda hoje o caracterizam.

Com isso, podemos dizer que o castelo é um museu de museus: entre coleções, museus, bibliotecas e arquivos, hospeda 14 instituições que contém obras de peculiar preciosidade. Para visitar tudo, precisaria de dias. Próprio por isso, segundo a vontade e tempo, se pode decidir de não visitar nenhuma: o castelo vale uma visita só para se refrescar com os jatos da fonte que fica na entrada, admirar a sua estrutura esterna, os pátios internos e depois ir descansar no Parque Sempione, que fica atrás da fortificação.

fonte castelo de milao

Mas os turistas interessados em arte não se deixam escaparr a oportunidade de uma visita aos seus inúmeros museus. O mais famoso e frequentado é o Museu de Arte Antiga, situado na Corte Ducal. É alí, que se pode admirar uma das poucas obras que Da Vinci deixou em Milão, além da Santa Ceia: a Sala delle Asse.

A escultura Pietà Rondanini, de Michelangelo, que ficava exposta no Museu de Arte Antiga, agora está em um lugar só para ela, dentro da Enfermaria Espanhola da Praça das Armas (o bilhete é separado).

O museu também vale como dica de programa para a criançada em Milão, já que abriga uma coleção de armaduras e armas da Milão do século 13 e 14.

A parte superior da corte hospeda o Museu do Móvel  e a sua nova montagem apresenta uma interessante combinação entre design moderno e móveis de época. É alí também que fica a Pinacoteca do castelo que expõe quadros do século 13 ao século 16, de artistas ativos em Milão e na região da Lombardia.

Nos subterrâneos ficam os pequenos museus da Pré-História e Egito,  interessante para quem quer visitar sarcófagos e múmias.

O castelo abriga ainda o Museu das Artes Decorativas, que documenta o trabalho de  ourives, entalhadores, ceramistas e tecelões entre o ano 1000 e 1700 e o Museu dos Instrumentos Musicais, uma das coleções mais importantes da Europa e que abriga peças únicas à nível mundial.

museu do movel castelo milao

Apesar da montagem das exposições em alguns museus sentirem o peso da idade e precisarem de uma renovada, eu aconselho muito uma visita à alguns deles, já que eles são uma das coisas que essa cidade tem de melhor como história e cultura. O custo do bilhete é baixo e vale para a visita à todos os museus do complexo.

Fotos: Milão nas mãos e WikiCommons

OBS: Post atualizado em 11/05/2015

Castelo Sforzesco
Piazza Castello, 3
aberto todos os dias para visitas das 7 às 19.30
 
Pietà Rondanini – Praça das Armas (Castelo Sforzesco)
De terça a domingo das 9h às 17.30h (última entrada às 17h)
Bilheterias abertas até as 16h30
Bilhete Inteiro: 5 euros – Meia entrada: 3 euros (para maiores de 65 anos com documento)
 
Os museus do Castelo Sforzesco

De terça a domingo das 9h às 17.30h (última entrada às 17h)
Bilheterias abertas até as 16h30

Bilhete Inteiro: 5 euros – Meia entrada: 3 euros (para maiores de 65 anos com documento)

 
Grátis: menores de 18 anos –  às 1° e 3° terças-feiras do mês depois das 14h e todo 1° domingo do mês
 
OBS: o bilhete de 5 euros dá direito a todos os museus do castelo e a Pietà Rondanini 
 
 

A Pinacoteca de Brera

Apesar das recentes aberturas do Museu Novecentos e da Gallerie d’Italia e da maior notoriedade que a exposição dos Códigos Atlânticos de Da Vinci tenha dado a Pinacoteca Ambrosiana, o museu com mais prestígio de Milão é, com certeza, a Pinacoteca de Brera.

Situada no primeiro andar do antigo Palácio de Brera, faz parte do complexo que reúne outras instituições como a Academia de Belas Artes, a Biblioteca Braidense e o Jardim Botânico.

O bairro homônimo foi, no passado, um dos mais característicos graças aos artistas que frequentavam a Academia e o seu estilo boêmio feito de bares e bordéis. Hoje, é ainda um dos bairros característicos de Milão, mas por outros motivos: ainda é um bairro boêmio e ponto de referimento para a noite milanesa, mas os decadentes bordéis deixaram espaços para galerias de arte e lojas descoladas. Assim, o bairro virou um dos lugares mais chiques e in da cidade.

O Palácio de Brera foi um convento de jesuítas no século 16 e já abrigava um centro de estudos. Durante a dominação austríaca em Milão, a imperatriz Maria Teresa d’Austria baniu os jesuítas e em 1776 fundou a Academia de Belas Artes. A Pinacoteca nasceu inicialmente com finalidades didáticas: deveria constituir uma coleção de obras (moldes e pinturas) que os estudantes da Academia podiam usar como modelos.

 

Patio Pinacoteca Brera Milao

Com a chegada dos franceses, por vontade de Napoleão, nos primeiros anos do século 19 a Pinacoteca se transformou em um museu que tinha a intenção de expor as obras mais significativas dos territórios conquistados pelas armadas franceses. Em particular, abrigou numerosos quadros e afrescos descolados que pertenciam às igrejas e conventos banidos pelo novo governo.

A Pinacoteca de Brera, diferente de outros museus, como a Pinacoteca Ambrosiana, o museu Poldi Pezzoli ou o Bagatti Valsecchi, não nasceu do colecionismo privado mas de uma coleção do governo. O aumento dessa continuou com doações, trocas e aquisições, como por exemplo, a belíssima Ceia em Emaus de Caravaggio.

Brera Milao Ceia em Emaus Caravaggio

Na história da cidade, os milaneses sempre foram doadores  generosos: em 1982 a familia Jesi doou à Pinacoteca uma rica coleção de 60 obras dos maiores artistas italianos do início do século 20 (entre eles, Boccioni, Modigliani, Morandi e Martini) e alguns estrangeiros, como Picasso. Dessa maneira, a Pinacoteca preencheu uma lacuna e hoje permite aos visitantes uma excursão também nas obras do século 20, antes essencialmente ausente no percurso.

Picasso Modiglini Pinacoteca Brera Milao

A coleção Jesi  é só um dos exemplos das obras presentes em Milão que são  frutos de doações e que incluem também obras no Duomo, passando pela Pietà Rondanini de Michelangelo, exposta no Museu de Arte Antiga do Castelo Sforzesco e chegando até muitas das obras expostas no Museu Novecentos.

A Pinacoteca abriga um número incrível de artista e obras primas. A já citada Ceia em Emaus de Caravaggio o e O Casamento da Virgem de Rafaello são só algumas das obras presentes ao lado de outras de artistas como Mantegna, Tintoretto, Bramantino, Bergognone, Bellini, Luini e Hayez.

Casamento da Virgem Rafaello Brera Milao

Para quem está em Milão e aprecia um pouco de arte, uma etapa na Pinacoteca de Brera é obrigatória. A visita com um percurso dos quadros mais importantes dura mais ou menos 2 horas.

Pinacoteca di Brera 
Via Brera, 28  
De ter a dom das 8.30 às 19.15
Sextas até as 21.15
Fechada: segundas, 1 janeiro, 1 maio, 25 dezembro
Ingressos: 10 euros (inteiro) e 7 euros (reduzido)
Entrada grátis todo primeiro domingo do mês
Audioguia: 5 euros (disponível em  italiano, inglês, francês, espanhol e alemão)
 

 

Milão macabra: San Bernardino alle Ossa

Sim, como vocês podem intuir pelo título se trata de verdadeiros ossos humanos. No nome dessa igreja, pouco conhecida mas situada bem no centro e, por isso, facilmente acessível até para o turista mais apressado, tem também o seu conteúdo.

Igreja San Bernardino alle Ossa Milao

O exterior da igreja de San Bernardino alle Ossa

O ossário original foi construído no início de 1200 para acolher os restos do vizinho cemitério, que tinha se tornado insuficiente e pouco depois foi construída ao seu lado, uma igrejinha. O ossário foi danificado na queda da torre do sino de uma outra igreja alí ao lado (Santo Stefano) e foi reconstruído em 1676 como o vemos hoje, com as paredes decoradas por crânios e ossos humanos.

Ossario San Bernardino em Milao

O interior do ossário

No ínicio de 1700 foi construída a igreja atual e o ossário foi anexado, tornando-se meta de pelegrinação. As duas construções são ligadas por um pequeno corredor.

Do resto, não acrescento mais nada: mais do que uma longa descrição, essa igreja merece uma visita. São um dos poucos ossários (barrocos) do mundo.

ossario san bernardino em Milao

Detalhe de uma das paredes do ossário

Diz a lenda que quem a visitou em 1738 foi Don João V, rei de Portugal. Ficou tão encantado pela peculiar capela de ossos que decidiu construir uma semelhante em Évora.

Fotos: internet

San Bernardino alle Ossa
Via Carlo Giuseppe Merlo 4
Acesso livre
Seg. a sex: das 07.30 às 12.000 e das 13.00 às 18.00
Sábados: das  07.30 às 12.00
Domingos: das 09.00 ás 12.00
 

A mostra de Modigliani e a história das cabeças falsas

Foi inaugurada na semana passada no Palazzo Reale a mostra Modigliani, Soutine e os artistas malditos. A coleção Netter: mais de 120 obras de Modigliani, Soutine, Utrillo, Suzanne Valadon, Kisling e muitos outros artistas judeus ativos na Paris boêmia no ínicio do século 20, reunidas por Jonas Netter, caçador de talentos e colecionista.

Quadro Mostra Modigliani Milao

A obra Elvire com gola branca

Essa belíssima mostra nos dá a oportunidade de recordar o que aconteceu há quase 30 anos em Livorno (Toscana), cidade natal de Modigliani.

A história das falsas cabeças atribuídas a Modigliani encontradas nas valas livornesas em 1984 foi contata de muitas maneiras e com grande ênfase pela mídia que, no acontecimento, desempenhou um papel fundamental desde o início.

Descoberta obras modigliani livorno

A descoberta das esculturas em 1984

Durante a mostra celebrativa do centenário do nascimento de Amedeo Modigliani, na Vala Real de Livorno foram encontradas três cabeças esculpidas que muitos críticos e estudiosos de arte não exitaram em atribuir a Modigliani. A tese era de que o artista tivesse jogado as esculturas, inacabadas, porque não estava satisfeito com o próprio trabalho. Acolhida por todos os envolvidos como uma descoberta fantástica, a notícia se espalhou por todo o mundo até o momento que se descobriu que era tudo uma piada: uma brincadeira bem pensada de um grupo de estudantes livorneses, que tinham esculpido uma das três testas em uma noite, em uma garagem e usando ferramentas como uma furadeira Black  & Decker (marca que utilizou o acontecimento como publicidade).

Inicialmente os críticos não acreditaram na versão dos três rapazes e os acusaram de serem mitomaníacos. Os três foram obrigados a realizar novamente, ao vivo em um canal TV, a mesma escultura para colocar fim as dúvidas.

Os estudantes autores da brincadeira

As outras duas cabeças encontradas foram esculpidas por um artista que queria desmistificar os mitos construídos pela sociedade de consumo. A brincadeira é uma das mais famosas e bem sucedidas já realizadas no país e nos faz interrogar sobre a arte, os valores atribuídos às operas de artistas famosos e à potência dos meios de comunicação. Se os três estudantes não tivessem “se entregado” , hoje as três cabeças estariam expostas em algum museu com sistema de segurança moderno e valeriam milhares de euro.

 

Modigliani Soutine e gli artisti maledetti. La collezione Netter
Palazzo Reale – Praça Duomo
De 21 de fevereiro a 8 de setembro 2013
Segundas: 14.30-19.30
De Terça a Domingo: 9.30-19.30
Quinta e Sábado: 9.30-22.30
Ingressos: 11 e 9,50 euros

Milão: cidade de cariátides e telamones

Eu já comentei aqui que Milão não é uma cidade de beleza óbvia, escancarada, para turistas principiantes e desavisados. Eu digo turista porque esse é também um blog de turismo, mas mesmo muitos habitantes não sabem ver Milão com bons e educados olhos.

É uma cidade onde você tem que caminhar prestando atenção nos portões abertos de muitos palácios para ver se tem a sorte de descobrir os mais belos pátios da Itália (prometo um post sobre eles), caminhar olhando para cima, quando possível, para admirar seus jardins suspensos. Mas uma das coisas que mais adoro aqui, são essas quantidades infinitas de homen e mulheres “encostados” nas fachadas de palácios mais ou menos históricos das cidades e até das igrejas, como o Duomo. Quem são? As famosas cariátides e telamones.

estatua cariatide milao

Detalhe de uma cariátide em Milão

Cariátides são as esculturas utilizadas como sustentação, estrutural ou decorativa em uma construção. Seus equivalentes masculinos são conhecidos como telamones, chamados assim porque lembram Atlante, que na mitologia grega sustentava os pilastres do céu.

Utilizadas na antiga Grécia, são retomadas na arquitetura romanica italiana e, posteriormente nos séculos 16 e 17.

Estatua Duomo Milao

Telamone na fachada do Duomo

Meu palácio preferido em Milão é o Palazzo degli Omenoni (que faz parte das fotos do cabeçalho do blog), que significa Palácio dos Homenzarões e foi a casa de um excêntrico escultor do século 19, Leone Leoni. A residência deu nome a rua (Via degli Omenoni) e eu, todas as vezes que estou por perto, dou uma desviada e passo pela frente. A sensação de que aqueles 8 homenzarões estão alí  te seguindo e por que não, te cumprimentando, é impagável.

Casa Omenoni Milao

A famosa Casa Omenoni em Milão

Mas Milão tem várias e vários cariatides e telamones, incluindo as da famosa Duomo de Milão. Mas as mais famosas e que fizeram história na cidade, foram as duas estátuas criadas para o Palazzo Castiglioni em Milão, no ínicio do século 20 em plena sintonia com o novo estilo arquitetônico, o Liberty.

A cidade não estava pronta. Quando em 1903 foram retirados os andaimes da frente do palácio, a opinião pública se escandalizou com as duas estátuas que representavam duas graciosas donzelas desprovidas praticamente das roupas. O escândalo não impediu que os milaneses apelidassem o palácio de “Casa do Bumbum”. De qualquer maneira, as estátuas foram retiradas e 10 anos depois foram colocadas em um outro edifício, Villa Faccanoni, mas de localização menos central. Os bumbuns ainda estão lá.

Cariatides em Milao

As escandalosas cariátides do Palácio Castiglioni

Por isso, se você está passeando tranquilo em Milão, a dica é não olhar só as vitrines. A cidade oferece muito mais do que isso. Se delicie com as cariátides e telamones milaneses e eleja os seus preferidos.